LEAH

Hoje tem festa de formatura na praia só para os jovens e como de costume o pessoal monta uma fogueira, faz uma roda, canta e dança. Também há algumas comidas tradicionais, entre eles, o salmão cozido e outras iguarias. Meu pai que é um excelente pescador, ajudou nas escolhas de peixes frescos. Todo mundo ficou responsável de levar alguma coisa e, assim, vai juntando comidas e bebidas para todos os gostos.

Nesse ano o pessoal decidiu que as cores usadas seria vermelho para as garotas e preto ou marrom para os garotos. Bom, eu decidi usar um vestido vermelho simples com alça e detalhes florais que vai um pouco a cima do joelho e tem um decote na frente, nos pés decidi usar uma rasteirinha bege. Minha maquiagem é bem natural, ousei mais nos lábios com um batom na cor vinho. Já nos cabelos decidi fazer uma trança grega.

Entretanto, eu estou preocupada, olho mais uma vez no celular, mas não há nenhuma mensagem ou ligação de Sam. Ele deveria já ter chegado, pois iríamos juntos. Talvez, tenha acontecido algum imprevisto.

Alguém bate na porta. É o meu pai que me olha dos pés a cabeça. Ele franze a testa, sei que está pensando em reclamar do meu vestido.

"O seu vestido parece que tá faltando pedaço." Harry sempre foi ciumento, para ele sempre serei sua Moleca Pimentinha.

"Pai, relaxa. Me diz que eu tô bonita?"

"Você é sempre linda", Harry diz com orgulho.

"Você é mesmo um pai coruja." Eu o puxo para um abraço. Sei que ele está sofrendo por antecipação. Medo de que eu me case e vá viver para sempre em Seattle após a faculdade.

Isso é muito engraçado. Geralmente, são as mães que sofrem mais quando os filhos saem de casa, mas meus pais são o contrário. Sue é mais contida, talvez até mais racional, enquanto meu pai é mais emotivo e transparente.

"Olha só pra vocês aí. Estão perfeitos pra uma foto." Minha mãe entra no quarto toda animada, segurando uma câmera fotográfica na mão.

"Mãe, nenhuma notícia do Sam?", pergunto ansiosa.

"Não. Ele não ligou pra você?"

"Não. Será que aconteceu alguma coisa?" Meus pais se entreolham.

"Claro que não. Ele pode ter tido um problema no trabalho. Leah vai com os garotos, eles já estão prontos, só aguardando você. Qualquer coisa avisamos." Minha mãe me dá um abraço caloroso e tenta me acalmar.

"Vai se divertir, é a sua formatura." Meu pai me dá um beijo na testa. Ele tinha razão, vou curtir a noite com os meus amigos. Talvez, Sam me encontrasse lá, tentei ser otimista.

Ao descer as escadas dou de cara com meu irmão e três garotos olhando para mim com cara de bobos.

"Ei caras, mais respeito com a minha irmã!" Seth repreende Jake e seus amigos. Aliás, parando para observar os três garotos, eu me surpreendi como eles cresceram, sobretudo, Jacob.

Jake estava bonito, usava uma calça jeans preta e camisa xadrez aberta, com uma regata branca por baixo colada ao corpo que parecia ter ganhado mais músculos. Caramba, até meses atrás, ele era um garoto magricelo e desajeitado, mas agora parecia quase do tamanho do Sam.

"Ei, pessoal, junta todo mundo." Minha mãe não queria perder nenhum momento.

Acabei tendo que tirar algumas fotos com os garotos. Seth foi logo pulando do meu lado esquerdo. Senti as mãos de Jake em minha cintura me puxando para mais perto dele.

"Você... tá linda. O Sam é mesmo um sortudo", ele me elogia com uma voz mais rouca. Nossos olhos se encontram, sei lá o porquê me senti perturbada com a intensidade do seu olhar.

