Notas iniciais
Relendo a minha historia resolvi modificar e ajustar algumas coisas e acrescentar outras. A partir daqui a gente começa a explorar a ideia de vidas passadas e de carma. Aqui teremos o ponto de vista da LEAH sobre a primeira vez dela com o Jake, só fiz alguns pequenos ajustes. Agora vamos ao capitulo!!!


LEAH

Eu podia ouvir os vários sons da floresta que hoje estava mais que apenas agitada, havia algo sombrio e camuflado pelo desconhecido pairando sobre La Push. Dentre os vários sons, havia um relincho de cavalo ecoando pela noite e suas patas batendo sobre a lama e o gramado úmido.

E montado sobre o animal, vislumbrei uma silhueta feminina de cabelos negros compridos jogados ao vento.

Eu decidi persegui-los, então, sai numa corrida alucinante que me levou até as montanhas, que ficavam muito além da fronteira de La Push. Um lugar que me encheu de familiaridade.

Eu já havia estado aqui e repentinamente fui dominada por uma sensação de medo e angustia pelo que me esperava.

O cavalo branco selvagem parou bem no topo da montanha... Quer dizer, ao me aproximar notei que o animal na verdade era uma fêmea. E junto com a tal égua, estava a sua provável dona parada a seu lado, acariciando sua crina. As duas pareciam ter uma conexão muito forte.

Logo, eu fui descoberta...

Fiquei chocada quando a jovem me olhou com seus olhos negros expressivos e me fez sentir como se estivesse vendo a minha própria alma. Eu estava diante do meu próprio reflexo. Ela era a jovem indígena que sempre surgia nos meus sonhos.

Depois meus olhos se fixaram na égua que se encontrava marchando majestosa, tentando chamar a atenção para si. E, surpreendentemente, o animal também tinha olhos negros iguaizinhos ao meu. Isso me perturbou a mente.

Eu só podia estar presa dentro de um sonho!

"Você já ouviu falar de vidas passadas?" Ouvi a voz da mulher me interrogar.

Eu não consegui lhe responder, pois minha boca ficou seca e senti um nó se formar na minha garganta. A jovem Quileute me olhou serena até desviar a sua atenção para a sua égua.

"Essa é a Coração Indomável, uma égua selvagem que foi encontrada por meu pai, Taha Aki." Eu estava incrédula.

Espera, Taha Aki o primeiro Grande Lobo, era o pai da jovem diante de mim?

"Ela apareceu para meu pai uma noite após a minha morte", a mulher continuou a dizer se referindo a égua. "E no meio da dor pela perda da filha, ele reconheceu em seus olhos negros o mesmo jeito destemido e jovial, que só a pequena Chiara de Coração Indomável possuía." Ela sorriu docemente para mim.

"Você é filha de Taha Aki? Eu não consigo me lembrar de você nas historias da tribo. Há tantas coisas lá, mas não a muito sobre Chiara." Me senti confusa.

"Você deve ter ao menos ouvido falar que o primeiro Grande Lobo teve muitos filhos... Eu era a mais velha.” Agora ela parecia tão melancólica. “Eu cometi um pecado aos olhos dos Espíritos Guerras e como punição fui renegada a cair no esquecimento. Tudo por culpa de Utlapa."

"O que foi que aconteceu?", indaguei ainda muito descrente de tudo.

Chiara se aproximou de mim e colocou a sua mão sobre o meu coração. Imediatamente, ao seu toque, senti o mundo ao meu redor ruir, como se eu estivesse sendo sugada para uma outra realidade.




100 Vidas Atrás

Era uma tarde ensolarada e quente, havia uma brisa soprando suave balançando as folhas das árvores que estavam mais verdes e cheias de frutas maduras, que junto com as flores silvestres davam um contraste belo e colorido aos arredores daquele lugar, enquanto os diferentes cânticos de pássaros se misturavam entre si, dando uma sonoridade tão melodiosa e serena.

Eu gostava de me sentir assim, tão conectada a natureza, isso me fazia se sentir feliz e livre.

Eu retiro as minhas roupas e mergulho nas águas cristalinas e frias do riacho. Meu corpo nu relaxa e me sinto em paz. Enquanto me banhava alegre e, ao mesmo tempo inocente, não percebi que havia um intruso à espreita, apenas me vigiando sem pudor com suas íris de ônix.

Quando meus olhos se encontraram com os dele, tudo mudou, como se o tempo tivesse parado, fazendo meu coração disparar ansioso e incerto, enquanto minha pele se arrepiava com o seu olhar atrevido e hipnotizante. Ele era lindo, de traços fortes e marcantes, com um sorriso apaixonante que irradiava calor e felicidade.

