Corações Feridos
87 Relembrando
Notas iniciais
– Tem certeza que quer ouvir? — Ela pergunta mais uma vez só para tomar coragem pra contar tudo, ela pensava em como contaria para ele, teria que ser muito delicada pra contar tantas coisas que aconteceram com ele.
Daniel apenas balançou a cabeça para cima e para baixo, concentrado no par de olhos ameêndoados da moça, infelizmente a mesma nem se ligou que Daniel a fitava tão profundamente.
Ela respirou funda, estava um pouco tensa e não escondia isso. — Huh, relaxa ai porque vai ser uma… — Suspirou. — Longa história.
Julie fechou seus olhos, era uma mania e ela insistia em achar que de olhos fechados as cenas passavam melhor na sua cabeça. Daniel a imitou também.
~ Flash Back: On ~
Daniel saia do consultório médico. Se sentia mais confuso ainda. Falou com o médico sobre o que aconteceu com ele no treino de futebol na escola, que levou um arranhão do Nicolas e a quantidade de sangue que perdeu apenas por causa desse pequeno ‘’acidente’’. — O resultado do exame vai sair daqui a uns três ou quatro dias, volte aqui na quinta. — O médico aconselhou depois de apertar sua mão.
– Obrigado, doutor. — Ele continuava um pouco nervoso. — O que o senhor acha que é? Não é nada, certo?
– Bom, eu não posso falar… Eu suspeito de várias coisas. Mas por enquanto não tenho nada concreto. Não posso dizer o que eu ainda não tenho certeza.
– Hum. Tá bom. — Deu um sorrisinho fraco. — Valeu… — E foi andando.
Segurava um cartão com o nome do médico que o consultou e o número do seu consultório. Dentro de si surgia uma dúvida: Devo contar para a Julie ou não?
Ele nunca escondeu nada dela. Mas não queria preocupa-la, ele a conhecia muito bem. Sabia que Julie teria um de seus ataques, pensaria várias coisas e ficaria ainda mais paranóica com isso e para ele, não era nada de mais. Isso era o que ele pensava, claro que depois de fazer tantos exames ele ficou um pouco nervoso mas continuava achando que não era algo muito importante.
Estava feliz. Tinha acabado de se reconciliar com a Julie. Não queria estragar sua felicidade pensando nisso. ‘’ O que eu preciso mesmo é me sentir mais feliz.’’ — E ele sabia que só se sentiria melhor ainda se estivesse do lado dela.
Colocou o cartão no bolso, já decidido. ‘’Não vou contar nada. Sei que não é nada de mais, não quero que ela fique ansiosa por causa dessa besteira… ‘’
Enquanto caminhava, seus pensamentos se resumiam apenas na namorada. Não importava quanto tempo passava, ele continuava apaixonado, como na primeira vez que a viu. Aproveitou que ainda não tinha a visitado hoje, apertou seus passos, não queria perder mais tempo.
Atravessou algumas ruas, pegou um táxi.
Parou na porta da casa dela.
Respirou fundo e tocou a campainha.
Julie afinava seu violão no quarto quando escutou o barulho da campainha. Se levantou e deixou o violão no descanso. Descia as escadas quando parou de repente. Hesitava um pouco, não queria descer os últimos degraus. Lembrou do carro preto que ficou estacionado a manhã inteira do outro lado da rua, ela jurava que tinha alguém lá dentro olhando em direção a janela do quarto. Estava com medo de encontrar algum estranho do outro lado da porta.
– Huh, quem é? — Gritou ainda parada nos degraus.
Daniel ouviu sua voz, apenas sorriu torto. A conhecia muito bem, sabia que ela estava com medo. Se não estivesse teria atendido logo.
Ele apenas tocou a campainha novamente. — Vá embora! — Gritou subindo alguns degraus. — Eu estou armada!
Ele prendeu a risada ainda parado ali. Tocou a campainha pela terceira vez. Julie respirou fundo e tomou coragem, correu pela sala e por fim abriu a porta.
