Corações Feridos
38 Profundos pensamentos.
Notas iniciais
Senti falta de mts leitoras no capitulo anterior, por favor não me abandonem :$
Depois de uma longa noite na balada, Daniel chega cansado e vê no relógio que já eram quase quatro da manhã... Lhe restavam apenas três horas de sono, e ele sabia que não conseguiria dormir.
'' Muito obrigado, Beatriz. '' — Pensou angustiado. Já que a ideia de ir para a balada foi de sua irmã e a culpa também.
Assim que chegou foi direto para o seu quarto, pegou seu uniforme e entrou no banheiro.
Foi tomar um banho gelado para acabar com o cansaço de vez.
Deixava a água fria cair sobre seu corpo. '' Será que ela ainda pensa em mim? '' — Imaginava, agora passando o shampoo pelos seus cachos. '' É lógico que não, ela deve estar ocupada namorando aquele cara da balada. '' — Concluiu.
[...]
– Você foi muito cavalheiro em me levar para casa. — Julie deu um dos seus sorrisos amarelos, estava agradecida pelo ato, porém, não estava interessada pelo rapaz.
– Foi um prazer. — Ele disse sorridente. — Me diverti muito essa noite...
Os dois chegaram na calçada, ela parou de andar e o rapaz percebeu que era ali que ela morava. Ele sorriu por dentro, já sabia seu endereço. Mas sentia que Juliana o evitava um pouco.
'' Adoro mulher difícil. '' — Pensou e com isso segurou a sua mão. Olhou para seus dedos finos e delicados, notou suas unhas lixadas e feitas.
Mas percebeu algo estranho.
Não usava aliança. Lembrou do papinho da balada, quando ele chegou para canta-lá.
– E onde está o seu marido? Não vi mais ele na balada...
Julie se engasgou com a saliva. Lembrou que também não tinha o encontrado mais, apesar de ter pensado nele enquanto dançava com outro. — Onde ele está? — O rapaz perguntou novamente, cada vez mais desconfiado. — Ele é mesmo o seu marido?
A morena suspirou. — Não, mas já foi.
A expressão do rapaz mudou, agora estava sério. — Porque mentiu para mim?
– E-eu não sei... — Soltou sua mão.
– Estou sendo... Inconveniente?
– Não... Só... Que... Minha separação foi recente e eu não queria encontrar ninguém por enquanto, não quero me magoar...
– Juliana, sei que não nos conhecemos, mas acredite. Eu gostei muito de você. — Ela sorriu com as palavras do rapaz. — Eu te dei meu telefone, me ligue quando quiser... Não quero forçar a barra... — Lhe deu um beijo no canto dos lábios. Julie ficou paralizada e o rapaz virou mais o rosto, tentando roubar um beijo nos seus lábios.
Mas a morena se afastou rapidamente, abriu o portão e entrou sem se despedir. ‘’ Nem perguntou meu nome. ‘’ — O rapaz pensou ao ver a morena entrando, mas guardou esse pensamento apenas para si mesmo.
Ela chegou na sala e soltou um suspiro de alivio. — É tudo tão estranho... — Murmurou.
E estava certa, as coisas estavam estranhas para ela.
O único homem que namorou foi Daniel e agora que estava solteira se sentia... Vazia. Não sabia como recomeçar sua vida, como encontrar novas pessoas, pensava que todos os homens eram como Daniel: Gentil, amigável, divertido... Mas agora via que estava enganada.
Existia muitos homens safados por ai... Nem todos são iguais a ele.
Se sentou no sofá depois que viu as horas, era quase quatro da manhã. Não estava com sono.
Não tinha vontade de fazer nada, a não ser pensar...
Seus pensamentos mergulharam fundo no passado. Uma cena marcante veio em sua cabeça.
~Flash back: On~
Julie colocava uma roupa bonita, soltava seus cabelos, escovando os mesmos com cuidado, deixava as pontas levemente onduladas. Sabia que Daniel gostava do seu cabelo assim... Solto.
Passava base, pó... Uma sombra fraca, bastante rímel para marcar o olhar, usou curvex, lápis de olho e um gloss transparente.
Pegou alguns acessórios, colocou brinco, um pingente, anéis e pulseiras.
Sua mãe entrou no quarto. Viu Juliana toda produzida. — Nossa filha, está linda. Para onde vai assim?
– Daniel me chamou para assistirmos um filme na casa dele. E... — Olhou para o relógio na parede. — Estou atrasada, ele deve estar com raiva... Então me arrumei mais pra ele não ficar tão chateado assim...
