Coração de Badboy

1 Bom, era o dia dos namorados


Notas iniciais
Estou animadinha porque eu AMO essa temática colegial e quando pensei nesse plot, pensei que seria algo clichê, como amo, mas com seu diferencialzinho hihi.
Enfim espero que quem se sujeitar a ler essa história bobinha, goste, e já aviso que eu não me levo muito a sério pra escrever algo extremamente bom, espero apenas ser uma experiência leve e divertida!
Esse capítulo é mais aquela introdução marota, pra dar o ponta pé inicial. Enfim, tá aí!

— E essas balinhas aqui? — perguntou pela terceira vez a menina baixinha, aumentando a minha vontade de socar sua cara fofa.

— Meu bem, foca aqui — toquei em seu ombro, a fazendo olhar em meus olhos, que podiam estar um pouco assustadores e meio arregalados, já que ela soltou um sonzinho assustado. Eram apenas sete da manhã e aquela já era a quinta pessoa que ou não entendia os preços ou ficava minutos ponderando sobre o que comprar, e vamos dizer que meu humor nunca foi muito bom pelas manhãs. Por um momento pensei em falar que era tudo de graça, só pra ela sair da fila logo, depois ponderei os prós e contras de mandar ela tomar naquele lugar e sair pra tomar um café, mas uma voz no fundo da minha cabeça, provavelmente minha consciência, me lembrou que a menina não tinha nada a ver com meu mau humor matinal, e o mais importante: ela tinha dinheiro, e era isso que eu precisava.

Suavizei a expressão, dando um sorriso de leve para amenizar a aura irritada.

— Os corações são cinquenta centavos. Os pacotinhos de bala são um, e os pacotinhos de biscoitos amanteigados, um e cinquenta. E cada bombom, dois reais. Entendeu? — apontei para cada conjunto de embalagens, repetindo algumas vezes — cinquenta, um, um e cinquenta, dois.

A menina soltou um Aaah e analisou os produtos com a mão debaixo do queixo, os olhos agora iluminados pela compreensão. E daí passaram alguns segundos. E mais alguns.

Eu já estava prestes a perguntar se a menina estava de brincadeira com a minha cara quando sinto mãos sobre meus ombros.

— Oi linda! Como você está? — Ino, com a voz e aparência de um anjo que desceu do céu pra me livrar de perder o meu réu primário, cantarolou para a maldita baixinha da fila, que abriu um sorriso e a cumprimentou. — Não sabe o que escolher né? Relaxa que eu sou assim também! Por que você não leva…

Escapei de fininho, estava tudo sob controle nas mãos de Ino, e até a menina da fila parecia aliviada — talvez, apenas talvez, meus olhares de impaciência não estivessem mascarados como eu imaginava. Mas, como sempre dizia minha mãe, "Vida que segue, se nem Nosso Senhor Jesus Cristo agradou todo mundo, quem sou eu".

Diferente de Ino, capitã e líder de torcida, com um sorriso contagiante e simpático, amiga de todos, ou de Hinata, presidente do grêmio, com sua reputação de doce e dedicada, eu era apenas a Sakura. Na verdade, eu era mais conhecida como "a Sakura amiga da Ino e da Hinata", e digamos que entre nós eu era a que menos me importava em ser simpática aos olhos alheios. Quando se administra um grêmio estudantil caótico — e se tem pavio curto como traço de personalidade —, digamos que as pessoas costumam ver de você o seu pior lado.

Mas mesmo assim, acabava conhecendo muita gente pelo posto de destaque no Grêmio e, por ser amiga de duas garotas tão sociáveis, tinha bastante amigos também. Apesar do meu temperamento não ser dos melhores, me orgulho em dizer que era uma pessoa de fácil convivência e divertida no geral, e gostava de ficar naquele “meio termo” dos holofotes da popularidade, se é que podíamos chamar disso — a escola, ainda bem, não parecia em nada com Meninas Malvadas ou algo do tipo.

Se tem uma coisa que minha mãe também me ensinou, é que o meio termo evita as dores de cabeça. E para uma pessoa que não gosta de ser o centro das atenções, o meio termo é um paraíso.

