Notas iniciais
Olá gente, um novo capitulo da história, espero que vocês gostem!

Vinte anos depois...

Dezembro.

“Oh meu Deus, eu estou atrasado, eu estou tão atrasado!" Bilbo Bolseiro pensava enquanto caminhava apressadamente pela calçada.

Olhando em seu relógio de pulso, Bilbo viu que eram sete e meia da noite. Felizmente, o prédio no qual ele morava estava perto, apenas mais alguns metros de distância, e com alguma sorte, ele ainda teria tempo de tomar um banho rápido antes que Bard chegasse para pegá-lo ás oito horas.

Bilbo podia sentir o ar frio daquele começo de noite, e ele estremeceu levemente. Ele olhou para os lados e viu que havia nevado durante a tarde enquanto ele estava no trabalho e as calçadas estavam brancas com a neve. Dita neve não estava lá naquela manhã é claro, por tanto ele não havia visto a necessidade de trazer um casaco mais pesado para o trabalho. “Maldito seja esse tempo instável!”

Mentalmente ele fez uma lista das roupas quentes em seu armário que seriam apropriadas para ir ao teatro e gemeu, lembrando-se que ele havia emprestado seu melhor casaco para seu primo, Drogo, e que ele ainda não o havia devolvido.

Bilbo apertou o passo e logo ele estava em seu prédio, subindo as escadas para o segundo andar, onde ele dividia um apartamento com seu amigo, Ori. O rapaz atingiu o topo das escadas e dirigiu-se até a segunda porta a esquerda (que era a porta de seu apartamento) já com suas chaves em mãos. Rapidamente, Bilbo destrancou a porta e entrou, e imediatamente ele foi atingido pelo calor que emanava de sua confortável casa, muito diferente do frio lá fora.

Aquele era um prédio de cinco andares no centro da cidade e embora ele não fosse muito bonito (e definitivamente estivesse precisando de reparos) o aluguel era barato e o apartamento era perto o suficiente de Gandalf’s, a Cafeteria na qual ele trabalhava, para que ele pudesse ir e voltar a pé do trabalho. Oque vinha bem a calhar, porque ao mesmo tempo que ele fazia um pouco de exercício em sua caminhada, ele podia economizar o dinheiro que ele teria que gastar com o ônibus.

O apartamento não era grande, mas era o suficiente para Ori e ele viverem confortavelmente sem pisarem nos pés um do outro. A sala de estar e a cozinha eram um único grande cômodo e os dois ambientes eram divididos por um balcão que ás vezes era usado como mesa. Haviam dois quartos de dormir (o quarto de Ori e o quarto de Bilbo) e um único banheiro no corredor. Bilbo sabia que seu modesto apartamento não era nada comparado com o conforto da casa na qual ele havia crescido em Bolsão, mas ele não iria reclamar. Por mais tosco e pobre que aquele apartamento fosse, ele era seu.

Com passos rápidos, Bilbo atravessou a sala de estar/cozinha e foi direto para o seu quarto. Bilbo deu uma rápida olhada em volta e não viu nenhum sinal de seu amigo, mas ele sim notou aquela odiosa arvore de natal de plástico que seu amigo insistia em enfeitar desde que os dois começaram a dividir o apartamento. Bilbo teve que reprimir um gemido quando ele viu que ela estava ali, em um canto na sala de estar, meio enfeitada, com seus galhos de arame e folhas de plástico verde brilhante, olhando para ele como se dissesse “Se você acha que eu estou feia agora, espere só até Ori colocar as luzes pisca-pisca em mim”. Coisa horrorosa.

Ele se lembrava de que quando ele era criança, todo ano ele costumava ter uma arvore de verdade, um pinheiro recém cortado do bosque perto de Bolsão. Ele se lembrava de como a arvore era bonita e do cheiro de seiva que ficava no ar. Bilbo balançou a cabeça continuou em seu caminho, preferindo ignorar aquela pobre desculpa de uma arvore de natal em sua sala de estar para se preocupar com coisas mais urgentes, como ficar pronto para seu encontro com Bard, por exemplo.

