Corações Feridos
61 E a noite continua
Notas iniciais
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Não vou conseguir responder os comentários agora pois estou cheia de trabalhos, mas amei todos e hoje devo sair mais cedo do colégio e vou responder mais tarde! ((:
Daniel estava no quarto da sua noiva, se afastou da festa para colocar um outro terno pois Julie fez o favor de sujar o primeiro com champagne, enquanto Débora tentava encontrar Juliana.
E acabou encontrando.
Ela estava deitada na cama do quarto de hóspedes, olhava para o teto. Pensativa. Quando sua prima chegou. — Juh. — Débora foi se aproximando.
Julie revirou os olhos ao ouvir aquela voz irritante. A voz que queria distancia. Também sentia raiva de Débora, talvez mais do que de Daniel. Ela sabia que sua prima sempre quis ter tudo o que ela tinha. Era sempre assim. Até mesmo com a história da scooter, Débora pregou os olhos na moto. Queria uma igual, não conseguiu e acabou destruindo a scooter da sua prima.
– O que houve com você? — Débora tentava entender. Era a única que ainda não sabia de toda a verdade.
E não era Julie que ia contar.
Ela resolveu continuar calada, só olhava para o teto, observando o ventilador girar fracamente. Seu coração estava agitado, sua mente confusa… Estava nervosa e seu nervosismo só aumentava ainda mais com as perguntas. — Eu sei que você é um pouco doidinha, mas… Como pode fazer isso com ele? E por quê?
Continuava calada.
Débora riu. — Ainda bem que ele tem um ótimo senso de humor e não ficou com raiva de você. Ele riu.
– Acredite, ele até gosta. — Pensou alto.
– Oi?
– …
– Como assim gosta? — Julie sentiu uma pitada de ciúmes naquela pergunta. Não queria confusão, não era disso.
Então apenas respondeu. — Se você disse que ele riu, então foi porque gostou. — Julie o conhecia muito bem. Mas sua resposta não foi completamente sincera. Ela sabia que ele gostava pois ele já disse para ela que adorava seus ataques de ciúmes. ‘’Que não são ciúmes.’’
– Você vai pedir desculpas para ele? — Débora cruzou os braços.
Julie levantou seu corpo, apoiando o mesmo com os braços. Ainda no colchão. — E porque?
– Porque… Ele não fez nada pra você fazer isso! Ou fez?
Um silêncio se formou com essa pergunta. Juliana queria gritar e desmascara-lo. Mas… Mesmo com raiva, não gostava de prejudicar Daniel. Em nada. Nem mesmo com o seu noivado.
Apesar de sentir uma raiva imensa desse relacionamento. Julie simplesmente não suportava vê-los juntos. Mas mesmo assim não diria a verdade. — Me responde! Você… Começou a agir muito estranho quando viu o Daniel. Qual é o seu problema? E… — Pausou, pensativa. — Todos também estavam um pouco estranhos… Quando me viam com ele. Mas ai eu perguntava… E ninguém respondia.
– Não é nada. Eu não tenho nada. — Disse se levantando. — É que ele me lembra muito o meu ex-marido.
Essa resposta fez sua prima sorrir. — Lembra? São parecidos?
Julie olhou para ela. — Muito.
Débora soltou uma gargalhada irritante, que fez Julie fechar os olhos. — Viu, temos gostos iguais prima!
Julie riu forçado. — Pois é...
– Ah, vem prima… Vem curtir a festa, esquece isso.
Ela respirou fundo como resposta, sabia que era impossível esquecer. Mas Julie acabou aceitando, precisava se distrair pelo menos um pouco. E lembrou que seu pai já tinha chegado e Bia ainda estava lá. Isso a animou.
O restante da noite foi… Normal. Passou a festa toda com a sua família e a Bia. Até que foi divertido e Débora tinha razão, isso a distraiu dos problemas que cercavam sua cabeça.
Ela tentava se afastar de Daniel, todos percebiam isso, inclusive ele.
Que de tanto ser ignorado por ela. Desistiu de se explicar.
[...]
A festa terminou, a maioria dos convidados se foram, restando apenas poucas pessoas. Beatriz insistiu para que Julie ficasse mais um pouco e com tanta insistência, acabou conseguindo. Julie aceitou principalmente porque não queria voltar para casa, se deitar na cama e não conseguir dormir com tantos pensamentos, pensamentos que não cessavam…
Dava para contar nos dedos. Só restaram Julie, Bia, Daniel e Débora.
– Félix já foi? — Julie perguntou se sentando ao lado da amiga, se afastando ao ver que Daniel se aproximava para se sentar ao lado dela no sofá, aproveitou e puxou assunto.