Eu me perdi em suas íris escuras tão penetrantes que pareciam poder ver através de mim. Naquele momento, bastou apenas uma troca de olhar para descobrir que o meu coração para sempre pertenceria ao belo jovem misterioso.

E foi assim que a nossa história de amor começou, durante a primavera e verão, tendo como testemunha a floresta, o riacho e tudo ali que a arrodeava.

Quando nossos lábios se uniam num beijo cheio de ternura e paixão, eu me esquecia de tudo. A cada vez que nossos corpos se entrelaçavam desesperados e ardentes, se moldando tão lindamente como se quisessem se tornar um só, eu sentia como se algo explodisse dentro de mim tão forte que me aquecia e me fazia sentir viva e amada.

Entretanto, por ironia do destino, o dono do meu coração era Kenae, um jovemda tribo Hoh que era inimiga dos Quileutes. Por isso nosso amor era proibido e éramos forçados a manter a nossa relação em segredo.

"Minha pequena Chiara, eu te amo. Você é a minha doce paz, o meu refúgio. Mas, eu tenho que honrar o meu povo."

Com o passar do tempo, as perdas e as dores das guerras entre as nossas tribos, foi se tornando um fardo para carregar e um obstáculo imenso que acabou por nos afastar. Mesmo assim, todos os dias eu retornava ali ao riacho, onde tantas vezes nos amamos, sempre a espera de vê-lo. Entretanto, ele não voltou. E a sua ausência me arrastou para a solidão e mágoa por meu pai, nossas crenças e pelos Hoh.

Tudo o que eu mais almejava era ser livre para ficar ao lado de Kenae.

Logo, o verão se tornou outono com folhas secas e um verde sem vida, despindo certa escuridão e deixando o céu nebuloso. E quando o outono deu lugar ao inverno severo, frio e solitário, eu já havia cansado de esperar pelo retorno de Kenae.

Já não me sentia mais a mesma Chiara de antes, a jovem sonhadora, apaixonada e indomável, pois meu pai havia me prometido a Utlapa, prendendo-me a uma vida da qual não pertencia. Até que acabei sendo domada pelas regras.

Utlapa seria um caminho certo e mais simples. Ele era um Quileute forte, bonito, corajoso e muito leal ao meu pai, o jovem também tinha uma habilidade ligada às magias ancestrais, herdadas de seu avô que era como o Xamã da tribo, com o dom de ver o futuro.

Taha Aki o tratava como o seu filho, mas para mim Utlapa era como um irmão, nós crescemos juntos, mas eu não o via como o meu futuro marido. Mesmo assim, a tribo fez uma festa para comemorar o nosso noivado.

A festa continuou seguindo. Havia várias pessoas ali dançando em volta da fogueira felizes, com seus trajes feitos de couro de animal e renda e seus rostos pintados de tinta.

A festa estava linda, Utlapa parecia tão feliz, mas eu... eu só queria fugir dali. Foi então, que eu senti alguém me puxar. Ao me virar vou de encontro a um jovem de sorriso iluminado e olhos tão escuros como a noite sem estrelas. Rapidamente o reconheci.

"Kenae!" Ele estava aqui no meio da tribo inimiga, sendo insensato e correndo o risco de ser descoberto, mas me fazendo tão feliz.

"Chiara!"Seu rosto estava manchado de tinta e seu traje poderia enganar a todos. Kenae parecia ser um Quileute como os outros.

“Você é louco.” Estar em seus braços era como estar em casa, era como meu lar e era aqui que eu queria ficar.

"Eu quero ficar com você, minha pequena! Fuja comigo!" Não pensei duas vezes e decidi fugir com Kenae.

Naquela mesma noite, nos encontramos nas montanhas mais ao norte, longe de La Push, prontos para partir sem olhar para trás, sem arrependimentos, apenas unidos por um único desejo: a felicidade e paz que só encontramos nos braços um do outro. Nós queríamos recomeçar longe de tantas guerras e tanto ódio entre nossas tribos.

Nós trocamos um beijo apaixonado pela uma última vez. Mas inesperadamente, nosso momento de felicidade e esperança se desfez num estalar de dedos, quando Kenae é traiçoeiramente atingido por uma flecha bem no seu coração. Ele me olha com lágrimas nos olhos, seus dedos deslizam pelos meus e seu corpo ferido cai em direção ao abismo.

"Kenae!" Eu grito em agonia e a dor só aumenta, porque eu não pude salvá-lo.

Eu me ajoelho no chão e choro olhando para a escuridão do abismo, sentindo como se um pedaço de mim estivesse sendo rasgado com tanta fúria.

Não demora muito para eu descobrir que o dono da flecha certeira, era Utlapa, dominado por uma fúria insana.

