Coração selvagem

13 XIII - Verão


Notas iniciais
Bem grandão só pra vocês! o/ s2s2s2s2

Aquele baka tinha razão. Eu não quis, mas senti realmente a falta dele. Principalmente por ele ficar mandando fotos dele na viajem para o meu celular. Na rua, uma mensagem dele com foto em anexo: ele numa quadra de basquete. Na minha vizinhança, mensagem com foto em anexo: foto da rua onde ele está hospedado, que devo admitir ser bem bonita. No meu quarto, mensagem com a foto em anexo: ele com uma paisagem maravilhosa ao fundo. Na última eu suspirei e quis mandar uma mensagem de volta, perguntando se aquilo tudo era para me irritar. Porém não o fiz, se não ele pensaria que eu estivesse com saudades dele se por qual fosse o motivo louco.

Resumindo, minhas férias foram uma droga. Mas as de Yuka e as outras meninas não. Por exemplo, Yuka numa das várias vezes que estava com Midorima no quarto – que eu preferia ignorar o fato e nem saber o que acontecia – se beijavam sentados na cama dela. Midorima a abraçava enquanto se beijavam e ela apertava levemente sua blusa, corando. Seu cabelo era curto, mas mesmo assim ela conseguia prender a metade dele. Midorima pôs a mão em seu cabelo e o soltou, continuando o beijo. Ela não compreendeu, mas continuou. Pelo menos até ele começar a subir lentamente sua blusa para tirá-la.

– Não... – Ela disse, parando o beijo e se endireitando.

– Gomen. – Ele disse, a olhando – Você... Não está pronta ainda?

– Não é isso. – Ela disse encolhida.

– Então o que? – Ele perguntou, preocupado.

– Não vai ser justo.

– Por quê?

– Porque... – Ela corou – Você vai poder me ver e eu não.

Ele a olhou, surpreso.

– Eu não me importo com isso. – Ele disse gentilmente.

– Mas eu sim! – Ela disse chateada – Você não sabe como é viver no escuro. Eu só consigo “ver” você com as mãos e tentar imaginar como você é com o que os outros me dizem. Mas eu queria saber com meus próprios olhos. Eu... Quero, sabe. – Ela corou – Mas não quero fazer nada antes da cirurgia.

– E quando vai ser?

– Quando conseguirem um doador compatível. – Ela disse cabisbaixa – Já tem... Mais de dez anos que eu estou esperando.

Ele acalmou o olhar, compreendendo e ficando chateado por Yuka não parecer mais tão positiva.

– Vai ficar tudo bem. – Ele disse gentilmente, pondo uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.

– Não vai. – Ela disse e seus olhos marejaram – Eu nunca mais vou voltar a enxergar, ne?

Ele a olhou, surpreso. A abraçou, levantando-a e deitando na cama dela, o que a fez se deitar também. Yuka se encolheu em seus braços, fechando os olhos.

– Vai chegar alguma hora. – Ele disse convicto – Você merece enxergar.

Ela balançou a cabeça, negando.

– Ne, – Ele pensou – Como você ficou cega?

– Eu tinha cinco anos. – Ela disse – Ainda estava com minha mãe biológica. Ela tinha a mania de pôr amônia liquida dentro do forno por causa gordura. Acho que ajudava na hora de limpar. Numa dessas vezes, eu acordei de manhã e fui para a cozinha. Não lembro direito, mas vi aquilo dentro do forno e o abri. Pus a mão dentro pensando que era água ou sei lá. Vi minha mãe vindo e ela me olhou. Ela disse alguma coisa que eu não me lembro e eu cocei os olhos. Lembro da dor até hoje. Ela não sabia o que fazer e me levou para o hospital, mas eu acabei ficando cega.

– E como você foi parar na adoção?

– Ela não aguentou cuidar de mim. – Yuka disse sem expressão – Eu me lembro quando ela me deixou lá dizendo que alguém melhor que ela iria cuidar de mim. Um ano depois meus pais me adotaram. – Ela sorriu levemente.

Midorima a abraçou mais forte.

– Nee, Yuka. – Ele disse – Eu nunca vou te deixar por causa disso, ok?

– Hai. – Ela disse suavemente, pegando levemente na blusa dele.

