Corazón De Angel
24 Capítulo 24 Corda Bamba
Notas iniciais
Então minha época depre passou e eu voltei a escrever allalalalala.
Espero que vocês gostem, sim esse capitulo é triste, e eu acho que vai ser assim por um tempo, porque foi um choque pra Emily e é algo realista, é pra ser pelo menos, e a ideia é mostrar que nem tudo é um conto de fadas. Espero que vocês gostem!
p.s: a musica é minha
POV Lucas
O despertador tocou novamente às sete horas da manhã com um suspiro o desliguei e fitei o teto, a semana de folga havia passado, hoje todos voltaríamos as aulas em Shoreline. Francesca deu um jeito para despistar os não nelfilins e fazê-los acreditar que essa semana que os nelfilins ficaram sem aula foi porque fomos para um concurso do outro lado do país.
Hoje Emily voltava para aula, eu queria ver o sorriso brilhar novamente nos lábios avermelhados dela, queria ver novamente aquele olhar travesso antes de uma brincadeirinha de mau gosto com Lilith, a rainha das patricinhas.
Sorri lembrando isso, doces lembranças.
O triste do nome ‘Lembranças’ é que é o nome de algo que não acontecerá novamente, que aconteceu e você se alimenta com elas, alimenta sua esperança para algo que nunca vai acontecer.
Ótimo pareço uma mulherzinha, bufei e levantei da cama, fui ao banheiro e tomei um banho demorado, não havia pressa.
Depois disso me vesti e desci para o café com meu pai, silencioso e rápido.
Sai de casa e encarei o ponto de ônibus, mas decidi que é melhor ir de skate, há mais tempo para pensar assim.
Pensar em tudo ou em nada, tanto faz é só uma questão de me sentir livre.
Não sei se estou pronto para encarar Emily de novo, afinal ela se rendeu a Cam por mim, ela deve me odiar.
POV EMILY
Começaria tudo de novo. Tudo que eu queria no inicio do ano era ir para Shoreline, tudo o que eu queria era estudar lá com pessoas iguais a mim, agora eu quero me esconder de baixos da coberta e não encarar ninguém, todos se arriscaram por mim, quase morreram por mim, eu não sei com que cara eu vou chegar lá, eu gostaria de ir embora.
Levantei e tomei um banho lavei meus cabelos e não me importei em seca-los, passei rímel e gloss, apenas isso, não necessitava de mais nada, peguei uma roupa de manga cumprida, mas não tão pesada, estava calor.
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Desci para o café minha mãe me cumprimentou com beijo na bochecha de estalar, e meu pai deu um beijo em minha testa sentei com eles e sem vontade alguma comi uma maçã.
–Não vai querer panquecas? São suas favoritas – Falou mamãe.
–Não, obrigada, Henry pode comer. – Forcei um sorriso.
Meu pai e minha mãe se entreolharam.
–Eu vou indo – Falei me levantando
–Mas o ônibus só passa daqui a uns vinte minutos. – Falou papai
–Eu vou de skate
–Emily, é perigoso – Falou mamãe
–Não, não é. O perigo se foi.
Eu quis dizer “Cam se foi” eu ainda sentia um grande afeto por ele, nada comparado ao que eu descobri que sentia por Lucas.
Enquanto eu andava em meu skate lembrei de nossas travessuras, do sorriso que brincava em seus lábios, do olhar divertido, de quando ele me chamava de parceira o que era raro, mas me fazia rolar de rir. Eu sentia muito tê-lo desapontado. Ele tem todo o direito de me odiar.
Eu quase desviei do caminho indo para a pista de skate abandonada onde eu sabia que poderia ficar sozinha e respirar.
Mas eu precisava voltar, eu me fiz forte agora eu honraria isso, eu iria encarar a todos eu iria sorrir a todos, desmoronar eu desmorono depois.
Quando cheguei a escola ainda não havia muitas pessoas, apenas alguns alunos que não eram nelfilins, e Lucas.
Na árvore no centro do Campus, eu não podia encara-lo. Eu corri para dentro dos apartamentos e fui direto para sala da primeira aula, implorando para que todos chegassem logo e para que o dia acabasse.
Luiza chegou e se sentou ao meu lado agradeci mentalmente por tê-la aqui e a abracei forte.
–Wow,o que foi isso?
–Saudade.
Ela riu
–Fui a sua casa todos os dias dessa ultima semana.
–Sei lá
–Você está estranha.
–Também me sinto estranha.
–Por quê? Quer dizer... Tem todo o direito, não foi fácil...