O rapaz entrou em seu quarto, pegou uma toalha e correu para o banheiro, onde ele tomou um banho rápido antes de voltar correndo para seu quarto. Bilbo fez uma careta quando ele olhou de relance para o despertador na sua mesinha de cabeceira, vendo que já eram sete e cinquenta da noite e que Bard estaria lá em dez minutos. Bilbo abriu a porta de seu armário e começou a procurar alguma roupa decente no meio daquela bagunça. Ele conseguiu encontrar um par de calças que lhe serviam muito bem, uma camisa branca de botões e um colete verde, que combinava com a cor de seus olhos. Bilbo olhou-se no espelho enquanto tentava domar seus cachos loiros selvagens e chegou a conclusão de que ele não conseguiria nada melhor do que aquilo.

Mas Bilbo era, de fato, um rapaz bonito. Aos vinte e seis anos de idade, ele parecia ser mais jovem do que ele realmente era e ele já havia perdido a conta de quantas vezes ele havia sido paquerado por adolescentes assanhados. E embora sua altura fosse um problema (realmente, 1,50 era uma altura ridícula) Bilbo se considerava um jovem atraente. E Bard também o considerava atraente. Bom, pelo menos ele esperava que sim.

– Bilbo? Oque está fazendo em casa tão cedo?

O jovem loiro ouviu a voz surpresa de Ori atrás dele e ele se virou para ver seu amigo parado no batente da porta de seu quarto, vestindo aquele agasalho de tricô cinza que ele mesmo havia tricotado algumas semanas atrás. Seu cabelo ruivo estava bagunçado (o que não era novidade) e ele carregava em seus braços o que parecia ser uma caixa de papelão cheia de enfeites para adornar a abominável arvore de plástico.

– Eu troquei de turno com Dwalin, para que eu pudesse ir ao teatro com Bard. Eu te disse isso ontem, lembra?”

O Gandalf’s era uma Cafeteria que ficava aberta até as duas horas da manhã. O turno de Bilbo começava ás oito horas da noite e terminava as duas e meia (claro, por que eles tinham que ficar mais meia hora para limpar o lugar) e Dwalin trabalhava do meio-dia ás seis e meia.

Bilbo ainda estava surpreso que seu colega tivesse concordado em trocar os horários. Dwalin era um cara assustador, alto, forte, e muito, muito mal-humorado. O tipo de cara que você veria na TV participando do UFC (ou algum reality show sobre gangues) então vocês podem entender a relutância de Bilbo em pedir esse pequeno favor ao seu colega de trabalho. Mas surpreendentemente, Dwalin disse que estava tudo bem, que um amigo dele iria começar a trabalhar na Cafeteria no turno da noite, no mesmo dia que Bilbo iria em seu encontro com Bard, e que ele preferia mesmo trocar de turno e ficar ao lado de seu amigo em seu primeiro dia para que ele não se sentisse tão deslocado.

– Oh. Eu devo ter esquecido então. — Ori disse sorrindo, então ele franziu a testa. — Espera aí, você está indo em um encontro com Bard? — Ori perguntou com uma expressão confusa e Bilbo assentiu. — Eu pensei que vocês dois tinham terminado.

– O que? — Agora era a vez de Bilbo franzir a testa em confusão — Não, não, não. Ele tem estado um pouco distante, é verdade, mas nós não terminamos. Nós estamos muito bem, aliás, obrigado por perguntar.

– Bem, se você diz que sim. — Ori disse ajustando seus braços em volta da caixa de papelão e se afastou em direção a sala para continuar a decorar a arvore de natal.

Uma vez que Ori o deixara sozinho, Bilbo voltou a árdua tarefa de domar seus cachos, penteando-os com os seus dedos.

A pitada de reprovação no rosto de Ori não passou batida por Bilbo quando ele disse que ele e Bard iriam sair para um encontro. Ori tentava disfarçar seu desgosto pelo namorado de Bilbo, mas era claro que seu amigo nunca gostara de Bard. Ás vezes, o garoto ruivo agia muito como um irmão mais velho, tentando proteger Bilbo dos cafajestes pelos quais Bilbo tinha a má sorte de se apaixonar, mas dessa vez era diferente. Bilbo realmente gostava de Bard, e ele realmente achava que seu relacionamento com ele poderia dar certo. Era frustrante ver que um de seus melhores amigos não aprovava sua escolha de namorado.