– Já. — Disse Bia um pouco desanimada. — Sabe como ele é né. — Julie assentiu. — Reclamou da música alta, disse que estava com dor de cabeça. Sempre inventa um monte de doenças só pra se livrar da festa. Ele odeia festas. — Sussurrou a última frase. — Ai aproveitou para levar a Fernanda, que dormiu.
– Ah, entendo. E… o neném amiga? Quer menino ou menina?
– Eu queria mais uma sobrinha. — Daniel se intrometeu sorrindo, achou que entrar na conversa delas seria um bom começo para conseguir a atenção de Julie.
Ela virou o rosto para ele. — Huh. — Mas se voltou para a amiga e sussurrou. — Esse ai só quer menina. — Balançou a cabeça. — Mas e você? — O ignorou mais uma vez, as duas não o viram suspirar decepcionado.
– Nossa… — Bia olhou para o teto, sorrindo. — Posso parecer louca, mas queria gêmeos. Um casal.
– Quanta coragem amiga! — Julie estava surpresa com a revelação. — Vai dar um trabalhão!
– Principalmente pra você Juh! — Débora descia as escadas, acabou ouvindo a conversa. — Não conseguiu cuidar nem de um, imagine de dois! — Riu.
Todos se calaram com a piadinha dela.
– Isso não é coisa que se fala não. — Daniel não conseguiu se calar por muito tempo.
– Nossa Dani, foi só uma brincadeira. — Débora se defendeu, mas todos continuavam sérios. — Levem na esportiva, eu em!
– Acho que depois dessa eu vou embora. — Julie disse se levantando. Daniel e Bia suspiraram juntos.
– Não vai não prima, desculpa! — Débora segurou a mão de Julie. — Amor, a Julie me disse que você é parecido com o ex-marido dela.
Todos os três se entreolharam e Bia sussurrou. — Você não faz idéia…
– Então eu pensei em uma coisa. Que…Vai animar a festa.
– Débora, a festa já acabou faz meia hora. — Julie a cortou, ainda chateada com a ‘’piadinha’’.
– Que nada! — Continuava animada. — É só colocar uma música, a noite é uma criança! — Ela correu até o rádio. Colocou um CD.
Uma música um tanto lenta começou a tocar. ‘’Não é possivel… ‘’ — Julie pensou balançando a cabeça. Não acreditava no que estava acontecendo.‘’Será que mesmo depois de todos esses anos ela não perdeu essa mania?’’
– Amor, dança um pouco com a Julie!
‘’ É, ela continua a mesma. Sempre me jogando para cima dos namorados. ‘’
– Dançar? E-eu… Não quero. — Julie deu um sorriso forçado.
– É Débora, está tarde. — Daniel concordou.
– Não está tarde nada! — Ela puxou o braço de Daniel e o forçou a se levantar.
Visualizou os dois. — Ficam lindos juntos! Né Bia?
Os dois olharam para Bia, Daniel sorria fracamente e Julie balançava a cabeça de um modo delicado para que ela descordasse. — Pra mim eles são perfeitos juntos! — Bia sorriu. Respondeu isso para contrariar Juliana e irritar sua nova cunhada. E também… Porque era a sua mais sincera opinião.
– Hm. — E Bia conseguiu, sua cunhada ficou incomodada com aquela resposta, esperava um ‘’lindos juntos’’ não ‘’perfeitos’’. — M-mas… Então… Vai Juh, não seja tímida. Dança com ele. — Débora literalmente a empurrou para os braços de Daniel. — Mas não se esquece tá? Ele é meu. — Riu.
– Me solta! — Daniel a soltou. — Olha… Isso está passando dos limites, eu vou pra casa. — Pegou sua bolsa.
Mas Débora correu para a porta e trancou com as chaves. Ela sorriu mas Julie continuava séria. — Isso não tem graça.
– Ai, o que tem de mais? Só estou pedindo pra dançar com ele! Quando terminar eu abro a porta e você pode ir, combinado?
– Não! Não tá combinado não! — Julie estava nervosa. — Eu vou embora agora e se você não abrir essa porta eu…
– Mas você não me disse que ele era parecido com o seu ex-marido?
Hesitava em responder, todos perceberam isso. — D-disse.
– Então! Você ainda ama seu ex-marido?
– E-eu…? A-amo? — Seu coração acelerou. Julie olhou para Daniel rapidamente e o viu com aquele sorriso torto. Cortou o olhar quase no mesmo momento. — É… Q-que… O que perguntou?
Débora riu. — Perguntei se você ainda ama o seu ex-marido, pai do seu filho?
Todos viam o nervosismo na expressão da morena. — Isso está ficando divertido. — Bia comentou.
