Coração selvagem

27 XXVII - Visitas


Yuka ficou alguns dias no hospital. A operação foi ótima e quando o médico tirou as ataduras ao redor da cabeça dela, que cobria seus olhos, ela enxergava embaçado e o médico disse que era normal. Ela ficou emocionada por ver nossos vultos mesmo não nos vendo em detalhes. Quando ela finalmente começou a enxergar nitidamente, nosso grupo estava brigando para ver quem iria para o quarto dela primeiro, já que não poderiam ir muitas pessoas para o quarto.

– Eu quero ir! – Amaya insistia, levantando a mão.

– Oe, eu sou irmã dela, eu vou.

– Tá, mas eu vou também!

– Eu também! – Madoka exclamou.

– Uhm...? – disse confusa.

– Não vai ser demais todos de uma vez? – Mitsue perguntou.

– Acho que sim. – Katsumi disse.

Cada par estava ao lado de sua namorada e eles não falavam nada já que estávamos prestes a brigar pra ver quem iria primeiro.

– Que tal as meninas e depois os meninos? – Madoka disse animada.

– Vai ser estranho. – Harumi disse.

– É. – fiz cara de tédio.

– Que tal Midorima-kun, Tsubaki e Murasakibara-kun? – Mitsue optou.

– Eh? Nande?! – Madoka exclamou.

– Porque Midorima-kun é namorado dela, Tsubaki irmã e Murasakibara-kun namorado de Tsubaki. Eles ficam mais na casa dela do que todas nós.

– Não acho justo. – Madoka fez bico.

– Madoka, é só pra ela não ficar tão confusa em nos ver. – Katsumi disse – Não vai dar pra ela “decorar” nossos rostos de uma vez.

– É, baka. – Aomine disse apertando as bochechas dela.

– Run! – ela disse emburrada – Tá bom. Mas não pense que você sempre vai ser o primeiro! – ela exclamou para Midorima, que ficou espantado.

– Tá bom, psicopata. Ainda bem que ela só vai fazer essa cirurgia uma vez. – eu disse – Vamos.

Midorima, eu e Atsushi passamos pela porta e andamos pelo corredor. Quando chegamos em frente a porta do quarto onde ela estava eu toquei a maçaneta e parei.

– Daijoubu? – Midorima perguntou.

– H-Hai. – disse, mas não pude evitar não tremer.

– Oe, vai ficar tudo bem. – Atsushi disse, pondo a mão gentilmente em meu ombro.

– É que... – dizia nervosa e ao mesmo tempo feliz – A gente esperou tanto tempo... Não acredito que finalmente aconteceu. – sorri para os dois.

Eles me olharam surpresos e sorriram. Me voltei para a porta e a abri, entrando com eles. Quando entramos, meus pais conversavam com Yuka, que estava sentada na cama, sorrindo. Midorima a olhou, encantado.

– Yuka. – disse prestes a sorrir.

Ela nos olhou e vimos seus olhos: castanhos.

– Minna! – ela sorriu – Tsubaki, você é realmente alta.

Fiz cara de tédio.

– Arigatou...

Midorima a olhava quase ficando boquiaberto.

– Mido-chin. – Atsushi o cutucou.

– Oe...

– Murasakibara-kun é tão alto que quase chega ao teto. – ela riu feliz.

– Hum, arigatou. – ele disse, achando graça.

Ela fitou Midorima e sorriu, seus olhos marejaram.

– Ohayou. – ela disse com a voz falha.

– O-Ohayou. – ele disse, passando o dedo por debaixo dos óculos.

– Ne... – minha mãe sorriu – Vamos deixá-los a sós.

Meus pais saíram do quarto e eu fui até Yuka, abraçando-a. Ela sorriu e tocou meu cabelo, que estava solto e escorregou, caindo pelo meu ombro. Eu senti tanta vontade de chorar, mas de felicidade. Ela estava nos vendo, estava nos vendo de verdade! Yuka sorriu me olhando e disse que eu era linda. Eu corei sorrindo e em seguida saí do quarto com Atsushi. Midorima ficou e a observava de longe.

– Ne. – ela sorriu, achando graça – Pode chegar mais perto.

