Coração de lobo

40 Vida em Beacon Hills - parte 2


Notas iniciais
Segunda parte da vida dos outros, antes de a gente retornar ao nosso casal principal. =D

Boyd olhava para a pequena casa da piscina onde ele morava agora. Certamente era uma grande diferença do lugar onde ele estava antes. Morar na rua tinha sido um grande desafio, especialmente porque Boyd nunca tinha saído de casa antes de ficar sem casa.

Ele havia conhecido Erica antes de ela ser expulsa de seu lar, e daí ele não podia levar a namorada para morar com ele, por isso foi embora também. E quando eles encontraram Isaac, o grupinho dos três ficou junto e começaram a viver de abrigos em abrigos. Não tinha sido fácil, mas eles conseguiram.

Por isso que agora morar em uma casa, e pagar um aluguel baixo, era um sonho. Ele e Erica já tinham planos para se mudar para um lugar melhor, pois nesse mês que eles ficaram em Beacon Hills os dois tinham decidido que precisavam de um lugar só deles. Isaac tinha sido praticamente adotado pela família Hale, o que era bom pra ele pois Isaac não tinha ninguém. Mas Boyd e Erica precisavam fazer a vida deles.

Quando Erica chegou em casa, já que ela trabalhava até mais tarde como secretária do hospital, Boyd tinha feito um lanchinho para eles. Os dois não tinham planos de jantar com os Hale nessa noite, pois eles queriam um tempo só para os dois.

De banho tomado e sentados à mesa, o macarrão com tomate cheirava bem. Erica colocou a mão dela por sobre a de Boyd.

“Obrigado, amor.” A voz dela era serena. Era até engraçado ver essa Erica assim, e com Boyd ela sempre tinha sido querida e prestativa, porque com os outros Erica era um fogo.

Boyd não podia negar, ele amava ela assim. Adorava como ele podia ser o único que via ela sendo calma e amável — mas claro, na cama ela era assim como era com os outros, um fogo. E Boyd, bem, ele era um negão, pra aguentar ele precisava ser alguém que realmente gostava do negócio.

“Como que vai o trabalho na fábrica?” Erica pediu.

“Nós temos uma nova encomenda de uma sala de estar. Mogno. Eu ainda estou aprendendo como se fazem os sofás que o dono projetou na última semana, mas os garotos tem me ajudado.” Boyd trabalhava em uma fábrica de móveis, um dos melhores trabalhos que ele teve na vida.

“Ah, mas você já pega o jeito.” Erica provou da massa e fez aquele som de contentamento. Boyd sorriu.

Ele gostava daquele som quando ela fazia na mesa, quando era na cama aquilo ficava ainda melhor.

“Eu até pensei um pouco se a gente deveria convidar o Isaac para jantar com a gente, mas acabei não pedindo,” Erica falou.

“Bom, ele sempre tem janta com os Hale, e eu não gosto muito de pedir de tudo pra eles. Eles já alugam pra gente por preço de banana, eu não quero pegar comida deles também.”

Erica assentiu.

“Mas a gente não pode deixar o Isaac. Ele sempre ficou com a gente.”

Dessa vez Boyd assentiu.

“Ele tem que entender que a gente quer fazer a nossa vida juntos.”

“Eu sei, Boyd. É tudo diferente pra gente. Eu acho que nós temos que dar um presente para o Derek quando a gente puder. Se ele não tivesse trazido a gente pra cá, nada teria mudado.” Erica tinha a voz da razão.

Mas Boyd passou tanto tempo tentando arrumar a vida deles, e ainda faltavam coisas para eles terem a vida perfeita. Ele já tinha a garota, e agora Boyd precisava lembrar que ele também tinha amigos para se importar. Mas era tanta coisa para ele fazer na vida e ele se preocupava em dar um futuro bom para Erica e para a família que eles planejavam ter.

No fim das contas, Boyd tinha que ter calma. Ele já demonstrava no exterior dele, mas aquilo não dizia que ele se sentia assim por dentro.