– Responde Julie. — Sua prima insistia.
– B-bo-m… Amo-r é uma pala-vra muit-o fort-e.. E-eu… — Se embolava. Realmente não queria responder. Esse com certeza era o momento mais tenso de toda a festa para Julie. — A-amar… Ele? E-eu… Ainda e-estou tentand-o descobri-r se ainda am-o ele…- Ela abaixou a cabeça, tentando esconder de todos as suas bochechas mais do que vermelhas.
– Porque não dança um pouco para descobrir? — Daniel quebrou o silêncio, ela levantou o rosto e olhou para ele. Seu coração acelerou ainda mais quando viu Daniel parado, com a mão esticada e um sorriso torto nos lábios.
– O q-que? D-ançar? O que isso t-tem a ver? E… P-porque eu dançaria? I-sso não ia me ajudar a d-descobrir se a-amo ele ou n-não. — Daniel continuava sorrindo, ele adorava ver Julie embolada. — P-porque… Ele… Voc-ê… Você n-ão é ele.
– Ah Julie, é só uma música. Só por uns cinco minutos… Enquanto eu arrumo a cozinha. — Débora sorriu também.
– Porque não faz assim… Eu arrumo a cozinha e você dança com ele. — Daniel desfez o sorriso com a proposta de Juliana. — Você é a noiva dele! Não eu!
– E como noiva e dona da festa, eu digo que você tem que dançar com ele. — Débora se aproximou e a empurrou novamente.
Ela caiu nos braços de Daniel pela segunda vez, mas assim como na primeira, Julie se soltou quase imediatamente. — Não seja teimosa prima! Me deixa ajeitar vocês… — A noiva de Daniel pegou os dois braços de Julie e a fez abraça-lo pela nuca.
Eles se olharam mas Julie abaixou a cabeça. — Vocês tem que chegar mais perto! — Débora pediu, Daniel a olhou com reprovação, mas no fundo estava gostando.
Escondeu o sorriso torto e obedeceu. — Assim está bom? — Perguntou depois de quase colar seus corpos.
– Isso amor… Agora… A sua mão, na cintura dela.
Juliana sentiu Daniel segurando suas costas. A mão dele foi descendo, até chegar na cintura. Ele deu uma leve apertada, que ninguém percebeu… A não ser ela que abaixou a cabeça um pouco tímida. — Ótimo. — Débora sorriu. — Agora é só colocar uma música lenta… — Ela escolheu a música. E depois disso foi para a cozinha ajeitar as coisas.
Beatriz ainda estava sentada no sofá, alisava a sua barriga enquanto assistia aquela cena. Eles começaram a dançar lentamente. Mas Julie foi soltando suas mãos do pescoço dele. Ia se virar quando Daniel a puxou. — Onde vai?
– Eu não vou dançar com você. — Sussurrou.
– E porque? Dói dançar um pouco?!
Julie suspirou. — Bia, me tira dessa, por favor.
– Ah amiga, qual é o problema?
Ela fechou os olhos, viu que a única saída era dançar com ele.
Timidamente, levou as mãos para a nuca de Daniel. Ela enrolava os cabelos dele com a ponta dos dedos. Começaram a dançar de novo.
Julie prestava a atenção na letra da música. Se arrepiou com aquilo, como uma música tão romântica poderia ser tão sinistra?
A letra dizia exatamente como ela se sentia.
You got me caught in all this mess (Você me prendeu em toda essa confusão)
I guess we can blame it on the rain (Acho que nós podemos culpar a chuva)
My pain is knowing i can't have you, i can't have you (Minha dor é saber que eu não posso ter você, eu não posso ter você)
Tell me does she look at you the way i do? (Me diga, ela te olha do jeito que eu olho?)
Try to understand the words you say and the way you move? (Tenta entender as palavras que você diz e o modo como você age?)
Does she get the same big rush, when you go in for a hug (Ela tem a mesma emoção, quando você a abraça)
and your cheeks brush? (E tuas bochechas ficam vermelhas?)
Tell me, am i crazy, am i crazy? (Me diga, eu estou louca? Eu estou louca?)
…
‘’ Porcaria de curso de inglês. Preciso ignorar essa música.’’ — Fechou os olhos com esse pensamento. Sem perceber, acabou deitando sua cabeça no peito de Daniel. O mesmo sorriu com isso e Bia sorriu junto. Ele aproveitou para colar ainda mais seus corpos.
Achou que essa era a oportunidade perfeita para se explicar.