Embry e Quil também se juntaram a foto. Com todo mundo bem posicionado, mamãe tirou umas fotos, com todo mundo sorrindo e fazendo caretas, foi uma verdadeira bagunça.

Estávamos prontos para partir rumo a praia, quando o telefone toca. É meu pai quem atende.

"Tá. Tudo bem. Eu já chego aí." Harry tem um semblante preocupado. "É o velho Quil. Ele me pediu pra encontrar com ele. Tá tendo uma reunião de última hora. Vou passar pegar Billy."

Meu pai passa por mim e me dá mais um beijo na testa. Não sei explicar, mas sinto um aperto no coração.

Jake se aproxima de mim pegando minha mão. Então, seguimos para praia. De alguma forma tê-lo por perto me fez se sentir mais calma e segura.

***/ /***

A festa foi legal, a comida estava deliciosa, as músicas estavam boas, as conversas foram animadas. No entanto, mesmo toda aquela animação não me fez tirar Sam da minha cabeça. E isto me deixou aflita.

E se aconteceu alguma coisa com ele?

De repente me senti muito melancólica, fechei os meus olhos e tentei relaxar, até que senti alguém se sentar do meu lado.

"Tá se divertindo?" A voz é de Jake. Eu respondo afirmativamente com a cabeça, ainda de olhos fechados. "Que mentira! Você está com uma baita ruga de preocupação, bem no meio da sua testa."

"Ei, idiota!", resmungo ao sentir seu dedo cutucar a minha testa.

"Sam te deu um bolo, né?" Nessa hora abri meus olhos e o encarei com vontade de esganá-lo.

"Por que você não vai se juntar com os seus amiguinhos... ou arranja uma outra garota pra encher o saco.

"Ah, falando em garota..." Ele ficou entusiasmado. "Acho que já encontrei a garota certa para mim."

"Sério. Ela é daqui?" De repente me distrai com aquele assunto bobo.

"Não. Ela é de Forks. É a filha do Charlie."

"A filha do xerife Swan?" Eu fiquei perplexa. "Como você sabe que é ela a garota certa?" Eu empurrei ele com o ombro num ato de provocação.

"Não sei explicar." Ele olhou para o céu e ficou pensativo. "Bella é linda, simples, inteligente e sincera. Toda vez que estou com ela sinto... algo forte, como se... houvesse uma conexão especial entre a gente."

"Uau, que coisa mais romântica!", disse irônica. "Ela já sabe que você gosta dela?"

"Ainda não. Tô esperando o momento certo." Jake me deu outro sorriso maroto e depois desviou o olhar para o mar. "Que tal um banho?" Logo, percebi qual eram seus planos.

"Não. Obrigada!" Infelizmente, minha recusa não adiantou de nada, porque Jake me pegou no colo e começou a me levar em direção ao mar.

Mas que filha da mãe!

"Jake, me solta!" Eu me debatia em seus braços, em troca ele me deu um sorriso de canto e continuou com o plano.

Alguns malucos já haviam se aventurado a entrar no mar, mesmo estando frio e eu fui uma das vítimas desses malucos, que incluíam um Jake muito travesso.

"Jake, seu idiota! Olha só o que você fez comigo! Venha aqui agora!" Eu comecei a correr atrás dele. Parecíamos duas crianças. Seth também havia me traído e participado da operação: 'VAMOS MOLHAR A LEAH', que pra eles foi divertido.

Depois da diversão na praia voltamos para casa. Deixei cada um dos garotos em suas casas e segui para minha. Guardei o carro do meu pai na garagem e fui direto tomar um banho quente. De banho tomado e vestida no meu pijama, tentei ligar para o Sam e não consegui falar com ele. Decepcionada me joguei na cama. Fiquei horas virando de um lado para o outro, tentando dormir, porém o sono não vinha. Então, escutei um barulho na sala.

Era meu pai chegando as duas da madrugada. Ele parecia muito aflito e me deu um olhar de espanto.

