Coração é terra que ninguém vê
14 Entrega
Diana estava jogada na imensa cama da suíte, mortificada pelo seu próprio comportamento, chocado como seu ciúme tinha sido tão facilmente despertado. "Hera, o que há de errado comigo?", Ela perguntou-se, vasculhando o mini-bar em busca de mais vodka. Ela estava com as bochechas vermelhas, encharcadas de lágrimas despejadas de forma incontrolável.
Bruce chegou lá cerca de meia hora depois dela e acionou o trinco de acesso da porta, percebendo que estava trancada. Bom, agora estava bem claro para ele que ela estava furiosa. Ele esfregou os olhos em sinal de frustração. Uma dor de cabeça começou a se construir entre as têmporas e ele moveu suas mãos até a cabeça para aliviar a pressão.
— Diana, por favor, abra a porta. Eu sei que você está aí. – Bruce pediu calmamente, tentando não irritá-la ainda mais. – Vamos Diana, por favor, abra a porta! Vamos conversar!
Bruce insistiu outras vinte vezes e tudo que recebeu foi um silêncio aterrador. Ele agora também estava irritado, sentado na porta, esperando ela abrir. Por que ela estava tão zangada? Ele deveria estar irritado com ela pelo resto da vida. O que ela queria? Que ele rastejasse como ele fez em Themyscira? Pra quê? Pra ela ter a chance de lembrá-lo do quanto um homem mortal como ele é apenas insignificante pra ela?
— Abra essa porta imediatamente, Diana, ou eu sou capaz de arrombar essa porcaria! – Bruce gritou, batendo violentamente na porta, furioso por estar de novo bancando o estúpido, indo atrás dela, implorando para que ela o deixasse entrar no próprio quarto, enquanto ela se esquivava dele, covardemente.
Diana destravou a porta e voltou a se enroscar nos travesseiros da enorme cama de casal da suíte de luxo.
— Você quer me dizer que merda é essa que está acontecendo com você, Diana? – Ele despejou, olhando pra ela, que estava em posição fetal na cama, de costas pra ele. – Você está viajando como amante de Bruce Wayne, princesa. Ele é um notório mulherengo e um perfeito cafajeste, que não está preocupado com nenhuma mulher nesse mundo. Sua única intenção é alimentar a merda do seu ego, saindo com as mulheres mais bonitas do universo, e dispensando-as depois, sem remorso. Achei que você entenderia isso. É um ato repetido à exaustão, tudo para fazer dele um grande símbolo de frivolidade, estupidez e egoísmo. Tudo que o Batman não é!
– Eu não vejo por que você não pode fazer esse seu papel estúpido de forma mais civilizada, sem se esfregar na amante oferecida de um homem de meia-idade. – Ela praguejou ainda enrolada nos travesseiros.
Bruce visivelmente foi tomado por um acesso de fúria: – Isso não é justo, Diana! Não banque a mulher desprezada... Não comigo. Foi você quem disse que eu não servia pra você. Que não passo de um ‘mortal patético’. – Os olhos dele ferviam. – Você entende como é difícil pra mim, Diana? Estar num ambiente social com você, sozinho?
Ela não respondeu, apenas se encolheu ainda mais.
— Sabe o que eu não aguento? – Ele continuou – Esse seu fingimento. Você finge que se importa, mas você não se importa com nada além dos seus deuses e da sua maldita ilha, Diana. Você está com raiva porque alguém me quer quando você não quer, nunca quis. Você nunca me amou!
Então ele confessou, com os ombros arqueados, simbolizando sua frustração purgada: – Você quer que eu admita que essa viagem também tem outra razão de ser? Eu queria ver até onde as coisas iriam, Diana. Eu já estou vendo onde foram. Estar com você aqui não deveria me trazer mais frustração. Não me obrigue a carregar mais cruzes do que as que eu carrego!
Bruce encostou-se à parede, cansado, exaurido, como se as forças tivessem sido-lhes tiradas de uma vez. Diana voltou os olhos pra ele e então ele percebeu que ela o evitara porque estava chorando. Os olhos estavam já muito inchados, revelando o tempo prolongado das lágrimas.