Daniel nem lhe deu tempo de distinguir as coisas, ele a pegou em seus braços, girou a mesma no ar. Ela agarrou sua nuca depois de ter certeza que era o namorado. — Você é louco! — Ela disse rindo, ainda agarrando seus cachos.
– Não fui eu que gritei que estava armado, mesmo sem estar. — A pôs no chão.
– Seu bobo… — Lhe deu um selinho demorado. Quando se deu conta, viu que Daniel já arrastava seus pés em cima do carpete, se preparando para entrar. — Ei. — Julie o empurrou para a varanda novamente, enquanto ela continuava pelo lado de dentro.
– O que foi?
– Você não pode entrar. — Suspirou.
Daniel logo amarrou a cara. — Por que? — Cruzou os braços.
– Meu pai. — Julie sussurrou e viu o namorado revirar os olhos.
– Ele tá aqui?
– Não, foi no mercado. — Pausou. — Esse é o problema. Ele não está aqui. Você não pode ficar.
– Poxa amor… — Alisou seu rosto, ela sorriu com esse carinho enquanto os olhos de ambos brilhavam. — Andei, gastei dinheiro com o táxi, só para ver você. — Ele sorriu torto.
– Hã? Pra quê pegou táxi? — Ela tirou a mão dele do seu rosto. — Você se mudou, seu apartamento não é tão longe daqui. — Estranhou.
– É que eu fui em um lugar hoje…
– Onde?
Daniel segurou seus dois ombros e beijou seus lábios, ela sorriu entre o beijo, levantou sua mão e pousou no seu queixo. — Agora vai. — Ela cessou o beijo.
Ele suspirou. — Sério?
– Sério. — Respondeu chateada. — Vai. — Sussurrou dando um sorriso de leve. Foi fechando a porta aos poucos. Até que Daniel colocou a mão entre a porta. Avançaram juntos para mais um beijo. Daniel a puxou pela cintura, tentando aprofundar o beijo, mas Julie ficou só no selinho. Se soltou tímida, viu que ele sorria e sorriu junto. Hesitou um pouco, mas precisou fechar a porta, mesmo com o coração apertado.
Julie também estava com saudades dele. Os dois compartilhavam o mesmo sentimento, estava um pouco triste pois queria passar mais tempo com o Daniel, afinal, essa semana foi cheia de altos e baixos para os dois. Foi nessa mesma semana que Daniel viu ela e Nicolas se beijando, foi a pior semana da vida de ambos.
Ela foi até o sofá, ligou a TV, queria se distrair assistindo algum programa mas seus pensamentos se resumiam apenas em Daniel. Lembrou do que ele disse ‘’ É que eu fui em um lugar hoje… ‘’ — Julie ficou com essas palavras na sua cabeça, sentia que Daniel escondia alguma coisa, mas ela precisava esquecer aquilo e para isso, teria que se distrair…
Passou os canais com o controle, enquanto estava se ajeitando no sofá, abraçando uma almofada em forma de flor. Mas nem mesmo as novelas da tarde a distraiam… Julie suspirou abaixando a cabeça, não parava de pensar no Daniel.
Foi quando escutou umas batidas na janela, virou seu rosto para trás e quase imediatamente seu suspiro se transformou em um lindo sorriso. Daniel sorriu de volta, mas torceu os lábios e abaixou a cabeça, apoiando sua testa no vidro da janela. — Dan. — O coração dela se partiu com isso.
Ela se levantou jogando a almofada no chão, correu para a porta… Passaram quase a semana inteira separados, queriam ficar juntos a qualquer custo dessa vez.
Julie abriu a porta e Daniel se aproximou. — Eu só queria mais um beijo antes de ir… — Ela puxou seu braço e quando ele percebeu, já estava dentro da sala. — E o seu pai? — Perguntou com remorso, ele sabia que Raul não era uma pessoa fácil de se lidar.
– Ele está no mercado. — Pausou. — Talvez ele demore. O mercado está cheio hoje… — Sorriu.
– Eu não sei… — Mas Daniel não parecia tão confiante. — Eu não quero te encrencar.