...

As férias aconteciam e Amaya andava pelo comércio, tomando um sorvete de morango. Ela olhava as vitrines e se distraiu com uma delas, onde havia um vestido lilás de babados que ela gostou. Sorriu, pensando em comprar e voltou a andar, porém esbarrou em alguém e deixou cair seu sorvete.

– Ah... – Ela disse surpresa e olhou para a pessoa – Gomen nas... Você! – Ela apontou para ele.

Kagami a olhava com cara de tédio.

– De novo?

– Bakagami!

– Oe, não me chama assim! – Ele disse.

– Argh! – Ela disse – Você é um idiota! Nem nas férias pára de derrubar minha comida!

Ela o encarou e deu meia volta, indo embora. Amaya voltou alguns quarteirões e chegou à sorveteria onde havia comprado seu sorvete. Pediu mais um e o homem de cabelos grisalhos e sorriso amigável deu a ela outro.

– Arigatou. – Ela sorriu – São dois, ne?

– Hai.

– Aqui. – Kagami disse, entregando uma nota de dois ao homem.

Amaya o olhou surpresa e franziu o cenho, saindo andando. Kagami foi atrás dela, porém era ignorado.

– Vai ficar com raiva porque eu paguei? – Ele perguntou – Era isso que você queria, não era?

Ela não respondeu, apenas mexia em sua bolsa.

– Oe...! – Ele ia exclamar, mas Amaya esticou a mão na frente de seu rosto.

Kagami a olhou em dúvida e via uma nota de dois.

– Não preciso de um mal educado pagando as coisas pra mim. – Ela disse – Você devia ter pagado meu sanduíche.

Ela encostou a nota no peito dele e saiu andando. Kagami a pegou antes que caísse e apenas viu Amaya ir embora. Ele se apressou e se aproximou dela, pegando em seu braço e fazendo-a olhar em seus olhos com raiva, o que o deixou surpreso.

– Não quero de volta, paguei porque eu quis. – Ele disse sério.

– Eu não pedi pra pagar. – Ela insistia – Você não diz que eu não olho por onde eu ando?

Ele fez cara de tédio, vendo que realmente disse aquilo.

– Baka. – Ela se soltou, voltando a andar.

– Oe, por que você sempre diz isso?

– Porque você é!

Kagami ficara surpreso, viu os olhos de Amaya marejados. Ele a via ir embora e já há metros de distância, ela limpou o rosto. Ele viu e ficou mais surpreso, começando a andar. Amaya foi até um parque e se sentou no banco de madeira. Comia seu sorvete e as lágrimas caíam sozinhas enquanto ela as limpava constantemente.

– Hum... – Kagami suspirou – Eu nunca entendo vocês...

– Eh...! – Ela exclamou, vendo-o sentado no mesmo banco – N-Nani?

– Não te tratei tão mal pra você chorar. – Ele disse sem emoção – Só se você for fresca mesmo. O que você tem?

– Não te interessa. – Ela virou o rosto.

– Hum. – Ele voltou-se para frente – Então é algo. – Pensou.

Amaya comia seu sorvete, esperando a hora de ele terminar para sair dali.

– Brigou com sua mãe hoje? – Ele perguntou – Está estressada por causa disso?

Ela não respondia, apenas comia seu sorvete.

– Seu pai?

Nada.

– Tem irmã?

Ela o ignorava. Ele fez cara de tédio e a olhou surpreso, vendo-a levemente corada. Não achou que poderia ser aquilo, mas pôs a prova. A olhou dos pés a cabeça e percebeu como ela era fofa, bonita.

– Você tem namorado? – Ele perguntou.

Ela não respondeu.

– Oe, estou falando com você! – Ele exclamou, pegando em seu braço e fazendo-a olhá-lo.

– Não! – Ela disse, fazendo-o soltá-la e virando o rosto novamente.

– Fresca...

– Baka.

Ele fez cara de tédio.

– Hum, é Nori Amaya, certo?

– Hai. – Ela disse sem olhá-lo.

– Você gosta de mim?

Ela parou de comer, arregalando os olhos.

– Não. – Hesitou.

– Mentira.

Amaya rangeu os dentes.