Ele sentiu-se quebrado de novo. Mas não porque ela o rejeitara e sim porque ele a fizera sofrer.
— Eu te amo, Bruce. – Ela disse, quase sem voz. Era um murmúrio, quase uma oração – Eu sei que não tenho direito de dizer isso, mas eu te amo. Eu nunca deixei de amar, nem por um segundo, desde que eu o conheci.
— NÃO MINTA PRA MIM! PARE DE MENTIR PRA MIM! – Ele cuspia furiosamente, com os olhos vertendo fúria e dor.
— Eu não estou mentindo, Bruce – Ela respondeu com uma voz calma e suave, levantando da cama e indo em direção a ele, para acalmá-lo, colocando as duas mãos em seu rosto. – Eu menti pra você uma única vez em toda minha vida e isso me custou muito caro. Eu paguei o preço, Bruce... Eu ainda hoje, neste momento, estou pagando cada centavo do meu erro.
Ele levantou-se para olhá-la nos olhos. Ela, finalmente tomando a iniciativa, colocou os braços ao redor de sua cintura, puxando-o para perto, em seguida, delicadamente o beijou. Os olhos de Bruce expressaram sua surpresa com a ação dela e seu corpo começou a protestar, tentando se afastar. No entanto, a força da amazona prevaleceu. Ela silenciou seus protestos com um beijo forte e ávido, para o qual ele não tinha resposta, a não ser entregar-se ao seu poder.
A cabeça de Diana estava girando com a confissão de Bruce. Ela podia sentir o coração dele bater fortemente contra seu peito enquanto ela o beijava. A boca dele estava dura no começo, provavelmente insegura de suas ações, mas em seguida, as comportas se abriram com a intensidade das duas paixões, travando um duelo ‘caliente’ e desmedido.
De repente, ela parou o abraço tão rapidamente como começou para olhá-lo nos olhos e Bruce sentiu um redemoinho súbito de dúvida em seu estômago. Finalmente, incapaz de ser parado pelas insuportáveis questões, Bruce despejou seus lábios nos dela e novamente a beijou frenética e desesperadamente. Logo a guerra que travaram entre eles tornou-se uma batalha pelo toque e gosto um do outro, tanto quanto fosse possível.
É certo dizer que ambos estavam ansiosos para consumar novamente sua ligação outrora perdida – seu vínculo desfeito – sem atrasar um segundo mais. Era uma reivindicação ao direito que ambos tinham de sentir todos os sabores um do outro, de rever os arrepios na pele nua despertados pelas palavras eróticas sussurradas ao pé do ouvido, o gosto das línguas, os batimentos acelerados de seus corações, a avidez de suas paixões. Não havia necessidade de champanhe ou de rosas... Depois, haveria tempo pra isso. Se eles parassem aquilo agora, não encontrariam o seu caminho de volta para este momento tão cedo.
Bruce começou lentamente a deslizar a mão suavemente até o interior das coxas firmes de Diana, desfazendo-se da peça branca minúscula que cobria suas intimidades. Era sua necessidade assumindo o controle. Daí por diante, quando suas últimas barreiras físicas e emocionais estavam sendo quebradas, para conexão final, não houve mais qualquer hesitação.
Por um momento seus olhos se encontraram. Eles podiam sentir a necessidade e a fome derramada sobre eles. Novamente suas bocas faziam os caminhos para entrelaçar suas línguas, cobrirem os lábios e pescoços com mordidas, provocando seus gemidos abafados entre beijos. Suas mãos exploravam a perfeição de seus corpos. Bruce inclinou-se mais na cama, para traçar seu caminho do pescoço até os seios de Diana. Ela, por sua vez, sentia que precisava dele. Precisava ser preenchida por ele, literal e metaforicamente.
— Você tem certeza, Diana? – Ele perguntou, levantando o olhar para vê-la, ofegante.
Ela acenou em sinal positivo com a cabeça, sentindo a dureza da excitação dele pressionada contra ela. Então contraiu seus quadris levemente para frente, respondendo fortemente aos seus estímulos.
