Corações Feridos
23 Moments
Notas iniciais
~ Alguns meses se passaram... ~
Juliana passava cada vez mais tempo em casa, cuidando do filho e das tarefas domésticas, Daniel passava a maior parte do tempo no trabalho. Já tinha comprado a moto e precisava trabalhar mais para conseguir paga-lá, já que também pagava o carro. Julie não gostava muito da moto, sempre que a via sentia algo ruim dentro do seu coração, como uma intuição. Pensava que Daniel poderia sofrer algum acidente com a moto, poderia parar no hospital. Ela disse isso para ele, disse como se sentia, mas Daniel achou que fosse mais uma das loucuras de sua amada.
- Mãe, mãe vem cá! — Julie gritou do banheiro. Heloísa tinha feito uma visitinha para a filha, já que esses dias Julie passava mais tempo sozinha.
Sua mãe correu, subiu as escadas, foi até o quarto e entrou no banheiro apressada, pensava que tinha acontecido alguma coisa.
Mas assim que entrou viu Julie sorrindo. Ela segurava Diego, beijando suas costas, o bebê tinha acabado de sair do banho. — Olha o cabelo dele mãe! Está enrolado! E está escurecendo...
- É. — Sua mãe sorriu, cruzando os braços. — O neném está crescendo, não é? Para mim ele está ficando cada vez mais parecido com o pai, olha esses cachos!
- Uhum... Concordo. — Julie beijou o rosto do filho.
O mesmo puxava seus cabelos, que estavam presos por um coque mau feito. Diego estava com sete meses, ele já começava a se sentar sozinho, já estava mais esperto e brincava, puxando, mexendo e explorando suas próprias mãos. Pegava qualquer objeto que lhe chamasse a atenção. Por isso Julie começou a tomar cuidados extras na hora do banho dele, pois Diego cismou com a embalagem amarela e roxa do seu shampoo.
Ele queria pegar qualquer coisa que estivesse na frente dele. — Toma. — Heloísa entregou ao neto um bichinho de borracha, ele pegou, apertando o bico do patinho de brinquedo.
Levou o patinho à boca, mordendo a cabeça do brinquedo e coçando suas gengivas. A mãe de Julie percebeu. — Faz tempo que ele fica mordendo as coisas?
- Faz! — Julie respondeu secando o filho. — Por isso estou dando mamadeira, ele ficava mordendo meu peito... — Reclamou. — Que foi, mãe? — Perguntou quando viu Heloísa mexer no rostinho do bebê, ela tentava abrir a boca dele.
- Julie, olha isso!
- O que?
- Os dentinhos dele estão nascendo! — Tentava abrir mais a boca do neném, que já ameaçava chorar.
Julie sorriu com aquilo. — Ai, que lindo, que gostoso de mãe! — Estava toda boba.
- Nossa, mas como o tempo passa rápido.
- Verdade. — Vestiu a frauda nele. — Parecia que foi ontem quando fui ter ele... E agora ele já está começando a engatinhar!
~ Uma semana depois ~
— Daniel. — Julie o sacudiu. — Dani... — O sacudiu de novo. — DANIEL! — Gritou alto, lhe tacando uma sandália.
- Huh, que violência é essa mulher?! — Ele acordou assustado, ligou a luz do abajur e viu Juliana parada na sua frente. Ela segurava o bebê que estava envolvido por uma toalha.
- Acabei de dar um banho frio no Diego. Ele está com febre a noite toda...
- Tá Julie. — Ele se deitou para o outro lado, se cobrindo com o edredom. — É assim mesmo, o médico disse que é normal sentir febre... Vamos dormir. — Pediu.
- Nada disso. Eu vou dormir, você vai cuidar dele. — Disse se sentando no colchão.
- Eu? EU cuidar dele? Julie! Eu tenho que estar em pé as sete da manhã! Preciso trabalhar!
- E acha que eu não trabalho cuidando dele? — Perguntou. — Anda. — Deixou Diego deitado na barriga de Daniel, o neném chorava. — Ele está todo enjoadinho... Eu preciso descansar um pouco.
