Notas iniciais
Pessoal, eu adorei escrever esse capítulo. Espero que vocês gostem também! =D E claro, um obrigado pelo carinho de todo mundo - essa fic já está no top 3 de seguidores das minhas fics.

A consulta com o médico havia sido marcada para o período da manhã, então Stiles não precisaria fechar a loja, apenas abrir ela mais tarde. Ele acordou naquela manhã sem enjoo, graças aos céus, mas ele não sabia quando a próxima onda de tontura iria chegar. Nos últimas dias elas tinham vindo em qualquer hora, e ainda que Stiles não estivesse morrendo por causa delas, ele estava feliz em caminhar para o consultório do médico, finalmente.

Dr. Deaton era um dos melhores doutores para o público ômega nas redondezas, e Stiles sempre tinha ido se tratar com ele. Entrando no escritório dele mais uma vez, Stiles se sentiu mais relaxado, porque ele saberia o que era aquilo que ele sentia.

Depois dos cumprimentos, Deaton perguntou para Stiles o que ele sentia para vir ao consultório.

“Eu estou com enjoos, tontura. Na verdade a minha ideia era apenas fazer uma consulta de rotina, ver se eu já poderia voltar a tomar outros controladores, porque o meu antigo completou dez anos e eu tive que parar de tomar ele, e agora eu já gostaria de, quem sabe, ver um outro.” Stiles disse tudo aquilo enquanto ele respirava fundo.

Uma leve onda de enjoo passou sobre ele, mas nada demais aconteceu. Dr. Deaton apenas deu uma olhada para Stiles, sem dizer nada no primeiro momento, mas então ele respirou fundo e olhou bem nos olhos de Stiles.

“Você tem feito sexo com segurança ultimamente?”

Stiles engoliu em seco. “Sim, sim, sempre com camisinha, pelo que eu saiba?” Ele adicionou a última parte. Deaton olhou para ele com uma cara desconfiada.

“E tem alguma chance de você ter feito sexo desprotegido?”

“Acho que não. Mas eu não lembro bem da primeira vez que eu transei com… meu namorado”, Stiles falou, indeciso. E de fato, ele não lembrava de como a noite dele com Derek tinha se passado. Até onde ele sabia nada demais tinha acontecido, mas Stiles também não tinha memórias daquela noite.

Deaton fez um som com sua garganta. “Então até onde você sabe existe uma chance de você estar esperando um filho, porque esse tipo de enjoo que você descreveu, e o que eu posso sentir como Alfa, é exatamente isso.”

Stiles ficou pensativo. Será que era verdade, ele estava… Grávido? Mas o Derek não sentiu nada? Se bem que os enjoos estariam explicados, então, e daí a vida do Stiles parecia que iria engrenar para um lado completamente diferente.

Um filho? Ele tremeu só de pensar.

“E tem como a gente fazer um exame pra ter certeza?” Stiles pediu, voz trêmula.

“Eu vou encaminhar você para a sala de exames, mas eu posso garantir que isso é quase verdade, porque eu consigo ouvir um batimento fraco de coração embaixo do seu, então…” Deaton levantou seus ombros antes de pegar o telefone e falar com sua secretária.

Stiles não conseguia nem respirar. Como assim? Já tinha um batimento cardíaco? Era possível isso? E ele nem sentiu nada, a não ser os enjoos repentinos. A vida de Stiles parecia estar tomando uma direção completamente perdida, e Stiles não fazia ideia do que ele deveria fazer.

Com a cabeça fora do lugar ele caminhou até a sala de exames. A assistente de Deaton pediu para ele tirar sua camisa e depois Stiles deitou na maca. O médico entrou e preparou o aparelho de ultrassom, sendo rápido e começando a passar o instrumento gelado e cheio de gel em Stiles. Não precisou mais um minuto para o médico encontrar o pequeno ponto dentro do corpo de Stiles.

Era um bebê, já com seu coração batendo, pois Stiles podia ouvir ele, finalmente.

Uma lágrima escapou pelo seu olho, e ele nem sabia o motivo. Se até aquele momento ele estava medroso, nervoso, agora ao ver o filhote crescendo dentro de si Stiles só sentia felicidade, uma emoção incontida. Aquela era uma pequena vida dentro dele, algo feliz, algo que viria apenas para completar ainda mais a sua existência.

