Narrado por Renesmee


O aeroporto estava cheio, mas o som das despedidas abafava todo o resto. Eu segurava a mão de Riley com força, como se aquilo pudesse impedir o avião de decolar.

— Eu prometo vir a Seattle pelo menos uma vez por mês — ele disse, os olhos fixos nos meus. — A gente vai dar um jeito.

Assenti, tentando sorrir, mesmo que por dentro eu me sentisse sendo puxada para dois lados diferentes. Orgulho por ele. Tristeza por mim.

— Você vai se sair bem em Harvard, Riley. Eu sei disso — murmurei, puxando-o para um abraço apertado.

Senti seu queixo descansar por um segundo no topo da minha cabeça antes que ele se afastasse o suficiente para me beijar. Um beijo doce, com gosto de despedida.

— Não se esquece de mim — ele disse, tentando sorrir.

— Só se tiver amnésia — brinquei, mesmo com os olhos ardendo.

Logo Tony, Nayla e Shawn também se aproximaram. Tony me abraçou primeiro, sempre com aquele jeito brincalhão.

— Cuida da nossa nerd favorita enquanto ele estiver fora, hein? D— ele disse com uma piscadela.

— Pode deixar — Tony respondeu.

Nayla me deu um abraço forte, quase esmagador.

— Vai dar tudo certo, Nessie.

Tony só sorriu e acenou, como sempre discreto. Então o senhor e a senhora Biers se aproximaram com os olhos marejados. A mãe de Riley chorava sem reservas.

O momento chegou. A última chamada para o voo de Riley ecoou pelos alto-falantes. Ele me deu um último beijo e foi. Apenas virou-se uma vez para acenar. E então sumiu entre os demais passageiros.

Fiquei parada ali, olhando fixamente para o portão de embarque. Como se pudesse trazê-lo de volta com a força do pensamento.

Enxuguei uma lágrima que escorreu pela bochecha. Respirei fundo. Eu sabia que isso fazia parte. Mas ninguém nos ensina como é difícil dizer "até logo" a alguém que faz parte do nosso agora.


Narrado por Jacob


Cheguei na casa da Bella no fim da tarde, como vinha fazendo nos últimos dias. Tudo andava mais tranquilo. Depois do último alarde, Victoria parecia ter sumido do mapa outra vez, e isso nos dava algum tempo para respirar — e sonhar com o futuro.

Assim que abri a porta, o som de risadas veio da sala. Encontrei Bella sentada no sofá ao lado de Renée, as duas com um brilho no olhar que só poderia significar uma coisa: planos de casamento.

Bella se levantou no instante em que me viu e veio até mim com os olhos cintilando.

— Eles chegaram! — disse, me abraçando forte.

— O quê? — perguntei, já sorrindo, mesmo sem saber a resposta.

— Os convites! — Ela se afastou só o suficiente para me mostrar uma caixa cheia de envelopes elegantemente empilhados.

— Finalmente — murmurei, olhando para eles com orgulho. Peguei um nas mãos e passei os dedos pelo nosso nome escrito com caligrafia clássica. — Isso parece mesmo real agora.

— Porque é — Bella respondeu, os olhos fixos nos meus.

Beijei-a com carinho, sentindo a emoção daquela pequena vitória em meio a tanta coisa que já enfrentamos.

— Agora é só distribuir — disse Renée, observando a cena com um sorriso. — E logo minha filha vai ser uma senhora Black.

— Eu tô pronto pra ser amarrado a essa mulher pra sempre — brinquei, lançando um olhar provocador para Bella.

Ela riu e me deu um tapa carinhoso no braço.

— Para com isso, Jacob.

Mas antes que ela pudesse se afastar, eu a agarrei pela cintura e a puxei para mais perto, envolvendo-a num abraço apertado e cheio de afeto.

— Você sabe que não tem volta, né? — sussurrei perto do ouvido dela.

— E quem disse que eu quero voltar? — ela respondeu, me encarando com aquele olhar que sempre me desmontava.


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O cheiro de óleo e metal tomava conta da oficina. Eu estava embaixo de um dos carros da frota da empresa, ajustando a suspensão, quando ouvi passos decididos se aproximando. Me arrastei pra fora, limpando o suor da testa com o antebraço, já esperando ver o Quill ou o Jared com alguma piada idiota. Mas não.

— Leah? — ergui uma sobrancelha, surpreso.

Ela parou bem na minha frente, braços cruzados, expressão dura como uma rocha.

— Você tá de sacanagem, né, Jacob?

Me levantei por completo, ainda segurando a chave inglesa. — Do que você tá falando?

Ela tirou um envelope da bolsa e o ergueu, quase como uma acusação.

— Isso aqui. O convite pro seu casamento. A Bella mandou um pra minha casa. Pros meus pais. Pros Clearwater.

