Corazón azul y piel dorada
2 Em casa
Poncho
Ah! Minha cabeça estava doendo tanto, que minha vontade era de pegar um jatinho do escritório até minha casa, apenas para não ter que dirigir até lá. Mas, quem me dera se eu tivesse dinheiro para andar de jatinho tão facilmente assim.
Fui o caminho todo resmungando comigo mesmo, estava louco para tomar um banho, receber uns bons mimos de Dulce, que provavelmente ainda estaria lá em casa, e deitar para assistir algum jogo do meu Pumas, repetido mesmo, não importa. TV a cabo é bom por essa causa, eu assisto a mesma coisa quantas vezes eu quiser.
Estacionei em frente de casa e peguei meu rotineiro caminho até a entrada, reparando nas tulipas lindas que estavam colocadas lá. Quando sai de manhã para o trabalho elas não estavam ali. Dulce. Pensei sorrindo. Entrei em casa e larguei minha pasta sobre a poltrona ao lado da mesinha da sala, não havia ninguém ali, a não ser Miau que veio se enroscar em minhas pernas.
Acaricie seu rabo e tornei a me levantar, seguindo em direção da cozinha quando ouvi um barulho de copos vindos de lá. Parei ao lado da porta e Miau sentou-se entre minhas pernas, quase pisei em seu rabo peludo quando me deparei com aquela visão... Tentadora.
Lá estava Dulce, debruçada sobre minha pia cheia de louças, vestida apenas numa apertada camisa feminina do Pumas, e mais embaixo estava a mostra apenas um pedaço de calcinha branca maravilhosa. Seus cabelos presos em um nó mal feito deixavam a mostra o “Saviñón” escrito em cima do numero dez presente nas costas da camisa. Engoli a seco a afrouxei o nó da gravata.
: — Mas que atacante mais deliciosa, meu Deus.
Eu disse rouco e moderado, apoiando meu braço na porta, sem tirar o sorriso malicioso do rosto. Dulce deu um pequeno pulo, e levou a mão suja de espuma até a testa, me encarando quase pálida.
: — Ah! – Ao me ver ela sorriu, respirando um pouco ofegante. – Me assustou.
: — Desculpe, minha vida, não foi minha intenção. – Desculpe-me enquanto me aproximava o bastante para rodear sua cintura com os braços, apenas para erguê-la sobre a pia.
: — Está tudo bem? – Ela perguntou mais calma depois de beijar minha boca e tudo o que fiz foi balançar a cabeça, levando uma das mãos até a torneira para impedir que a água continuasse a cair.
: — Melhor agora. E você, como passou o dia sem mim?
: — Frustrada. – Ela riu corando e me dediquei com pequenos beijinhos em seu queixo. – Na verdade eu estou irritadíssima porque aquela caneca que eu lhe dei do pumas, quebrou quando fui lavar a louça mais cedo.
Parei de beijá-la e encarei seu rosto assustado, quase gritei. Eu tinha tanto apego a aquela caneca.
: — A minha caneca? – Pisquei estático e ela fez beicinho, sacudindo a cabeça em positivo. – A minha do meu pumas?
: — Uhum. – Dulce beijou a ponta do meu nariz e suspirou, afastando as mãos cheias de espumas de meu rosto. – Mas amanhã eu vou até a loja e lhe compro outra, não se preocupe.
Não era questão de ter outra, mas sim do que aquela representava para mim, da forma que ela havia me dado e todas aquelas coisas... Ah! Era só uma caneca, como ela disse, me daria outra. Então eu sorri, enfiando minhas mãos necessitadas embaixo do pano apertado da camisa que ela usava.
: — Está bem. Amanhã, outra caneca. Mas agora... – Sorri de canto e avancei meu rosto em direção ao seu, ansiando por capturar sua boca vermelha na minha, mas fui impedindo por suas mãos molhadas na gola do paletó que eu usava. Ergui a sobrancelha.
: — Agora o que? – Ela perguntou divertida e eu abaixei meus olhos para sua camisa, depois para sua calcinha, suas coxas, tornei a subir para a camisa e depois encarei seus olhos. Aquilo era fantasioso demais.
: — Agora nós vamos entrar em campo, dois tempos seguidos de 45 minutos, sem intervalos.
Desci minha mão e passei a ponta do dedo pelo elástico fino da calcinha que ela usava, observando seus lábios se dobrarem em um sorriso tímido, mas ao mesmo tempo tão audacioso que me fez fantasiar mais ainda.
: — Vai me deixar na beira do gol? – Ela perguntou cínica, mantendo a pontinha da língua no canto da boca e os dedos sujos de sabão subindo e descendo por meu pescoço. Vibrei dentro da roupa.
: — O gol eu marco por você, minha atacante. Tudo o que você tem que fazer é me deixar alertar pra marcar um gol de placa. Acha que pode fazer isso?
Soltei o nó feito em seus cabelos e peguei neles com vontade, aproximando seu rosto mais ainda do meu para que eu pudesse cheirar seu pescoço. Dulce respirou fundo, suas pernas movendo-se rapidamente em torno do meu corpo, abraçando-se a mim.
: — Vai comemorar com uma declaração pra mim quando entrar com tudo no gol?
: — Só se você gritar como as líderes de torcida. – Ao fim de minha frase Dulce caiu na gargalhada, e eu já estava arrancando sua calcinha assim que a tirei de cima da pia, esbarrando em Miau e nas coisas da cozinha enquanto ia com ela para o quarto.
: — Sem bolas na trave, Herrera.
: — Minhas finalizações serão certeiras, Saviñon. – Joguei sua calcinha pelo corredor mesmo e a apertei contra a parede, só para ajeitá-la em meu colo. Dulce ofegou fascinada, tirando com calma a minha gravata.
: — Então eu vou permanecer sempre na ofensiva.
: — É assim que uma atacante de primeira deve agir. Por isso eu amo você.
Ela nada disse, apenas me beijou eufórica e quente, inebriando os meus sentidos e fazendo-me esquecer da dor de cabeça que eu, a alguns minutos atrás, sentia.
Aquela noite seria só eu e ela, no nosso campo, correndo sempre no ataque, jamais utilizando a defensiva.
Seriamos nós dois ansiando juntos por gol, gol e mais gol. Gols de placa, gols espetaculares com suas merecidas comemorações. Seria apenas eu e a minha atacante, fazendo daquela noite uma verdadeira final de libertadores.
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