Todos os hormônios de ômega em seu corpo estava frenéticos, porque ele finalmente estava concluindo um dos objetivos de sua vida, dando um passo para o próximo estágio.

A emoção era tão grande que Stiles não conseguia tirar seus olhos do monitor mostrando o pequeno ponto dentro dele. A única coisa que fez ele se acordar do transe foi o som do próprio telefone em seu bolso.

“Alô,” disse Stiles sem ver quem era.

“Meu amor?” A voz de Derek chamou. “Eu voltei a sentir você, o que está acontecendo. Você está chorando e eu…” Derek parou. Ele respirou por um instante e então falou de novo. “É o coração dele que eu posso ouvir?”

Stiles sentiu um tremor correndo por seu corpo.

“Você consegue ouvir pelo telefone,” Stiles pediu.

“Sim, eu consigo.” Derek suspirou. Stiles continuou olhando para o monitor, mas o doutor deixou ele ali na sala com as imagens apenas, permitindo Stiles seu momento de privacidade. “Então é verdade, mesmo…”

“Você já sabia de alguma coisa?”

“Não,” Derek respondeu. “Pelo menos não com certeza. Na nossa primeira vez eu vi que a...hum, a camisinha estourou, mas não achei que iria acontecer. E eu queria te contar, mas também achei que não iria dar nada e nem falei. Mas quando você ficou enjoado eu falei com minha mãe e ela me disse sobre a possibilidade. Mas ainda assim, eu não sentia nada, não conseguia ver você e seus sentimentos, parecia que tinha algo me impedindo. Desculpa por não falar…”

Stiles respirou fundo. Ele até queria ficar bravo com Derek por o que aconteceu, mas algo dentro dele impedia aquilo de acontecer. Era como se até o momento em que ele não sabia do filhote dentro dele, Stiles não sentia nada, mas agora que ele tinha o conhecimento, Stiles podia quase sentir ele se mexendo, sentir o bater do coração, sentir tudo.

“Não tem o que desculpar. Acho que a nossa vida vai mudar um monte, porque agora a gente vai ter um filhote e…”

“Não se preocupe com nada, Stiles.” Derek parecia bem resolvido no outro lado da linha. “Eu vou estar sempre do seu lado, agora mais do que nunca. Acho que era pra acontecer desse jeito,” ele falou.

“Você tem certeza?” Stiles pediu, sem tirar o olho das imagens do seu bebê. Do filhote dos dois.

“Claro, meu amor,” a voz de Derek ficou carinhosa. Stiles sentiu um arrepio em sua espinha. Parecia uma coisa maluca eles nem estarem juntos há meses atrás e agora já ter um filho no caminho. E parecia ainda mais especial porque Stiles não via aquilo como algo ruim.

Pelo contrário, ele pensava no pai dele que iria amar ter um neto. Mas agora ele teria que ir conhecer a família Hale, e contar para eles que Derek seria um pai. E só de pensar em Derek como um pai, havia um certa energia em volta do homem, pelo menos na menção do nome dele, que fazia Stiles pensar em Derek de outra forma.

Como num passe de mágica, Stiles viu em sua cabeça Derek carregando um bebê, cuidando dele, falando numa linguagem diferente com a criança. Stiles também viu Derek fazendo seus olhos brilhar, enquanto o bebê respondia na mesma forma. Será que seria um lobisomem também? Stiles não fazia ideia.

“Stiles?” Derek chamou por ele.

“Sim?”

“Eu te amo, tá?”

Stiles sentiu seu coração batendo mais forte.

“Eu também.”

“Eu vou te ver depois do trabalho.”

“Por favor,” Stiles falou. Ele respirou mais fácil ao saber que eles iriam se ver. Stiles e Derek tinham que conversar sobre muitas coisas, e principalmente sobre o bebê, decidir como iria ser a vida deles dali pra frente, porque tinha muitas coisas pra acontecer.

Quando Stiles desconectou a ligação, Dr. Deaton voltou para a sala. Sua assistente veio também e ajudou a limpar Stiles e depois alcançou sua camisa. Quando ele a vestiu, Stiles respirou fundo.