– Por que eu gostaria de você! – Ela o olhou, indignada – Você é um grosso, mal educado, não sabe nem tratar uma garota direito e é um idiota!

– Então por que gosta de mim?

– Uhm...! Eu não gosto! – Ela exclamou.

Ele passou o dedo no sorvete dela e sujou seu nariz. Ela o olhou em dúvida pelo ato. Ele a olhava sem expressão, porém havia certa gentileza em seus olhos. Ela corou e levantou, indo embora apressadamente enquanto limpava o sorvete do nariz. Kagami não foi atrás dela, apenas a viu ir embora e deixou escapar um leve sorriso.

...

Num dia de semana ao qual todos estariam estudando se não estivéssemos de férias, Madoka estava no ponto de ônibus esperando. Ela marcou de sair com Mitsue e Kise, mas se atrasou e agora ficava com cara de tédio enquanto esperava pelo próximo. Seu celular começou a tocar e ela o pegou, atendendo.

– Moshi, moshi?

– Madoka, onde você está? – Mitsue perguntou.

– Hum... Perdi o ônibus, estou esperando o próximo.

– Hum. – Mitsue suspirou – Você tem que começar a se arrumar duas horas antes. Você demora muito! O filme já vai começar.

– Gomen, podem ir na frente. Eu devo chegar em vinte minutos.

– Hai, hai.

Mitsue desligou e Madoka guardou o celular, suspirando. O ônibus chegou depois de dez minutos e ela entrou, logo fitando Aomine num dos bancos do meio do ônibus.

– Oi. – Disse sem jeito, se aproximando.

Ele a olhou surpreso.

– Yo. – Sorriu – Vai pro centro?

– Hum, cinema. – Ela sorriu sem jeito.

Ele deu espaço a ela, que sentou.

– Vai sozinha? – Perguntou em dúvida.

– Não, Mitsue e Kise-kun já estão lá. Eu me atrasei. E você?

– Comprar fones novos.

– Hum. – Ela sorriu levemente.

Os dois ficaram calados por toda a viagem de ônibus. Madoka não o olhava e Aomine olhava pela janela, hesitando em olhá-lo. Quando Madoka ia descer, levantou e o olhou.

– Vou descer aqui. – Sorriu levemente – Ja ne.

– Hum, vou também. – Ele disse calmamente.

– Eh? Sério?

– Hai.

Os dois desceram do ônibus, que voltou a andar e começaram a caminhar. Aomine fitou uma loja e olhou para Madoka.

– Ne, vem comigo. – Ele disse, pondo o braço em volta do pescoço dela e a levando com ele.

– Eh...?

Entraram na loja e Aomine analisou alguns fones numa das prateleiras. Madoka se perguntava por que estava ali e olhou a hora em seu relógio, vendo que perdera meia hora do filme. Aomine pegou um fone de ouvido e foi até o caixa para pagar. Madoka o fitava e pensava no que essa conscidência ia dar até que ele se aproximou.

– Ne, vamos.

– H-Hum. – Ela disse sem jeito, voltando a andar com ele.

Os dois andaram um pouco depois de saírem da loja e Madoka parou, fazendo-o parar quando percebeu.

– Daijoubu? – Ele perguntou sem entender.

– Por que está vindo comigo? – Ela perguntou, o olhando sem entender.

– Vou te levar até o cinema. – Ele disse em dúvida – Nande?

– Hum. – Ela balançou a cabeça – Já perdi meia hora do filme mesmo. – Deu de ombros.

– Ah... Gomen. – Ele disse acalmando o olhar – Mas... Hum.

Ela o olhou.

– Até que seria uma boa. – Ele disse, esfregando a nuca com a mão.

– Nani?

– Ir ao cinema.

Ela o olhou surpresa.

– Sério?

– Hum. Já tem um tempo que eu não vou. – Ele disse sem jeito.

– H-Hai. – Ela abaixou o olhar.

– Ne? Vamos.

Ela o olhou e começou a andar ao passo que ele também. Minutos depois chegaram ao cinema e compraram as entradas. Aomine disse para Madoka ir na frente e ela o fez, sentando em um lugar da sala do cinema. Ela olhava pelo lugar, vendo que estava praticamente vazio e Aomine chegou com um balde médio de pipoca e dois refrigerantes. Foi até Madoka e sentou ao seu lado, o que a fez corar quando ele deu a ela a pipoca e o refrigerante.

