Corações Feridos

70 Voltando ao Brasil


Notas iniciais
Acho que o titulo já diz tudo. Achei o capitulo fofinho... (:

Beatriz engoliu em seco, não sabia o que responder. O que agir. Sempre foi uma pessoa decidida, mas dessa vez se sentia insegura, afinal, contava logo toda a verdade para a Julie sobre o estado do Daniel para preocupar a amiga ou deixava quieto só para Julie não se preocupar?

Ela não poderia fazer nada. Não ia sair da Noruega, pular em um avião e voltar para o Brasil só pelo Daniel.

Ou ia?

Era uma dúvida cruel, Bia se sentia completamente dividida, ainda mais porque se contar para Julie é capaz de sua mãe se irritar com ela e com a Julie. Não queria se prejudicar e nem prejudicar a melhor amiga.

Mas também queria ver seu irmão bem.

Sentia que o amor deles era tão forte que se Julie voltasse Daniel poderia se recuperar mais rápido, essa era sua esperança.

– Bia? — Julie acordou sua amiga dos pensamentos.

– Ah… Sim?

– Está bem?

– C-claro. — Olhou para o irmão, ainda inconsciente. Torcia mentalmente para Julie não perguntar por ele, de novo.

– E o Daniel? — Foi exatamente o que Julie fez.

– Ele… Huh…Está aqui.

– Pode passar o telefone pra ele?

– É muito importante? — Beatriz faz uma careta. — É que ele está, um pouco ocupado.

– Se quer saber. É sim. — Julie suspira, sentia que precisava admitir uma coisa importante para ele. — Mas eu posso ligar mais tarde então, se ele está ocupado…

– Não. — Bia interrompe, afinal, ligando agora ou mais tarde não faria diferença: Daniel ia continuar inconsciente. — Eu vou passar para ele. — Ela colocou o celular no ouvido de Daniel. Mas não sabia como enrolar Julie nessa situação, afinal, ele ia ficar mudo o tempo todo… Não ia responder nada, certamente Julie iria estranhar.

– Oi, está ai? — Ela sorri, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha e se acomodando no colchão. — Consigo ouvir sua respiração… — Sussurrou. — Eu sei que ai no Brasil deve ser de madrugada, você deve estar cansado… Ocupado… Não sei. — Riu de nervoso, se sentia nervosa ao falar com ele depois desses dias todos sem ligar. — Eu só liguei porque… — Suspirou. — Senti saudades de você.

– O que? — Bia não conseguia ouvir o que Julie falava, na verdade, ela estava espantada com outra coisa. Olhava para o aparelho que controlava os batimentos cardíacos do irmão.

Estava acelerado. Diferente de antes, quando seu coração batia fracamente.

Julie continua. — É um pouco estranho, eu sei, mas pensei em você o dia todo… Nem prestei a atenção na aula, você não saia dos meus pensamentos. E eu não me esforçava nem um pouco para parar de pensar em você. Agora que estou longe de você, percebo que tivemos muitos momentos bons juntos.

Bia continuava atenta ao aparelho. Os batimentos se tornavam mais fortes. — Mas como? — Ela ainda se perguntava, alisando os cabelos dele.

– Só queria saber se você está bem… — Julie estranhava o silêncio dele, suas paranóias começaram a surgir e ela chegou a pensar que Daniel estava a ignorando. — Eu sei que é loucura, e que… Você ainda está noivo. Mas eu ficaria feliz se você me falasse que pensa em mim tanto quanto eu penso em você. — Pausou, desfazendo o sorriso. — Daniel? — Só ouvia a respiração profunda dele. Na verdade, era mais o som do aparelho que estava no rosto dele. — Eu… — Seus olhos começaram a se encher de lágrimas. — Não deveria ter viajado, sinto que… Fiz uma grande besteira em fazer isso, mesmo separada de você, não consigo ficar muito tempo sem ouvir sua voz. Eu te amo. — A última frase acabou saindo sem querer, por puro impulso.

Ela desligou o telefone assustada.

Não pensava em dizer isso, porque aquelas três palavrinhas saíram do nada?