–Lucas está estranho comigo, ele não foi até lá em casa nenhum dos dias.
–Você também não foi na casa dele.
–Ele deve me odiar.
–Talvez ele ache que você o odeie.
–Mas por quê?
–Bonjiorno – Falou o professor de italiano
–Bonjiorno – Eu e Luiza respondemos assim como os outros alunos
Luiza e eu não nos falamos pelo resto da aula, eu encarei a parede o tempo todo, sem prestar atenção em uma palavra que o nosso professor falava, sem prestar atenção no que meus colegas faziam, sem sair de meus pensamentos. Presa neles era assim que eu me sentia. Se me chamaram eu não pude escutar, ou simplesmente não quis. Eu esperava ansiosa para o sinal, eu não aguentava ficar mais ali. Parecia que todos os nelfilins me olhavam de maneira acusatória, mas talvez fosse só impressão, não que eu acreditasse nisso. Senti quando meu lábio começou a tremer pronto para soluçar e eu o mordi forte, senti as lágrimas se acumularem em meus olhos e eu abaixei a cabeça para limpá-las quando escorreram.
O sinal tocou. Finalmente.
Levantei-me e juntei meus livros apressada, quando fui virar para porta Luiza segurou forte meu pulso. Arfei e retirei meu pulso ardendo dela, senti lágrimas de dor e as obriguei a voltar para o lugar.
–Emily, espere.
–Luiza, preciso de um tempo.
Eu sai correndo, fui até o lado de fora e peguei o skate, sai de lá com ele. Não sei se alguém me viu, também não me importo, eu preciso ir para meu refúgio, e saber se ele continua igual. Se a sensação é mesma, ou se ainda ficarei presa lá também.
Agora as lágrimas podiam cair, agora nada as impedia, nem ninguém, e eu me sentia tão vazia e tão fraca como nunca havia me sentido. Eu estava livre de Cam, mas eu me questionava se era isso se eu queria. Eu estava livre sim, mas me senti mais presa do que nunca. Eu havia acabado com a minha vida, e com a de todos que me cercavam. Se eu estava assim a culpa não era de Cam, Molly de ninguém, era minha somente minha, e ela me corroia. Titia Ariane e Roland morreram por minha culpa. Sim, minha culpa e somente minha e eu estava convencida disso e ninguém poderia me fazer mudar de ideia, afinal eu não mudo de ideia tão fácil.
Parece tão injusto eu pensar em morte, em me matar, quando todos arriscaram sua vida para manter-me viva. Parece injusto eu pensar nisso, quando morreram por mim. Sou tão egoísta que realmente me da nojo, mas sei lá, fugir me parece legal.
Cheguei a pista e com meu skate, que era de Henry, subi até o topo da pista e sentei lá e depois deitei encarando o céu azul e límpido, diferente de meus pensamentos. Mas olhando pelo lado bom, esse lugar ainda me traz boas lembranças, paz, e eu estava finalmente livre, mas apenas neste lugar.
POV LUCAS
Estávamos no intervalo, como sempre ao redor da árvore, eu, Jasmine, Dawn, Luiza e com ela Henry, o novo namorado já que finalmente se acertaram, Jake e Steven. Faltava Emily, e eu temia que sempre faltasse. Eu queria saber onde ela estava, mas não sabia se devia perguntar.
Emily perguntaria.
Tudo bem. Eu pergunto.
–Hey, onde está Emily?
Todos se olharam e se silenciaram, ninguém sabia. Luiza abaixou a cabeça e eu olhei para ela desconfiado:
–Luli?
–Eu não a vejo desde o primeiro período, ela sumiu!
–Como assim? –Perguntou Henry
–Ela disse que precisava de um tempo.
Henry levantou, mas Luiza segurou sua mão. Ele a fitou nos olhos.
–Se ela precisa de um tempo, dê um tempo. Foi demais, pra todos, inclusive para ela.
Henry sentou, e abraçou Luiza por trás, ainda inquieto. Péssima ideia perguntar.
Mas e se Emily tivesse fugido? Onde ela estaria? Será que ela ainda amava Cam? Não, ela não...
Meus pensamentos foram interrompidos. Por Francesca.
–Hey, crianças. Onde está Emy? – Perguntou.
Todos se olharam novamente, sem nenhuma palavra a dizer. Eu me arrisquei:
–Não sabemos.
–Como assim? Achei que vocês sempre estivessem juntos.
–E estamos, mas... –Disse Jasmine.
–Mas? — Continuou Francesca.
–Luiza disse que ela sumiu no primeiro período que precisava de um tempo – Disse Dawn.