"O que você está fazendo acordada? Volte a dormir!" Ele desviou seu olhar do meu. Tinha alguma coisa acontecendo.

"Pai, tá tudo bem?"

"Sim. Só estou cansado. Vou me deitar. Você deve fazer o mesmo." Ele me deu um beijo no rosto e subiu para seu quarto. Decidi fazer o mesmo.

Quando consegui dormir, sonhei com Sam e coisas desconexas.



***/ /***



Eu ainda não conseguia falar com o meu noivo, ele vinha me ignorando, não respondia as minhas ligações. Cheguei a procurá-lo em sua casa, mas sua mãe sempre me dava alguma desculpa. Minha futura sogra parecia se sentir desconfortável com a minha presença.

E aí se passou uma semana, até que começaram os boatos. Morar numa comunidade, onde todo mundo praticamente sabe de tudo um do outro, é complicado. As pessoas tem manias de tirar conclusões precipitadas, criar fofocas que acabam se alastrando por toda a reserva, independente se é verdade ou não.

Segundo o povo, Sam andava em más companhias e, portanto, estaria envolvido com drogas e outras coisas. Cheguei a discutir com algumas pessoas por conta disso.

Eu nunca me meti na vida de ninguém, então, não iria admitir que se metessem na minha vida e na de Sam. E falando nele...

Levou uns três dias para que Sam decidisse falar comigo. Quando desci as escadas, levei um susto ao vê-lo parado em pé na sala. Meu noivo usava apenas um shorts jeans esfarrapado, seu cabelo que antes estava na altura dos ombros, foi cortado bem curto. Ele parecia mais velho e maior que a última vez que o vi, seus olhos não tinham o mesmo brilho de antes. Porém, o que mais me assustou, foi o seu semblante que parecia tão sombrio.

Era como se eu estivesse na presença de um outro Sam e não do meu noivo: aquele que me recebia com um olhar apaixonado e sorrisos alegres, que me puxava para um abraço de urso e me beijava até que ficasse quase sem ar.

"Sam, o que aconteceu com você?" Nós nos olhamos e, imediatamente, eu me joguei em seus braços, só que Sam não retribuiu o meu abraço, ele ficou rígido, mesmo assim, ainda podia sentir como a sua pele estava febril e seu coração batia acelerado sob o meu toque.

"Lee-lee, eu sinto muito." Ele acariciou o meu rosto e enxugou as minhas lágrimas.

"Sam, eu só quero saber se você está bem? Confie em mim!"

"Leah... é complicado."

"Você talvez não queira me contar agora... porque está com medo. Tudo bem, eu não vou te pressionar." Eu olhei no fundo dos seus olhos. "Eu posso esperar por você... o tempo que for preciso."

Subitamente, ele me pegou em seus braços e me calou com um beijou. Um beijo intenso, desesperado e até áspero. Eu fiquei um pouco assustada, mas ignorei porque sentia a falta dele e só queria me sentir amada.

No entanto, da mesma forma inesperada que o beijo aconteceu, ele foi rompido. Nós nos olhamos mais uma vez. Então, eu entendi: o beijo era a sua despedida.

"Eu sinto muito, mas... eu... não estou pronto pra dividir a minha vida com você." Suas palavras me causaram uma dor dilacerante e uma raiva. "Por isso vá pra faculdade... Vai viver a sua vida e me esquece!"

Sam foi meu primeiro tudo. Meu primeiro beijo, minha primeira vez, meu primeiro namorado e noivo. Agora ele se tornou minha grande decepção.

"Então, você some e não me dá nenhuma explicação..." Eu decidi que aquele cara babaca me devia ao menos uma explicação. "Há um mês, nós estávamos fazendo planos juntos. Nós iríamos casar. Vovó já tinha preparado o vestido." Senti minha voz embargada. "De repente, você muda de ideia... Simples assim?!"