Bilbo e Bard estavam juntos a um ano, um ano recheado de altos e baixos, mas todos os relacionamentos são assim, não é? Bilbo tinha esperança que tudo ficaria bem, eventualmente. Ele estava cansado de não ter sorte no amor e Bard, mesmo sendo um idiota as vezes, não era o pior namorado que Bilbo já tivera. Por isso ele tinha esperança.

Alguns minutos depois, Bilbo ouviu a campainha tocar e ele sentiu um nó na garganta, aquela sensação ansiosa na boca do estômago quando algo muito importante está para acontecer.

– Bilbo! — Ori gritou da sala de estar. — Bard está aqui!

– Estou indo! — Bilbo respondeu.

Ele olhou-se no espelho uma última vez. Ele estava bonito o suficiente? Ele achava que sim, e mesmo se ele não estivesse, ele não tinha mais tempo para fazer algo a respeito. Bilbo pegou um casaco vermelho que estava pendurado em seu armário (o segundo melhor casaco que ele tinha) e saiu de seu quarto, indo em direção a sala de estar, onde Ori estava decorando a arvore de natal.

Bard estava na sala de estar. Ele estava lindo, como sempre. Seu cabelo negro levemente comprido emoldurando seu rosto de traços marcantes. Por algum motivo, Bard não havia se barbeado durante aquela semana e agora ele tinha uma barba e, nossa, Bilbo não sabia que uma simples barba podia deixar alguém tão... sexy.

Mas havia algo errado no modo que Bard estava se comportando e Bilbo notou isso assim que ele pisou na sala. Bard estava em pé no meio da sala, com suas mãos escondidas nos bolsos de sua jaqueta de couro, olhando para os lados como se ele algo o estivesse incomodando quando normalmente Bard iria agir como se estivesse em sua própria casa, sentando-se esparramado no sofá e descansando seus pés na mesinha de centro, já com uma lata de cerveja em uma mão, que ele teria pegado diretamente da geladeira sem ao menos pedir ‘por favor’.

Bard pareceu notar a presença de Bilbo na sala e os dois se entreolharam em silencio por um segundo. Esse um segundo se arrastou pelo que pareceu serem horas e então, finalmente, Bard abriu sua boca para falar.

– Olá Bilbo. — Ele disse, sua voz era hesitante.

‘Isso não é bom, isso não é bom mesmo’, Bilbo pensou.

– Oi Bard. Você está bem?

Bard assentiu desajeitadamente e desviou o olhar, mudando o peso de uma perna para a outra. Ele então limpou a garganta e, surpreendentemente, ele se virou para Ori e disse no tom mais sério que Bilbo já havia visto ele usar:

– Humm... Ori, você poderia, por favor, nos dar licença?

Ori, que até então estava educadamente ignorando a interação entre os dois, olhou para Bard com um olhar comicamente arregalado. Então ele olhou para Bilbo, meio que sem saber o que fazer. ‘Devo ir ou devo ficar?’ era a frase que estava estampada no rosto de Ori. Bilbo apenas assentiu.

– Claro. — Ori disse e deixou a sala de estar, indo em direção ao seu quarto para dar a Bilbo e Bard alguma privacidade.

Bilbo ouviu a porta do quarto de Ori se fechando e mesmo sabendo que eles estavam sozinhos e que Ori não iria ouvir o que Bard tinha a dizer, ele ainda não conseguia nada. Era como se Bilbo tivesse de repente entrado em um sonho recorrente (não, um pesadelo recorrente) do qual ele sabia o começo, o meio e o final.

– Q-qual o problema, Bard? — Bilbo perguntou depois de alguns momentos de silencio.

– Nós precisamos conversar. — Bard respondeu.

Não, eles não precisavam. Bilbo sabia exatamente o que iria acontecer.

****

Como o previsto, Bard Bowman terminou o relacionamento de um ano com Bilbo. Por nenhuma razão, aparentemente.