Suspirei, entendendo na hora o rumo que a conversa ia tomar. Peguei o convite da mão dela, abaixando a ferramenta devagar.

— A Bella mandou pra todos na reserva. Quis incluir todo mundo. Foi um gesto de respeito.

— Respeito? — Leah deu uma risada seca. — Isso parece provocação. Depois do que aconteceu entre você e a Nessie, você realmente achou que ia passar em branco? Que a gente ia sorrir e fingir que nunca existiu nada?

Respirei fundo, tentando manter a calma. Já fazia tempo, mas a ferida parecia ainda aberta… pelo menos pra Leah.

— Isso aconteceu há quase três anos, Leah. A Nessie seguiu a vida, bem longe de La Push. Ela escolheu o próprio caminho e eu segui o meu. A gente cresceu, e—

— Isso não apaga o que houve, Jacob — ela me interrompeu. — Você era tudo pra ela. E você sabe disso. Não importa se passou um, dois ou dez anos. Tem coisas que não se apagam.

Ela estendeu o convite de volta, e eu hesitei por um segundo antes de pegá-lo.

— Os Clearwater não vão a esse casamento — ela disse, firme. — E, sinceramente, espero que algo bem ruim aconteça no dia da sua cerimônia.

Meus olhos encontraram os dela. Eu conhecia a dor por trás daquela raiva, mas mesmo assim, as palavras dela cortaram fundo.

Leah deu um passo pra trás, pronta pra ir embora, mas antes que virasse de vez, completei:

— Eu não esperava menos de você, Leah. Mas se isso for tudo que tem a me dizer, pode ir.

Ela me lançou um último olhar — cheio de mágoa, cheio de fúria — e então virou as costas, saindo da oficina como uma tempestade.

Fiquei ali parado por alguns segundos, o convite de casamento amassado na minha mão, o barulho das ferramentas e motores parecendo distantes.

Mesmo depois de tanto tempo… o passado ainda batia à porta.


Narrado por Renesmee


Narrado por Renesmee

O retorno à faculdade após a despedida no aeroporto me parecia mais difícil do que eu esperava. O campus ainda era o mesmo — os corredores movimentados, o som abafado das conversas, os anúncios nas paredes, as vozes ecoando entre os prédios antigos. Mas, por dentro, algo em mim havia mudado. Riley tinha ido embora. E, mesmo que tivesse prometido me ver todo mês, parte de mim já sentia aquele tipo de saudade que parece não ter cura.

Eu caminhava distraída pelo corredor principal quando ouvi passos se aproximando pelo lado.

— Então... o príncipe encantado foi embora? — disse Antony, surgindo ao meu lado com aquele sorriso de canto debochado e gentil.

Olhei para ele e soltei um suspiro leve.

— Soube da viagem do Biers — completou, enfiando as mãos no bolso da jaqueta.

— É... Ele conseguiu a bolsa em Harvard. Tô feliz por ele, de verdade — murmurei, tentando soar mais firme do que eu me sentia.

— Imagino que sim... Mas às vezes felicidade e saudade andam bem juntas, né?

Dei um sorrisinho triste, surpresa com a sensibilidade de Antony.

— Sempre achei que você fosse mais do tipo que faz piada em momentos assim — comentei, arqueando uma sobrancelha.

— Ah, eu faço. Mas hoje tô de bom humor — ele disse, parando de andar por um segundo. — Inclusive... tô com dois ingressos pra uma exposição de arte interativa aqui no centro. Pensei em ir com alguém que saiba apreciar coisas bonitas... e críticas existenciais escondidas em quadros abstratos.

Olhei pra ele, desconfiada.

— E é comum pessoas da sua idade convidarem colegas pra exposições?

— Eu sou um velho preso num corpo jovem, Nessie — disse, colocando a mão no peito dramaticamente. — A aparência engana. Juro que tenho 110 anos.

Comecei a rir alto. O tipo de riso leve que eu não sentia fazia dias.

— Cento e quanto?

— Cento e dez. Mas na identidade tá 21 — completou, piscando um olho. — Sorte genética.

— Tá, se for só pela arte, eu aceito — disse, cruzando os braços. — Mas nada de segundas intenções, senhor de 110 anos. Nada de me ver como sua musa inspiradora ou algo assim.

Ele riu.

— Entendido. Vai ser totalmente platônico. Dois jovens adultos modernos explorando arte e discutindo a vida.

— Ou fugindo da saudade — acrescentei, dando de ombros.

— Ou isso — ele concordou. — Te pego às sete?

— Combinado — respondi, já sentindo um tipo de calor leve por dentro. Ainda doía, sim. Mas talvez uma noite entre amigos me fizesse bem.