Coração Malandro

6 Capítulo 5


Notas iniciais
Boa leitura :)

No dia seguinte, Mara acordou cedo. Afinal era o seu primeiro dia de aulas. Já ansiava por isto há muito tempo mas agora que finalmente chegara o dia, estava nervosa. Aliás, muito nervosa.

Mara foi até ao armário e escolheu uma t-shirt branca com um coração negro estampado, umas calças de ganga preta e umas sapatilhas brancas. Arranjou-se e seguiu para a cozinha para tomar o pequeno-almoço. Preparou as coisas fazendo o menor barulho possível, afinal Benjamin estava a dormir no sofá.

Mara saiu de casa e seguiu a pé para a faculdade. Chegou e foi procurar a sala onde tinha a sua primeira aula, Economia Política. Entrou, quando o seu professor chegou. Um homem alto, olhos verdes, cabelos grisalhos e na casa dos cinquenta anos.

Cada sala possuía cerca de trezentos lugares e na frente encontrava-se a pequena secretária do professor com um computador. Este computador ligava ao retroprojetor que mostrava a matéria que iria ser dada. Além disso ainda possuía um quadro auxiliar ao professor.

Mara sentou-se na cadeira da ponta numa das filas do meio. Estava sentada ao lado de um rapaz alto, cabelos castanhos e olhos verdes. Queria ter ficado nas primeiras filas mas como a confusão era muito acabou por não conseguir.

–Bom dia. O meu nome é Giovanni Bellini e sou o vosso professor de Economia Política. – apresentou-se o professor – Hoje apenas vou falar sobre os temas que iremos abordar nas aulas. Na próxima aula começaremos a aprofundar esses temas. Aviso também que as aulas práticas começam na próxima semana.

Durante hora e meia, o professor Bellini falara sobre cada tema que iriam trabalhar. Falou também que ao longo do semestre os alunos, em duplas, teriam de fazer trabalhos acerca de cada tema dado. Por fim, quando o professor disse que os alunos podiam sair, instaurou-se a confusão. Tanto que Mara foi empurrada e só não caiu porque o rapaz que esteve sentado ao seu lado durante a aula, a segurou.

–Obrigada. – agradeceu Mara.

–De nada. Sou o Anthony. – apresentou-se.

–Mara.

–Queres vir até ao bar comer qualquer coisa? – perguntou Anthony.

–Sim, por acaso já comia qualquer coisa. Mas sabes onde é o bar? É que eu não conheço nada, tanto que a primeira vez que aqui estive, acabei por me perder.

–Não te preocupes, conheço cada canto desta faculdade. É verdade que só é o meu primeiro dia como estudante mas já estive aqui antes com o irmão da minha namorada. – respondeu Anthony.

–Ainda bem. Então vamos.

Seguiram até ao bar, pediram e sentaram-se numa mesa no canto do bar.

–E no dia que te perdeste aqui, como deste com o sítio? – perguntou Anthony para começar um assunto com Mara. Como se tinham acabado de conhecer não sabiam o que dizer um ao outro e esta foi a primeira coisa que Anthony se lembrou.

–Foi um idiota que me ajudou a encontrar a secretaria. – respondeu Mara.

–Um idiota? – perguntou Anthony rindo-se – Vejo que a primeira pessoa que conheceste não te agradou lá muito.

–Não é uma pessoa que valha a pena falar. Não consegue ver um rabo de saias e vai logo atrás. Mas eu tratei-o da forma que ele merecia. – disse Mara muito orgulhosa de si.

–Como? – perguntou Anthony curioso. Mara contou por alto o que tinha feito a Alexander. Cada vez que avançava mais na história, mais gargalhadas Anthony dava. Era hilariante como Mara tinha dado uma lição a esse tal rapaz.

–Vejo que ele aprendeu a lição. Mas tens de dar um desconto, há pessoas hoje em dia que não conseguem controlar as hormonas.

–A tua namorada tem sorte, ao menos tu és um rapaz decente. Não é como aquele… — Mara calou-se de repente pois viu Alexander aproximar-se. É verdade que ambos estavam no mesmo curso mas também era preciso ter muito azar para ter dado de caras com ele.

