Corações Feridos
35 Minha nova e vazia vida
Notas iniciais
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A inspiração está voltando...
Uma semana se passou após a separação oficial dos dois. E mesmo Julie não demonstrando, se sentia um pouco sozinha sem Daniel. Tentava retomar a vida sem ele, o que era um pouco dificil já que estava acostumada com a presença dele. Além de namorados, sempre foram amigos. Eram o casal perfeito pois um ajudava o outro, quando Julie estava triste Daniel a consolava e vice versa.
Era assim.
Até agora.
Dona Marta estava sentada no sofá, aproveitava a companhia da sua filha mais velha, Beatriz, Bia, como gostava de ser chamada. As duas tomavam chá enquanto conversavam sobre o assunto da vez: A separação do Daniel e da Julie. Dona Marta jamais pensou que os dois se separariam, ela tinha o mesmo pensamento de todos. Que eles eram o casal perfeito.
– Eu ainda não acredito que a Julie fez uma coisa dessa, deixou seu marido... — Bia dizia, indignada. Pela primeira vez não estava do lado de Juliana. Apesar de sempre fofocar com ela sobre os erros do Daniel com as mulheres no passado, Bia não aprovou a atitude da ex esposa do seu irmão. — Eu disse para ela dar uma segunda chance a ele... Mas ela não aceitou o meu conselho, e olha que era um dos poucos conselhos bons que dei a ela... — Sua mãe concordava com a cabeça, ainda bebendo o chá, não queria entrar muito nesse assunto.
Sentia pena dos dois. É claro, mais do seu filho.
Conversaram mais um pouco, até que bateram na porta. Bateram várias vezes, batidas altas e fortes. O que fazia a porta ''tremer'' — Nossa, acho melhor atender logo antes que cause um terremoto aqui... — Cochichou dona Marta, se levantando. Logo depois disse — Já vai. — E finalmente as batidas pararam.
Ela abriu a porta enquanto Beatriz também não tirava os olhos da mesma. As duas tiveram uma surpresa.
Era Daniel.
Estava parado na frente da casa, com sete ou oito malas no chão. — Filho. Entre. — Ela disse abrindo mais a porta.
Ele entrou. Olhou para as duas, e tristemente disse. — Não posso mais morar lá em casa, porque cedi a casa para ela... — Sentiu seu orgulho se ferir ali ao perguntar. — Posso ficar aqui enquanto não encontro um apartamento?
– Lógico meu amor, claro que sim. — Respondeu sua mãe, atenciosa. — Bia, ajude aqui.
Bia se levantou, indo em direção as malas. As duas já iam carregando para ajudar Daniel. — Não, não precisa. — Ele deu um sorriso amarelo. — Eu... Carrego sozinho...
– São muitas malas Dani, parecem pesadas. Eu ajudo. — Beatriz se ofereceu.
– Não, eu já disse que não precisa... eu levo uma por uma até o quarto...
– De hospedes? — Sua mãe perguntou.
– Não mãe, meu quarto mesmo. — Ele disse sério.
– Então você precisa das chaves, está trancado desde que se mudou para seu primeiro apartamento, só um minuto... Vou buscar. — Sua mãe subiu as escadas, deixando Bia e Daniel sozinhos.
Os dois suspiraram juntos, eram irmãos e se sentiam tristes com tudo isso...
– Quando foi que se mudou para o seu primeiro apartamento mesmo? — Bia perguntou só para quebrar o gelo.
– Acho que quando repeti de ano no colégio, só para ficar na mesma classe que a Julie...
'' Porque fui fazer essa pergunta? '' — Bia pensou, com raiva, não queria que Daniel lembrasse da Julie, pois sabia que ele iria sofrer ainda mais.
Sussurrou fracamente ''desculpe'' mas o loiro não ouviu.
Marta desceu com as chaves.
[...]
Ele abriu a porta do seu quarto, carregando com dificuldade suas malas. As jogou no chão só para se aliviar do peso.
Olhou em sua volta, se não fosse pela poeira que se acumulou com o tempo, Daniel ia até sorrir ao relembrar do seu quarto.
Guardava suas roupas com cuidado. — Eu preciso dar um jeito nisso... — Pensou alto, olhando para o chão completamente empoeirado. Ele sempre foi o tipo de cara ''relaxado'' mas depois que foi morar com Juliana acabou pegando uma das suas poucas manias normais: A limpeza.
Varria o chão, arrastando os móveis do lugar... Assim que arrastou sua cama, jogou a vassoura no chão e encarou o mesmo surpreso.
Bia passava pelo corredor quando ouviu a voz de Daniel. — Não é possível, como consegui esquecer isso por tanto tempo? — Aquilo a fez parar em frente ao quarto, aproveitou que a porta estava aberta.
Entrou.
Viu Daniel tirar do chão um quadro grande, era retangular e quadrado ao mesmo tempo... Era um quadro enorme. Ele colocou em cima da cama, ainda sem notar que sua irmã mais velha estava ali atrás.
Virou o quadro e viu uma das suas fotos favoritas... Da Julie.
Ainda estava surpreso quando começou a limpar lentamente, limpava a foto... Porém, parecia mais carinha-lá.
Beatriz notou que a moldura daquele quadro era folheada a prata. — Quanto dinheiro gastou com isso? — Essa simples pergunta fez Daniel saltar e se virar de frente para ela.
