Corações em conflito

3 Histórias de família


Notas iniciais
Hey! Este capítulo será uma continuação do capítulo anterior, o meu maior foco foi na família Secura devido atividades futuras, algo mais preparatório. P.S.: Prestem atenção nos detalhes.

Continuação...


Obi-Wan ficou sem palavras, seu rosto ainda permanecia sério até que aquele momento foi interrompido por uma voz feminina que chamava todos para a sobremesa, soltei o braço do professor Kenobi e ele mudou sua rota, desviou da porta e agora estava indo ao encontro da irmã. O que estava se passando na cabeça dele eu não sabia dizer, já no de Padmé.


Olhei para trás e ela ainda estava parada no corredor, não podia ver seu rosto apenas uma silhueta, no mesmo lugar que havia a deixado. Ayla surgiu e impediu que eu pudesse continuar a vigiando.


– O que pensa que esta fazendo? – Ayla perguntou séria.


– Como é? – Fiquei com medo que ela tivesse me visto com Obi-Wan.


– Está indo embora sem se despedir de Padmé? – Fiquei aliviado.


– Ah... Eu não estou indo embora. – Me afastei da porta e fui em direção do corredor. – Estou indo... – Apontei para Padmé, que ainda permanecia parada. – Já volto. – Pude ver um olhar de desaprovação na face de Ayla.


Cheguei sorrateiro até perto de Padmé, encostei minhas mãos em seu ombro, ela deu um pequeno salto e se virou surpresa, não havia nenhum resquício de choro, ela apenas estava séria, mas quando me viu tentou esconder a excitação por trás de um apertar de lábios e curvar de sobrancelhas.


– Padmé... – Respirei fundo. – Me desculpe por isso, sei que é sua família mas desconfie do professor Kenobi, temi que ele fosse contar para alguém, suas palavras não me convenceram, de imediato só pensei que poderia segui-lo para ter certeza que aquilo que ele nos prometeu era verdade. – Menti.


Consegui inventar toda essa história apenas indo da porta até o corredor, o que não era difícil mas nas devidas circunstâncias, tudo poderia ser arriscado. Não foi a melhor desculpa, confesso, poderia tê-la planejado melhor, mas foi à primeira coisa que me veio à cabeça e eu não teria tempo para imaginar outra. Fiquei esperando sua resposta, esse suspense todo me deixava tenso.


– Anakin, ele é meu tio, não mentiria para mim! – Ela parecia furiosa ou no máximo ofendida.


– Não fique ofendida, foi só o instinto e o medo. – Tentei amenizar minhas palavras.


– Não se preocupe, nunca fomos tão próximos, Ayla sempre disse que a tia Secura sempre foi mais ligada com ele do que meu pai e ela tem razão. – Ela estava me testando. – Mas não é bom que você cause problema com a família sem menos ter oficialmente entrado para ela.


O que? Oficialmente? O que ela quer dizer com isso? Não pude responder a essa afirmativa, tentei permanecer neutro, sei que se tivesse alguma reação, não seria de alegria. Quais eram as intenções de Padmé? Fiquei tão confuso que não percebi que ela me puxava pelo braço e me dirigia até a cozinha onde a sobremesa estava sendo servida.


A Sra. Secura me serviu um pedaço incrivelmente grande de pudim e fomos para a sala, a música agora estava mais baixa do que o normal, eles estavam em roda, uns sentados no sofá, outros apoiados no piano, havia uma conversa dispersa ali mas quando todos estavam juntos uma conversa envolvendo a família começou a acontecer. Eles contavam história do passado, coisas pessoais e engraçadas, por um momento fiquei constrangido por estar participando daquilo mas as histórias eram tão engraçadas que quando percebi já estava rindo como a maioria.


– Lembra quando íamos no sitio do vovô? Sinto falta daquele lugar. – A Sra. Secura ameaçou ficar triste com a lembrança mas alguém tirou sua atenção e voltaram novamente a recordar de momentos bons que passaram lá.


– Lembram quando Ben quebrou a beliche? – Obi-Wan revirou os olhos com um sorriso no rosto.


– Essa história? – Ele comentou meio envergonhando mas ainda rindo.


– Ela não pode faltar. Escutem. – Um jovem moreno de olhos azuis começou a falar. – Ben inventou de brincar daquela brincadeira, como era? Gato mia. – Ele riu. – Todas as luzes estavam apagadas, mamãe não gostava que brincássemos dessa brincadeira, dizia que era muito perigosa e que alguém podia se machucar, mas pra gente, nunca nada iria acontecer, até que... “Miau” – Ele imitou. – Um miado fino percorreu os quatro cantos do minúsculo quarto que tínhamos achado pra brincar. Observação, eram sete pessoas no cubículo. – Algumas pessoas riram, algumas cochicharam “nossa”. – Depois do miado, um silêncio... “Gato mia” falaram, silêncio... e do nada se ouviu um BAM e um “sai sai sai” quando acendemos a luz, Ben tinha quebrado o beliche e pior, Mace era o gato e estava embaixo do beliche. – Todos começaram a rir muito, inclusive eu. Mace era o pai de Padmé e ele estava meio sério. – Imaginem Mace lá, todo amassado. Todos ficamos desesperados, mamãe nos daria a maior bronca do século, conseguimos levantar o colchão e Mace estava desmaiado. O que faríamos? – Ele deu uma pausa olhando para as pessoas. – Deixaríamos ele lá, claro! – Todos riram mais uma vez. – “Arrumamos” o beliche e deixamos ele deitado na outra cama, quando mamãe perguntou dele dissemos que acabou dormindo e ela nem desconfiou de nada, quando Mace acordou ele não se lembrava de nada e não desmentidos com medo que ele fosse contar pra mamãe, só depois de um bom tempo que contamos a real história.


