Coroas e destino 2 = Entre o dever e o desejo

9 Anéis de Safira, Ousadia e o Beijo que Parou o Baile



​A noite do tão aguardado Baile de Noivado finalmente chegara. O Palácio de La Push parecia saído de um conto de fadas antigo: os jardins imperiais estavam iluminados por milhares de lanternas de vidro flutuantes, e o Salão Real brilhava sob cortinas de seda branca e arranjos suntuosos de orquídeas e lírios. Nobres de todas as províncias, generais da guarda e membros de reinos vizinhos lotavam o ambiente, entrelaçando conversas e brindando com taças de champanhe.

​No topo da escadaria, a Princesa Jaqueline aguardava o sinal dos cerimonialistas. Ela estava absolutamente deslumbrante em um vestido de gala azul-noite feito de cetim pesado, com espartilho estruturado que realçava suas curvas e um decote ombro a ombro adornado com minúsculos cristais que brilhavam como estrelas a cada movimento. Seus cabelos acobreados estavam parcialmente presos em uma trança elaborada, deixando fios ondulados caírem com elegância por suas costas.

​Mesmo trajando uma verdadeira armadura de beleza real, o interior de Jaqueline fervilhava. Ela segurava o leque de renda com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.

​— Respire, minha filha — sussurrou Renesmee, ajeitando o colar de diamantes no pescoço da jovem. — Você vai quebrar o leque antes mesmo de entrar no salão.

​— Eu não estou nervosa, mãe! Estou apenas recalculando quantas formas diferentes eu tenho para assassinar o Bernardo antes de assinarmos qualquer papel — murmurou Jaqueline entre dentes, mantendo o sorriso impecável para os fotógrafos e pintores da corte.

​Quando as cornetas reais anunciaram a entrada dos noivos, os portões de bronze se escancararam.

​Ao pé da escadaria, vestindo um uniforme militar de gala preto com detalhes em prata, dragonas reluzentes e a capa do Duque Herdeiro caída sobre o ombro esquerdo, Bernardo aguardava. Ele parecia ter saído de uma pintura de guerra: ombros largos, postura ereta e um olhar cinzento afiado que se cravou em Jaqueline no exato instante em que ela começou a descer os degraus.

​Jaqueline desceu com passos calculados, a cabeça erguida e o queixo altivo, encarando o noivo com todo o deboche que conseguia reunir. Quando alcançou o último degrau, Bernardo deu um passo à frente e estendeu a mão espalmada, curvando-se levemente em uma reverência perfeitamente executada.

​— Boa noite, minha futura esposa — disse ele, a voz grave e aveludada ressoando suavemente por cima do murmúrio dos convidados. — Devo admitir... a senhora superou todas as expectativas. Está perigosamente linda.

​— Guarde os elogios baratos para a sua corte de aduladores, Bernardo — devolveu Jaqueline em um sussurro provocante, aceitando a mão dele apenas por obrigação do protocolo. — Se der um passo fora do roteiro hoje, eu juro que enfio o meu salto agulha no seu pé de valsa.

​— Adoro quando você faz ameaças em público — sorriu o Duque, conduzindo-a com firmeza até o centro da pista de dança.

​O Rei Jacob e a Rainha Renesmee ocuparam o camarote de honra ao lado de Taylor e Carlie. Jacob ergueu a mão, pedindo a atenção do salão, e a música cessou imediatamente.

​— Nobres convidados e povo de La Push — declarou o Rei, a voz poderosa preenchendo o grande recinto. — Hoje selamos a união da nossa família e a continuidade do nosso sangue! O noivado da minha filha, Princesa Jaqueline, com meu sobrinho e Duque Herdeiro, Bernardo! Que as bênçãos dos ancestrais caiam sobre eles!

​Os aplausos ressoaram pelo salão com entusiasmo. Bernardo girou o corpo, ficando de frente para Jaqueline. Com um movimento calmo e calculado, ele meteu a mão no bolso da túnica e retirou um pequeno estojo de veludo negro.

​A nobreza prendeu a respiração. Jaqueline arqueou a sobrancelha, cruzando os braços sobre o peito em uma postura claramente defensiva.

​— Chegou a hora do circo, Duque? — debochou a princesa, tentando manter a guarda alta. — Espero que tenha treinado o seu discurso de noivo apaixonado, porque a plateia é exigente.

​Bernardo não respondeu. Em vez disso, deu um passo lento em direção a ela. Ele não ajoelhou, como mandava a tradição mais antiga e submissa, mas sustentou o olhar com uma intensidade tão crua e dominante que fez a boca de Jaqueline secar no ato. Ele abriu a caixinha, revelando um anel de ouro branco cravado com uma safira profunda cercada por microdiamantes — a Joia de Sangue da família de Taylor.

