Coração selvagem
9 IX - O plano veloz
Logo na segunda-feira, eu estava com os bilhetes e apenas esperava a aula começar. Murasakibara, sentado ao meu lado como sempre, me olhava e dava um meio sorriso, vendo meu olhar de “vou ajudá-la com certeza!”. Depois de uma hora de aula, quando o sensei passou alguns exercícios para a turma, pedi para ir ao banheiro e desci as escadas logo depois que saí da sala. Tinha um banho a cada dois andares, então ao meu ver o do primeiro andar era perfeito naquele momento. Como era próximo da saída, aproveitei e dei uma “passadinha” nos armários de sapatos. Passei os bilhetes pelas frestas dos respectivos donos dos armários e fui para o banheiro, fingir que esse era o objetivo.
Lavei as mãos e suspirei, esperando que esse plano desse certo. Pensei em Murasakibara e sorri levemente, ele estava me ajudando mesmo. Não queria acreditar nele já que não sabia qual era o foco do seu plano de passos, mas... Agora ele parecia ser legal. Estava me ajudando de verdade.
– No que está pensando, gigante?
Olhei em dúvida para o lado e vi uma garota que me era familiar.
– Não se lembra de mim, não é? – Ela disse, sorrindo ironicamente – Claro que não. Você deve quebrar o nariz de muita gente pra se lembrar especialmente do meu.
– Você...! – Disse surpresa.
– Isso! – Ela disse irritada – Fiquei dois meses sem vir para o colégio por causa do que você fez!
– Eh? Mas...
– Não consegui encarar todo mundo com aquele curativo no meu nariz, baka. – Ela disse – A recuperação total tem duração de dois meses.
– Ah... Gom...
– Não me peça desculpas! – Ela exclamou revoltada – Você não pensou quando jogou aquela bola em mim.
– E você não pensou quando disse aquelas coisas! – Disse irritada.
Ela me olhou surpresa e se direcionou para a porta.
– Você ainda vai ter o que merece.
Franzi o cenho, desconfiada. Mas não, uma garota como aquela não faria nada comigo. Eu poderia muito bem me defender contra ela. Suspirei e saí do banheiro, indo para minha sala.
...
Na saída, como planejado, Aomine e Madoka pegaram seus sapatos e ao abrirem o pequeno armário, viram o bilhete. Madoka olhou em dúvida para o bilhete, que tinha seu nome escrito e o abriu, assim como Aomine.
“Madoka, me encontra no ginásio daqui a vinte minutos. Não quero mais essa palhaçada e te desafio para voltarmos a nos falar. Te desafio a uma corrida e se eu ganhar, quero um beijo seu. Se você ganhar eu te peço desculpas. Aomine.”
“Aomine-kun, me encontre no ginásio daqui a vinte minutos. Gostaria de conversar com você sobre o que houve. Como nós dois temos fama de rápidos, te desafio a uma corrida. Se eu ganhar, quero desculpas suas. Madoka.”
Eles leram desconfiados e em dúvida, mas aceitaram. Eu estava escorada na parede ao pé da escada, fingindo mexer no celular. Os fitei fazendo um leve aceno de cabeça um para o outro e sorri, tentando segurar minha euforia. Depois disso eu fui para o portão e me encontrei com Yuka, que estava com Midorima. Ele nos acompanhou para levá-la para casa. Enquanto isso, vinte minutos depois, Aomine e Madoka estavam no ginásio.
– Oe, está atrasada. – Ele disse, levantando do banco.
– Run, não sou obrigada a chegar na hora. – Ela disse.
– Eh? Mas você que...
– Vamos logo, baka. – Ela disse.
– Vai correr de saia mesmo? – Ele sorriu maliciosamente.
– Sempre uso um short por baixo. – Ela disse sem olhá-lo.