– Enlouqueceu?! Chega assim por trás de mim?! Quer me matar de susto?! — Bia ria da reação do irmão, ele ficou com raiva e berrou. — VAI MATAR A MÃE!
– Olha, eu ainda estou viva e aqui na sala! — Marta respondeu gritando também. Porém, de um modo mais bricalhão.
Daniel ignorou aquilo e foi até a porta do quarto, fechando a mesma, mas mantendo sua irmã ali. — A quanto tempo está aqui?
– Logo assim que ouvi você se perguntar como conseguiu esquecer esse quadro... — Disse olhando para o retrato. — Olha, a foto está tão velha que a cor está até desbotando...
– Saí, saí daqui... — A empurrou levemente.
– Calma... Eu perguntei quanto gastou com isso e você não respondeu.
– Eu não lembro. Comprei quando ela ainda era minha ficante... — Balançou a cabeça. — Acho que devo ter gastado quase o meu salário todo.
– Ah, lembro! Você tirou férias na casa do nosso tio, trabalhou lá...
– É, é isso ai...
– Tsc, Tsc... — Ela balançou negativamente a cabeça. — Acho que você é a única pessoa do mundo que gasta todo o salário com algo que acaba esquecendo de presentear e deixa no quarto por quase sete anos!
– Você acha que se eu mostrasse esse quadro ela ia gostar? — Sorriu.
– Não! — Ele desfez o sorriso com a resposta de Bia. — Daniel, chega de ser trouxa. Esquece ela de uma vez! — Pausou, agora olhando para o quadro. — Eu vou te ajudar a esquecer a Julie, sei que ela é minha amiga, mas você é meu irmão. — Disse caminhando até o colchão. Bia foi retirando toda a moldura prata do quadro. — Isso vai ser meu, a foto pode ficar pra você... — Passou por ele, abriu a porta e foi.
Ele se aproximou triste do colchão, encarava a foto do mesmo jeito. Soltou um suspiro deprimente... — Espere aí... — Sussurrou, só agora ''acordando'' e percebendo a atitude da irmã.
Desceu as escadas voando. — BEATRIZ!
– Nossa mas que gritaria é essa?! — Sua mãe se levantou nervosa do sofá.
– Cadê aquela vaca?!
– Daniel !
– Cadê a Bia?! Se escondeu?!
– Ela já foi... — Sua mãe respondeu prendendo o riso.
– O que?! E-ela estava carregando uma moldura?! — Perguntou e sua mãe assentiu. — Porra, aquela moldura era de prata! Era minha! F-foi tudo tão rápido!
– Aquilo já está velho Dan, deixe a Bia levar, vende pra ela... — Sua mãe tentava encontrar a melhor solução possivel para que não houvesse brigas. Mas parou para pensar. — Porque vai querer um quadro? Pra por a foto da sua ex-esposa e ficar admirando enquanto ela pisa em você?
– Não.
– Então para quê? Para por sua foto? Até que faz mais um pouco de sentido...
– Meu filho. Quero colocar a foto dele.
Marta se calou.
– Querido... — Disse alisando o rosto do filho, o abraçou. Daniel retribuiu.
Ficaram abraçados no meio da sala por quase cinco minutos. Daniel se segurava para que suas lágrimas não escapassem...
[...]
– Eu ia te devolver, valeu? — Bia dizia. — Só estava tentando te distrair um pouco... Sei que ainda pensa nela.
– Engraçado, não conseguiu me distrair... — Reclamou, mau humorado. — Bom, pelo menos terminei de arrumar o quarto... — Olhou em sua volta. — Poxa, na última vez que estive aqui não percebi que o quarto era tão pequeno... — Observou. — Isso é um cubiculo, preciso logo de um apartamento.
– Sabe o que você deveria ter? Aquela casa! Deveria ter lutado pelos seus direitos, a casa era tanto sua quanto dela!
– Eu não quero me lembrar dela, pode mudar de assunto por favor?
– Não adianta. Vai pensar nela do mesmo jeito. Acha que ela também não pensa em você?
– …
– Ela só é muito orgulhosa, mas vocês ainda se amam.
– Preciso pegar uma foto muito bonita do Diego para ampliar e finalmente usar essa moldura.
– Viu... São orgulhosos de mais. Até muda de assunto.
– Acontece que eu não quero lembrar dela.
– Só diz isso de boca para fora, porque no fundo não fica um minuto sem pensar nela...
– Acha que eu sou trouxa o suficiente para amar uma mulher que não me ama, Beatriz?
Ela sorriu em pensamentos, Daniel caia na pilha. — Acho! Acho! Claro!
– Não é verdade!
– Vai me dizer que consegue esquece-lá?
– Consigo!
– Pois não consegue!
– Consigo!
– Não consegue. — A morena sorriu. Seu plano estava perfeito.
– Porra, consigo esquecer a Juliana! Consigo esquecer ela! E nós! Só o meu filho que eu não esqueço nunca, mas ela! Ela sim! Ela eu vou esquecer!
– Sério? — Cruzou os braços.
– SÉRIO! — Ele já bufava de raiva, caia direitinho na pilha da irmã.
– Ótimo, vamos na balada hoje. E você vai encontrar uma outra mulher. A mulher da sua vida. — Bia deu um dos seus sorrisos...
Notas finais
Hmmm e a Julie hein, onde ela deve estar?
E será que esse plano da Bia vai dar certo? O Daniel vai conseguir arrumar outra pessoa? Comentem, por favor. ^.~
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