“O que eu faço daqui pra frente?” Ele pediu.

Dr. Deaton deu uma leve risada, vendo as dúvidas de Stiles em sua mente.

“Você começa a planejar a sua vida para a chegada de um filho. Eu vou marcar um horário pra você daqui há mais algumas semanas para gente saber se ele vai ser um lobisomem ou não e pra saber o sexo da criança.” O homem falou.

“Hum, como o senhor sabe que ele pode ser um lobisomem?”

“Stiles eu conheço Derek Hale, e você está, como posso dizer, alertando a sociedade toda sobre o que vocês fazem. Eu acredito que você aprendeu isso na escola.” O doutor levantou uma das sobrancelhas para Stiles, que sentiu o rubor em seu rosto. Parecia até que ele tinha esquecido que as pessoas podiam sentir o cheiro de Alfas e ômegas quando juntos, especialmente se eram lobisomens.

“Okay,” foi a resposta que Stiles deu.

“Acredito que seu pai vai ficar bem feliz,” disse o doutor. “Ele sempre quis ter mais filhos, mas como você sabe sua mãe não podia mais. Acho que ele precisa saber o quanto antes.”

Stiles assentiu.

“Ele ainda não foi para a delegacia, pelo menos não antes do meio-dia, eu acho que vou passar pelo apartamento dele para conversar.”

“Você faça isso, Stiles. E a minha secretária vai te ligar avisando o horário da próxima consulta. Para todos os efeitos, parabéns.” Deaton ofereceu uma mão para Stiles apertar, e foi guiado para fora da sala de exames, indo em direção à recepção.

Lá ele marcou a próxima consulta para um dia que ele poderia ir, e depois ele foi embora. Do consultório até o apartamento do pai Stiles ficou sem saber o que pensar. De uma hora para outra ele estava grávido, esperando um filho de Derek e dele, um filho que iria nascer e fazer parte da família.

Eles teriam que encontrar uma casa para os dois, ou tentar pelo menos morar juntos. Bom, eles nem tinham se juntado oficialmente, e agora teria os encontros de família e reuniões para decidir os nomes, padrinhos, escolher presentes e tudo que uma criança precisava. Não que Stiles se preocupasse com o dinheiro que ele iria gastar, afinal o pai já tinha feito uma poupança para Stiles poder cuidar de seu filho um dia, e ainda que Stiles tenha usado um pouco daquela também para comprar sua loja, ainda havia dinheiro. E Derek também poderia ajudar.

Stiles, na verdade, sabia que todo mundo iria ajudar, como era de costume em famílias unidas. Mas primeiro eles teria que reunir as famílias. E Stiles ia ter que conhecer todos os Hale na posição de namorado de Derek e pai do filhote dele, o que seria uma coisa completamente diferente.

Como seria chegar na casa dos antigos vizinhos dele para dizer que Stiles estava esperando um filhote e todos teriam uma nova pessoa na família? Mas então outra coisa apareceu em sua mente, o fato de que ele teria um filho.

Stiles não fazia ideia de como criar um. Claro, ômegas tinham instintos e ele já sentia alguns instintos tomando conta dele, mas ainda assim, no final das contas quem iria cuidar do bebê não eram os instintos, mas Stiles e Derek. E será que isso não iria colocar umas barreiras na relação dos dois? Agora que Stiles caminhava sozinho as dúvidas começaram a aparecer.

Quando ele finalmente chegou no prédio do pai, o Xerife o deixou subir e Stiles entrou no prédio com a respiração ofegante. Ele sabia que essa seria a hora da verdade, mas Stiles tinha medo. Parecia que sem a aproximação de Derek era difícil controlar as emoções.

A porta para o apartamento do Xerife estava trancada quando Stiles chegou, e ele teve que bater para chamar o pai. O nervosismo só aumentou enquanto ele esperava. Quando ela finalmente se abriu e o pai apareceu, Stiles pensou em inúmeras coisas para dizer, mas o que saiu da boca dele foi completamente descontrolado.

“Pai, eu tô grávido,” ele disse.

O Xerife arregalou os olhos, deixando apenas o silêncio entre eles por dois segundos. Mas então ele abriu um sorriso, e Stiles sabia que as coisas iriam ficar bem.