– N-Não precisava ter comprado. – Ela disse com o balde em seu colo.

– Na verdade eu comprei pra nós dois. – Ele deixou uma risada escapar – É que não dava pra segurar tudo.

– Ah... Por que não pediu pra eu ficar? Eu podia ter trazido.

– Hum. – Ele sorriu, pegando uma ou duas pipocas do balde.

Como o balde de pipoca estava no colo de Madoka e ele precisava aproximar a mão para pegar mais, ela corou sem saber por quê. O filme começou e a sala escureceu, deixando Madoka com mais vergonha ainda. Como o filme era da categoria terror com várias cenas de sangue e órgãos saindo do corpo, Madoka não conseguia comer e muito menos olhar para as cenas do filme. Aomine comia e bebia o refrigerante tranquilamente até perceber que ela não estava comendo nada e mal estava olhando para a tela.

– Nani? – Perguntou.

– Por que escolheu um filme tão nojento?

Ele riu.

– Eu perguntei o que você queria ver e você disse “tanto faz”.

– Porque pensei que você escolheria um filme de ação ou sei lá. – Ela o olhou – Não é isso que os garotos escolhem?

– Pensei que você gostava.

– Eu lá tenho cara de que gosto de tripa saindo do corpo? – Ela torceu a expressão.

Ele riu.

– Se quiser a gente vai embora.

– Não. – Ela desviava o olhar da tela – Você comprou as entradas.

– De qualquer jeito você não está vendo. – Ele disse, achando graça.

Houve mais uma cena com órgãos sendo puxados para fora do corpo e Madoka pôs o balde de pipoca na frente de seu rosto, apertando os olhos ao passo que Aomine riu.

– Baka... – Ela disse, se encolhendo.

Ele a olhou, querendo rir mais e pôs a mão em sua cintura. Ela abriu os olhos, corando e ele aproximou o rosto, beijando-a. Ela ficou surpresa, mas aos poucos fechou os olhos. Continuavam a se beijar, mas pelo menos até uma mulher no filme gritar e Madoka se assustar, parando o beijo por se tremer pelo grito. Aomine riu e ela fez cara de tédio.

– Vamos embora. – Declarou, se levantando.

Ele riu e a seguiu. Foram a uma praça e se sentaram no banco onde havia um chafariz atrás. Madoka suspirou e apertou os olhos, se encolhendo.

– Nani? – Ele perguntou já rindo.

– Parecia tão real. Que nojo...

Ele riu e ofereceu seu refrigerante. Madoka o pegou e bebeu um gole, já que esquecera o seu na sala do cinema.

– Só não pense no sangue enquanto bebe. – Ele disse.

Ela parou e devolveu o copo a ele, o que o fez rir.

– Você é tão idiota... – Ela suspirou.

– E você gosta. – Ele riu.

– Não. – Ela virou o rosto, corando levemente – Mitsue vai me matar.

– Não avisou a ela?

– Não. – Ela disse – Se bem que ela esté com Kise-kun.

– Hum. Ne, vamos.

– Pra onde?

– Andar.

Madoka levantou sem entender e o seguiu. Andavam lado a lado e ela ainda não compreendia por que estavam andando. Já havia escurecido e ela corou, querendo ficar mais na companhia dele.

– Nee, está tarde. – Comentou.

– Tem que ir cedo pra casa? – Ele perguntou.

– Hai.

– Eu te levo.

–H-Hum, arigatou.

Aomine pegou o ônibus com Madoka e foram para a casa dela. Ao chegarem, ela percebeu que o carro dos pais não estava na garagem e foi até a entrada com Aomine.

– Ne, ja ne. – Ele disse, se virando para ir.

– A-Anou...

– Uh? – Ele a olhou.

– Se quiser pode entrar. – Ela disse sem jeito, corando levemente por querer ficar mais com ele.

– Tem certeza?

– Hai. – Ela o olhou – Está me devendo um filme, então...