Minha mente trabalhava como se fosse constituída de engrenagens.
–Ela não disse para onde ia?
–Não, ela só saiu.
–Meu Deus, e sem mais nem menos...?
–Eu acho que sei onde ela está. Não me sigam – Falei e sai correndo, esperando que eles não me seguissem, peguei meu skate e sai de Shoreline.
Eu sabia onde encontrá-la.
POV EMILY.
Minhas lágrimas escorriam pelo rosto, agora silenciosas, os soluços já haviam parado, mas a vontade de chorar não. Eu estava tão exposta, tão fraca. Como se eu andasse numa corda bamba e então ela houvesse despencado e caído.
E isso me fez lembrar quando estávamos apenas eu e a Luiza na casa dela, ela estava sentada em frente ao piano e eu ao seu lado, eu sorria com ela, e me sentia bem.
FLASH BACK ON
–Emy, depois de tudo isso – Disse ela sem me olhar nos olhos – Eu sei que você não deve estar bem, você é tão forte, e eu sei que não vai admitir nada pra mim, mas apenas ouça isso, eu achei pudesse ajudar.
–Ouvir o que? – Perguntei ainda sorrindo, mesmo sem vontade.
–Eu fiz uma música para você, acho que talvez ajude. – Ela corou.
–Tudo bem, eu quero ouvir!
Ela sorriu:
–Se chama corda bamba, o ritmo é tipo Radio do He is we, lembra?
Assenti.
–Então tá.
“Você se fechou
Botou um cadeado
E da chave se livrou
Se sente incompreendida
Isso porque não permite
Que ninguém a compreenda
De seus olhos lagrimas caem
De sua boca suspiros saem
Mas isso é um segredo
Pois você não se permite sofrer
Você anda em cima de uma corda bamba
E tem medo de cair
Alguém a balançou
Você caiu e sua queda foi exposta
Você anda em cima de uma corda bamba
Cada dia é mais difícil se equilibrar
Diversas vezes você caiu e cada vez é mais difícil se levantar
O apoio você nega
Mas o que mais quer é ajuda
Quando cai você quer ser pega
Mas você não quer se convencer
Que o orgulho não a permite viver
Você anda em cima de uma corda bamba
E tem medo de cair
Alguém a balançou
Você caiu e sua queda foi exposta
Você anda em cima de uma corda bamba
Cada dia é mais difícil se equilibrar
Diversas vezes você caiu e cada vez é mais difícil se levantar
Quer fugir
Mas não se permite
Quer sonhar
Mas tem medo de onde seus sonhos podem te levar
Quer viver
Mas não sabe o que é vida
Você anda em cima de uma corda bamba
E tem medo de cair
Alguém a balançou
Você caiu e sua queda foi exposta
Você anda em cima de uma corda bamba
Cada dia é mais difícil se equilibrar
Diversas vezes você caiu e cada vez é mais difícil se levantar
E todo dia
E toda hora
Há uma voz em sua cabeça
Ela grita
“Você é forte”
E você apenas não percebe que a voz é você
Tentando se convencer
A não desistir de vencer
Você anda em cima de uma corda bamba
E tem medo de cair
Alguém a balançou
Você caiu e sua queda foi exposta
Você anda em cima de uma corda bamba
Cada dia é mais difícil se equilibrar
Diversas vezes você caiu e cada vez é mais difícil se levantar
Diversas vezes você caiu e cada vez é mais difícil de se levanta.
É difícil se levantar, é difícil voltar a tentar.”
Quando ela terminou de cantar e tocar eu me surpreendi, porque aquela música simplesmente me descreveu, eu nunca pude imaginar que Luiza me conhecesse tão bem, e eu me senti como o se fosse de vidro e mostrasse tudo dentro de mim.
Eu sorri para Luiza e a abracei.
–Você tem talento Luli.
FLASH BACK OFF
A Luli sabia ler os outros, mesmo que o livro estivesse escrito em latim, ou em uma língua totalmente desconhecida. Ás vezes eu acho que isso é influencia da música. E a música dela ainda ecoava na minha cabeça. Meu irmão tinha muita sorte em tê-la, e eu esperava que ele cuidasse bem dela.
Eu olhei no relógio, não tinha pressa, estava só na metade da manhã e eu não pretendia sair daqui tão cedo. Mas eu não contava com ser achada.
Um skate fez o mesmo que eu e parou em cima da pista, limpei tão rápido quanto fiz a maquiagem borrada e me sentei para ver quem era.
Os olhos de Lucas me encararam, e eu fiquei sem fala ou sem reação.