Diana sentiu o esticar dos músculos pélvicos quando ele a preencheu. Era um sentimento prazeroso, com uma pitada sutil e estimulante de dor. Ele a beijava cada vez mais forte enquanto movimentava os quadris em ritmo cadenciado, ajustando-se cada vez mais perfeitamente dentro dela. A leve dor desvaneceu-se rapidamente quando o prazer deu-se a assumir todo sentimento. ‘Pelos deuses, como eu amo o que ele faz’, ela pensou, com as mãos agarrando as costas do príncipe de Gotham, e as unhas arranhando-as, à medida que a intensidade de seu frenesi se desdobrava.
O sentimento de conclusão para ambos era esmagador. Eles se acalmaram e fecharam seus olhos, deslumbrados com a intensidade dos prazeres e do seu amor adormecido. Diana sentiu as lágrimas quentes que fluíam para fora dos cantos dos olhos, fazendo trilhas molhadas para baixo suas têmporas, enquanto tentava dar um jeito no cabelo desgrenhado que formava uma cortina derramada pelos travesseiros.
— Princesa? – Bruce sussurrou, olhando para ela ternamente. – O que está havendo?
Ela abriu os olhos lentamente para encontrá-lo olhando fixamente para ela. Ela sabia que ele podia ler em seus olhos as emoções honestas e abertas, que sempre estiveram lá: amor, desejo, necessidade e carinho. Quando ela olhou para ele, Diana podia ler essas mesmas emoções em Bruce. Seu Bruce! Ela sabia que ele a amava, mas agora, porém, seus olhos azuis revelaram algo novo – algo que tinha desaparecido há muito tempo. Algo que muitas vezes ela acreditava ser impossível encontrar neles novamente. Algo pelo qual ela ansiava: Entrega.
(...)
Eles fizeram amor por quase toda tarde até pouco mais das 19h30. Bruce olhou para ela, os olhos ainda pesados de desejo, mas o corpo exausto acabou-se afundando ainda mais na cama. Ele soltou um suspiro final de liberação, já saciado e em seguida, puxou-a para si, saboreando a sensação inebriante de seu corpo nu contra o dele. Ele gostava de tê-la com a cabeça recostada em seu peito, de sentir o cheiro delicioso do seu cabelo na altura de seu queixo, de seus braços envolvendo-o em um forte abraço, que acabara por dizer a ele o quanto ela não queria soltá-lo.
— Onde diabos você aprendeu esse último truque, princesa?! – Bruce perguntou ainda bem-humorado – Mas não me diga nada se por acaso você... dormiu com outro cara – Bruce praguejou, sem esconder o ciúme. – Eu sinceramente prefiro não saber.
Diana normalmente acharia um comentário assim totalmente sexista e desnecessário vindo de qualquer pessoa, mas nos lábio de Bruce, tudo aquilo lhe parecia a divertida birra ciumenta de um menino rico e mimado que não gosta de dividir. Mas ela também sabia como ele podia ser excessivamente inquietante quando era possessivo e superprotetor. Mas agora ela não se importava. O ciúme era afinal um ótimo indicador de que ele ainda a queria para si.
— Grande Hera, Bruce! Claro que não – Ela respondeu com um sorriso maroto – Encontrei uma descrição sobre isso em uma das revistas que li quando estávamos à beira da piscina. Havia uma coluna especial com as confissões picantes das leitoras em um caderno especial sobre sexo. Você ficaria surpreso com as dicas afoitas dessas mulheres devoradoras de homens.
Bruce riu com a expressão ‘devoradora de homens’. ‘Ela realmente está lendo muitas dessas revistas’, pensou.
— O que mais há de interessante nesses artigos sobre sexo, princesa? – Bruce, perguntou, divertindo-se.
— Bom, um deles afirma que um homem na sua idade, gozando de boa saúde, normalmente leva em média de 15 à 20 minutos para conseguir outra ereção após o primeiro orgasmo! – Ela respondeu com uma careta divertida, franzindo o cenho.
‘sexy como inferno’, Bruce pensou.
— É sério? – Ele sorriu pra ela e deu uma piscadela digna do espírito sedutor e Casanova de Bruce Wayne, o playboy mulherengo – Eu só preciso de três. Dê-me apenas este tempo e eu lhe asseguro, princesa, eu vou fazer você gritar meu nome mais uma vez.
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