– O que você fez pra quebrar a cama Ben? – Padmé perguntou.


– Seu tio era quem pegava o gato, ouvi que seu pai estava perto de mim, mas não sabia exatamente onde ele estava, eu não queria ser confundido então tentei fugir o mais rápido possível quando ouvi seu tio se aproximar, pulei com a maior força em cima da cama e fui pro chão junto com o colchão. – Ele falava meio alegre, suas vibrações tinham melhorado muito depois da nossa quase conversa.


– Ah ah e daquela vez do abajur da vovó? – O mesmo homem falou rindo muito. – Conte, conte você.


– Ah não. – Ele estava meio envergonhado por minha causa, depois que ele chegou daquele jeito percebi que com a família ela era desinibido.


– Por favor. – Algumas pessoas fizeram em conjunto. Ele olhou pra mim e eu consenti com a cabeça.


– Tudo bem. – Ele colocou o prato que segurava em cima da mesa e começou a contar. – Começando que aquele era o abajur preferido da vovó. – Alguns chiaram. – Shmi e eu queríamos ver a boneca que ela sempre deixava na cômoda, por sorte naquele dia a casa estava quase vazia e conseguimos entrar no quarto dela escondidos, me estiquei para alcançar a boneca e ela fez o mesmo, conseguimos pegá-la ao mesmo tempo mas não queríamos soltar para que um pudesse ver primeiro, puxei pra trás e ela para frente, puxei com mais força, ela puxou de volta, até que ela soltou a boneca e a força que eu fazia para puxa-la para mim, me fez cair para trás amassando e trincando um lado do abajur. Imaginem a cena e as nossas caras, aquilo era o xodó da vovó e nem lá nós deveríamos estar. – Todo mundo riu e eu não me contive, comecei a imaginar a cara de Obi-Wan. – Tentamos virar para um ângulo que se ela entrasse não poderia perceber. Acabamos por deixar a boneca de volta e saímos o mais rápido.


– Genial Ben, eu me lembro desse dia como se fosse hoje. – Shmi ria como uma criança. Fico feliz de vê-la bem. – Também lembro daquele dia, escute essa Ayla, próximo ao natal nós fazíamos um “caça ao tesouro”, sabíamos que vovó escondia nosso presente pela casa e todo ano a gente procurava para saber o que era antes da hora, naquele ano achamos no quarto do fundo embaixo da cama uma caixa enorme toda embrulhada e linda, chacoalhamos para tentar descobrir o que era e nada, Ben pegou e disse “é assim que se balança”, ele mexeu com tanta força que enfim conseguimos ouvir uns barulhos, mas não descobrimos o que era. Quando estávamos voltando do quarto vovó nos viu e perguntou “O que estavam fazendo na outra casa?” – Ela usava uma voz característica para cada personagem e isso deixava ainda mais engraçada. – Nós nos olhamos, havíamos sido pegos de surpresa. A mamãe chamou a vovó e ela dispersou, sorrimos aliviados mas ouvimos elas conversarem “Já comprou o presente de casamento?” “Sim, taças de cristal, guardei no quarto do fundo pras crianças não mexerem”. – Foi inevitável não rir, Obi-Wan e a Sra. Secura aprontaram muito quando crianças.


A conversa havia seguido outro caminho e quando já era bem tarde todos começaram a se arrumar para partir, eu havia realmente me divertido com todas aquelas histórias, a família de Ayla era muito animada e eu senti vontade de fazer parte dela, mas não como namorado de Padmé. Tentei ligar para minha mãe, mas meu celular estava sem sinal. “Que droga” falei sozinho.


– O que foi? – Padmé perguntou se aproximando.


– Meu celular, não consigo ligar para meus pais. Como vou embora agora? Já está tarde.


– Não se preocupe, eu te levo. – Surpreendentemente Obi-Wan parou e se ofereceu para dar carona. O que ele estava fazendo?


– Ah não posso... – Padmé me interrompeu dizendo algo que eu realmente não estava esperando.


– Vá Anakin, Ben quer te fazer um favor. – Ela só estava dizendo aquilo porque queria concertar o clima estranho que a fiz acreditar que era real.


– Como sabe onde ele mora? – Ayla chegou para me causar calafrios.


– Eu não sei, mas posso descobrir. – Ele apontou para mim, Obi-Wan pensou rápido.


– Mas por que mesmo dessa sua boa vontade com o Anakin? – Ela estava com os braços cruzados.