Ele sorriu achando graça e entrou com ela. Estavam na sala assistindo a um filme de comédia e Aomine olhava para Madoka de vez em quando, reparando em seu sorriso quando ela ria. Havia um espaço entre eles e Aomine o diminuiu, se aproximando dela. Madoka corou levemente, o olhando e parando de rir aos poucos. Ele pôs a mão gentilmente em sua bochecha.

– A-Anou... E-Eu... Não quero aquilo, tá? – Ela disse sem jeito.

– Tá... – Ele sorriu – Me diz quando quiser parar.

– H-Hum.

Ele sorriu e a beijou. Madoka fechou os olhos e o beijo ficava cada vez mais intenso enquanto os minutos passavam. Ela deixava escapar alguns suspiros e o abraçou, pondo os braços ao redor de seu pescoço ao passo que ele pôs os braços ao redor de sua cintura. Madoka estava com uma jaqueta e Aomine começou a abaixar o zíper, cessando beijo e a olhando para ver se ela pediria para parar. Ela não disse nada e continuaram a se beijar. Aomine tirou a jaqueta dela e deitaram no sofá, o que tornou tudo mais intenso. Ele apertava gentilmente a cintura dela e pôs a mão em seu seio, apertando-o gentilmente. Madoka apertou seu cabelo e ele sentou, fazendo-a se sentar em seu colo e continuar o beijo. Beijo de língua, ela sentada com as pernas abertas praticamente encaixada nele e ele apertando sua cintura fazia Madoka pensar na possibilidade de dormir com ele. Aomine abriu sua blusa e começou a beijar seu seio ao passo que passava gentilmente a mão pela coxa dela enquanto ela mordia o lábio. Ela corou, apertando sua blusa e ouvi o bater de portas do carro, arregalando os olhos e sentando rápido do sofá.

– N-Nani? – Ele perguntou confuso.

– Você não ouviu? – Ela perguntou ofegante, fechando a blusa e pondo a jaqueta.

Ele a olhou em dúvida e viu os pais de Madoka passarem pela porta, arregalando os olhos quando eles o fitaram.

– Madoka? – A mãe dela disse em dúvida – Pensei que estava no cinema com sua amiga.

– Hai. – O pai dela disse, desconfiado.

– H-Hai. – Ela disse – Perdi o horário e encontrei Aomine-kun no ônibus. Fomos juntos e ele me trouxe em casa.

– E “Aomine-kun” não devia ter ido embora depois de te trazer? – O pai dela perguntou, franzindo levemente o cenho em direção a Aomine.

– G-Gomen, Mizuki-san. – Aomine disse nervoso – Anou… É que eu devia um filme a sua filha e… Etto...

– Mas vocês não acabaram de vir do cinema?

– Hai, pai. – Madoka disse – É que era de terror e eu quis ir embora.

–Hum. – O pai dela disse – Mas é melhor ele ir embora. Já está ficando tarde.

– H-Hai. – Aomine disse.

Madoka se sentiu envergonhada e levou Aomine até a porta. Estavam do lado de fora e ela não conseguia olhá-lo.

– G-Gomen. – Ela disse sem jeito – Não sabia que eles chegariam.

– Hai. – Ele disse, achando graça – Daijoubu. Foi até engraçado.

– Eh?

– É que... – Ele disse sem jeito, esfregando a nuca com a mão – Eu nunca conheci os pais de uma garota. Ainda mais assim. – Deixou uma risada escapar.

Ela corou.

– Então...

– Foi divertido. – Ele riu.

Ela o olhou, admirada. Pensou que ele ficaria com raiva dela.

– Vamos sair de novo, mas... – Ele riu – Não me convida pra entrar. Acho que seu pai não gostou de me ver na sua sala.

– H-Hum. – Ela sorriu levemente, corando – Hai.

– Hum, ja. – Ele disse, se virando.

– Ja ne.

Ele sorriu novamente, dando um aceno e foi embora. Madoka sorriu gentilmente e ficou admirada. Foi para se quarto depois de achar graça em seu pai apertando os olhos em sua direção ao passar pela sala e pegou o celular do bolso, começando a digitar e enviando a mensagem.

“Para: KATSUMI;

Mensagem: Você nem imagina o que aconteceu agora!”

...