–Olá boneca. – cumprimentou Alex.

–Vai chamar boneca à tua mãe. – respondeu Mara rispidamente.

–Vocês já se conhecem? – perguntou Anthony confuso. Mas rapidamente percebeu tudo. O idiota que Mara falara era Alex. – Mara é ele…

–Sim é o idiota. – disse Mara sorrindo ao lembrar-se do que acontecera – Mas vocês conhecem-se?

–Sim, ele é o irmão da Rowena, a minha namorada. – respondeu Anthony. Mara abriu a boca num perfeito O. Nunca imaginara que a namorada de Anthony fosse uma das irmãs de Alexander.

–Espantada boneca? É só o destino a juntar-nos mais uma vez. – disse Alex.

–Anthony vou andando. – disse Mara levantando-se da cadeira – Quando acabares de falar com o idiota, estou na biblioteca. – completou Mara saindo em seguida.

–Ela não gosta de ti nem um bocadinho. – comentou Anthony.

–Isso vai ser por pouco tempo Anthony. – disse Alex confiante.

–Alex, a Mara parece uma rapariga decente…

–Que estás a quer dizer? Que as raparigas com quem eu ando não são decentes? – perguntou Alex incrédulo – E fica sabendo que a tua amiga não é assim tão decente como tu dizes. Ela agrediu-me duas vezes no mesmo dia sem qualquer justificação. – Anthony apenas se riu do comentário do amigo pois Mara já lhe tinha contado a história e havia sim um motivo para ela o ter agredido. – Porque é que te estás a rir? Isto é um assunto muito sério. – Anthony riu-se ainda mais.

–Alex, tu achas que a Mara já não me contou essa história? Tu deste em cima dela logo no primeiro momento, querias o quê? Tu pensas que todas as mulheres caem a teus pés mas isso não é verdade.

–Lições de moral a esta hora? Lá porque tu namoras não quer dizer que toda a gente namore. E eu vou andando que esta conversa já está a ficar estragada. – disse Alex indo ter com os amigos. Anthony fez o mesmo e foi ter com Mara.

Mara estava sentada num canto da biblioteca a ler um livro. Estava tão concentrada que não deu pela chegada de Anthony. Foi preciso tocar-lhe para que ela notasse a sua presença.

–Então? O teu amigo já te contou todas as idiotices que fez hoje? – perguntou Mara arrumando o livro que estava a ler na carteira e seguiram até à saída da biblioteca.

–Eu sei que não parece…

–Não vais falar bem do Alexander pois não? – interrompeu Mara. – Ele até pode ser muito bom amigo mas a forma como age com as mulheres é nojenta.

–Tu realmente ganhaste-lhe uma inimizade.

–Tenho razões para isso. – respondeu Mara deixando Anthony curioso. – Digamos que perdi a minha melhor amiga por causa de um idiota como o Alexander.

–Como assim? – perguntou agora ainda mais curioso Anthony.

–Eu conheci a Ivy na escola. Tornamo-nos logo amigas. Aliás, melhores amigas. Passado uns anos, ela começou a namorar com um idiota que usa e deita fora. Eu fartei-me de avisá-la mas ele sempre arranjava uma desculpa para tudo. Eu acabei por ser a má da fita. Eu perdi a minha melhor amiga por causa de um gajo como aqueles. – contou Mara. Era um assunto complicado para ela, mas ela sabia que se libertasse um pouco dessa raiva, ela atenuaria.

–E como é que acabou a relação deles?

–Eles terminaram o secundário quando eu terminei. Depois disso nunca mais os vi, por isso não sei o que aconteceu depois. Mas também não quero saber. Ela só não acreditou porque quis. Eu avisei-a.

–Agora compreendo a situação. Mas mesmo assim…

–Ele é igual Anthony. Há duas semanas estava a fazer-se a mim. Ontem sei lá o que andou a fazer com a Nicole no escritório dele. Eu só não compreendo o porquê de eles fazerem isso. Mas também não me interessa. Aliás vamos mudar de assunto. Conhecemo-nos há poucas horas e eu já te estou a chatear com os meus assuntos. Desculpa.