– Quer saber? Eu não vejo problema. — Deu a volta pelo sofá, Daniel a imitou. — O meu pai não ligava para isso, eu falava sobre garotos com ele e ele dizia apenas que quando eu arrumasse um namorado deveria apresentar ele. — Pausou. — Eu não sei o que ele viu em você, mas desde que te conheceu ele mudou de opinião. Acho que ele te achou arrogante.
– Arrogante é ele. — Daniel revidou. — Não gostou de mim só por causa da minha blusa. — Cruzou os braços. — Ele acha que sou canalha por ser rockeiro.
Julie riu. — O importante é o que eu penso de você. — Ela disse sorrindo e ele sorriu também. — Ainda bem que eu não puxei o meu pai no jeito de ser… Muito menos a minha mãe que é toda cheia de manias. — Juliana virou o rosto.
Avistou a almofada em forma de flor, arregalou os olhos ao ver que a mesma estava jogada no chão. Se agachou imediatamente. — Que droga! — Berrou segurando a almofada. — Agora preciso lavar!
– Amor, só caiu no chão…
– Não! Não caiu só no chão Daniel, o chão é cheio de bactérias, germes! Eu posso pegar uma infecção com isso! — Revidou gritando.
– Mas… Como é possível você pegar uma…Ahh, esquece. — Ele puxou o seu braço e a abraçou pela cintura. — E você ainda diz que não é parecida com a sua mãe?
Julie ficou calada por um tempinho. Pousou sua mão no tórax do namorado e respondeu com um tom de voz triste. — Eu sei que sou estranha.
– Sch… — Ele alisou seu rosto. — Você não é. — Pausou. — Eu gosto de você assim… — Ele deu alguns beijinhos pelo rosto dela. Julie sorriu com isso. Jogou a almofada no sofá e levantou os braços, envolvendo os mesmos na nuca do rapaz.
Daniel desceu os beijos para o pescoço. Ela se arrepiou com o toque daqueles finos lábios na sua pele quente. Ele chupava levemente seu pescoço quando Julie se afastou um pouco corada.
Não era a primeira vez que ele fazia isso. Os dois sabiam que o pai de Julie deixou bem claro que no relacionamento deles só haveria beijo e abraços. Mas eles já estavam a mais de um ano juntos. Julie tinha plena certeza de que o amava de verdade.
– Vem… — Ela segurou sua mão. — Vamos assistir alguma coisa. — Daniel se sentou no sofá enquanto Julie procurava alguns DVD’s.
– Vai dar tempo de assistir um filme?
Ela se virou para Daniel. — O meu pai foi de carro para o mercado. Se eu escutar o barulho do motor você vai embora pela porta de trás. Pronto, está tudo resolvido.
– Então vem cá… — Ele bateu no sofá. — Senta aqui do meu ladinho amor.
– Hum. — Julie parou de escolher o filme e o encarou por alguns segundos, séria. — Está mais carinhoso que o normal. — Ele desfez o sorriso. — O que está acontecendo, hein? — Levantou uma sobrancelha, estava curiosa.
– Nada. — Ele respondeu balançando os ombros, Julie continuava achando aquilo tudo muito suspeito, mas como não tinha provas de nada resolveu se calar.
Estava na dúvida de escolher um filme, ultimamente ela tentava mostrar para o namorado que era ‘’corajosa’’. — Vamos ver a Maldição de Chuck. — Julie disse um pouco hesitante.
Colocou o DVD. Correu para o sofá e se sentou ao lado dele. Assistia o filme calada, prestava a atenção em cada detalhe, e tentava não demonstrar medo. Daniel, diferente dela, não se assustava, afinal, era a segunda vez que ele assistia esse filme. Mas Julie não sabia. — Ai meu Deus. — Ela levou a mão à boca. Estava agoniada com a cena.
Daniel sorriu torto e esticou o braço. Passando o mesmo pelo ombro da morena. Ela não sentiu, estava concentrada de mais no filme. — Ah! — Não conseguiu fingir por muito tempo. Logo gritou de medo e abraçou o namorado. Daniel ria, retribuindo o abraço. Ela escondeu seu rosto no peito dele, seu coração estava acelerado com o susto e Daniel alisava seus cabelos, tentando lhe passar proteção.