– Ele é um bom aluno. – Retrucou, pessimamente mal, todos sabiam que eu não era, não para a aula dele, inclusive Ayla, que retrucaria de volta.


– Bom aluno? Se me permite lembrar ele participou só de duas aulas suas. – Ela estava ficando furiosa.


– E as que participou, foi bom! – Ele estava indo cada vez pior, espero que essa conversa não se estenda.


– Como é? Ele disse que sua aula era desnecessária Ben! – Desta vez ela tinha os braços soltos ao lado do corpo, suas mãos estavam prontas para socar alguém.


– Vamos Anakin? – Obi-Wan colocou a mão em meu ombro e me puxou com pouca força, ele abriu a porta e eu sai por ultimo seguido por Padmé que me abraçou e me deu um beijo no rosto, sussurrou que logo nos veríamos de novo, sorri.


Não contive meu nervosismo e logo que entramos no carro dei uma bronca em Obi-Wan por ele ter se saído tão mal com as “desculpas” que começou a inventar para Ayla.


– Fiquei completamente desarmado, Ayla cuspia as palavras com tanta fúria e você se saiu tão mal. Ela poderia ter descoberto.


– Descoberto o que? Que eu queria te dar carona? Anakin pense, não tinha nada que pudesse fazer ela imaginar que temos algo a esconder.


– E se depois dessa conversa ela começar a desconfiar? E se ela nos investigar? – Obi-Wan riu.


– Anakin, Ayla é só uma garota. Não se preocupe e eu não costumo mentir, isso não é da minha índole, por isso me sai tão mal.


Parei, eu estava agindo como minha mãe, Obi-Wan assim como eu, tentou esconder seus sentimentos durante toda a noite e eu havia dado a ele novas esperanças, como pude apagar algo tão importante e me importar com Ayla? Fiquei com tanto medo que pudesse ser descoberto que neguei novamente o que estava a minha frente, olhei para ele, ele tinha um sorriso no rosto, seu cabelo desta vez estava todo bagunçado, ainda mais bonito.


– Obi-Wan? Desculpe por isso. – Abaixei a cabeça.


– Agora que sabe meu apelido de família, pode me chamar por ele. Sem cerimônias. – Obi-Wan queria que eu o chamasse de Ben, já era novidade chama-lo de Obi-Wan, eu teria que me acostumar com isso.


Estava impossível que as palavras saíssem da minha boca, elas estavam presas e não queriam ser libertadas, havia tanta coisa para se dizer, tanto para me desculpar. Eu desapareci mas algo nesta noite reviveu em mim e descobri que não posso mais me desfazer disso. Preciso enfrenta-lo e continuar, devo me entregar a essa sensação, assim como ele se entregou. Estive o tempo todo com meus pensamentos achando a melhor forma de falar o que eu gostaria, era tarde demais, Obi-Wan estacionou, estávamos em casa.


– Anakin...


Esta seria a hora, me aproximei dos seus lábios o mais rápido que pude, ele estava tão perto e com a mesma rapidez que eu me aproximei, ele se afastou. Meu coração bateu ainda mais rápido, fiquei parado mas quando percebi que era aquilo mesmo que tinha acontecido voltei ao meu lugar muito confuso, ele tinha seus olhos fechados e uma respiração ofegante.


– Não Anakin, sinto muito.


– Não Obi-Wan, eu disse que não acabou pra nós.


– Não tiro sua razão, realmente não acabou, tive tempo de analisar a situação e percebi que fui precipitado ao te beijar naquela noite, não quero agir assim novamente e não posso deixa que aja também. – Meu coração estava apertado, temi por uma rejeição, mas não pude negar, ele estava certo, o beijo, foi isso que me assustou da ultima vez, Obi-Wan era sábio.


– O que devemos fazer professor? – Senti ele tremer, Obi-Wan me olhou com aqueles olhos intensos, passou a mão nos cabelos respirando fundo e voltou a olhar para baixo.


– Precisamos sair, como conhecidos. – Ele falou.


– Para onde? – Perguntei ansioso.


– Qualquer lugar que iria com amigos. – Isso era minha primeira lição? Afinal estava tomando aquilo como uma aula, alguém precisava me ensinar a controlar esses meus sentimentos em conflito e só ele poderia.


– Assistir algum filme? – Foi a primeira coisa que pensei.


– Esta é sua ideia? – Ele voltou a me olhar, arqueando a sobrancelha direita.


– Sim! – Respondi decidido. Minha real vontade era ter terminado o que tentei começar, mas ele sabe o que faz, suas lições valerão a pena.


– Então será isso, no próximo final de semana.


Relutante sai do carro, um pouco abatido por Obi-Wan ter negado o beijo, desta vez consegui chegar ao topo da escada a tempo de ver ele se preparar para sair, olhei para trás e diferente da ultima vez, ele esperou e acenou com um sorriso. Decididamente estava começando uma nova fase em minha vida e aquele estava sendo o sinal de partida.

Notas finais
Espero que tenham gostado, o que estão achando dos personagens? Me falem a escolha de vocês, estou aberta a sugestões e criticas, obrigada pela leitura e por acompanharem