–Emily, o que está fazendo aqui?
Desviei o olhar e o virei para o sol, desejando com todas as minhas forças sumir com ele no final do dia.
–Pensando –Minha voz estava manhosa, embriagada, carregada de mais soluços.
Lucas se sentou ao meu lado.
–Posso pensar com você?
–Fique a vontade. – Apontei para meu lado.
Ele sentou e balançou as pernas, não disse nada, mas encarou o sol como eu. Imaginei se ele pensava no mesmo que eu.
Era desconfortável estar do lado dele, sabendo meus verdadeiros sentimentos, e sabendo que ele podia estar ali só por pena. Eu sabia que ele devia me odiar.
Achei que permaneceríamos em silêncio para sempre. Várias palavras, frases, talvez até a bíblia, passaram pela minha cabeça. Eu simplesmente não achava coragem para falar, e quando achei, nós dois falamos juntos:
–Desculpa.-Nos encaramos- Pera... O que?!
–Desculpa – Disse ele
–Desculpa – Repeti
–Não tem pelo o quê se desculpar – Ele parou de olhar para mim.
Eu pensei em deixar como estava, mas agora que nós começamos a falar. Agora que ambos achamos coragem. Como... Como parar e deixar por isto?
–Não, imagina se tivesse. Para começar eu me envolvi com um cara que eu nem conhecia direito, eu achei que nunca cederia a paixão que era inabalável, mas não, eu cedi. Eu ignorei tudo que meus pais e irmão falavam pelo meu bem, achei que apenas eu sabia o que era certo e em momento algum pensei em alguém além de mim. Botei minhas vontades a cima de todos, menosprezei todos. Eu vivi o que achei ser eterno e a eternidade, cara, ela dói. Eu engoli tudo o que achava ser certo, e fiz tudo errado. Arrisquei a vida de todo mundo, perdi minha tia e o namorado dela. E Cam, que se matou por mim. Eu perdi todo mundo, e mesmo que digam ao contrário nunca vai ser o mesmo. Eu arruinei a minha vida e a de todos, cai para o fundo do poço e os arrastei junto. Mas em fim... Pelo que se desculpa?
Olhei nos olhos dele. Violeta no azul.
–Eu... Eu... – Ele me olhou por um tempo, encarou o sol, e voltou a melhor – Você se entregou a Cam, por mim, pra me salvar. E agora sua vida está ‘’arruinada’’. Está acontecendo algo sério dentro de você, Emy. E eu apenas queria saber. Você estava chorando, você saiu da aula – Notei que ele suavizou o ‘’fugiu’’ substituindo por um ‘’saiu’’- Eu não sei o que está acontecendo com você e isso me irrita. Eu não me aproximei de você pois tenho medo que me odeio, e eu imploro que não me odeio por tudo no mundo por favor.
–Eu não te odeio – Eu sorri torto. –Temo que você me odeie. Que todos me odeiem
–Eu não te odeio Emily, eu não poderia. Eu te amo!
Pelos meus olhos um brilho passou.
–Ama?
–Claro... Como... Como irmã.
–Ah! – Disse desapontada – eu também. Como irmão – Soquei o braço dele. Ele me apertou em um abraço.
–Ai – Gemi.
–O que foi?
Recolhi os braços.
–Nada, é coisa minha.
–Cam te machucou?
Encolhi-me.
–Ele não fez nada. Ele me ajudou.
–Ajudou no que? – Ele se aproximou.
Encolhi-me mais ainda, para longe dele. As lágrimas começaram a cair novamente. Com o polegar ele as limpou. Ele pegou nos meus pulsos para afasta-los do corpo e eu gemi e os afastei dele.
–Emily? O que foi?
–Na... Nada.
–Emily.
Ele pegou meus braços e afastou as mangas. E as lágrimas vieram quando fui forçada a relembrar todas as vezes que fiz, quando fui obrigada a ver todos aqueles cortes.
–Emily... – Ele sussurrou
Recolhi os braços e puxei meus joelhos para abraça-los enterrei minha cabeça e comecei a soluçar novamente.
–Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa – Murmurei sem saber o porquê. Eu não devia desculpas, por isso.
Eu senti os braços dele ao meu redor, e eu me encostei em seu peito soluçando, eu me senti mais do que segura ali. Ele me apertou contra ele e eu deixei, não ousei encara-lo apenas aproveitei estar ali e implorei ficar assim para sempre. Adormeci no colo dele, e eu sabia que isso aconteceria, mas com ele eu estaria segura e eu sabia disso.
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