– Até parece que ele consegue ficar com raiva de você. — Sua mãe balançou a cabeça, rindo. — Espere, filme? Na casa dele?
– É. Eu também achei estranho, geralmente a gente saí para o cinema... M-mas... Ele me disse que tinha algo importante para me dizer...
– Hm, será uma proposta de casamento?
– Mãe. — Ela corou. — Eu... Só tenho dezessete anos. — Disse, mas suspirou, imaginando os dois se casando. — Com certeza não é isso.
– E você vai com esse vestido? — Analisou. — Está... Um pouco decotado.
Ela corou ainda mais, não sabia o que responder. Sua mãe se sentou na cama, olhando sério para sua filha única. — Olha querida, quando um homem e uma mulher já estão a um tempo juntos... E eles se amam de verdade...
– Eu não quero ter essa conversa. — Julie a cortou. Se levantando. — Eu estou atrasada mãe.
– Querida, espere. — Heloisa segurou seus ombros. — Eu sei que vocês já estão juntos a quase três anos... E recentemente você passa a noite toda na casa do Daniel, até dorme lá e...
– Mãe. Eu sou virgem.
Heloisa deu um sorrisinho sem graça, mas no fundo se sentiu mais tranquila com aquela resposta.
Depois de chegar no prédio de Daniel, Julie pegou o elevador. Subiu até o terceiro andar e quando parou em frente a porta do apartamento dele, escutou uma falação. ‘’ Talvez seja o filme. ‘’ — Foi seu pensamento, enquanto pegava as chaves.
Girou a maçaneta.
Entrou.
Parou ali, se surpreendeu com aquela bagunça, Daniel não era muito festeiro. Mas lá estava ele, Martim, Félix e Bia com sua filha, pequena. Todos assistiam o filme enquanto bebiam, até Daniel bebia. O que fez Juliana o olhar com reprovação, ela era ‘’certinha’’... Não gostava dessas coisas.
Ela se aproximou deles, logo o mulherengo do Martim olhou para seu decote. Envergonhada, ela se sentou ao lado de Daniel e ele escondeu seu decote com o casaco que ele vestia. Ela o abraçou, sentiu um forte cheiro de bebida.
Virou o rosto para ele, lhe dando o beijo na bochecha. Preocupada, ela perguntou. — Tudo bem?
Ele só assentiu enquanto olhava fixamente para a televisão. Ela se virou para a TV também. ‘’ Uma prova de amor ‘’ — Era o nome do filme, estranhou. Ele não era de ver filmes dramáticos, gostava mais de comédias.
– Pensei que seria só eu e você. — Ela sussurrou isso no ouvido dele. Não queria que seus amigos escutassem.
– Seria, só que você demorou. — Daniel virou o rosto. Ficaram próximos. — Eu não queria ficar sozinho aqui. Então chamei o pessoal.
‘’Hm, mas eu não demorei muito, só me atrasei meia hora... Não é a primeira vez que isso acontece, já me atrasei outras vezes, demorei mais ainda... ‘’ — Lembrou que uma vez demorou cinquenta minutos.
Mas ignorou aqueles pensamentos, deixou pra lá...
Ela percebeu seu olhar melancólico. — Precisava mesmo das bebidas?
– Aham.
– Você não é de beber...
– Uhum...
Juliana se calou. Cada vez mais estranhava aquilo. Se ajeitou no seu peito, deitando sua cabeça ali. Daniel a abraçou, ficaram assim até seus braços ficarem dormentes. Ele afastou a namorada, se levantou e calado, foi até a cozinha.
– Tá bom. — Se virou para Bia. — Pode me contar o que está acontecendo com o seu irmão?
– … — Bia só a olhou, também parecia um pouco triste. — E-eu... Não sei do que está falando. — Deu um sorriso para ver se conseguia disfarçar.
– Ele está muito estranho, você sabe. — Julie afirmou, sua voz estava firme. — Me conta.
– Relaxa, ele... Vai te contar.
– O que está acontecendo?
– … — Bia abaixou a cabeça. — Deixa ele Juh, ele vai contar. — As duas olharam para a cozinha, viram Daniel abrir mais uma latinha de cerveja.
[...]
– Droga Daniel — Julie reclamou dando leves batidas nas costas dele. Ele colocava tudo o que comeu hoje para fora. Era tarde, quase duas horas da madrugada, todos já estavam em suas casas. — Essa não era a noite que eu planejava...
– M-e D-des-culp-e. — Ele disse tossindo. — A ge-ente nã-o pod-e contro-lar a v-ida, Ju-lie. — Tossiu mais. — Nem tudo é como nós planejamos. — Conseguiu completar a frase sem gaguejar.