"Eu sinto muito. Queria que tudo fosse diferente... É melhor eu ir", ele murmurou se aproximando da porta.

"No fim você é tão covarde como seu pai!", falei enfurecida. Ele me deu um olhar frio e saiu descontrolado, batendo a porta da minha casa, violentamente. Novamente, me assustei com seu jeito.

Papai apareceu bem na hora e tentou me consolar enquanto eu chorava.





JACOB

Eu e os garotos estávamos voltando da praia, quando por acaso esbarramos com Sam e Jared. Os dois caras estavam completamente diferentes, seus cabelos compridos foram cortados bem curto, agora andavam por aí apenas de shorts e descalços, eles pareciam mais velhos e tinham um ar hostil. Uley até ficou parado por um tempo nos olhando com um olhar assustador.

Quando contei isso para meu pai, ele tratou do assunto com muita calma e naturalidade, o que me incomodou muito.

No dia seguinte, Charlie ligou para minha casa, aflito, Bella não apareceu no colégio e havia desaparecido o dia inteiro. Todo mundo se mobilizou para encontrá-la. Harry conseguiu reunir um pequeno grupo daqui de La Push que conhecia muito bem as áreas próximas da reserva e até a floresta. A polícia ficou responsável por Forks, tentando coletar alguma informação que levasse ao paradeiro dela.

O dia se tornou noite, todo mundo já estava exausto quando, nesse instante, Sam apareceu trazendo ela em seus braços. O clima de tensão e desespero foi dominada por um alívio coletivo e o cara virou o Herói.

Entretanto, para mim, Sam Uley continuava sendo alguém que eu nunca iria confiar.


***/ /***


Era muito curioso observar como Leah e Bella lidavam com o término de seus respectivos namoros.

A irmã mais velha de Seth parecia descontar as suas frustrações em todo mundo. Ela lidava com o rompimento com Sam da forma mais agressiva possível.

Enquanto isso, Bella entrou em depressão por causa do idiota do Cullen e, ao contrário de Leah, ela sofria em silêncio e fazia tudo mecanicamente.

Mas, quer saber? O Cullen não era o cara certo para ela. Eu sou o cara certo, só preciso de uma chance para conquistar o coração dela.

"Feliz Natal, Bella!" A encontrei escondida em seu quarto. Ela parecia tão abatida, sua pele estava mais pálida, os cabelos bagunçados e seus olhos... Aqueles olhos castanhos que me encantavam tanto, não tinham o mesmo brilho e vida.

"Jake, feliz natal pra você também." Ela me deu um sorriso fraco.

"Nossa, Bella! Você tá parecendo um zumbi." Eu consegui roubar um sorriso dela. "Posso me sentar aqui? Ou você prefere que eu saia? Não quero forçar nada."

"Não. Tá tudo bem." Ela me permitiu sentar ao seu lado. "Os velhos tão se divertindo lá embaixo?" Ela diz com a voz baixa.

"É. Eles vão assistir uma partida de beisebol." Eu não resisti e peguei a mão dela que estava fria, mesmo sabendo que era muita ousadia e isso poderia afastá-la de mim. A garota parecia tão frágil e, ao mesmo tempo, desconfortável com a minha aproximação, porém resolvi ignorar isso.

"Bella, eu sei como é difícil superar a ausência de alguém que é tão importante pra nós." Eu olhei bem no fundo dos seus olhos. "Pessoas que são insubstituíveis. Mas... eu acho que a solidão... não é uma boa aliada. Dê uma chance pra novas pessoas entrar em sua vida. Eu posso ser uma delas", enfatizei cada palavra sem perder contato visual. "Me dê uma chance de ser seu amigo. Eu prometo que serei uma melhor companhia do que a solidão."

"Eu tô bem... é só uma fase. Logo, vai passar." Ela tirou a mão da minha e desviou o olhar. Suas palavras não me convenceram. "E você já é o meu amigo."

