Narrado por Jacob


Chegamos em casa em silêncio. O jantar havia terminado de forma estranha depois que Bella ficou visivelmente abalada. Eu sabia que precisava falar com ela. Precisava entender por que diabos ela escondeu aquilo de mim por tanto tempo.

Fechei a porta atrás de nós e tirei o casaco, jogando sobre o encosto da cadeira. Bella parou no meio da sala, com os braços cruzados e o olhar distante.

— Então você vai me contar agora? — perguntei, firme.

Ela virou-se devagar, como se estivesse buscando coragem nos meus olhos.

— Jacob, eu... eu não achei que Victoria fosse voltar. Eu juro. Achei que ela tivesse sumido depois que os Cullen partiram.

— Mas ela não sumiu. Ela está de volta. E você nunca me contou que ela já tinha te caçado antes — falei, com a voz carregada de frustração. — Você sabe que a gente podia ter evitado tanta coisa se eu soubesse disso?

— Eu só queria seguir em frente — sussurrou. — Achei que tudo isso tinha acabado. Eles me prometeram que seria seguro... que ela não voltaria.

— Os Cullen prometeram? — ri, sem humor. — Eles sumiram, Bella. Abandonaram você. E agora essa maldita vampira ruiva está de volta, e você é o alvo.

Bella cambaleou levemente até o sofá e sentou-se, levando as mãos à cabeça. Seus dedos tremiam.

— Ela quer... ela quer me matar, não é? — sua voz saiu fraca, quase um fio.

Fui até ela, ajoelhei-me à sua frente e segurei suas mãos.

— Escuta, Bella. Eu não vou deixar isso acontecer. Você tá ouvindo? Victoria não vai tocar em você. Não enquanto eu estiver vivo.

Seus olhos se encheram de lágrimas. Ela me puxou para perto, abraçando-me com força como se eu fosse sua âncora.

— Eu tô com medo, Jake. De verdade... Eu achei que nunca mais fosse sentir isso de novo.

— Eu sei — murmurei, acariciando seus cabelos. — Mas você não tá sozinha. Eu tô aqui. Eu te amo, Bella. E nada vai mudar isso. Nada vai me tirar de perto de você.

Ela se afastou apenas o suficiente para me olhar. Seus olhos buscavam consolo nos meus. Nossos rostos estavam tão próximos que sentia sua respiração entrecortada misturada à minha.

E então ela me beijou.

Ou talvez eu tenha beijado ela primeiro. Não sei. Só sei que naquele instante, naquele beijo, havia medo, alívio, amor... e uma promessa silenciosa de que, acontecesse o que fosse, lutaríamos juntos.

E eu ia cumprir minha promessa. Nem que isso me custasse a vida.


Fechei a porta do quarto e encostei as costas nela por um segundo, observando Bella sentada na beira da cama. Ela parecia mas calma, apos o banho. Estava enrolada na toalja com os cabelos molhados. Ela parecia pequena diante do mundo que ameaçava desmoronar outra vez.

Fui até ela e me ajoelhei tocando sua mão com delicadeza. Quando nossos olhos se encontraram, vi mais do que medo. Havia amor ali, um amor que resistiu ao abandono, ao silêncio e até ao retorno de um pesadelo chamado Victoria.

— Eu só quero esquecer disso por hoje, Jake — sussurrou ela, encostando a testa na minha.

— Vou te fazer esquecer — respondi, deslizando os dedos pelos fios castanhos do seu cabelo. — Esquece tudo, menos o quanto eu te amo.

Ela tirou a toalha com delicadeza e se deitou, tirei a camisa e a calça junto com a box com pressa. Deitei sobre ela e a beijei, seus lábios, seu pescoço, sua clavícula e seus seios. Minutos depois nossos corpos se encaixaram como peças que finalmente encontraram o lugar certo.

Beijei seus lábios enquanto me movia dentro dela. Havia ternura naquele beijo, mas também urgência, como se quiséssemos prender o tempo ali, congelar aquele momento e usá-lo como escudo contra tudo o que poderia vir.

— Você é meu Jake— disse Bella, entre suspiros, arranhando minhas costas.

— Eu sou seu.

A noite se fez silêncio ao nosso redor, e ali, no quarto iluminado apenas pela luz suave que atravessava a cortina, nos entregamos um ao outro. Sem pressa. Sem medo. Só amor.

Ela sussurrou meu nome como se ele fosse oração. Eu a segurei com firmeza, como se pudesse protegê-la do mundo apenas com meus braços.

A dor, a ameaça e as sombras ficaram do lado de fora.

Ali, só existia eu e Bella.

E por algumas horas, isso era tudo o que precisávamos.