– Tá... — Ela estava preocupada com aquilo, ele se levantou, cambaleando. — Tira essa blusa. — Estava suja e cheirava a álcool. Ela colocou a blusa em cima do seu ombro. — A bermuda também... Vou por pra lavar.
Ele assentiu, ainda tonto, se apoiou na parede e tirou a bermuda. — Agora entra nesse chuveiro... — Julie o empurrou delicadamente. — Vamos amor, tome um banho e qualquer coisa é só me gritar...
Ela fechou a porta do banheiro, carregando as roupas do namorado para a máquina de lavar. Virou a blusa para o avesso, a bermuda também.
Até que um papel caiu no chão.
Julie se agachou para pega-lo. — Hm... — Estava muito bem dobrado.
Foi abrindo aos poucos.
– JULIE! — Ouviu um grito bem alto dele.
Suas paranóias começaram a surgir, ela logo pensou que ele havia caído no box, se cortado com o vidro, desmaiado ou então tendo alguma convulsão por ter bebido tanto.
Correu desesperadamente. — Droga... — Ela reclamou quando as chaves cairam, ela tinha mania de trancar qualquer porta que entrava para a sua ‘’segurança’’, ela até trancou a porta dos fundos, onde se localizava.
Colocou o papel que encontrou no bolso do casaco de Daniel, que estava com ela.
Trêmula e preocupada, pegou as chaves e destrancou a porta. Correu pelo apartamento e desesperadamente bateu na porta do banheiro. — Tudo bem ai??? Porque me gritou??? Daniel!
– JULIE, MINHA TOALHA!
Ela respirou fundo. ‘’ Quer me matar do coração... ‘’ — Pensou. — Tá, mas você está bem?
– Estou.
Revirou os olhos. — Da próxima vez, seja um pouco mais... Sutil. — Disse. — Vou pegar sua toalha...
[...]
Depois de tomar o banho, Daniel se vestia no quarto. — Está melhor? — Julie perguntou, sentada na cama.
– Um pouco... Estou com dor de cabeça.
– Ainda não entendi porque bebeu tanto... Você não é disso...
– É, não sou...
– Ficou chateado com o meu atraso? Desculpe. É que hoje fui visitar meu pai... Fazia seis meses que a gente não se falava, acabei perdendo as horas...
– Tudo bem Julie, não estou chateado com isso.
– Então é com outra coisa? Com o que?
Ele suspirou. — Com nada. Para de pensar que estou chateado, porque... eu não estou.
– Tudo bem. — Ela cedeu, mas no fundo ainda estranhava o seu jeito.
Julie o puxou, a mesma estava sentada ficou de joelhos na cama, ela o surpreendeu com um beijo. Um beijo quente e delicioso, Daniel começou a retribuir. Suas linguas se tocavam com delicadeza, era um beijo doce, calmo... Molhado...
Não era a primeira vez que se beijavam na cama. O clima começou a esquentar, as mãos de Daniel passeavam pela lateral do corpo da namorada. A garota deixou a timidez de lado por alguns segundos e ousou em sentir o peito definido dele. Suspiraram entre o beijo, viraram os rostos ao mesmo tempo, mudando a posição das linguas.
O ar foi se fazendo necessário. Daniel abriu o casaco dele, que estava com Julie, deixando o decote do vestido a mostra, ele foi dando lentos beijinhos por ali. Até que a pegou de jeito, a deitando na cama, foram tirando seus calçados... Ele alisou a coxa da morena, ela sorria timidamente com o toque até que voltaram a se beijar de novo.
Julie tentava se livrar do casaco, afinal, seu corpo estava em chamas. O loiro percebeu e puxou o casaco pelos bolsos, rasgando um pouco. Ele tirou e percebeu algo dentro do bolso.
Foi pegar para ver o que era e na hora se arrependeu. Tentou esconder aquele papel, mas Julie já havia notado. — Achei isso na sua bermuda. — Disse a morena, naturalmente.
– V-você leu?
– Não. — Pausou. Estranhando. — Ainda não. — Esticou o braço para pegar.
– É melhor não ler. — Sua voz voltou a ficar triste.
– Porque? — Ele não a respondeu. — Sinto que sua tristeza tem a ver com esse papel... — Tentou pegar. — Eu quero ler isso agora!
Daniel se levantou, agora evitava a namorada. — É melhor você ir... Eu te levo para casa.
– Minha mãe sabe que vou passar a noite aqui. — Ela o cortou, se levantando. — Daniel, eu quero ler isso. É o que? Tem a ver com a Thalita? É... Cartinha de amor? — Começou com suas nóias.
Daniel tinha a maior paciência.