Bia foi afastando o celular do ouvido dele ao ver pelo aparelho, que os batimentos de Daniel já se acalmavam. Ela olhou para o celular. — Chamada finalizada… — Sussurrou, guardando o celular no bolso. — Daniel. — Tentou chamar por seu nome.

Nada.

Nem mesmo uma reação do seu corpo. Seus batimentos cardiacos continuavam os mesmos. Fraco.

– A Julie precisa voltar. — Bia concluiu. — Agora que já estou acordada… — Beijou a testa do irmão. — Vou ficar aqui com você. — Sorriu.

[...]

Quatro meses depois daquela ligação, Julie não ligou mais. Achou que não deveria ter dito aquelas três palavrinhas, para ela, Daniel continuava noivo e ela pensava que isso poderia ter o prejudicado com a Débora.

Mas Julie continuava na mesma, pensava no Daniel o tempo todo. Faltava um pouco mais de um mês para concluir seu intercâmbio.

Hoje ela ia pegar sua prova. Se sentia um pouco insegura, achou que não tirou uma nota muito boa. — Juliana Spinelli. — O professor lhe entregou a prova.

Ela pegou de olhos fechados. Mas os abriu quando sentiu o papel nas suas mãos.

Nota cinco.

Julie sabia que não tiraria uma nota boa. Mas achou que seria pelo menos seis…

Se sentiu chateada. O professor percebeu. — Jovem, você é muito distraída.

– S-sou? — Olhou para ele.

Ele assentiu com a cabeça. — Sempre quando olho para a sua mesa, você está olhando para a janela, com os pensamentos longe…

– Ah… B-om, é que…

– A matéria da prova foi a mesma que passei o mês inteiro, todos tiraram acima de oito.

– Nossa. — Sua auto estima abaixou. — Minha nota foi tão ruim assim?

– Sinceramente, a pior.

Ela corou. — Não sei se você tem chances de conseguir alguma coisa aqui, nesse intercâmbio.

Julie abaixou a cabeça. Deixou sua prova em cima da mesa do professor. — E eu também não sei se vou conseguir passar mais um mês longe de casa.

Ela saiu deixando sua prova ali. O professor não entendeu aquela atitude. Julie passou por todos os alunos que estavam no corredor, esperando sua vez para receberem as notas.

Estava decidida à ir embora. Se sentia triste, mas ao mesmo tempo, tinha uma sensação boa de liberdade. ‘’Se eu me esforçasse mais, conseguiria uma nota melhor. ‘’ — Ela admite que ficou pensando de mais em Daniel. Sentiu um pouco de raiva sobre isso.

[...]

No hospital, Daniel continuava do mesmo jeito que chegou, as vezes ele abria os olhos, sorria… Muito raramente, mas todos sabiam que isso não era nada de mais. Era algo normal. Os amigos, conhecidos e o resto da família dele já sabiam sobre o acidente.

Todos, menos Julie. Bia insistia para sua mãe, queria contar para a amiga, mas sua mãe continuava batendo na mesma tecla, não queria que Julie descobrisse nem quando chegasse…

Bia parou um pouco, na verdade, todos pararam um pouco de se preocupar com o estado de Daniel. Afinal, estavam ocupados com uma novidade (boa) que chegou para a família.

– Dani. Esse é seu sobrinho. — Beatriz deu um sorriso grande, seus olhos brilhavam. Ela mostrou o neném de dez dias para Daniel. Aproveitou que ele estava de olhos abertos, Daniel a olhava profundamente, como se quisesse ler sua alma, nos primeiros meses, Bia até tinha medo desse olhar, mas depois foi se acostumando. Daniel só abria os olhos para ela e Beatriz achava que isso tinha algum significado. Porém, mesmo com aqueles olhos pretos abertos, ele nem ao menos se mexia. Seu olhar era parado para a irmã, só para ela. Bia precisou colocar seu bebê perto do rosto para Daniel ‘’notar’’ — O nome dele é Bryan. — O neném era lindo, gordinho, os cabelos bem pretos, da cor dos cabelos de Félix, as bochechas avermelhadas. Os olhos eram grandes e castanhos cor de me, seu segundo filho foi de longe o principal motivo para fazer Bia se esquecer um pouco do acidente do irmão, era diferente, as vezes ela deixava de visita-lo para ficar em casa descansando ou cuidando dos filhos. — Huh. — Bia pegou a mão de Daniel.

