Notas iniciais
Bom dia pra quem é de bom dia! Quem diria que afazia encaixaria tão bem em um poema de amor?

No cajueiro frondoso sentados

A companhia um do outro, desfrutavam

Mais doce que a fruta, eram os beijos trocados

A solidão da donzela, juntos, eles matavam

Às escondidas, se encontraram

Cada vez uma aventura

Em meio às flores, seu amor, consagraram

Ficar sem o outro era tortura

Os beijos doces de caju maduro

As mãos ousadas feito galho ossudo

Por cantos jamais explorados

Se amassaram, se amaram

O gosto lhe escorria pelos lábios

Feito a fruta suculenta

Lhe prenchia os sentidos, em tormenta

Seu cheiro, seu gosto, seus risos

O corpo dourado pelo sol reluzia

Chapéu na mão, lhe deixava em afazia

Como seu cheiro em si prendia

A boca seca, as mãos tremendo, o comichão

Ah, certeza! Era paixão.

Notas finais
O cajueiro é uma lembrança muito boa que tenho da minha infância. Eu subia no pé pela manhã e saía só de tardezinha, passava o dia todo ali. Era um sentimento bom, mas completamente do nosso peão e da nossa não-mais-tão-donzela-assim. Espero que estejam gostando de ler tanto quanto estou gostando de escrever ❤