No ultimo dia de férias, para o meu desagrado em relação a dormir até tarde, eu estava no quarto dormindo o máximo que podia. Balançava as pernas deitada de barriga para baixo e sem conseguir dormir, o que me frustrava mais ainda. A aula começaria amanhã e eu precisava dormir! Não que eu estivesse cansada, mas eu acordaria cedo e odiava isso.

Eu repassava minhas férias mentalmente e vi que a única coisa boa que aconteceu comigo foi eu poder dormir até tarde. E o meu “até tarde” se resumia às 10 da manhã já que minha mãe me gritava para eu levantar. O resto das minhas férias não teve nada. Nenhuma saída legal, filme bom na TV, nada! As únicas saídas curtas que eu dava era para comprar as coisas para minha mãe no mercadinho perto de casa. Que saco! Além de eu ter que ficar vendo as fotos que Murasakibara ainda mandava para o meu celular. Claro, ele ainda devia estar viajando e queria fazer eu me sentir mal já que eu estava em casa. E pensar que eu ainda tenho que fazer o Sukiyaki pra ele. Baka!

– Tsubaki? – Yuka apareceu na minha porta.

– Hai.

– Vou sair com Midorima.

– Hum, bom pra você. – Disse desanimada.

– Eh? Não quer ir conosco? Você não saiu as férias inteiras.

– Não, deixa. Eu só iria atrapalhar vocês.

– Hum... Tem certeza?

– Hai, hai. – Disse – Vou procurar alguma coisa pra fazer.

– Tá... Ja ne.

Na verdade eu não procurei nada pra fazer, apenas fiquei deitada na cama e olhando para o teto. Pensei em ficar navegando na internet, mas não tinha nada que me chamasse atenção. Pensei em escrever, mas não tinha ideia alguma. Pensei em ver TV, mas ainda não havia nada de bom passando. E o que eu menos queria fazer, me ligou.

– Moshi, moshi? – Disse desanimada.

– Tsubaki. – Murasakibara cantarolou com sua voz arrastada.

– Nani? Quer jogar na minha cara que eu estou em casa e você viajando?

– Eh? Por que eu faria isso? Ia te chamar pra ir na lanchonete perto do colégio, Baki-chin. – Ele disse pidão.

– Não me chame assim, já falei! – Exclamei – E eu pensei que ainda estava viajando.

– Iie. – Ele cantarolou – Cheguei à tarde.

– Hum. Foi legal? – Perguntei como se quisesse mesmo saber.

– Seria melhor se você estivesse lá comigo. – Ele sorriu.

– Eh?! – Corei – N-Nande? Pra você me perturbar como sempre? – Disse nervosa – Não fale essas coisas!

Ele riu.

– Nee, se arrume e vá pra lanchonete. – Ele disse e desligou.

– Uhm...! Oe! – Exclamei, mas não adiantou.

Fiz cara de tédio e vesti a primeira coisa que vi: um short branco jeans, uma blusa de alças com um desenho na frente e uma jaqueta já que mesmo no calor a noite era um pouco fria. Fui para a lanchonete e ele já estava lá. Quando me fitou, sorriu e deu um aceno animado. Fiz uma expressão desanimada e fui até ele, prestes a me sentar a sua frente.

– Espere! – Ele disse.

– Eh? Nande?

– Não vamos ficar. – Ele disse simplesmente.

– C-Como assim?

– Vamos pra minha casa.

– N-Nani?! – Exclamei, corando – Não, não! Disse a minha mãe que viria rápido aqui!

– Não devia ter falado isso. – Ele disse calmamente, levantando – Você me deve um Sukiyaki e eu quero jantar.

Arregalei os olhos, indignada. Eu era empregada agora?! E ele não esqueceu a droga do Sukiyaki? Cobrador!

– E-Eu não posso!

– Vamos logo. – Ele disse, pegando minha mão e me fazendo ir com ele.

Exclamei para parar, mas ele andava me levando junto. Como a lanchonete era perto do colégio, fomos de ônibus para a casa dele e eu torcia para haver àquele dia uma reunião de família. “Onegai, onegai, onegai...”, pedia mentalmente. Mas para o meu azar rotineiro, não havia ninguém na casa dele. Nem Jun! Nós entramos e eu analisava todas as rotas de fuga para sair dali. A porta dos fundos, a da frente e até as janelas. Ele tirou o tênis e foi até a cozinha tranquilamente. Eu não sabia o que fazer. E se minha mãe ligasse? O que eu diria?