Bard começara fazendo um discurso sobre como aquele relacionamento estava morrendo, e que isso vinha acontecendo desde antes de novembro e que ele tinha outras prioridades (que não incluíam Bilbo, vejam só) e que ele realmente achava que seria melhor se eles começassem a ver outras pessoas, que ele, Bard, estava começando a ver outras pessoas, mas como ele era um cavalheiro, ele sabia que isso seria degradante e humilhante para Bilbo, então ele achava melhor colocar um fim no relacionamento antes de fazer algo que pudesse machucar o rapaz loiro.

‘Tarde demais.’ Bilbo pensou amargamente.

Ele estava machucado. Ele sentia como se alguém tivesse arrancado seu coração, jogado-o no chão e pisado em cima dele antes de colocá-lo de volta em seu peito. Bilbo não dizia nada, apena ficou ali sentado no sofá ao lado de Bard, ouvindo o seu agora ex–namorado dando a ele aquelas desculpas esfarrapadas para o que ele estava fazendo. Bilbo já passara por isso antes, ser chutado por um namorado, mas cada vez que acontecia não tornava a experiência mais fácil, pelo contrário, era cada vez pior.

Bard continuou a falar que os dois deveriam manter contato, que ele gostava muito de Bilbo e que ele ainda o queria... como amigo.

‘Vai se foder!’ Bilbo gritou dentro de sua cabeça.

Bard continuou falando e em algum momento Bilbo parou de ouvir. Era como se alguém tivesse apertado um botão que o deixou completamente dormente. Em algum lugar dentro dele, Bilbo sabia que ele deveria estar chorando, argumentando, gritando, fazendo qualquer coisa. Ele sentia que ele devia estar lutando, por ele ou por Bard, mas ele não conseguia reunir as forças necessárias para tanto. Não havia razão para tanto, então ele só ficou lá ouvindo.

Depois de algum tempo Bilbo piscou, olhou em volta, e Bard não estava mais ali. Ele se viu sozinho na sala de estar e foi aí que Bilbo desabou.

Seu choro desesperado chamou a atenção de Ori, que veio até a sala de esta só para se deparar com seu amigo chorando desconsoladamente.

Isso foi ontem. E embora Bilbo quisesse desaparecer (ou ficar na cama o dia inteiro, o que fosse mais fácil, por que realmente, ele não tinha forças para fazer mais nada) ele tinha um trabalho esperando por ele.

‘Talvez o trabalho me distraia o suficiente para eu não pensar mais nisso.’ Bilbo pensou com esperança.

Oh, ele estava tão errado.

Estava escrito em seu rosto que ele estava quebrado por dentro e Bofur, seu melhor amigo, é claro que iria perceber. Como previsto, Bofur viu Bilbo vagando pela loja como um fantasma: presente, mas ao mesmo tempo ausente. Quando Bilbo trouxe até o balcão uma bandeja cheia de xicaras sujas que ele havia recolhido das mesas espalhadas pela loja, Bofur não pode evitar de inquirir seu amigo sobre o que estava acontecendo.

Bilbo nunca soube mentir.

– Ele fez oque?! — Bofur perguntou do outro lado do balcão, aumentando sua voz, não dando a mínima para o fato de que os frequentadores noturnos do Gandalf’s viraram suas cabeças para olhar para ele em desaprovação. — Eu não posso acreditar que aquele filho da puta terminou com você.”

– Obrigado Bofur, fale um pouco mais alto porque eu acho que a vovó daquela mesa lá atrás ainda não está ciente da minha miséria. — Bilbo bufou antes sentar-se em um dos bancos.

Bofur suavizou sua expressão e suspirou, jogando por cima do ombro o pano de prato que ele estava usando para limpar o balcão, assumindo uma expressão que era considerada rara de se ver no rosto do sempre alegre jovem de cabelos escuros e bigode: uma expressão preocupada.

– E como você está? — Ele perguntou, voz mais baixa, visivelmente preocupado com seu amigo ao ver seus olhos vermelhos de tanto chorar.

Maravilhoso.– Bilbo disse irônico, cruzando os braços em cima do balcão e enterrando seu rosto neles, derrotado. — Por que isso acontece comigo? Por que isso sempre acontece comigo? — Bilbo disse e sua voz saiu abafada. Bilbo levantou a cabeça e havia lagrimas em seus olhos outra vez. — O que há de errado comigo? Eu não sou bonito o suficiente? Eu não sou um bom amante? Eles sempre dizem que o problema não sou eu, mas eles, que eles não estão prontos para um relacionamento mais sério, ou que eles estão revendo suas prioridades na vida, ou que eles não querem acabar me machucando, mas eu não acredito nisso, por que eu sou o único que é jogado no lixo como se eu fosse um boneco velho com o qual eles se cansaram de brincar. Todas as vezes, todas as vezes! Eu estou tão cansado.

