Notas iniciais
Oi genteeee Pois é, depois de um ano finalmente vou finalizar essa história e as demais. Vi que ainda tenho leitores, até eu precisei reler a história para continuar. Mas o importante é finalizar.

Narrado por Jacob


O clima na clareira estava longe de ser tranquilo.

Todos estavam reunidos, formando um círculo natural entre as árvores, e, mesmo sem ninguém dizer em voz alta, era possível sentir a tensão no ar. Sam estava à frente, como sempre, com a postura firme de quem carregava a responsabilidade de cada decisão que seria tomada dali em diante.

Eu me mantinha atento, os braços cruzados, tentando focar no que realmente importava, mesmo com a minha mente insistindo em voltar para ela.

Renesmee.

Sam respirou fundo antes de começar, lançando um olhar rápido para cada um de nós.

— Os Cullen já confirmaram — disse ele, com seriedade. — O exército de recém-criados está se movimentando, mas ainda não avançou totalmente.

Paul soltou um resmungo baixo.

— Ótimo… mais tempo para esperar o pior.

Leah lançou um olhar atravessado para ele.

— Ou mais tempo para nos prepararmos — rebateu, sem paciência.

Sam ergueu a mão, pedindo silêncio, e continuou.

— A vampira… Alice — corrigiu, como se ainda não estivesse acostumado ao nome — está monitorando os movimentos. Segundo as visões dela, os vampiros estão aguardando um comando direto da Victoria.

Seth franziu o cenho, claramente inquieto.

— Então ela está segurando o ataque?

— Por enquanto — respondeu Sam. — O que significa que ela está planejando algo maior.

Embry passou a mão pelo rosto, soltando um suspiro pesado.

— Isso não me deixa nem um pouco mais tranquilo.

Quil concordou com um gesto.

— Se ela está esperando, é porque quer ter certeza de que vai nos atingir com tudo.

Assenti levemente, mantendo o olhar fixo em Sam.

— E qual é o plano?

Sam deu um passo à frente, como se aquele fosse o momento mais importante da reunião.

— Os Cullen marcaram um encontro — disse ele. — Na linha limite entre os territórios.

Paul arqueou a sobrancelha.

— Um encontro? Com vampiros?

— Para alinhar estratégia — respondeu Sam, sem perder a firmeza. — Nós não vamos conseguir enfrentar um exército desses separados.

Leah cruzou os braços, pensativa.

— Então isso é uma aliança temporária.

— Exatamente — confirmou Sam. — Nós protegemos a reserva, eles protegem os deles, e, juntos, tentamos impedir que Victoria avance.

Seth olhou para mim, animado apesar da situação.

— Isso pode dar certo, Jake.

Soltei um suspiro curto, passando a mão pela nuca.

— Pode… ou pode dar muito errado.

O silêncio que se seguiu deixou claro que todos pensavam a mesma coisa.

Antes que alguém pudesse continuar, meu celular vibrou no bolso. O som destoou completamente do clima tenso da reunião, chamando a atenção de todos.

Franzi o cenho ao pegar o aparelho, mas, no instante em que vi o nome na tela, todo o resto deixou de importar.

Nessie.

Atendi sem hesitar.

— Oi, meu amor.

A voz dela veio do outro lado, mais suave do que eu esperava, mas ainda carregada de um leve cansaço.

— Oi… eu sei que você está ocupado, mas precisava te avisar.

Me afastei alguns passos do grupo, buscando um pouco mais de privacidade, ainda que todos ali conseguissem ouvir praticamente tudo.

— O que aconteceu?

Houve uma pequena pausa antes dela responder.

— Eu vou passar a noite na casa do Charlie.

Franzi o cenho automaticamente.

— Está tudo bem?

— Ele passou mal — explicou ela, em um tom mais sério. — Nada grave, mas… acho melhor eu ficar por aqui hoje.

Soltei o ar lentamente, sentindo a preocupação surgir junto com um leve alívio.

— Você está bem?

— Estou — respondeu ela. — Só foi um susto… e um pouco de estresse.

Dei um pequeno sorriso, mesmo sabendo que ela não podia ver.

— Imagino o motivo.

Ela soltou um suspiro do outro lado.

— Não começa.

— Eu não falei nada — retruquei, em tom mais leve.

Houve um breve silêncio, mas não era desconfortável.

— Eu queria estar aí — disse ela, mais baixo.

Meu olhar se perdeu por um instante na floresta à frente.

— Vou sentir sua falta.

Respirei fundo antes de completar: — Mas fica com ele. Ele precisa de você agora.

— Eu sei… — murmurou ela. — Amanhã a gente se vê?

— Com certeza.

— Tá bom… — a voz dela suavizou um pouco. — Se cuida, eu te amo.

— Eu também amo você.

Esperei até a ligação encerrar antes de abaixar o celular, permanecendo em silêncio por alguns segundos, organizando os pensamentos antes de voltar para o grupo.

Assim que me aproximei novamente, Quil não perdeu tempo.

— Namorando em plena reunião de guerra… que exemplo, hein.

Embry riu baixo.

— Pelo menos ele não desapareceu dessa vez.