O fez tocar no bracinho gordinho dele. Bia não tirava os olhos do irmão. Mas Daniel não tinha nenhuma reação quanto à isso. Ela suspirou. — Já se passou quatro meses… — Estava desanimada, com o tempo, a família de Daniel perdeu as forças, sua mãe já não vinha visita-lo com muita frequência, vinha apenas nos fins de semanas, passava algumas horas, olhava para ele, fazia alguns carinhos no seu rosto e depois ia embora. Bia também precisou dar um tempo nas visitas ao hospital pois estava descansando e cuidando dos filhos. — Melhore logo, por favor. — Pausou. — Doutor, ele consegue enxergar? — Ela pergunta para o médico que anotava algumas observações na prancheta.

– Claro que sim!

Ela sorriu, mais animada. — Então ele consegue me ver aqui?

– Acho que sim.

Desfez o sorriso. — Acha? — ‘’Deveria ter certeza’’

– Os olhos capitam a imagem que são decodificadas pelo cerebro. Por isso não tenho tanta certeza.

Bia suspirou. — Acho que vou para casa…

– É, é bom descansar. — Pausou. — Não deveria estar aqui, acabou de ter o neném.

– Verdade… Vou pedir para o Félix me levar para casa.

– Descanse bastante. — Recomendou e ela assentiu, passando pela porta.

Depois de mais alguns poucos dias na Noruega, Julie liga para a sua mãe e diz que está decidida a ir embora hoje mesmo. Sua mãe, claro, se alegra com aquela noticia, não via a hora de ter sua filha de volta para o Brasil.

Julie terminava de arrumar suas coisas, ainda estava chateada por não ter conseguido um diploma do intercâmbio.

O aeroporto era perto, uns quinze minutos à pé. Ela chegou rapidamente lá.

[...]

Era oito horas da noite, depois de longas horas de viagem, Julie por fim abre a porta da sua casa. — Surpresa! — Ela quase caí pra trás com o grito de sua mãe.

Heloísa abraça forte sua filha. — Que saudades meu amor! — Disse carinhosamente enquanto Julie tentava respirar com aquele abraço forte. — Vem, eu te ajudo com essas malas…

– Não precisa! — Ela pegou as malas, as arrastando pelo piso. Sua mãe percebeu seu mau-humor.

Além de não ter conseguido concluir o curso, Julie passou mal a viagem inteira. Sempre enjoava nos aviões e esse foi mais um motivo para se lembrar de Daniel. Acabou relembrando da viagem para a Lua-de-mel deles, quando ela vomitou no avião também.

– Tudo bem? — Sua mãe pergunta.

– O que faz aqui?

– Ah, você me ligou e como eu tinha a cópia das chaves.

– Tá. — Ela interrompe. — Não estou bem não, não consegui terminar a porcaria daquele intercâmbio, gastei dinheiro e fiquei longe da minha família e amigos à toa!

– Hm. — Heloísa se sentou. — Filha, precisamos conversar. — Lembrou de Daniel.

– Mais tarde. — Fez uma careta. — Estou cansada, preciso de um banho frio…

– É sobre o Daniel.

Ao ouvir aquele nome, Julie acaba tendo um ataque de raiva. — Eu não quero saber do Daniel, indiretamente ele foi o culpado por eu não ter conseguido concluir o curso! Fiquei pensando nele… — Sussurrou a ultima frase.

– Mas filha…

– Mas nada! Foda-se ele!

– JULIE!

– Quero mais é que ele e a Débora… Fiquem juntos e… Felizes. — Se sentiu triste com isso. — Não to nem ai.

– Se quer saber, não tive mais noticias da Débora, ouvi dizer que ela voltou para o interior.