"Eu te amei com toda minha alma. Eu daria minha vida por você", ouço o próprio Utlapa dizer, parando em minha frente. "Mas, o seu amor me destruiu.” Seus olhos irradiavam tanto ódio e amargura e suas palavras eram impiedosas. “Agora eu amaldiçoo todas as suas reencarnações! Por cem vidas você irá renascer e a dor ainda será a mesma!"

Utlapa também acabou por ser fruto das minhas falhas. Pois, o mesmo amor que pode salvar, também pode destruir.

"Você vai amar alguém destinado a pertencer a outro e, em cada vida, terá seu coração quebrado em vários pedaços. Não importa quantas vezes você reencarne, em cada renascimento conhecerá um novo tipo de dor. E, a cada dor, mais a sua alma se contaminará pela escuridão. Chiara nunca será feliz. Não até completar a sua sentença!" E ali, Utlapa me condenou a um ciclo infinito de sofrimento.

Dias depois, no mesmo lugar onde vi meu Kenae pela última vez, fiz uma promessa que somente as minhas futuras reencarnações poderão cumprir:

"Eu não posso mais viver assim. A única coisa que me restou foi esse imenso vazio e essa dor que me domina, dia após dia. Por isso estou desistindo dessa vida em busca de uma nova chance ao seu lado. Eu irei viver cem vidas e continuarei lutando para encontrá-lo. Não importa os obstáculos... Sou Chiara de coração indomável e só serei livre quando estiver de novo nos braços de meu Kenae!"

Após fazer aquela promessa, tomei uma atitude covarde e, naquele momento, desonrei o meu povo, Taha Aki e todas as crenças sobre o equilíbrio da natureza. Eu quebrei a maior regra da tribo ao ceifar a minha própria vida, me lançando da beirada da montanha.

Eu acreditava que era a única saída para aplacar a dor que se alojou para sempre no meu coração. Uma dor incurável.

O suicídio era uma das piores traições para meu povo. Aqueles que desonram a vida eram condenados a vagar na terra sem rumo, sem paz e numa completa sombra de si. E essa alma perdida cai no profundo esquecimento, não há memórias a serem lembradas e foi isso que aconteceu a Chiara.

Eu havia sido esquecida.

Eu estava ali, presa a um lugar que não podia mais chamar de meu lar. Meu espírito vagava sem rumo e sem lembranças. Até que um dia reencarnei numa égua selvagem que retornou ao lugar onde a minha alma pertencia.

Ela voltou direto para Taha Aki, o Grande Chefe que quase viu seu povo ser destruído por Utlapa.

Utlapa que havia sido o seu soldado mais fiel, logo, lhe traiu da pior forma ao se tornar um homem dominado pelo desejo de poder e controle.Em consequência disso, as guerras entre Quileutes e Hoh se tornaram mais frequentes e violentas. Nossas perdas se tornaram mais cruéis. Até que houve a trégua e, ambas as tribos se tornaram uma só.

Com a união entre as duas tribos, eles se tornaram mais fortes e invencíveis para enfrentar outros novos inimigos que surgissem. Ainda assim, tudo havia mudado para o meu povo.

No fim todas as historias contadas depois de Chiara, vieram carregadas de muito sofrimento e morte. Tudo era uma consequência dos meus erros. Erros que gerações Quileutes vieram a pagar, desde a traição de Utlapa ao usurpar o lugar de Taha Aki, passando ao surgimento dos protetores de La Push, até chegar ao imprinting.

Mas esses erros me seguiram por todas as minhas reencarnações e ultrapassaram os limites de La Push. Seja onde eu renascesse, todo o meu sofrimento e perdas se repetiam, até chegar aqui, onde tudo começou. O lugar onde se originaram todas essas perdas, humilhações e desilusões.

Eu renasci em La Push como Leah Clearwater...



LEAH

Eu despertei assustada e completamente desorientada, sentindo meu coração pulsando descompassado, meu corpo e minha mente ainda sofriam com os efeitos intempestivos daquele sonho, que mais parecia uma revelação assustadora.

Eu fecho os olhos, porém lembranças daquele sonho retornam a me atormentar. De repente me pego relembrando daquelas íris de ônix e sorrisos radiantes, daqueles braços fortes que me fizeram se sentir segura e amada, daqueles lábios que me beijaram com tanta sede e paixão, cada pequena sensação que pertenceu a Chiara agora pareciam me pertencer.

Entretanto, aquilo não podia ser real. Tentei me convencer disso.

“Mas e se o Sonho fosse real?”, perguntei a mim mesma.

Isso significaria que eu era a reencarnação de Chiara, a filha do primeiro Grande Lobo. Ela havia vivido um amor proibido que terminou de uma forma trágica e acabou condenada por uma maldição eterna.