– Nani? – Ele perguntou da porta da cozinha.

– E-Eh... Minha mãe vai ligar daqui a pouco.

– Hum, isso é fácil. – Ele disse, se aproximando.

Não compreendi e arregalei os olhos quando ele pôs a mão no meu bolso de trás e pegou meu celular.

– O-Oe...!

– Shh! – Ele disse, digitando algo – Yuka-chin está com Mido-chin agora?

“Yuka-chin?”, pensei em dúvida.

– Hum, hai. Nande?

Ele apenas sorriu e continuava a digitar. Quando me devolveu o celular eu li a mensagem: “Yuka, diga pra mamãe que eu estou com você. Devo chegar em casa umas nove horas.”. Arregalei os olhos e suei frio.

– N-Nani...?

– Assim ela não te liga. – Ele disse calmamente – Então?

– Eh?

– Comprei tudo pra você fazer o Sukiyaki pra mim. – Ele sorria – Quer que eu fique na sala ou posso te assistir cozinhar?

Engoli a seco o olhando, ele sorria e eu não soube interpretar seu sorriso. Era como se ele estivesse feliz mesmo. Por quê?

– F-Fica na sala. – Disse, desviando o olhar.

Ele assentiu e foi se sentar no sofá, ligando a TV. Não gostei de ter que fazer o jantar pra ele, eu não era nenhuma empregada! Mas... Fiquei aliviada por quitar essa promessa que fiz. Fui para a cozinha e tudo estava em cima da mesa. Acalmei o olhar, de certa forma admirada. Ele arrumara tudo pra mim. As panelas, talheres para cozinhar, os ingredientes. Abaixei o olhar, pensando e ainda me perguntando a razão para tudo o que ele fazia.

Enquanto eu fazia o molho na panela, pensava. Murasakibara parecia ter algum retardo mental. Sério, ele parecia uma pessoa com um parafuso a menos. Me deu aquela bala daquele jeito sem nunca ter falado comigo, fez aquilo no vestiário para me avisar, “testou” o que disse no quarto dele no dia do trabalho, disse simplesmente e do nada que era meu amigo, me beijou e depois disse que era melhor começar com amizade, no encontro ele me beijou de novo e quase me despiu, no primeiro dia de féria antes de viajar ele me beijou de língua e disse para eu sentir falta dele. Que garoto era esse?!

Pus o molho numa tigela e fui até a carne e o frango. Fiquei surpresa, eles já estavam cortados em fatias finas e eu precisava apenas grelhá-los. Acalmei o olhar e fitei a porta da cozinha. Será que ele cortou tudo aquilo pra mim? Fiquei com vergonha, mas continuei a cozinhar. O que havia de errado comigo?

Quando terminei, fui até a porta da cozinha.

– A-Anou. – Disse sem jeito com a mão no batente.

Ele me fitou.

– Etto... Já está pronto. – Disse sem coragem de olhá-lo.

Ele desligou a TV e veio até mim, vendo a mesa e arregalando os olhos, surpreso.

– Você fez isso tudo? – Perguntou.

A mesa estava posta e a tigela com o jantar dele na mesa com os hashis ao lado e um copo de suco à frente dos hashis. Não vi grande coisa nisso, ele não queria jantar? Eu janto assim.

– Hai. – Corei levemente – Tive que procurar os hashis e fazer o suco, mas...

– Arigatou.

O olhei em dúvida e fiquei surpresa. Ele olhava para a mesa, feliz. O olhei admirada e levemente envergonhada por ele ficar feliz por isso.

– Hum. – Assenti, desviando o olhar – N-Nande? Sua mãe não faz assim pra você?

– Hum. – Ele balançou a cabeça – É porque você fez isso tudo pra mim. – Ele me fitou.

O olhei e ele sorria. Abaixei o olhar, corando e ele se sentou, começando a comer depois do “Itadakimasu”.

– Então... Eu vou agora, ne. – Disse me virando.

– Nande?

– Eh? – O olhei.