Revirei os olhos, ignorando os dois, enquanto Sam me observava com atenção.

— Está tudo bem? — perguntou ele.

Assenti, voltando ao foco.

— Está.

Mas, no fundo, eu sabia.

Nada estava realmente bem.

E, em poucos dias… tudo poderia mudar.


A linha que separava os territórios nunca pareceu tão real.

De um lado, nós.

Do outro, eles.

Não era apenas uma divisão de espaço, era uma divisão de natureza, de instinto, de tudo o que sempre nos manteve afastados. Ainda assim, naquele momento, estávamos ali pelo mesmo motivo, e isso, por si só, já tornava tudo estranho o suficiente.

Sam parou alguns passos antes da marca invisível que delimitava nosso território, e todos nós fizemos o mesmo, formando uma linha sólida atrás dele. Do outro lado, Edward e Jasper já nos aguardavam, imóveis, como se não sentissem o peso daquele encontro da mesma forma que nós.

Eu mantive o olhar fixo neles, avaliando cada detalhe, cada movimento. Não havia hostilidade explícita, mas também não havia confiança. Apenas um acordo silencioso sustentado pela necessidade.

Jasper foi o primeiro a falar.

— Não temos muito tempo — disse ele, com a voz firme, assumindo naturalmente o controle da situação. — Victoria está reunindo o exército, e quando ela decidir avançar, não haverá aviso.

Paul soltou um resmungo baixo ao meu lado, mas não disse nada.

Jasper continuou.

— O plano precisa ser preciso. Qualquer erro… e perdemos a vantagem.

Sam assentiu levemente.

— Então diga logo.

Jasper lançou um breve olhar para Edward antes de prosseguir.

— Edward irá para as montanhas com Bella… e Renesmee.

Meu corpo ficou tenso no mesmo instante.

Edward deu um passo à frente, mantendo-se dentro do próprio território, a postura rígida.

— Victoria está focada em Bella — explicou ele. — Tudo isso gira em torno dela. Enquanto Bella estiver exposta, o ataque será inevitável.

Franzi o cenho, já antecipando o que viria a seguir.

— E onde a Nessie entra nisso?

Foi Jasper quem respondeu.

— Renesmee será responsável por camuflar o cheiro de Bella. Isso vai dificultar que Victoria ou os recém-criados a rastreiem.

Cruzei os braços, sentindo a irritação surgir.

— E vocês acham que ela vai simplesmente aceitar isso?

Jasper não respondeu de imediato.

— Para que o plano funcione, será necessário um lobo acompanhando — continuou ele. — Alguém para dar cobertura, caso algo saia do controle.

Olhei diretamente para Sam.

— Ela não vai aceitar — repeti, agora mais firme. — Ainda mais depois de tudo.

Sam soltou um suspiro curto, passando a mão pelo rosto antes de falar.

— Eu sei — disse ele. — E esse é exatamente o problema.

Voltei o olhar para ele, esperando que continuasse.

— Renesmee não está pensando com clareza — acrescentou Sam. — Ela está movida pela raiva… pela vingança por causa do Riley. Isso pode comprometer tudo.

As palavras dele ficaram no ar por alguns segundos.

Eu não respondi.

Porque, no fundo… eu sabia que ele estava certo.

Edward deu mais um passo à frente, e, pela primeira vez, o olhar dele se fixou diretamente em mim.

— É por isso que isso depende de você — disse ele, com calma, mas sem suavizar o peso da responsabilidade.

Franzi o cenho.

— De mim?

— Sim — confirmou Edward. — Você é o único que pode fazê-la ouvir. Se ela não entender a importância disso… todo o plano corre risco.

Soltei uma risada baixa, sem humor algum, desviando o olhar por um instante antes de encará-lo novamente.

— Você está me pedindo para convencer a Nessie a se afastar da matilha e ir para um lugar isolado, enquanto um exército de vampiros nos ataca?

Edward não se abalou.

— Estou pedindo para você ajudá-la a sobreviver.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Olhei para Sam, depois para os outros ao meu redor, e por fim voltei o olhar para os vampiros do outro lado. Tudo fazia sentido do ponto de vista estratégico. Era um plano sólido, bem estruturado… frio.

Mas havia um problema.

Um grande problema.

— Ela não vai aceitar — repeti, dessa vez mais baixo, quase para mim mesmo.

Porque eu conhecia a Renesmee.

Conhecia a dor que ela carregava, a raiva que ainda não tinha sido resolvida, o desejo de enfrentar tudo de frente, sem recuar.

E pedir para que ela se afastasse agora…

Era como pedir para que ela fosse contra tudo o que estava sentindo.

Respirei fundo, passando a mão pela nuca, sentindo o peso daquela responsabilidade se instalar de vez.

Edward ainda me observava, esperando uma resposta que eu não tinha.

No fundo, eu já sabia.

Aquilo não seria uma conversa simples.

Nem de longe.

Levantei o olhar novamente, encarando-o com firmeza.

— Eu vou falar com ela.

As palavras saíram, mas não carregavam confiança.

Porque, pela primeira vez desde que tudo começou…

Eu tinha plena certeza de uma coisa.

Eu estava prestes a encarar uma missão impossível.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.