Vencido, Daniel se levantou levando seu filho. Ele passou a mão sobre o rosto do neném, sentiu que ele estava quente. — Ainda está com febre...
- Eu sei. — Julie suspirou. — Leva ele pra sala. Já não aguentou ouvir ele chorar... — Daniel assentiu. Fechou a porta do quarto.
Juliana desligou a luz do abajur e se deitou. Junto ao seu sono, também se encontrava milhares de pensamentos. Estava preocupada com o seu neném, mesmo com o médico e com a sua mãe assegurando de que febre era normal quando os dentes começavam a nascer.
'' Depois de me casar com o Dan, eu queria fazer uma viagem... Queria viajar à estudos... Já que ainda não fiz a faculdade... Mas pretendo, ou... Pretendia. Sei que não vou mais ter tempo livre. Preciso cuidar do meu filho. ''
''Isso que dá não planejar as coisas. O Daniel está completamente errado, nós não podemos deixar as coisas acontecerem sozinhas, precisamos planejar tudo. Para tudo dar certo.''
Julie não conseguia dormir, resolveu se levantar e ir até a cozinha tomar um copo de água. Quando estava saindo da cozinha, deu uma passadinha na sala. Viu Daniel ali, ninando seu filho, que estava deitadinho, quietinho em seus braços. Como ele fez isso? — Juliana se perguntava. Diego não era tão quietinho quando estava com ela, quando estava com a mãe, ele gritava, chorava, mordia...
Ela foi se aproximando lentamente. — Nossa, ele já está dormindo? E a febre? — Perguntou em sussurro.
- Ele ainda está com febre. — Foi ajeitando seu filho em seus braços. — Olha, ele golfou no meu peito.
Julie riu fracamente, pegando o seu neném adormecido. — Quem manda dormir sem camisa?
- Tenho que aproveitar que sou gostoso. — Pausou. — Julie, o que está fazendo?
- Estou vendo os dentinhos dele! — Disse abrindo a boca do neném, ele se mexeu um pouco, mas continuou dormindo. — O primeiro dente a nascer tem que ser o de cima! Se não o neném vai morrer! Ou... Será os de baixo? Não sei...
- Não sei como você acredita nessas coisas.
- Ah, mas sobre a posição do irmãozinho é verdade! — Se defendeu. — Lembra na semana passada, a Nandinha ficou com as mãos e os pés no chão e olhou para trás entre as pernas. — Disse. Daniel ficou calado. — E a Bia anda tendo uns sintomas estranhos viu, acho que ela engravidou.
Ele revirou os olhos. — Mas é muita bobeira mesmo, a minha irmã não está grávida de novo, ela só está passando mal esses dias... — Daniel se levantou. — Vou dormir.
- Não, espera! Preciso pegar o seu celular, vamos tirar uma foto!
- Para quê?
- Ué amor. Para guardarmos como lembrança, eu só vou ter um filho! Não quero ter mais nenhum bebê... E eu quero tirar uma foto sua com essa coisa no peito para lembrarmos desse momento... Não limpa ainda! Vou pegar o celular. — Lhe entregou o bebê.
Voltou com o celular do Daniel nas mãos. — Segura o neném assim. — Colocou Diego entre eles. — Dá um sorriso amor! — Ela apertou o botão e tiraram a foto. — Ah, essa vai pro álbum! — Julie disse sorrindo.
~ Três semanas depois ~
Diego já estava melhor, já não tinha mais febre e nem estava enjoadinho como antes. Seus dentinhos estavam nascendo. E ele começava a ficar esperto.
Era de noite, sete e meia. Daniel assistia a final de futebol no quarto, Julie estava ao seu lado, mas a mesma estava entediada com TV. Queria assistir sua novela das sete, mas Daniel pegou o controle primeiro. E a TV da sala estava quebrada... — Sério que não vai me deixar assistir a novela?
- Ah amor, é a final! Você vê o resumo do capitulo pela internet.
- Porque você não vê o resultado do jogo pela internet?
- Porque aí tira a emoção... Fica sem graça...
Ela suspirou, não queria discutir com Daniel. — Vou tomar um banho, fica com o neném. Ele está no chão. Já viu né?
- Aham. — Daniel não tirava os olhos do jogo.