Saí da minha mesinha, uma das três posicionadas na entrada principal, onde em uma estavam todos os pacotinhos de venda e corações, e na outra estava Hinata que os vendia como eu, e fui para a cantina, onde o senhor simpático nem precisou perguntar o que eu queria, porque eu sempre pedia a mesma coisa. Ao invés disso, chegou com meu cappuccino quentinho já pronto e um olhar cúmplice. Sorri para ele e trocávamos algumas palavras quando Ino chegou me abraçando por trás.

— Bom dia amiga — disse toda radiante. Está aí uma pessoa que odeia os meios termos. Ino é como Sol encarnado e que brilha na sua máxima intensidade. Ela atrai atenção por onde passa sem fazer o menor esforço, é simplesmente uma aura de energia boa que aproxima as pessoas como a gravidade atrai os planetas.

— Bom dia — disse depois de um aceno de despedida para o tio da cantina, e começamos a andar pelos corredores. — Graças a Deus que você chegou, eu tava quase dando na cara daquela menina.

Ino riu do jeito costumeiro, fazendo um sonzinho de porca, origem do meu apelido especial pra ela.

— Eu percebi. Mais um minuto e eu te encontraria gritando CINQUENTA, UM, UM E CINQUENTA, DOIS — e essa foi uma tentativa falha de me imitar como um líder militar ou capitão bárbaro, pela sua expressão exagerada, com sobrancelhas franzidas e olhar rígido. Não me aguentei e ri.

— Que mentira, você sabe que eu sou um doce — fiz uma pose com um biquinho e ganhei um tapa no braço.

— É deve ser sim. Sorte sua que eu senti no ar e cheguei pra te salvar… — olhei com escárnio e ela interrompeu meu “Senti no ar?” indignado com um revirar de olhos — Tá bem, foi coincidência, mas eu realmente queria ajudar ela, tadinha, também sou do time das indecisas…

— Eu sei bem disso. — Na minha cabeça passava um filme de todos os minutos que já gastamos em nossas saídas porque Ino não conseguia escolher entre duas coisas. Uma pergunta simples como "você prefere hambúrguer ou pizza" podia significar longos minutos e um debate digno de super-heróis frente ao fim do mundo. — Fiquei surpresa de você não piorar a situação.

A loira deu um riso de deboche pela alfinetada, mas sua expressão não durou muito.

Ahhh o dia dos namorados — seus olhos observavam o nada, com as mãos unidas em frente ao peito. — Já consigo sentir o romance no ar.

Seu suspiro sonhador me fez rir amarelo.

Ihul! — exclamei sem animação. Olhos azuis julgadores me observaram.

— Você parece aquelas protagonistas de comédia romântica — desdenhou — “Ai, odeio o dia dos namorados”, “Ain, morte ao amor”.

— Minha voz não é assim, sua Porca — murmurei contrariada — E outra, e nem odeio o dia dos namorados, só não tô animada sabe? Não tem nem pra quem mandar cartão — suspirei. Se minha vida amorosa fosse um filme, seria um daqueles de Faroeste, com um vento levando fenos e talvez um cavalo comendo grama.

— E aquela paquerinha sua com o Kiba?

— Esqueceu que ele tava comigo pra conseguir se aproximar da Hinata?! — exclamei, com o sangue subindo ao lembrar daquele cara de pau. Ino fez uma cara de chocada e o xingou comigo — Podia mandar um bombom pra ele, especial…

— Um laxante… hihi — completou a loira.

— Quem sabe um veneno — Quem me dera, pensei. Bem que eu gostaria de socar meio quilo de agrotóxico na goela daquele cafajeste.

— Mas e aquele monitor de física que vivia dando em cima de você? — Ino lembrou e eu suspirei, lembrando dos beijinhos dele. Ele era bom beijando. Melhor beijando do que ensinando Física.

— Pô, ele saiu da escola, amiga — falei com pesar, e ela assentiu se calando. Um silêncio meio constrangedor se instaurou, e “caramba eu não beijo na boca faz um tempo" foi um pensamento que me deprimiu um pouco, então decidi mudar o foco. — Mas e você, mandou cartão pra quem?

Ino consertou a postura, começando a fazer uma lista de garotos que eu nem sabia que ela estava conversando. Essa mulher era uma máquina de flertar.