Ele ficou emburrado por ela não olhá-lo e ficaram de costas para a parede. Contaram até três e correram até a parede oposta. Aomine ganhou e Madoka pediu revanche, melhor de três. Ele riu e assentiu, mesmo sabendo que ganharia de novo. Madoka não queria beijá-lo, como pensava a respeito do bilhete. Aomine, irônico, perguntou se ela queria revanche de novo quando ele ganhou novamente. Ela o olhou com raiva e virou de costas, pegando sua bolsa e indo em direção à saída.
– Oe! – Ele exclamou – Não fique com raiva se você perdeu!
– Não estou com raiva, apenas não vou te beijar! – Ela o olhou, irritada.
– Que? Tá maluca? – Ele disse sem entender – Do que você está falando?
– Não se faça de idiota! Essa ideia estúpida de corrida foi sua! – Ela exclamava com raiva – E eu não vou te beijar. Esquece!
Ela se virou e voltou a ir em direção a saída. Aomine franziu o cenho e correu até ela, segurando-a pelo braço.
– Me larga...!
– Você que escreveu aquele bilhete! – Ele disse com raiva, interrompendo-a.
Ela o olhou, surpresa. Processou e pegou o bilhete de seu armário de dentro da bolsa, entregando a ele. Aomine o leu e a olhou.
– Eu não escrevi isso. – Ele a olhou, perplexo – Eu não teria essa ideia imbecil. Pensei que tinha sido você.
Ela fez cara de tédio.
– O mesmo pra você.
Madoka se virou e voltou a andar. Aomine a segurou pelo pulso e a fez parar.
– Me larga, eu quero ir embora. – Ela disse.
– Não vai. – Ele disse.
– E quem você acha que é?! Babaca!
Ele franziu o cenho com raiva e a puxou pela nuca, beijando-a. Ela tentou sair de perto dele, mas ele a segurava. Madoka recuava e Aomine a pôs contra a parede. Ela apertou a manga de seu uniforme e seus olhos marejaram com ela parando de se mover e abaixando os braços. Ele notou que ela não resistia mais e parou o beijo, olhando-a e se assustando.
– Madoka... – Disse pasmo.
Ela estava com os olhos marejados, sem expressão e o olhando. De repente ela ficou com a expressão chorosa e tampou o rosto com sua bolsa.
– Oe...
– Vai embora. – Ela pediu com a voz embargada.
– Pensei que fosse você que queria ir embora. – Ele disse, tentando sorrir.
Ela ficava cada vez mais encolhida enquanto mantinha a bolsa na frente de seu rosto para ele não a ver daquele jeito. Ele acalmou o olhar.
– Gomen.
Ela arregalou os olhos surpresa, na mesma posição.
– Você é legal, eu não devia ter dito aquilo. – Ele disse.
– Mas você pensou isso. – Ela disse.
– Gomen. É que... Você é tão gostosa. – Ele deixou uma risada leve escapar – Não pensei que uma garota como você ainda fosse virgem.
Ela acalmou o olhar, de certa forma ele tinha razão. Se bem que no time de futebol todas as novatas eram virgens.
– Gomen... – Ela disse.
Ele a olhou, surpreso.
– Por ter te empurrado.
– Hum. – Ele sorriu levemente – Vai voltar a falar comigo?
Madoka engoliu a seco e tirou a bolsa da frente do rosto, olhando-o.
– Não pense mais essas coisas sobre mim. Não sou vadia. – Ela disse emburrada, corando levemente.
– Hum. – Ele sorriu e suspirou.
– Nani?
– Nada. – Riu de si mesmo.
– Que houve?
– Hum... – Reclamou, sorrindo e abaixou a cabeça – Eu queria muito dormir com você. – Ele riu.
– Uhm... – Ela corou e desviou o olhar – Arigatou.
– Eh? – Ele a olhou em dúvida e se endireitou.
– Hum, seria legal... Eu acho. – Ela disse sem jeito.
Ele começou a rir e pôs o braço em volta do pescoço dela. Ela corou, o olhando.
– Vamos. – Ele disse sorrindo – Te compro um picolé.
– Hum, arigatou. – Ela disse sem jeito.
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