Acordamos com o som suave da chuva batendo na janela. Bella ainda dormia, com o rosto calmo, os cabelos bagunçados sobre o travesseiro e um leve sorriso nos lábios. Por um instante, só fiquei ali, observando, como se aquele momento fosse um presente que eu não ousaria desfazer tão cedo.

Mas a realidade não esperava. E o mundo lá fora continuava girando — com Victoria à espreita.

Bella se espreguiçou devagar quando sentiu meu movimento para levantar. Me puxou pela mão, os olhos ainda sonolentos.

— Já vai?

— Tenho que ir a Seattle — murmurei, me inclinando para beijar seus lábios. — Mas vou te deixar em casa antes.

Ela assentiu, ainda com aquele ar de quem queria mais algumas horas de paz entre os lençóis. Eu também queria.

Dirigi até a casa de Bella em silêncio, com sua mão entrelaçada à minha sobre o câmbio. O céu ainda estava acinzentado, e o cheiro de terra molhada trazia uma inquietação estranha. Assim que estacionei diante da casa, vimos Charlie se aproximando do portão com uma expressão preocupada.

— Pai — Bella desceu do carro antes mesmo que eu desligasse o motor.

— Que bom que chegaram Bells. — Charlie lançou um olhar rápido para mim, depois voltou a falar com a filha. — Acabei de receber um relatório. Encontraram o corpo de um mochileiro nos arredores da trilha leste. O corpo foi... — ele hesitou, procurando as palavras certas — foi dilacerado. Parece ataque de animal.

Bella congelou por um instante. Nossos olhares se cruzaram imediatamente. Não precisávamos dizer nada. Sabíamos.

Victoria.

— Eu... eu vou ficar longe do bosque. Prometo — disse Bella, tentando soar natural, mas a tensão em sua voz era visível.

Charlie assentiu, ainda franzindo a testa. — Faz isso mesmo, filha. E se precisar de qualquer coisa...

— Ela tem a mim — falei, firme. — Sempre terá.

Charlie assentiu de novo, mais devagar dessa vez, como se aquela frase viesse com mais peso do que ele podia entender.

Me aproximei de Bella e toquei seu rosto com carinho.

— Me liga se qualquer coisa acontecer, tá?

— Vou ligar — ela murmurou. — Se cuida, Jake.

Beijei sua testa demoradamente, sentindo seu perfume e o calor da sua pele.

— Te amo.

— Eu também te amo — ela respondeu baixinho.

Dei um passo para trás, me forçando a sair, mesmo com o coração apertado. Eu precisava fazer mais do que só protegê-la com palavras agora. Precisava entender o que Victoria queria de verdade. E o quanto ela estava disposta a destruir pra conseguir.

E eu...

Eu estava disposto a tudo pra impedi-la.


Cheguei à casa de Sam sentindo o peso da noite em meus ombros. A chuva fina ainda caía, misturando-se ao cansaço e à adrenalina que não me deixavam em paz. Quando a porta se abriu, a matilha inteira estava ali, reunida na sala — olhos atentos, posturas firmes, prontos para o que viesse.

Sam me lançou um olhar sério, quase como se tivesse lido meus pensamentos antes que eu pudesse falar.

— Que bom que estão todos aqui — anunciei, tentando passar firmeza.

Ele assentiu, indicando que eu falasse.

— Precisamos de um plano. — Falei, respirando fundo. — Victoria voltou. Ela está atrás da Bella. Não podemos deixar que ela se aproxime dela nem por um segundo. Temos que proteger a Bella e, ao mesmo tempo, acabar com essa ameaça de uma vez por todas.

Embry, Quil e Jared trocaram olhares, já imaginando o que viria pela frente.

— Não podemos mais agir no escuro — continuei. — Sabemos que ela é perigosa, implacável. Se ela quiser acabar com a Bella, vai tentar de novo. Então, precisamos ser mais rápidos e inteligentes.

Sam se levantou, aproximando-se.

— Concordo, Jake. Vamos montar grupos de vigilância e patrulha constante. Precisamos garantir que Bella nunca fique vulnerável. E, quando encontrarmos Victoria, vamos acabar com ela.

Quil falou com um tom firme:

— Vamos nos dividir. Conhecemos cada canto da floresta, podemos preparar emboscadas.

— E manter a comunicação sempre aberta — sugeriu Embry. — Assim, podemos nos ajudar na hora certa.

Olhei para a matilha, sentindo aquela força coletiva que só nós temos. Era mais do que uma simples luta contra um inimigo; era a defesa do que amamos.

— Tudo bem — disse Sam. — Começa o plano hoje à noite. Cuidaremos de Bella como se fosse a nossa própria família, porque é isso que ela é.

Respirei fundo, preparado para a batalha que sabia que viria. Protegê-la não era mais uma escolha. Era uma obrigação.

E eu não falharia.