– É só um filme. — Ele sussurrou calmo.
– É. — Ela fechou os olhos com força e sorriu fracamente, depois de alguns segundos com os olhos fechados, ela os abriu e voltou a assistir o filme. Mas foi justo no momento errado, ela acabou presenciando uma sequência assustadora. — Desliga! Desliga! — Gritou desesperada, Daniel procurou o controle e desligou. — Nossa… — Estava trêmula e não conseguia se soltar do rapaz. Julie estava com o rosto escondido no pescoço dele, sentiu quando Daniel começou a rir. — Isso não tem graça! — Reclamou ainda assustada.
– Desculpa amor. — Ele tocou no seu rosto, levantando o mesmo. — É que… Você é tão divertida. — Sorriu. — Me sinto tão bem do seu lado.
– Hum. — Ela olhou nos seus olhos. — Porque tantas declarações assim? — Estranhou. — Vai me dizer o que está acontecendo ou não?
– Não é nada. — Continuou sorrindo.
– Mmm… Primeiro me elogiou, dizendo que gostava de mim do jeito que eu sou. Agora fala que eu sou divertida e que se sente bem do meu lado.
– Qual é o problema de dizer essas verdades de vez em quando?
Ela sentiu seu rosto queimar, Daniel percebeu suas bochechas coradas. Passou seus dedos pelos cabelos pretos de Julie. Eles se aproximaram, Julie continuava abraçada com ele. Seus rostos estavam próximos, os dois conseguiam sentir a respiração um do outro.
Se beijaram. Julie sorriu entre o beijo, sentia algo diferente naquele carinho. Sua pele se arrepiou, seu coração disparava… E ela nem sabia que Daniel se sentia do mesmo jeito. Ele a abraçou com os dois braços pela cintura. Ela encerrou o beijo só para encontrar uma posição mais confortável. Deitou sua cabeça no peito dele e recomeçaram o beijo que era ainda mais quente que o outro. Ela agarrou sua nuca. Os dois foram caindo no sofá. Continuaram se beijando, não era um beijo bobo. Na verdade, eles não se beijavam assim desde antes da confusão com o Nicolas. Daniel encaixava sua lingua delicadamente enquanto Julie apenas cedia o espaço e retribuia. Foi um dos beijos mais demorados que já deram. Só se separaram depois que sentiram falta do ar. Ele desceu seus lábios para o pescoço dela. Julie sorriu ao sentir os beijos. Ele alisava sua coxa, ela abriu um pouco as suas pernas pois ele estava em uma posição desconfortável, em tempo de cair por cima dela e machuca-lá. Agora ele apoiava o seu ante-braço no braço do sofá. Enquanto com a outra mão, ainda alisava sua coxa. Ela segurou seu rosto e voltaram a se beijar. Julie enrolava as madeixas douradas dele com os dedos e Daniel sentia um gosto delicioso de menta nos lábios dela. Julie dobrou seus joelhos, Daniel ainda a beijava quando subiu suas mãos para a blusa dela, por baixo, lentamente causava arrepios na sua barriga. Julie também aproveitava para alisar o corpo dele. Nunca tiveram tanta liberdade para trocar tantos carinhos como agora. Ele ficou de joelhos no sofá assim que partiu o beijo. Julie o encarou séria, levantou seu rosto encostando seus narizes. A respiração de ambos estava pesada. Trocaram alguns selinhos e perceberam que estava tudo muito quente para ficarem só nos beijos. — O que acha? — Ela sussurrou arfando, tocando levemente seus lábios.
Ele lhe deu mais três selinhos antes de responder. — Eu tenho certeza de que te amo… Fazer isso seria só um… detalhe. — Tocou no seu rosto.
Ela sorriu. — Eu também te amo.