"Certo. Então, você sabe que pode contar comigo sempre que precisar. Eu sempre vou estar aqui do seu lado. E prometo que nunca vou te abandonar."

"Tudo bem, Jacob. Eu só preciso de um tempo." De repente ela abriu um sorriso e entrelaçou a sua mão na minha. Resolvi ser paciente e respeitar o tempo dela.

Os dias foram passando, eu fui me distraindo com meus amigos, com a rotina de volta a escola e, pra minha felicidade, consegui a carteira de motorista. Agora só faltava terminar o conserto do Rabbit.

Enquanto estava arrumando as coisas na garagem, escutei um barulho de carro. E, para a minha surpresa, lá estava ela parada ao lado da sua picape, com uma expressão bem melhor que a última vez que a vi. Parecia mais animada.

"Bella, sua maluquinha! Seja bem-vinda a La Push!" Eu a abracei e, dessa vez, a garota retribuiu. Esse foi um abraço de verdade e ela parecia tão perfeita em meus braços.

"Jacob!" Quando a soltei, Bella tinha um olhar avaliador sobre mim. "Você sabia que esteroides anabolizantes fazem mal à saúde?"

"Eu não preciso dessas coisas, Bella. Eu só estou em fase de crescimento", falei orgulhoso.

"Um crescimento desenfreado, eu diria." Ela me deu um sorriso simpático e alegre que eu adoro.

"Eu acho que na verdade... é você que parece baixinha perto de mim. Quase uma anã."

"HAHA! Muito engraçado!" Ela parecia ter ficado um pouco ofendida. Eu achei adorável o jeito dela.

"Mas, falando sério, você não iria notar tanta diferença se... a gente se visse mais."

"É pensando nisso que eu trouxe uma coisa... É meio maluco." Ela hesitou, antes de me mostrar que atrás da sua caminhonete, havia duas motos bem detonadas.

"Uau, você me trouxe duas motos velhas!"

"Eu peguei isso no ferro-velho. Achei que ia gastar muito pra consertá-las mais do que elas valem. Aí eu pensei... se um amigo mecânico me ajudasse."

"E eu sou esse amigo mecânico?"

"Exato." Eu fui até a picape e peguei cada moto sem esforço nenhum. Ela ficou um pouco chocada.

"Elas pareciam muito pesadas pra mim." Nós dois trocamos um sorriso.

A princípio achei um pouco imprudente a questão com as motos. Mas, essa era minha chance de vê-la todo dia. Então, Bella e eu fizemos um trato: Charlie e Billy não poderiam saber sobre as motos. Esse era o nosso segredo.

E, assim, começaram nossos encontros na garagem de casa. Todas as tardes trabalhávamos no conserto das motos. Bella sempre sendo muito atenta a tudo, me ajudando e trocando ideias. Nós dois interagimos muito bem em nossas conversas.

"Então, esse é o famoso Rabbit?" Bella estava bem curiosa.

"Sim. Ainda falta algumas peças para ele ficar totalmente pronto. Mas, assim que ficar pronto, quero te levar pra dar uma volta nele."

"Ele é veloz?"

"É... dá pro gasto."

Eu já havia desvendado muitas coisas sobre Bella Swan, já conseguia descrever cada sorriso, gesto ou olhar. Descobri que ela não gostava de música, (o que achei estranho), que também tinha um problema com a nossa diferença de idade.

Bella era dois anos mais velha do que eu, mas para mim isto era um detalhe tão bobo.

E, o mais importante de tudo, era que aquela garota passou a confiar em mim e que também se preocupava comigo.

"Temos que reservar um tempo pra lição de casa, Jake. Não quero te prejudicar. Billy pode pensar que eu sou uma má influência."

"Você, me influenciando?! Fala sério!" Revirei os olhos.

"Eu sou a mais velha, portanto, sou a influenciadora e você é o influenciável."