– Não... Não tem nada a ver. — Respondeu.
– Porque está me escondendo então?
– Eu... Ia te contar hoje. M-mas não consigo... — Passou a mão por seus cabelos. Balançando a cabeça. — Pensei que você e eu... Alguns filmes... E a bebida me faria esquecer isso.
Julie lembrou que ele tinha a convidado justamente para lhe contar algo importante.
Era isso.
– Eu quero saber Daniel. Por favor.
Com isso, ele se sentou na cama, não sabia por quanto tempo conseguiria esconder.
Julie começou a se preocupar ainda mais quando viu ele colocar o papel no bolso e esconder o rosto com as duas mãos. — Amor... — Ela foi se aproximando, segurou suas mãos. — O que?? O que foi?? — Daniel chorava em silêncio.
– A menina morreu. — Disse, Juliana o encarou sem entender. — Ela tinha leucemia e morreu...
– O filme? — Deduziu, ele balançou a cabeça. — Não foi de verdade, é uma atriz. Não quero que fique abalado com esse drama..
– Eu sei que era uma atriz Julie! Pensa que nasci ontem?! M-mas isso acontece na vida real...
– É, mas e daí?
– Nada.
– Não entendo.
– Promete que vai continuar me amando. Eu te amo.
A morena sorriu. — Também te amo Dan...
– É bom saber disso, mas eu tenho medo... que... depois você venha me deixar... porque eu não vou aguentar isso.
– Eu não vou.
– Promete?
– Prometo, não vou te deixar.– Pausou. – Daniel. — Ela alisou seu rosto. — Me conta logo o que tinha que falar. Tem a ver com esse papel, não é? Eu juro... Que... Se for algo a ver com a Thalita... Eu não vou deixar de te amar por causa dela...
– Não é nada com ela. E sim, tem a ver com o papel. — Ele tirou o papel do bolso. Deixou em cima do colchão, Julie ia pega-lo quando Daniel segurou sua mão. — Lembra na educação física na semana passada? Quando o babaca do Nicolas me arranhou sem querer quando tentou me marcar no futebol? — Julie assentiu, atenta. — Então... Lembra que... Eu sangrei.
– Lembro, não vejo o que tem de mais nisso... Todo mundo se machuca.
– Sim...
– E eu perguntei se estava tudo bem e você me disse que estava.
– É. — Estava cada vez mais triste. — Só que... Eu não só sangrei. Eu... Sangrei muito.
– Hm, é um pouco estranho, mas ainda não entendi.
– É isso, é estranho. Estranho... Muito.
– …
– Quando cheguei no vestiário, meu braço todo estava sujo de sangue, pingava e caia no chão... — Explicava. — E... Foi só um arranhão.
– E você não foi na enfermaria do colégio?
– Para quê? — Revidou.
– Teimoso! — Ela lhe deu um tapa de leve. — Mas... me conta logo o que houve. Você... Ficou bem depois?
– Acho que não. — Respondeu desanimado. — No dia seguinte fui no médico. Apesar de ter parado de sangrar, achei que deveria ir...
– E o que aconteceu? — Ela estava ansiosa por uma resposta, sentia algo ruim dentro dela.
Daniel suspirou novamente, essa era a parte mais difícil. — A três dias atrás recebi o resultado do exame por e-mail. Eu... Imprimi. — Ele mostrou o papel que Julie tanto queria.
Ela abriu, sentindo um certo remorso. Era um exame grande, tinha muitas palavras complicadas, ela não entendeu direito o que era e estava muito nervosa pra ler. — Pode me explicar isso?
– Tenho... Hemofilia.
Eles se encaram depois daquela resposta, Julie não sabia o que fazer a não ser abraça-lo. O abraçou forte, apalpando seus cachos dourados entre os dedos. Se sentiu triste com a noticia. Sabia que pela tristeza de Daniel, aquilo era bem perigoso.
– Não é aquela doença que tipo... Um simples corte no dedo pode se tornar uma hemorragia?
Ele apenas assentiu com a cabeça, controlando as lágrimas.
Continuaram abraçados por longos minutos.
~Flash back: Off ~
Ela acordou dos pensamentos.
Um peso caiu em sua consciência. Lembrou que o tal exame de anos atrás do Daniel estava guardado com ela e até hoje ela não leu aquilo...
– Me desculpe por não cumprir a promessa, Dan. — Sussurrou isso, triste.
Adormeceu.
Notas finais
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Falei que a história seria bem dramática, né? Mas os dois não comentaram mt sobre isso... Será que Daniel esqueceu desse exame?
Bom, comentem! Estão gostando da história?
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