Ele sorriu e o fez, sentando ao lado dela na cama. Ela sorriu e aproximou as mãos de seu rosto, tirando seus óculos e em seguida tocando seu rosto. Ele a olhava admirado e ela sorria, o olhando.

– Você é tão bonito... – ela o olhava e uma lágrima escorreu de seus olhos.

Ele acalmou o olhar enquanto a olhava e aproximou o rosto, beijando-a. ela fechou os olhos e o abraçou com os braços ao redor de seu pescoço.

Ele a abraçou e o beijo ficou mais intenso. O resto do pessoal veio depois aos poucos e quando Madoka entrou no quarto com Aomine, Katsumi e Akashi, ela correu em direção à cama e pulou em cima de Yuka, gritando animada e dizendo “minha loira!”. Yuka riu e logo reconheceu sua voz. Eles conversaram e Yuka dizia como elas eram bonitas, assim como quando Mitsue, Harumi e Amaya entraram com Kise, Kuroko e Kagami. Quando o horário de visitas terminou, eu fiquei com Yuka no hospital para nossos pais descansarem em casa. Ela receberia alta no dia seguinte.

– Ele é tão bonito... – ela dizia apaixonada, fitando o teto.

Eu ri.

– Hum, que bom.

Ela sorriu.

– Então?

– Eh? – ela me fitou, eu estava deitada no sofá.

– Já quer dormir com ele pra saber como é?

Ela corou e desviou o olhar.

– H-Hai. – riu.

Eu ri.

– Deve ser incrível, ne?

– Bem, é sim. – sorri.

Ela sorriu e logo em seguida fomos dormir. Não consigo descrever como estou feliz e eufórica com Yuka enxergando. Dez anos. Dez anos! Todo esse tempo esperando e ela finalmente conseguiu a cirurgia. Era incrível.

No dia seguinte Yuka teve alta e poucas semanas depois enquanto eu estava com Atsushi na casa dele, – especificamente em sua cama – ela estava com Midorima em sua casa. Yuka precisou ser reeducada em relação aos seus sentidos. Todos giravam em torno de sua falta de visão, então eles ficavam bem mais evoluídos, ou seja, ela precisava se acostumar com sua visão, ver o mundo literalmente e adaptar-se. Depois dessas semanas de novas aprendizagens, Midorima e ela marcaram de dormirem juntos para Yuka finalmente descobrir como era com ela enxergando.

Ela estava sentada na cama e os dois estavam nus de frente um para o outro. Yuka pedira para ele ficar sentado para ela o olhar e ele estava envergonhado.

– Hum, está bom? – ele desviou o olhar.

– Hum. – ela balançou a cabeça – Está com vergonha?

– Um pouco. – ele ajeitou os óculos.

– Mas eu também estou nua. – ela disse sem entender, tombando a cabeça.

Ele a olhou admirado e sorriu.

– Você é linda.

Ela corou, desviando o olhar.

– Arigatou. – sorriu – Quando me vi pela primeira vez no espelho, eu... Eu me senti bonita.

Ele sorriu, a olhando e ela corou, pondo a mão sobre a boca.

– Então é isso? – sorriu, querendo rir por ver uma ereção.

– Uhm... É. – ele disse, pegando o travesseiro e pondo-o na frente – Gomen.

Ela sorriu, achando graça.

– É engraçado.

– “Engraçado”?

– Hum. – sorriu – É... Bonito. – corou – Eu acho. – riu.

Ele corou e acalmou o olhar, pegando na mão dela e pondo-a sobre ele para segurá-lo. Yuka corou e ele sorriu, vendo sua expressão envergonhada. Ele aproximou o rosto e beijou seu pescoço. Ela sorria e sentia os beijos dele enquanto o olhava. Ela tocou seu braço, sentindo-o e se olhando tocá-lo. Ele a beijou e a deitou, continuando. Enquanto faziam, ela o olhava enquanto ficava cada vez mais ofegante. Olhava para seus olhos, os traços de seu rosto, seu corpo. Ele corava enquanto a olhava e se movia e ela sorriu, beijando-o. Finalmente ela fez o que tanto queria: olhava em seus olhos enquanto faziam amor.