​— Eu não preciso treinar discursos, Jaque — disse Bernardo, a voz ressoando alta e clara para que os nobres mais próximos pudessem ouvir, embora seus olhos estivessem fixos unicamente nos dela. — Porque eu não estou prometendo um conto de fadas calmo. Eu sei quem você é. Sei da sua teimosia, do seu temperamento impossível, da sua raiva e do seu orgulho. E é exatamente por isso que eu te escolhi. Nenhuma outra mulher nesta terra tem o fogo que você tem. E eu prometo diante de todo este reino que vou passar cada dia da minha vida alimentando esse fogo e travando essa guerra ao seu lado.

​Jaqueline piscou, o peito arfando. Por uma fração de segundo, o deboche ruiu. O coração da princesa deu um golpe violento contra as costelas. As palavras dele não eram o roteiro clichê que ela esperava; eram um desafio direto, uma declaração de posse e paixão disfarçada de batalha.

​Antes que ela pudesse formular qualquer resposta afiada ou piada sarcástica para se proteger, Bernardo pegou a mão esquerda dela com uma firmeza delicada. Ele deslizou o anel de safira pelo anular de Jaqueline. O encaixe foi perfeito.

​— Agora... o toque final da tradição — murmurou Bernardo.

​— Nem pense nisso, Bernardo! O protocolo exige apenas um beijo na mão— avisou Jaqueline rapidamente, os olhos arregalados enquanto tentava puxar o braço.

​Mas Bernardo foi incrivelmente mais ágil. Ele ignorou solenemente o protocolo, segurou o pulso dela com uma das mãos e usou a outra para segurar a nuca de Jaqueline com firmeza, puxando-a para junto de seu corpo sem dar margem para qualquer esquiva.

​Antes que a princesa pudesse soltar um grito de protesto, a boca de Bernardo selou a dela com força, paixão e uma ousadia avassaladora.

​O salão emitiu um suspiro coletivo de choque, seguido por um silêncio absoluto.

​Não foi um beijo de etiqueta. Foi um beijo profundo, quente e exigente. A língua dele pediu passagem com facilidade, dominando os lábios dela e roubando todo o ar dos seus pulmões. A mão de Bernardo na nuca de Jaqueline mantinha o rosto dela preso ao dele, enquanto o abraço na cintura colava os dois corpos sem qualquer espaço de respeito.

​Jaqueline, que pretendia empurrá-lo ou morde-lo, sentiu as pernas fraquejarem instantaneamente. O cheiro de amadeirado e couro dele invadiu seus sentidos, e a eletricidade do toque fez com que suas mãos, em vez de baterem no peito dele, se agarrassem desesperadamente às lapidas da túnica militar dele para não cair. Ela correspondeu ao beijo por vários segundos intensos, esquecendo completamente a multidão, os pais e as suas próprias promessas de vingança.

​Quando Bernardo finalmente encerrou o beijo, afastando-se lentamente apenas o suficiente para que suas testas ficassem encostadas, a respiração de ambos estava descontrolada e ruidosa.

​Os olhos cinzentos do Duque faiscavam com uma vitória triunfante. Ele deu um sorriso de canto, lento e terrivelmente sexy, enquanto passava o polegar pelo lábio inferior de Jaqueline, que estava levemente manchado pelo batom dela.

​— Você disse que eu nunca te teria no leito conjugal, priminha — sussurrou ele, a voz tão grave que arrepiou até os fios de cabelo da nuca dela. — Mas pelo visto, no meio do salão de festas... você já é inteiramente minha.

​Jaqueline voltou à realidade de golpe, percebendo o que acabara de acontecer. O salão explodiu em aplausos entusiasmados e vivas dos convidados. Na varanda de honra, Jacob estava com a boca aberta de surpresa, enquanto Taylor gargalhava e batia palmas com orgulho do filho.

​As bochechas de Jaqueline queimaram em um tom vermelho-vivo de pura vergonha e fúria acumulada. Ela ajeitou a postura num salto, limpando os lábios com as costas da mão e apontando o indicador tremente contra o peito dele.

​— Seu... seu canalha abusado! — sibilou ela, a voz falhando ligeiramente por causa do tremor do momento. — Você me pagas por isso, Bernardo! Eu juro pela minha vida que você me paga!

​— Mal posso esperar pela cobrança, Princesa — respondeu Bernardo, oferecendo-lhe o braço com a maior cara de pau do mundo enquanto a orquestra começava a tocar a valsa principal. — Agora sorria para as fotos... a noiva precisa parecer feliz.