Voltaram a se beijar do mesmo jeito que antes. Ele virava seu rosto, encaixando seus lábios em várias posições. Ela parou com o beijo, mais rápido do que das outras vezes. Eles arfavam. Daniel desabotoou sua blusa, jogando a mesma no chão. Julie deu alguns beijinhos no seu tórax nu. Ele a segurou com força pela cintura e deitou sobre ela. Os dois voltaram para os beijos. A mão dele passeava pelo seu corpo, foi quando chegou em um dos seus seios. Julie fechou os olhos com isso. Ele nunca havia tocado no seu corpo assim, essa era a primeira vez. Os dois aproveitavam aquele momento sem pensar direito, estavam apenas ali, no sofá da sala, curtindo um ao outro. Julie enlaçou suas pernas na cintura do rapaz. Ele apenas sorriu enquanto a morena continuava de olhos fechados, ainda sentindo uma das mãos dele acariciando seus seios. Daniel desceu seus beijos para o pescoço, do pescoço desceu mais… Parando no colo, ela agarrou seus cachos e ele marcou seu colo com alguns chupões, deixando seu pescoço vermelho. Perderam a noção do tempo ali, só sabiam de uma coisa: Estava tudo se tornando mais quente.
Continuaram aproveitando e acabaram se esquecendo de um detalhe.
Um detalhe que faria toda a diferença.
Raul encontrou Heloísa vindo do trabalho, ela atravessava a rua enquanto ele estava de carro. Ofereceu uma carona, e como estava passando alguns dias na casa dela para visitar sua filha, Heloísa aceitou.
Ele estacionou o carro. Saiu e deu a volta para abrir a porta pra Heloísa. Eles carregavam algumas sacolas de compras. Assim que Raul girou a maçaneta da porta, derrubou as sacolas que carregava ao ver aquela cena.
Daniel e Julie trocando muitos carinhos no sofá da sala. Julie estava sem blusa, usava apenas o sutiã enquanto Daniel estava quase tirando sua calça. — O QUE É ISSO? — Raul bateu a porta da sala com força.
O rapaz se levantou do sofá. Estava calmo enquanto Julie não escondia sua expressão aflita, ela correu para pegar a primeira blusa que encontrou no chão e a vestiu imediatamente, reparou nas mangas longas e que a blusa quase a engolia. Percebeu que havia vestido a camisa do namorado. Mas isso não era problema naquele momento.
Seus olhos se encheram de lágrimas. Ela se levantou e correu para abraçar o Daniel. Estava com medo do olhar que seu pai trocava com Daniel. — EU QUERO UMA EXPLICAÇÃO E QUERO AGORA! — Estava enfurecido.
Daniel continuou do mesmo jeito que estava antes: Calado. Parecia que ele não estava ali, na verdade, ele apenas pensava no que acabara de acontecer. O homem que mais o odiava no mundo pegou ele no flagra com sua única filha. Julie conhecia o namorado mais do que ninguém, ela percebeu que por fora ele estava calmo e calado, porém, ela sabia que por dentro Daniel estava a ponto de explodir. Ela escondeu seu rosto no pescoço dele, já não aguentava mais ver a expressão de ódio no rosto do seu pai. Daniel a envolveu pela cintura e esse simples ato foi o suficiente. — TIRE AS MÃOS DELA! — Heloísa precisou segurar o ex marido pois ele estava a ponto de voar em cima do rapaz.
– Por favor, pai. — Julie se soltou, apenas para tentar acalma-lo.
– E você fique calada. — Ele abaixou o tom de voz com a sua filha. — Eu estou falando com ele, não com você. Heloísa, o que acha que devemos fazer nessa situação? — Ele cruzou os braços e deu um passo para trás.
A mulher suspirou. Não queria se envolver nisso. Mas ela, diferente de Raul, simpatizava com Daniel. — Eles erraram. — Admitiu. — Mas… — Ela era ‘’fraca’’ nessas situações. — Ahh, para com isso Raul. Acho que é melhor só deixar ele ir… — Suspirou.
– E vai ficar só por isso?! — Ele riu. — Eu sabia. Eu sabia desde o inicio. Você é um CANALHA. — O rapaz fechou os olhos com o insulto. — Eu avisei para você, Juliana. — Pausou. E apontou para Daniel. — Ele só estava esperando o momento certo. Não é verdade?!
– Eu amo a Julie. — Por fim ele respondeu.