Contudo, naquela noite ele teve um bom jantar com Erica, e depois uma noite melhor ainda na cama. Ele podia se preocupar com as outras coisas depois.

~*~

Até o dia dos Namorados em Fevereiro Peter ficou enchendo o saco do Xerife, pedindo para sair e jantar com ele, e por mais que o ômega dentro do Xerife quisesse mais do que tudo ceder a tentação, ele tinha que se lembrar que Peter era um lobo que nunca fez uma casa para si. E John já era velho demais para viver de aventuras.

Numa das suas tardes de folga, quando ele estava andando pelo centro de Beacon Hills comprando algumas coisas para sua casa, o Xerife não viu, mas ele sentiu alguém atrás dele. John não precisava nem se preocupar em olhar quem era, porque provavelmente era Peter. Desde que o homem tinha chegado à cidade ele sempre estava atrás do Xerife.

John entrou em uma loja de bebidas para comprar umas cervejas para seu fim de semana, e ele foi naquela loja especialmente porque tinha uma marca de bebida polonesa que ele adorava, mas também para acompanhar se Peter iria entrar na loja. E sem sombra de dúvidas, John tinha entrado na primeira fila de produtos e logo Peter seguiu ele.

O suspiro que saiu de seus lábios era o de uma pessoa chateada, mas dentro de seu corpo John sentia uma onda de calor ao pensar naquele Alfa sentindo um interesse nele. Talvez fosse burrice, mas John não queria se deixar levar pelas suas emoções. Peter era um homem bonito, especialmente porque ele era bem conservado para a idade, mas John não era mais um garoto como Stiles ou Derek, que viviam fazendo sexo a torto e direito — e mesmo John não sendo um lobo ele podia sentir o cheiro.

Imagina o que os outros sentiam.

Quando John tinha escolhido a sua cerveja ele foi ao caixa pagar a conta. E Peter continuava atrás dele, sem falar nada, seguindo o ômega. John pegou suas sacolas e continuou o caminho, mas ele estava irritado.

Ele virou a esquina para um dos poucos becos de Beacon Hills e ficou esperando por Peter chegar ali. O homem já tinha um sorriso em seu rosto ao ver John encostado ao muro. O Xerife tentou colocar mais força em sua pose, mas Peter tinha um sorriso com capacidade para destruir ele.

“Todo prontinho pra mim?” Peter pediu.

A vontade que John tinha em acertar um soco em Peter era quase tão grande quanto a vontade de apresentar seu pescoço pra ele morder.

“Eu só queria saber o motivo de você estar me seguindo.”

“Mas eu estou seguindo quem? Um homem não pode mais andar pela cidade?” Peter parou bem perto de John, se encostando ao muro como o homem.

O cheiro dele era sensual, quase impossível de respirar.

“Você não para de ir em todos os lugares que eu vou. Não que você não possa ir, mas eu não sou idiota, Peter. O Xerife de uma cidade não pode ser um. E mesmo como um ômega, por mais que você siga se oferecendo pra mim em todos os lugares eu não vou ceder.” A voz de John quase se quebrou no final.

Peter percebeu aquilo. O sorriso dele aumentou e Peter chegou ainda mais perto do Xerife, que agarrou a sacola com força em suas mãos.

Ele não se mexeu.

“Você tem certeza que não vai ceder, nem um pouquinho?” Peter perguntou em um sussurro.

O Xerife já conseguia sentir a respiração do Alfa em seu rosto, e mesmo no beco, ele ainda conseguia ouvir o barulho da rua, mas o Xerife não conseguia se mexer ou reagir.

Ele conseguiu balançar a cabeça ao menos.

“Eu não tenho mais ânimo para aproveitar da vida como você — eu ouvi as histórias que Talia contou e nós somos completamente diferentes.”

Peter finalmente colocou uma mão no pescoço do Xerife. Naquele momento parecia a coisa mais boba do mundo, mas ele pensou em Cláudia, e como há tanto tempo ele não tocava ou era tocado por ninguém. John pensou como ele não sentia mais aqueles calafrios com o toque da mão de alguém. Era quase uma nova forma de reviver enquanto a mão de Peter acariciava o rosto dele, e John não conseguiu controlar o gemido que saiu de sua boca.