–Não precisas de te desculpar. Só te fez bem desabafar. E sei que nos conhecemos há pouco tempo mas podes contar comigo. – disse Anthony e Mara abraçou-o. Mara não era daquelas pessoas que se afeiçoava facilmente a alguém mas em Anthony viu alguém em quem poderia confiar, um amigo. – E falando de outros assuntos, vais participar na praxe? – perguntou Anthony. A praxe era algo pelo que todos os caloiros passavam. Pelo menos aqueles que quisessem participar. Muitos diziam que a praxe só tornaria o primeiro ano de faculdade o melhor das suas vidas, já outros diziam que aquilo era uma perda de tempo. Mara optara por experimentar e caso não gostasse sempre poderia desistir.

–Vou e tu?

–Também. Podíamos ir até lá agora. – sugeriu Anthony. Mara concordou.

Quando chegaram ao jardim onde decorria a praxe, por mera coincidência, Alex estava na mesa onde marcavam as presenças. Anthony e Mara seguiram até lá.

–Nome. – disse Alex sem olhar para as pessoas que estavam à sua frente.

–Mara Martin. – quando Mara falou, Alex soltou um sorriso debochado para ela. Tê-la-ia ali e ela teria que fazer tudo o que ele mandasse porque Alex faria questão de ser ele a dar-lhe todas as ordens.

–Anthony Adams. – Alex apontou os nomes e mandou-os seguir.

Alex não queria perder a oportunidade de provocar Mara e, por isso, pediu a outra pessoa para ficar a apontar enquanto ele trataria da praxe.

–Caloirada, todos de quatro. – ordenou Alex. – Tu aí da segunda fila, no canto. Anda cá. – Mara percebeu que era com ela que falavam e aproximou-se. Ainda não tinha percebido que fora Alex a dar aquela ordem. – A caloira não cumprimentou os seus companheiros nem os seus Doutores. – com a proximidade, Mara percebeu que quem dera a ordem fora Alexander

–E como quer que eu os cumprimente? – perguntou Mara.

–Não me diga que não lhe ensinaram boas maneiras em casa? – perguntou Alex. Mara apenas se conteve para não responder porque Alexander tinha tocado no pior assunto. – Os seus papás não lhe ensinaram como se cumprimenta as pessoas em seu redor? Não lhe ensinaram a respeitar os seus superiores? – Alexander fazia questões e questões sobre boas maneiras e educação em casa e Mara sabia que não conseguiria ficar por muito tempo calada pois a única coisa que não lhe podiam falar era da sua educação e da maneira como a teve. Alexander perguntava e perguntava coisas sobre a sua educação, chegou a dizer que os seus pais eram uns imbecis por causa da educação dela e isso foi a gota d’água.

–Vai à merda. – soltou Mara saindo em seguida a correr. Alexander ficou sem reação. Queria provocá-la mas nunca pensou que ela fugiria.

–Eu vou ver o que se passa. – disse Ezra a Alex saindo em seguida atrás de Mara.

Ezra avistou Mara à saída da faculdade. Correu o máximo que conseguia com certa dificuldade, afinal estava trajado.

–Mara. – gritou Ezra. Mara olhou para trás ao chamarem o seu nome sem reconhecer a voz que a chamara. Limpou rapidamente as lágrimas que caíam pelo seu rosto. Mas não a tempo de Ezra não as ver. – Ei, que se passou? – perguntou Ezra visivelmente preocupado.

–É o teu amigo que é um idiota. Agora deixa-me em paz. – respondeu rispidamente Mara.

–Será que dá para te acalmares? O Alex só estava a fazer o trabalho dele como praxista…

–NÃO O DEFENDAS. – berrou Mara assustando Ezra e a ela própria – Não sabes o quanto aquelas palavras podem ferir uma pessoa?

–Não entendo…

–Eu sou órfã, ok?

Notas finais
E agora como será que reagirá Ezra? E Alex? Espero que tenham gostado e comentem :) Se alguém quiser ler uma one-shot que eu fiz sobre Harry Potter, aqui está o link: https://fanfiction.com.br/historia/640437/Uma_noite_diferente_das_outras/