— … Além desses, que foram mais de brincadeira, mandei pro Gaara, porque o coração é fraco... — fiz cara feia, porque era o ex dela, na real, O ex dela, aquele que ela pensava ouvindo música triste — Não me olha assim, eu já superei. Enfim, além dele, mandei pro Deidara e Sai, que são os que eu quero pegar de verdade.

Minha boca se escancarou.

SAI? — ela afirmou, fazendo charme — Nossa amiga, porque não me falou antes? Nós fazemos dupla em Artes, ele é legalzinho, dá super pra jogar você na fita.

Sai era um garoto meio esquisito, mas que tinha seu charme. O problema pra que ele era meio caladão e da outra turma do terceiro ano, então não tínhamos muito contato, só em Artes que era opcional.

A loira fez uma espécie de passinho no meio do corredor, que contou até com uma sarradinha ao final.

Porra Sakura aí sim. Pimba — e veio outra sarrada. Essa menina não tinha jeito mesmo. — Acho que estou me sentindo um pouco artística esse ano, vou me inscrever.

Estava rindo quando vi onde estávamos chegando, e parei.

— Ei, espera, tenho que voltar, Hina ficou sozinha lá.

Ino murmurou que “a patroa falou que tava tranquilo”, me arrastando para dentro da sala do Grêmio Estudantil, também conhecido como minha segunda amada e odiada casa. O espaço era do tamanho de uma sala de aula, porém as paredes eram pintadas com desenhos diversos, feitos pelos estudantes. Uma das paredes era de lousa, e tinham vários dizeres de giz, como "Matemática é uma merda!" e "Vão Raposas!" e o mascote da escola bem mal rabiscado — parecia mais um triângulo com orelhas. Além disso, tinha uma mesa e um armário trancado com muitas gavetas, onde guardávamos as coisas importantes, e só eu, Hinata e Neji tínhamos a chave. Eu cuidava da parte financeira, Hinata era diretora — ou patroa, como Ino dizia — e seu primo, o vice.

O Grêmio servia de meio de comunicação das vontades dos estudantes com a direção da escola, ou seja, reclamações de professores, organização de campeonatos esportivos, festinhas, além de divulgar informações para os estudantes sobre oportunidades. Enfim, era um caos completo, e todo dia aparecia um pepino diferente.

Mas além disso a sala estava sempre aberta e com estudantes de todos os anos do Ensino Médio, já que o fundamental tinha seu próprio grêmio. Tinham sofás, puffs, microondas e até uns jogos doados, como Uno e Damas. A galera ia ali para resenhar, e quem usava mais ajudava na limpeza e organização.

Foi colocarmos um pé dentro da sala, que já sabia que Naruto estava ali, pelo simples fato da gritaria atingir meus ouvidos.

— Óbvio que não! Você tá maluca? — o loiro escandalosamente, com a voz subindo algumas oitavas, apontava o dedo indicador para a tela do telefone — É ÓBVIO que a Casey tinha que ter ficado com o Evan! Eu não to acreditando.

— Cala a boca gente — estirado em um sofá, Shikamaru murmurou quase choroso, com um dos braços tapando os olhos. E levou um tapa na cabeça logo em seguida.

— Não me manda calar a boca — Temari esbravejou. Se virando pra Naruto, pôs as mãos na cintura e apontou o dedo na cara do mesmo — E você, absurdo seria ela ficar com aquele loirinho pão com ovo. Ela com a Izzie é mil vezes melhor.

Naruto deu um grito sufocado horrorizado, repetindo "Loirinho pão com ovo?" indignado e acompanhado de muitos argumentos e xingamentos.

— Ah não! — exclamou a loira ao meu lado, indignada. — Não acredito que vocês me deram spoiler. — E lá se foi mais uma pra discussão.

Desviei meu caminho, ignorando a guerra instaurada, e dei tapinhas na perna de um moreno sonolento para ganhar espaço no sofá.

— Virou a noite jogando de novo? — o murmúrio de afirmação me fez soltar uma risadinha — E valeu a pena pelo menos, Shika?

— Nunca vale — a voz abafada pelo próprio braço me fez rir genuinamente.