– É? E o Daniel foi com ela? Essa era a noticia?! Que ótimo!

– Julie…

– Eu não quero saber de nada mãe! — Ela subia as escadas.

Sua mãe se levantou, se sentiu obrigada a dar a noticia. — Ele sofreu um acidente.

Julie para nos degraus. Vira seu rosto para sua mãe. — De moto. — Ela completou.

Juliana riu pelo nariz. — Que coisa, não? Sempre avisei para ele sobre motos! Mas ele não me escutava, não estava nem aí! — Julie continuava com raiva. — Espero que agora ele aprenda a lição! Mais tarde eu ligo para ele e esfrego isso na sua cara!

– Você não entendeu… — Balança a cabeça, queria muito contar para Juliana que Daniel não respondia a nada.

– Nem quero entender! Não quero saber de nada sobre o Daniel, me deixe!

Sua mãe encara Julie perplexa. Decide não dizer mais nada. Ela sabia que Julie se arrependeria depois.

Ela sobe as escadas e entra no seu quarto, batendo a porta com força e causando um eco pela casa. Se joga na cama escondendo seu rosto no colchão, pensava em muitas coisas ao mesmo tempo. Até que seu pensamento chegou ao Daniel.

Ela virou seu corpo, agora encarando o teto, tentava entender o que sua mãe tentou, sem sucesso, lhe explicar.

Para Julie, Daniel sofreu o acidente mas já estava bem. Acho que só fraturou um braço, ou machucou a perna. Julie não fazia ideia da situação dele.

Mas começou a sentir uma certa preocupação invadir seu peito. Porém, foi logo vencida pelo cansaço e Julie acabou adormecendo.

Acordou meia hora depois sentindo um cheiro delicioso. Colocou os pés no chão e lembrou de Daniel. Se assustou, afinal, recebeu a noticia do acidente muito recentemente. Julie se sentiu arrependida por ter reagido daquela maneira. Não queria reagir assim, só que na hora sentiu raiva, sempre alertou Daniel sobre os perigos das motos, mas com esse acidente, ela percebeu que ele não lhe dava ouvidos. — As coisas da vida são mais fortes… — Ela sussurra as palavras que Daniel sempre dizia para ela.

Se levantou, desceu e foi até a cozinha. Sua mãe preparava uma torta de maçã. Até que se virou e viu Julie parada. Heloísa suspirou, também não estava satisfeita com a reação da filha. Na verdade, achou que Julie iria se preocupar mais com ele…

– Oi. — Ela arrasta a cadeira e se senta na mesa, percebe que sua mãe estava com uma cara de poucos amigos. Julie sabia o motivo. — Mãe, desculpe.

– Porque agiu daquele jeito? — Ela pergunta se agachando, abrindo o forno e espetando a torta com um garfo.

– Eu não sei… — Balançou a cabeça. — Eu não pensei direito… — Pausou. — Ele já está bem?

Heloísa se virou para Julie. As duas se encararam por um bom tempo. Até que sua mãe se aproximou. — Ele está internado a quase cinco meses.

– Cinco meses?! — Julie se levanta assustada. — Não pode ser…Há alguns meses atrás falei com ele no telefone, a Bia não me disse que ele estava no hospital.

– Ele te respondeu? — Heloísa pergunta sem entender.

– Não. Ele ficou calado o tempo todo, só conseguia… — Parou lentamente de falar, pensativa. — Ouvir sua respiração… — Sussurrou. — Mãe, o que houve com ele?

– Ele está em coma desde então.

Julie se cala, sentindo seus olhos se enxerem de lágrimas. Estava em choque. — A Bia não me disse. — Foi a única coisa que conseguiu dizer, estava trêmula. Não suportava a ideia de ver Daniel sem se comunicar com a vida.

– A Bia só não queria te preocupar. Resolvemos te contar só depois de você chegar.

– Eu ainda não acredito, m-minha ficha não caiu… — Secou suas lágrimas. — Mãe, porque não disse antes?! Me deixou falar aquelas coisas dele…

– Você não sabia.

– E-eu… O que houve? Ele bebeu?