“Você não precisa resistir,” disse Peter, chegando perto demais de John. Os lábios dele quase roçavam os do ômega, e John não conseguia nem acreditar que ele ainda conseguia sentir aquilo em seu corpo.

“Mas você não vai me fazer bem, Peter.” John conseguia apenas sussurrar.

“Eu quero é te fazer bem. Te fazer de todo jeito, e tão bem…” Peter mal terminou aquelas palavras e colocou seus lábios nos de John.

Era possível sentir um gosto diferente em Peter, algo forte, másculo, e John não queria admitir, mas ele queria se jogar naquilo. O beijo foi crescendo aos poucos e a língua de Peter penetrou John, fazendo sexo com a boca dele com calma, gostoso, e tão bom que John não conseguia nem pensar. Se a sacola em suas mãos não estivesse enrolada ele iria deixar ela cair.

Mas Peter não deixaria ele cair, porque ele colocou seus braços em volta do Xerife e o agarrou. John logo sentiu seu membro se levantando, e assim que ele encostou em Peter ele sentiu que o homem estava duro também.

Outra coisa que aconteceu foi algo que John não sentia há tempo: óleo lubrificante começou a escorrer da bunda dele. Apenas uma gotinha, mas o bastante para ele sentir. Ele tremeu todo, seu corpo queria algo mais.

Peter sentiu aquilo também, porque uma das mãos dele desceu as costas de John e foi por baixo das calças dele, tocando ele nos seus glúteos. Um dedo foi chegando perto da entrada de John, até que Peter encostou no lugar onde o óleo saía.

“Peter?” John tremeu todo, e então lembrou que o mundo estava em volta dele. Num segundo ele se separou de Peter, colocando espaço entre eles.

O homem viu o estado de John e sorriu, levando o dedo com óleo para sua boca, provando-o. Peter gemeu.

“Que maravilha, John. Você tem o melhor gosto que eu já provei.” Tinha algo de diferente no rosto de Peter com aquela admissão, mas John não queria pensar muito naquilo.

Ele sacudiu a cabeça.

“Isso não pode acontecer de novo. Você não pode…” John não conseguia pensar no que dizer.

“Eu não posso o que? Não posso seduzir você? Não posso te beijar? Porque você tava querendo também, não venha dizer que não. A minha vida tava tão sem graça já, Stiles e Derek mais parecem velhotes e o resto da minha família não me importa muito, eu queria um pouco de diversão.” Peter levantou os ombros.

As palavras de Peter fizeram John gelar.

“Quer dizer que eu sou só diversão?”

Peter franziu a testa.

“E qual o problema de você ser diversão? Nós não estamos prontos pra nos casar. Aliás, Derek e Stiles deveriam…” Peter não terminou sua frase porque John fez um som de protesto com a garganta.

Ele sabia que Peter era um safado que não queria compromisso, mas vá explicar isso para os genes de John. Ele não tinha mais idade para sair pelas ruas agarrando um homem. Ele tinha que deixar isso para Stiles e Derek.

John olhou para Peter antes de respirar fundo. Ele se ajeitou.

“Não tem problema algum. Só que não é isso que eu sou. Eu sou o Xerife, tenho responsabilidades. Não sou diversão para um… homem como você. Tenho um dever com a cidade e com as pessoas. Se você não tem que se preocupar com nada, feliz de você.”

Peter abriu os braços.

“Feliz de mim, mesmo. Não tenho que me preocupar com nada. Só com conquistar você.”

O Xerife rolou os olhos.

“Não me siga mais,” disse o Xerife. Ele ainda ficou olhando para Peter antes de sair caminhando.

Dessa vez Peter não o seguiu, mas o Xerife sentiu o seu corpo em alerta. Sem falar no lubrificante que continuava pingando em sua cueca.

Ele teria que tomar um bom banho ao chegar em casa.