Fui dar uma olhada nas redes sociais, sabendo que o moreno não queria ser incomodado, e honestamente, era uma das coisas que mais gostava nele, poder ficar num silêncio confortável. Vi Twitter, Instagram, ri de um post de um cachorro escorregando, li umas mensagens no grupo da família, e daí muitos minutos se passaram. Ria de um meme que Ino havia me marcado quando ouvi me chamarem.

— Oi! — percebi que era a própria Porca, que tinha se afastado da briga — Tava aqui vendo esse meme que você me mandou. — Enfiei o telefone na cara dela e sua expressão se tornou curiosa.

— Nossa! Esse vídeo é muito bom! — exclamou, agora já rindo genuinamente — Essa parte, aí, ele vai cair… — gargalhou — Essa parte é muito boa!

Eu também ria, porque realmente era muito boa, mas minha visão me traiu e foquei no horário no topo da barra de notificações.

— Poxa já são quase sete e meia — choraminguei. Hoje tinha aula de física, também conhecida como sessão de tortura semanal. A loira também suspirou, mas o suspiro maior foi de Shikamaru, que devia estar frustrado por não ter conseguido tirar seu cochilo. Ele apenas levantou, chamando atenção dos que brigavam, e saiu bufando da sala.

Isso não gerou muita comoção em Temari e Naruto, mas serviu pra tirar o foco da briga.

— Saky, quem vai entregar os cartões na sala? — Naruto perguntou. — Quero ler os da nossa turma.

O capitão do time de futebol fez sua careta de menino arteiro, que era meio que expor os dentes superiores e lançar um olhar malicioso. Não era surpresa que ele queria sacanear todos aqueles que recebessem um cartão para ser lido em voz alta — normalmente, eram os mais sacanas e engraçados — com sua narração cômica. Entrávamos no meio das aulas distribuindo os cartões, em casa turma, e quem comprava mais de um coração, tinha como escolher de eles serem lidos em voz alta ou só entregues.

— Pode ler o de todas as turmas se quiser, a galera gosta — me arrependi de ter falado na hora ao perceber o erro que cometi em aumentar um ego que já era gigante. O loiro desfilou para sala acenando e fazendo pose como se estivesse no tapete vermelho, e o sinal indicando o horário de início das aulas tocou.

— Tudo bem então, darei ao povo o que o povo quer — sorriu galanteador, fazendo uma reverência e piscando para cada uma de nós de modo dramático. Já estava saindo pela porta quando esse virou — Temari, para você eu refogo minha piscada. A Izzie é péssima.

E saiu mandando um beijo em resposta ao dedo feio dela.

— Às nove, Naruto! — gritei, recebendo seu joinha já do corredor — Refogo minha piscada? — balbuciei ainda confusa.

— Acho que ele quis dizer “revogo”, não? — Ino falou, com uma cara meio rindo meio de pena.

— Quando acho que não pode piorar… — Temari colocou a mão na têmpora, balançando a cabeça, segurando a risada — É uma pequenez cerebral, um atrofiamento de neurônio...

Essa frase vinha de um meme que tinham mandado no dia anterior, no grupo dos amigos, o que nos fez rir até ficarmos sem ar. Depois de recuperarmos o fôlego, segui com elas para nossa turma.

Às nove horas, distribuiríamos os cartões, e por um motivo que não entendi, senti um frio na barriga. Não estava preocupada com os coraçoeszinhos, já sabia que ganharia algo infame de Ino, algo fofo de Hinata, talvez do Naruto também, algo bem constrangedor do Rock Lee com certeza, mas mesmo assim não estava ligando muito para o evento para justificar aquela sensação.

Talvez fosse apenas coisa da minha cabeça, talvez fosse pressentimento, porque mal eu sabia que dali a algumas horas, um mísero papelzinho vermelho viraria tudo de cabeça pra baixo.

Notas finais
Me sinto igual o João Frango dando espetinho de Lula pro Maverick e perguntando: " Eaí? Que que cê achou?"
Se gostou, acompanha aí, vai ser pequena, no máximo 10 capítulos! Espero conseguir atualizar rápido, mas depende da faculdade. Enfim, boa noitinha!