- Daniel, é sério! Ele está esperto! Está engatinhando de mais e está no chão!
- Tá Juh, não se preocupe. Eu cuido dele! E olha! Olha como ele está distraído com o carrinho! — Viu que seu filho mordia a roda do carrinho. — Nossa, mas ele não cansa de morder as coisas não? Hoje de manhã ele mordeu a minha caneca... — Pegou o carrinho de volta e Diego começou a espernear e gritar alto. — Toma, toma! — Tentou devolver o carrinho. Mas seu filho virou o rosto. Ainda chorando. Nem quis olhar para o brinquedo nas mãos de seu pai. Daniel ainda tentou lhe dar novamente.
Juliana apenas assistia. — Não adianta. — Ela cruzou os braços e balançou a cabeça. — Vai ter que dar outro brinquedo para ele parar de chorar.
- M-mas porque? Nossa... Mas como esse neném chora! Porque ele não quer o carrinho?!
- É questão de orgulho! Ele não vai aceitar. — Julie sorriu. — Nesse sentido ele é um pouco parecido comigo... — Riu. — Olha, dá essa bolinha ai. — Daniel obedeceu e lhe deu a bolinha vermelha de borracha. O neném apertou, sorriu ao ouvir o som agudo que saia do brinquedo. Olhou torto para o pai e mordeu a bolinha novamente.
- Mas, ele está de deboche comigo?! Olha como ele morde a bolinha! — Daniel reclamou. — Eu não gosto quando ele fica mordendo as coisas... Parece que ele está fazendo de propósito Juh! Só pra me irritar!
Sua esposa gargalhou. — Isso ele puxou de mim também... Vou tomar o banho, tá? fica de olho nele!
Julie foi para o banheiro, deixava a água quente cair sobre seu cabelo e costas, ela fechou os olhos, se sentindo mais relaxada. O banho quente lhe tirava a tensão do dia-a-dia. Mas assim que abriu os olhos sentiu algo estranho, era como uma intuição, seu coração acelerou, sua pele se arrepiou. Mas ela tentou ignorar aquilo.
Pegou o shampoo, passou por seus cabelos e quando fechou os olhos relembrou aquele pesadelo que teve. Da criança caindo da escada.
Sua adrenalina foi a mil. Ela tirou o shampoo do cabelo, desligou o chuveiro e saiu do banho, nem pensou em se secar. Só queria encontrar um roupão.
Seu olho ardia, pois com a correria acabou caindo um pouco de shampoo. Isso dificultava sua visão. Julie precisou lavar o olho com a água fria da pia. Pegou o roupão. E ouviu um grito de ''Gol'' vindo do quarto. Ela saiu do banheiro, ainda pensando que algo estranho estava acontecendo.
Viu Daniel gritar e comemorar o gol. Olhou para o lado, e viu Diego engatinhando em direção a escada. — Meu Deus! — Juliana correu, quase escorregando no chão, conseguiu pegar seu filho a tempo. — DANIEL!
- Julie, foi gol! Ué, o que está fazendo ai?
- E-eu preciso me acalmar... — Sussurrou, passando a mão pelo seu peito, beijou seu filho em seus braços. Ignorava o choro de Diego, e continuava o abraçando forte. — Daniel, eu nunca mais deixo o neném com você! Ele... Quase caiu da escada! Já estava colocando as mãozinhas nos degraus! Percebeu o acidente que ia provocar? Hein?! Ele ia rolar escada baixo, bater de cabeça no chão, poderia até quebrar o pescoço!
- Eu vi ele engatinhando, eu ia pegar ele mas ai... O juiz cobrou pênalti... E...
- É melhor não falar mais nada, porque eu estou ficando com mais raiva ainda! Trocou o nosso filho pelo pênalti...
- Eu não pensei que ele ia para a escada!
- A bolinha caiu lá em baixo, ele ia pegar... — Beijou o rosto do neném, sorriu ao vê-lo sã e salvo nos seus braços. — Tá Daniel, já chega por hoje. Vai assistir o jogo pela internet... Ou vai fazer qualquer outra coisa. Mas quero a TV desligada! E-eu... Vou dormir...
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