– É, o homem que prestou socorro disse que ele estava bêbado, vinha à oitenta por hora, o impacto foi forte, ele bateu com a cabeça, teve traumatismo craniano e outros ferimentos.

– Porque ele estava bebendo? — Julie tentava chegar ao real motivo pelo acidente. — F-foi… Porque eu viajei?

Sua mãe não respondeu, apenas a encarou. Isso foi o suficiente para Julie tirar suas próprias conclusões. — A culpa é minha?

– Não querida. Não se sinta culpada, por favor. — Pausou, ainda vendo Juliana em choque. — Ele não deveria beber tanto…

Julie secou mais lágrimas teimosas que não paravam de cair. — Quero ver ele. — Admite em um fio de voz. — M-mas… Tenho nervoso de hospital. Não sei… — Suspirou cabisbaixa.

– O que quer fazer então, Julie?

– Mãe. — Ela balança a cabeça. — A única coisa que importa agora é que eu quero ver ele, quero… Ficar com ele, lá.

– Ah, filha… — Heloísa sorri, tocando no rosto de Julie. — Eu sei que você é uma boa pessoa. — Julie sorri com aquilo e abraça sua mãe.

Elas ficam abraçadas por longos minutos. ‘’Poucas pessoas acham isso… O Daniel tinha certeza. ‘’ — Ela fecha os olhos com o pensamento. — Mãe, pode me levar no hospital?

Sua mãe hesita um pouco em responder, na última vez que visitou Daniel se sentiu muito triste com o seu estado. — C-claro, eu dirijo.

Julie olhava as ruas pela janela, era uma noite chuvosa. Ela continuava se sentindo muito triste, jamais imaginou que Daniel entraria em coma. Ela chorava baixinho sem a sua mãe perceber. Ouvia uma das músicas favoritas dele pelo celular, com os fones de ouvido.

E o que mais doía era saber que ela estava na Noruega sentindo um forte aperto no coração e esse aperto era seu sentimento avisando que Daniel não estava bem. Estava ansiosa para ver Daniel, seu coração disparava e ele quase saiu pela boca quando Julie ouviu sua mãe dizer. ‘’Chegamos!’’

Ela tirou os cintos e nem esperou Heloísa estacionar. — Julie! — Sua mãe chamou, mas Juliana já saia do carro e entrava no hospital.

Ela parou na porta da frente. Viu muitas pessoas passando por ela, de todos os lados… Médicos, enfermeiras, pacientes em cadeira de rodas e em macas. Se assustou.

Mas caminhou até o balcão, percebeu que aquele foi o mesmo hospital que Daniel a levou no dia em que ela foi na festa de noivado da Débora. Julie sentiu um arrepio. Agora Daniel estava internado aqui.

– Olá, posso ajudar? — Perguntou uma moça no balcão, ela usava um microfone embutido com um fone de ouvido, parecia ser uma das mulheres que atendia e repassava ligações.

– Queria saber em que quarto Daniel Castellamare está. — Responde sem esconder a tensão.

A mulher digita por poucos segundos no computador, se vira para a morena. — Está no terceiro andar, quarto dezessete. — Respondeu naturalmente. — Tudo bem? — Ela pergunta ao ver Juliana parada, olhava para o nada.

Até que balança a cabeça. — Tudo. — Sussurrou, mas sabia que toda a vez que lembrava que Daniel estava aqui se sentia em choque.

Ela ficou parada por alguns segundos ali, até que avistou sua mãe entrando.

Elas sobem juntas o elevador, Julie nunca gostou de elevador, mas de todos os medos que sentia naquele momento, esse medo era o de menos. Sua mãe sabia onde era o quarto de Daniel, não demoraram muito para chegar.

Julie encarava a porta. — Você não vai entrar? — Sua mãe pergunta.

– Tenho medo de ver ele… — Se sentia insegura e além disso, sentiu uma grande vontade de chorar. — Como ele está… Assim… Fisicamente?