– Você fez tudo. – Ele disse, mastigando – Janta comigo.

Corei, mas o fiz. Peguei uma tigela, pus a comida e sentei ao lado dele, começando a comer. Enquanto comia, o olhava de vez em quando e para ele a comida parecia realmente estar muito boa. Quando terminamos, eu bebia o suco no copo e ele suspirava, recostando as costas na cadeira. O olhei em dúvida e pus o copo em cima da mesa.

– Nee?

– Hum. – Ele sorriu pra mim.

– Foi você que cortou a carne e o frango?

Ele desviou o olhar, abaixando-o e não me respondeu. Acalmei o olhar.

– Você sentiu minha falta? – Ele perguntou.

– Me responda primeiro. – Pedi.

Ele me olhou.

– Achei que ficaria mais fácil.

– Deve ter sido trabalhoso. – Disse sem olhá-lo.

– Na verdade não. – Ele sorriu – Eu sempre ajudo minha mãe na janta. Como ela tem que cozinhar muito porque meu pai e eu comemos muito, ela obrigava meus irmãos e eu a ajudá-la quando todos moravam aqui já que era mais gente pra comer. – Ele disse, achando graça – Estou acostumado.

O olhei surpresa e acalmei o olhar.

– Hum, arigatou. – Disse suavemente – Eles saíram?

– Hum, eu pedi.

Corei, abaixando o olhar.

– Vai me responder agora? Eu respondi sua pergunta. – Ele disse – Sentiu minha falta?

O olhei e ele sorria.

– Run. – Disse séria, virando rosto.

Ele deixou uma risada escapar como se já soubesse minha reação e levantou.

– Bem... – Disse calmamente – Acho que é meu trabalho agora lavar tudo. – Ele disse, pegando as tigelas de cima da mesa.

O olhei em dúvida e o vi ir até a pia. Levantei num impulso e fui até ele. Quando ele terminava de lavar, eu secava tudo e guardava. Enquanto eu o fazia, ele me olhava às vezes, como se me analisasse. Eu não queria olhá-lo por receio de ele estar me olhando e eu corar por vê-lo me olhar, mas... Não sei por quê... Me senti bem com aquele dia. Acho que... De repente... Meu último dia das férias de verão foi realmente bom.

Ele me levou em casa e quando chegamos, ele apenas se despediu e foi embora. Entrei em casa e vi minha mãe vermelha de raiva.

– Onde você estava?!

Arregalei os olhos. Ele não havia mandado aquela mensagem para Yuka? Quando olhei para o lado ela estava sentada no sofá de cabeça baixa. Minha mãe deve ter descoberto, claro...

– Estávamos preocupados, Tsubaki. – Meu pai disse da poltrona – Você pediu a Yuka para mentir?

– E-Eh...

“Na verdade foi o garoto que se diz meu amigo...”, pensei e dizer.

– Onde você estava?! – Minha mãe exclamava.

– Na... Casa de um amigo.

– Que amigo?!

– Murasakibara-kun...

A expressão dela relaxou na hora.

– Nande? – Perguntou desconfiada.

– Ele chegou de viagem hoje e... Eu havia prometido um Sukiyaki a ele e... Fiz o jantar pra ele. – Disse sem conseguir olhá-la.

– Hum. – Ela disse – Da próxima vez diga a verdade!

– Eh? Não está com raiva?

– Não. Ele parece um menino bom. – Ela disse.

“Menino bom...”. Hum, se ela soubesse...

– Mas mesmo assim, você está de castigo.

– Eh?

– Uma semana de casa para o colégio, do colégio para casa. E os treinos da mesma forma. – Ela ditava – Sem saídas, sem amigos.

– Eh?!

– Quer duas semanas?! – Ela exclamou.

– N-Não, não! – Balancei as mãos.

– Vá para o quarto já que já jantou. – Ela apontou para as escadas.

Abaixei a cabeça e subi para o quarto. Fechei a porta e deitei na cama, suspirando e pegando meu celular, começando a digitar. Mandei uma mensagem a Murasakibara: “Feliz? Fiquei de castigo...”. Fechei o celular, mas ele logo apitou. A mensagem de volta dele foi apenas uma carinha rindo. Olhei para a tela do celular, indignada.

Baka...