Bofur olhou para Bilbo com seus olhos castanhos e pode ver que seu amigo estava acabado. A camisa polo preta e o avental com o logotipo da loja (que era o uniforme de todos os funcionários do Gandalf’s) estavam amarrotados e aparentemente eram os mesmos que Bilbo usara no dia anterior. O cabelo loiro do rapaz estava um desastre, como se Bilbo apenas tivesse caído da cama e vindo trabalhar, e haviam olheiras em seus olhos, como se ele não tivesse dormido. Totalmente diferente de como Bilbo era normalmente, sempre alegre e muito bem arrumado. Bofur não gostou disso nenhum pouco.

Bofur e Bilbo eram amigos desde que Bilbo começara a trabalhar no Gandalf’s três anos atrás e houveram apenas poucas vezes que Bofur havia visto seu amigo tão perturbado. E por alguém que não valia a pena, o que era pior. Bofur não gostava de Bard, ele nunca gostara, mas agora ele podia dizer sem sombra de dúvida que ele odiava o bastardo.

– Bilbo...

Bofur suspirou e curvou-se para pegar algo embaixo do balcão. Ele endireitou-se e colocou uma caixa de lenços na frente de Bilbo. Sem palavras, o homem loiro pegou um lenço e assoou o nariz.

– Bilbo, ouça-me bem porque eu só vou dizer isso só uma vez. — Bofur disse com um tom sério, como um pai dando uma bronca em um filho. — Pare agora mesmo com esse absurdo. Não há nada errado com você. Você é a pessoa mais bondosa que eu conheço, você sempre tenta ver o lado bom das coisas, você sempre me dá cobertura quando eu vou fumar lá nos fundos... — e isso tirou uma risada fraca de Bilbo — E, agora que eu estou pensando nisso, você tem uma bunda bonita. — Bofur piscou e sorriu daquele jeito travesso dele.

– Bofur! — Bilbo exclamou ultrajado.

– O que eu estou tentando dizer é que não há nada errado com você, não seja ridículo. Não sei como esse pensamento encontrou o caminho até a sua cabeça, mas eu acho bom você se livrar dele rapidinho. — Bofur disse voltando a fazer o que ele estava fazendo antes de começar a conversar com Bilbo, voltando a limpar o balcão com o pano de prato. — Você não encontrou o cara certo, só isso.

– Só isso? — Bilbo revirou os olhos — Você faz parecer que isso é fácil.

– Não, eu sei que não é fácil. Mas você não vai encontrar o homem dos seus sonhos se você ficar aí se lamuriando pelos cantos.

– Eu não estou... — Bilbo começou a protestar, mas ele sabia que era inútil. — Ótimo. E por onde eu devo começar a procurar por aquele que será o amor de minha vida, oh toda poderosa fonte de sabedoria. — Bilbo perguntou em zombaria.

– Você não terá que ir longe, meu filho descrente. — Bofur disse e aquele sorriso travesso estava outra vez em seu rosto e isso nunca levava a nada bom, ou saudável, ou seguro. Bofur assentiu em direção a um ponto atrás de Bilbo e disse baixinho para que apenas seu amigo ouvisse. — Você já viu nosso mais novo colega de trabalho?

Bilbo franziu a testa e virou-se no banco em que ele estava sentado para olhar para onde Bofur certamente queria que ele olhasse.

Havia um funcionário novo no Gandalf’s. Ele era alto, bem mais alto do que Bilbo, ele tinha ombros largos, cabelos negros um pouco compridos presos em um solto rabo de cavalo e ele usava o uniforme da loja. As mangas de suas camisa estavam enroladas para cima mostrando os músculos de seus braços e ele limpava o chão com um esfregão. O homem virou-se um pouco, ficando numa posição perfeita para que Bilbo pudesse ver seu rosto. A expressão em seu rosto era de extrema concentração, com cenho franzido. Ele tinha uma barba rala cobrindo as linhas angulosas de seu rosto e sua pele era pálida, como se ele não tivesse tido contato com o sol tipo, nunca.