– Ah, pra ser sincera, ele está bem pálido, emagreceu um pouco…

Julie respirou fundo, precisava tomar coragem. Heloísa ajudou Julie a conseguir essa coragem abrindo a porta do quarto, as duas sentiram o vento gelado do ar condicionado bater sobre elas. Julie virou o rosto ao focar seus olhos diretamente para a cama onde Daniel estava, se sentiu trêmula, ainda não acreditava que estava no hospital para visitar Daniel que estava em coma.

Sua mãe entrou primeiro, Julie conseguiu forças para entrar também. Mas ela ainda virava o rosto, não conseguia olhar para Daniel. Ela esticou suas mãos para sentir se iria esbarrar em algo.

Acaba tocando no ‘’braço’’ da cama. Com isso ela vira seu rosto e abre os olhos.

Encara Daniel pela primeira vez.

Ele estava diferente, seu cabelo estava um pouco cortado pois os médicos precisaram fazer alguns pontos na sua cabeça.

Seu rosto parecia um pouco mais magro e pálido, seus lábios também. Seus olhos estavam fechados e ele usava um aparelho conectado no seu nariz para ele respirar melhor. Julie ficou o encarando por longos minutos, perdeu a noção do tempo ali.

Sua mãe estava do outro lado da cama, calada, não queria interferir aquele momento.

Julie desceu seus olhos para o corpo de Daniel, não conseguiu ver muita coisa pois ele estava coberto pelo edredom. Ela viu a mão dele, encarou aquela tatuagem com o seu nome, sorriu involuntariamente.

– Ele está muito abatido. — Sua mãe quebrou o silêncio.

Juliana concorda balançando a cabeça. — Há quanto tempo ele está internado mesmo?

– Mais de quatro meses…

– Nossa e ele não acordou mais?

– A família dele já até está perdendo as esperanças.

– Como assim? — Olhou para ele. — Ele pode morrer?

– Ele está em coma, o acidente foi muito grave.

Julie suspira. Hesitou um pouco, mas tocou nos cabelos de Daniel. Estava liso com as pontas levemente enroladas, pois ainda estava crescendo. Elas não notam que o aparelho que mostrava os batimentos cardíacos dele estava forte, os batimentos aumentavam a cada instante.

Ela continuava carinhando seus cabelos dourados, sua expressão triste era nítida para sua mãe. '' Acorde, meu amor. '' — Julie sussurrava isso fracamente, sua mãe nem conseguiu escutar. Ela desceu suas mãos e pegou a mão dele. Queria carinha-lo mais, porém, não queria que sua mãe visse. Se sentia envergonhada.

– Com licença. — Uma enfermeira abre a porta do quarto. — Vocês não podem entrar aqui.

As duas se viraram para a senhora. — Não, m-mas... Eu vim ver ele. — Julie tentou explicar.

– Me desculpem, mas só podem entrar se o médico permitir. — Ela gesticulou com as mãos. — Vamos, esperem no corredor, o médico está em uma cirurgia agora, deve terminar em três horas...

– Por favor. Eu quero ficar com ele. — Julie suplicou.

– Moça, eu já disse... Só depois de três horas. — A enfermeira se aproximou. Tentou segurar seu braço, enquanto Heloísa já abria a porta. Convencida à ir.

– Não... — Mas Julie continuava insistindo, as duas viram seus olhos se enxerem de lágrimas. — Não entende, eu preciso ficar aqui. — Se virou para ele. — Eu tenho que ficar com ele, por favor.

A enfermeira puxou forte o seu braço e Julie precisou soltar a mão de Daniel, que ficou por fora da cama. As três saíram e fecharam a porta. Deixando Daniel sozinho.

– Ju... Fica. — Ele pediu em sussurro, sem quase mover seus lábios.


Notas finais
Muitas coisas aconteceram, a Julie admitiu que pensa nele e sente saudades, o neném da Bia nasceu (Quem achou ele parecido com o Diego quando era recem nascido?) E a Julie voltou!
Comentem bastante, pois queria postar o próximo ainda na quinta, mas não sei se consigo porque to cheia de trabalhos, aff. Senti falta de algumas leitoras, espero que elas comentem agora! Beijos!