Ou seja, se essa história sobre reencarnação, vidas passadas e carma forem reais, isto quer dizer que eu também seria uma vítima da mesma maldição e, portanto, estaria destinada a sofrer até a morte.

E para me deixar ainda mais perturbada, percebo que estou exatamente em um dos cenários do meu sonho. Eu acordei nas margens do riacho onde Chiara e Kenae se conheceram.

A questão é... como vim parar aqui?

Minha última lembrança era de estar em casa, sozinha no meu quarto e, por coincidência, pesquisando no computador sobre vidas passadas. Foi quando senti que minha Loba ficou alvoroçada, como se pressentisse que alguma coisa estava prestes a acontecer.

Eu me levanto e olho para a escuridão da noite, sentindo o meu coração martelando freneticamente com medo e cheio de angustia. Até que subitamente um uivo agoniante rompe pela floresta, me fazendo ficar em alerta.

Então, de repente o Lobo castanho-avermelhado surge na minha frente e, num piscar de olhos, o animal dá lugar ao corpo robusto e imponente de um homem nu.

Jacob estava ali com seus olhos obscurecidos de dor e desespero. E diante de mim ele cai ajoelhado.


"Jake, o que está acontecendo?", eu disse aflita e me ajoelhei ao seu lado.

Eu sei que ultimamente nós não temos conseguido se entender, que sempre brigamos, que a nossa amizade ficou abalada. Mesmo assim, não gosto de vê-lo sofrer, ou chorar.


"Apenas fique comigo", Jacob murmura por entre suas lágrimas. Em resposta lhe acolhi em meus braços.

Eu não me importei com a situação íntima a qual nos encontrávamos, não havia tempo para desconforto, pois tudo o que importava era aplacar o seu sofrimento.


Não sei exatamente como aconteceu, como chegamos ao beijo, mas sabia descrever a sensação dos seus lábios famintos devorando a minha boca e eu retribui com a mesma intensidade e paixão. Nossas línguas duelavam por controle e, no fim, ambos perdemos a mercê de nossos desejos mais profundos.

Sei que eu, talvez, deveria ter sido forte, ser a voz da razão, que deveria ter preservado a nossa amizade e colocado uma distância segura entre nós, antes que fosse tarde demais.

Acima de tudo, deveria ter continuado protegendo o meu coração de se apaixonar. Porém, eu já havia perdido aquela luta. Eu não consegui me afastar de Jacob naquele momento.

"Você me quer, Jake?!", sussurrei nervosamente, após me livrar das minhas roupas e ficar completamente nua diante dos seus olhos ferozes e sedentos de luxúria.

“Eu te quero tanto, Lee!” O coração dele batia tão rápido e sua voz estava mais rouca. Só conseguia pensar em como ele era lindo e apaixonante.


"Então, toque-me!" Minhas mãos se enroscaram em seu cabelo e suas mãos ágeis percorriam minha pele me causando arrepio.

A única parte racional minha havia ido embora a partir do momento em que vi em seu olhar penetrante, o quando ele me desejava. Eu também já podia sentir a sua excitação sob seu membro rígido quando nossos corpos se roçaram, me deixando loucamente ansiosa.

Cautelosamente, me deitei sobre o chão frio e um pouco úmido, sentindo uma mistura de nervosismo e animação, Jacob logo cobriu meu corpo com o seu, enquanto nossos olhos se confrontavam silenciosos e com tanta transparência.

Nós estávamos prontos para nos entregarmos.

E assim aconteceu, seus lábios carnudos e suas mãos ásperas começaram a percorrer meu corpo, enquanto minhas mãos traçavam linhas invisíveis por cada pedaço de pele e músculo que eu pudesse tocar.

Eu tentava decorar cada pequeno traço perfeito de seu corpo grande, forte e febril, enquanto o sentia me penetrar ora mais rápido, profundo e selvagem, ora lento e suave. Ele me preenchia com seu calor numa deliciosa sensação, como se uma corrente elétrica percorresse todas as minhas células me aquecendo e fazendo meu corpo queimar em fogo e prazer.


Naquele momento não pensei nas consequências, nem em arrependimentos, porque minha mente, alma e coração estavam todos concentrados em Jacob, perdidos no calor de seus braços.


Ali sob aquela noite fria, às margens daquele riacho, nós nos amamos como se não houvesse o amanhã. O mesmo riacho que foi testemunha do amor proibido de Kenae e Chiara.

Nós compartilhamos aquele momento tão especial e bonito, sem saber se o que nos trouxera até ali era uma simples coincidência... ou o eco cruel do nosso próprio destino.



Notas finais
E se vcs tiverem dicas, criticas ou duvidas sintam-se a vontade pra comentar ai, bjus!!!