Sim, Bilbo não podia negar que o homem em questão era atraente, mas algo parecia... estranho sobre ele.

Bilbo sabia que ele estava encarando, mas ele não conseguia desviar o olhar do homem intrigante a sua frente. Então, o homem levantou a cabeça e o olhar dos dois se encontraram. Os olhos do homem eram azuis, um tom que Bilbo nunca havia visto antes, tão profundo, como o azul de uma pedra preciosa. Hipnotizante, era a palavra para descrever aqueles olhos, tão profundos, como se aquele homem estivesse olhando para dentro de Bilbo e essa ideia o fez estremecer. O homem manteve o contato visual por mais um tempo antes de desviar o olhar e Bilbo não sabia se ele se sentia aliviado ou frustrado por não poder mais olhar naqueles olhos.

– Quem é ele? — Bilbo perguntou virando-se para olhar para Bofur outra vez.

– Ele é um amigo de Dwalin. Ele começou ontem no turno da noite. Você teria visto ele se você não tivesse saído mais cedo. — Bofur levantou uma sobrancelha, claramente alfinetando o amigo.

– Eu sei, eu sei, você pode por favor não me lembrar que ontem aconteceu?

Bofur deu uma risadinha e Bilbo preferiu ignorar o amigo.

– Dwalin me disse que ele iria começar ontem. — Bilbo disse, lembrando do que Dwalin havia dito quando Bilbo havia pedido para trocar de turno com o colega.

Bofur levantou uma sobrancelha, visivelmente pasmo que seu amigo estava sabendo da fofoca antes dele.

– Bem, eu fiquei surpreso em saber que Dwalin Fundin tinha um amigo. Os dois são muito parecidos, na verdade. Ele não fala muito, ele tem esse olhar de quem não está entendendo nada do que estamos falando, embora esteja, o que é estranho, mas pelo menos ele é bonitão. Por que você não dá uma chance para ele?

– Eu nem sei o nome dele!

– O nome do cara é Thorin, eu acho. — Bofur olhou na direção de Thorin e sorriu provocantemente. “Eu acho ele bonitão. Um pouco esquisito, mas bonitão mesmo assim. Você poderia perder cinco minutos com ele lá atrás no depósito de vez em quando. Eu perderia.

– Da próxima vez que eu ver Nori eu vou lembrar de dizer a ele sobre como o namorado dele fica flertando com os colegas de trabalho.

Bofur riu e jogou o pano que ele estava usando para limpar o balcão bem na cara de Bilbo, que pegou o pano e o jogou de volta para Bofur.

Volte ao trabalho, Bolseiro. — Bofur disse em uma zombeteira imitação da voz de Gandalf e desapareceu atrás do balcão.

Bilbo riu, e por um momento ele realmente sentiu-se melhor. As palhaçadas de Bofur sempre o alegravam se ele estivesse se sentindo para baixo e ele agradeceu aos céus por ter um amigo como ele.

Bilbo virou-se para levantar-se do banco e notou que Thorin não estava mais ali limpando o chão, em algum momento de sua interação com Bofur o homem intrigante de olhos tão penetrantes havia terminado sua tarefa e havia se retirado para os fundos da loja e Bilbo se encontrou sentindo falta da presença dele.

“Pelo amor de Deus, Bilbo!” Ele deu uma bronca em si mesmo. “Você mal acabou de sair de um relacionamento e você já está procurando problema.” Ele balançou a cabeça e voltou ao serviço.

Ele não estava procurando alguém para ficar, alguém para perder cinco minutos no deposito, ele já havia perdido tempo suficiente de sua vida fazendo besteiras. Ele precisava cuidar de si mesmo primeiro, ele precisava de tempo para se curar.

Mas isso não queria dizer que Thorin estava totalmente fora de cogitação. Mas se qualquer coisa tivesse que acontecer entre os dois, ainda iria demorar um tempo.

Que pena que o destino tinha outros planos...

Notas finais
Por favor, não deixem de comentar, favoritar e recomendar!