"Não, não... Meu tamanho e experiência me tornam mais velho que você por causa da sua palidez e sua total falta de noção." Eu continuei mexendo na roda de uma das motos, ouvindo ela bufar do meu lado.

"Eu te convenci a construir máquinas mortais de duas rodas. Isso te torna um jovem ingênuo!"

A nossa pequena discussão só terminou com a chegada de Embry e Quil.

"Bella, esses são Quil e Embry, meus amigos."

"Você é a garota do Jake?" Nessa hora, eu queria matar o Quil.

"Nós somos só amigos", Bella respondeu tranquilamente.

Depois dessa, tive que impedir Quil de fazer mais comentários desastrosos. Para o meu alívio, logo todo mundo se distraiu com outras conversas idiotas.

Nos dias seguintes, consegui terminar o conserto das motos. Agora eu me encontrava ansioso por ensiná-la a dirigir e, sobretudo, pela possibilidade de não vê-la mais por aqui.

"Bella, se eu te dissesse que não sabia consertar as motos, o que você diria?"

Nós estávamos na caminhonete dela, passando pela estrada próximo ao penhasco. Eu estava sentado no banco do passageiro enquanto a garota dirigia.

"Eu diria... que pena! Mas nós temos que arranjar outra coisa pra fazer. Talvez, algo mais divertido." Gostei da sua resposta.

Ela parou a caminhonete. E agora chegou a hora de ensiná-la a dirigir as motos. Após algumas tentativas, Bella conseguiu um corte na testa, o que nos levou direto para o Pronto-Socorro. Apesar do susto, não foi grave.




LEAH


Logo chegou o dia do meu aniversário e os meus pais decidiram fazer um almoço só com a família. Eu na verdade queria apenas ficar trancada no meu quarto, escutando minhas músicas bem alto no fone de ouvido. Porém, acabei sendo arrastada para me juntar com o resto da família.

Para minha surpresa dei de cara com minha prima Emily toda sorridente.

"Emily, quando você chegou?" Nós duas nos abraçamos e começamos a jogar conversa fora. Eu me senti entusiasmada com o retorno dela.

"E aqui está o meu presente." Jake me surpreendeu ao me dar uma camiseta da minha banda favorita, que eu amei.

"Que legal. É lindo, Jake!" Eu me joguei nos seus braços.

Pena que aquele momento amigável entre nós iria acabar da pior forma possível.

O xerife Swan e a sua filha também apareceram. Bella parecia um pouco desconfortável na nossa presença. Eu diria que ela é uma pessoa fechada, muita presa a seu próprio mundinho.

"Eu sinto muito pela coisa com... o Sam. É difícil, né?"

"Sério? Eu também sinto muito pela coisa com... Como é mesmo o nome dele? Ah... Edward Cullen." Ao citar o nome dele, a expressão dela se tornou obscura. "Ops, desculpe! Ainda dói, né?" Eu sempre acabava sendo sarcástica com ela e isto enfurecia Jacob.

"Qual é o seu problema?", Jake indaga após Bella ir embora.

"Nenhum. Por quê?"

"Cara. Você não precisava ser tão hostil com a Bella. Ela não fez nada pra você."

"Eu só não fui com a cara dela e sei que ela também não gosta de mim. A diferença entre nós é que... eu não finjo pra ser civilizada, ou simpática. E, além do mais, ela não é a garota certa pra você."

"Assim, como você não é a garota certa pro Sam. Ele merece alguém melhor." Por puro impulso, dei-lhe um tapa na cara e senti minha mão latejar. Naquele instante, Jake tinha um olhar de ódio que eu nunca havia visto nele antes.

"O que está acontecendo aqui?" Minha mãe nos interrompeu. Jake me deu um olhar magoada e saiu enfurecido dali, me deixando muito conturbada.



Notas finais
Bom no próximo os lobos devem marcar presença.