Julie sorriu fracamente com isso, Daniel virou seu rosto para fita-la e deu um sorriso torto também. Os dois continuavam se olhando mas aquela pequena paquera foi interrompida pelas palmas de Raul. — Eu já não acreditava antes… — Ele continuou aplaudindo ironicamente. — Pensa que vou acreditar agora? — Riu. — Parabéns Julie, você apenas provou para ele que é uma tonta.
– Ela não é tonta. — Daniel a puxou. — Ela é minha namorada e eu gosto dela. Acredite ou não. — Dessa vez Raul não se exaltou ao ver os dois abraçados, Heloísa respirou aliviada, percebeu que ele estava mais calmo.
– Tudo bem. — Cruzou os braços. — E o que você faria pelo amor dela?
Julie levantou a cabeça e os dois se olharam. Daniel beijou a testa da namorada e virou o rosto para o sogro. — Tudo, senhor.
Raul sorriu, essa pequena frase fez o seu dia. ‘’Agora eu te pego de vez.’’ — Raul pensava.
– Então não se importaria de provar para mim? Essa é sua chance de conseguir minha confiança.
Daniel se calou com a proposta, Julie ficou aflita só de ver o brilho nos olhos de seu pai. Apesar de não conviver com Raul, Julie o conhecia muito bem. — Pai, deixe ele ir. Por favor. — Seu tom de voz fraco e triste só fez com que Daniel se encorajasse mais.
– Eu provo. — Ele não pensou direito ao responder, mas queria surpreender a namorada.
– Se ama de verdade, se afaste dela.
– Quer que eles terminem?! — Heloísa se intrometeu. — Raul, isso é de mais!
– Não. Só quero que ele prove que não é um canalha. Se afaste dela por um tempo, Daniel. Vamos ver por quanto tempo vai aguentar ficar sem ela e sem outra garota.
– Eu não a trocaria por ninguém! — Seu sangue ferveu com isso.
– Eu não acredito… A não ser que prove. — Puxou forte o braço dele, mas Daniel se soltou bruscamente. — VAMOS, FORA DAQUI! — Perdeu a pouca paciência que tinha e voltou a gritar.
– Eu posso pelo menos pegar minha blusa? — Ele esticou seus braços.
Julie corou ao lembrar que deveria devolver e mostrar seu sutiã. — Vai sem blusa. — Raul o empurrou.
– Pai!
– Cale a boca! — Gritou para a sua filha enquanto empurrava o rapaz com força para a porta.
– Raul, está frio! — Heloísa tentou alertar.
– Que se foda, ele que passe frio! — Bateu a porta com força, o deixando lá fora.
Daniel suspirou, ainda com o rosto pertinho da porta de madeira, conseguiu ouvir as gritarias. Ouvia mais a voz da namorada. ‘’ Eu não acredito, porque me faz sofrer desse jeito? ‘’ e de seu sogro em seguida. ‘’ Suba e só saia de lá amanhã de manhã! ‘’ Daniel também conseguiu ouvir a voz mansa de Heloísa. ‘’ Querem parar de brigas? Vamos viver na paz.’’ O loiro se virou em direção a calçada, mas ainda ouvia a briga. ‘’ Não tente defender sua filha, Heloísa! ‘’ ‘’ Ah, é minha filha agora?! Engraçado que ela só vira a sua filha quando é elogiada! ‘’
~ Flash Back Off ~
– Então essa foi a briga? — Daniel interrompe, confuso.
Julie revirou os olhos, não estava com paciência para explicar tudo. Mas precisava responder. — Não.
– Não? M-mas pra mim pareceu uma briga.
– Isso foi uma briga.
– Então porque disse que não?
Ela se levantou. — Já chega, depois eu continuo contando. — Pausou. — Não dá para conversar com você.
– E agora? — Ela se virou enquanto ele continuava sentado na grama. — Isso foi uma briga nossa?
– FOI ! — Rosnou.
E foi caminhando para longe, Daniel assistia a moça se afastando, entrando para a sala.
Ele suspirou. ''Queria poder sentir o amor que sentia antes por você. ''
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