Começou tocando no cabelo dela. Ele não percebia que o coração de Julie estava acelerado a ponto de sair pela boca. Ela ainda se sentia incomodada com a letra da canção. — Eu não estou com a sua prima por vingança. — Sussurrou no ouvido dela, enquanto ela continuava calada. Pior do que a música era a voz quente de Daniel que soprava no seu ouvido, lhe causando um arrepio em dobro. — Jamais me vingaria de você. Apesar de tudo, prefiro sofrer do que te ver triste…
– Por favor. — Levantou seu rosto e seus olhos se focaram. Ela balançou a cabeça. — Eu não quero saber. — Era teimosa e não queria uma explicação. — Só quero que… — Sentia seus olhos se enxerem de lágrimas. Ficou mais nervosa, pois não queria chorar na frente dele. — Que… Essa música termine logo. — Pausou. — Dançar com você me faz lembrar dos tempos antigos.
– Nem tão antigos assim. — Ele corrigiu sussurrando.
Julie encarou seus olhos castanhos. Trocaram um olhar profundo e demorado.
Ela sentiu que o tempo ficou mais lento e seu coração mais agitado, a música parecia ganhar um outro ritmo, um ritmo mais lento e ainda mais estranho, tudo isso na mente dela. E no fundo dos olhos de Daniel, ela conseguiu enxergar o filho deles.
Juliana se sentiu nostalgica. Ainda mais depois que Daniel sorriu torto, aquele sorriso a derretia de todas as formas. Ela via tudo girando, ainda com a sensação de nostalgia. Fechou os olhos.
E quando os abriu.
Tudo voltou ao ‘’normal’’. A música, o tempo, os olhos de Daniel… Mas seu coração continuava acelerado. Ainda mais do que antes. — A sua tortura terminou. — Ele disse se soltando, estava chateado pois para ele aquela música não durou muito.
Ela o viu caminhar até a cozinha. A letra da música ainda ecoava na sua mente, lhe trazendo memórias do seu filho e até mesmo dela com Daniel, lembrou de todos os momentos, os beijos, do primeiro no vestiário masculino do colégio ao ultimo, no cinema.
Ficou parada ali, por alguns segundos. — Julie. — Até que sua amiga a acordou. Julie se virou lentamente para ela. Estava estranha. — Tudo bem?
Ainda sentia aquela estranha sensação. Seus lábios tremiam e seus olhos se enxeram de lágrimas. E tudo em sua volta voltou a girar novamente, estava tonta. Tinha certeza de que aquela música a enlouqueceu completamente.
Bia precisou se levantar e balançar os braços da amiga. — Julie! — Beatriz percebeu que ela respirava com dificuldade.
Ela perdeu seus sentidos, caiu no sofá e Bia correu para acorda-la de novo. Já estava começando a ficar nervosa com aquilo, Julie não respondia e seu rosto ganhava uma cor mais pálida. — Julie, responde!
– E-eu… Estou passando mal. — Não conseguia mais prender as lágrimas.
Na cozinha, Daniel conversava com Débora, ainda tentava entender o porque. Porque ela me fez dançar com a Julie? Será que ela sabe de algo? Afinal, seu parentes todos estavam na festa. Conheciam Daniel e esse era o assunto mais comentado. Mais comentado até mesmo do que o noivado dele com a Débora. — Amor, sempre foi assim. Quando eu e ela éramos mais novas, talvez quinze… Dezesseis. Eu sempre tive meus namorados e ela era mais sozinha.
– Não é verdade. Ela tinha namorado.
– Tá, mas antes não… Ai eu dava uma amostra grátis para ela. Eu mostrava para ela como era ter uma pessoa ao lado. — Sorriu.
– Então você esfregava os seus namorados na cara dela?
– Basicamente isso. Mas era brincadeira.
– Isso não se faz.
– Ah, ela já se acostumou com isso.
– Espere. — Olhou para a sua noiva, pensativo, já ouviu uma história assim antes. — Foi você que fez ela quase beijar outro cara? — Lembrava dessa história, Daniel morreu de ciúmes daquilo. Lembrou que quase avançou em cima desse cara e quase terminou com a Julie.
– Foi sim. — Riu. — Era meu ex, Alexandre. — Mas foi desfazendo o sorriso. — Como sabe disso?
Aquela conversa foi interrompida quando Bia correu para a cozinha, completamente afobada, disse. — Gente! A Julie não está bem! — Bia também estava nervosa. — Ela está passando mal! — Antes de terminar a frase, Daniel correu para a sala.
Julie ainda estava sentada no sofá, se sentindo estranha. Seu coração estava ainda mais acelerado.
– O que está acontecendo?! — Daniel tocou no seu rosto, estava frio e pálido. Ele a puxou e Julie conseguiu se levantar.
– E-eu vo-u pr-a ca-sa. — Tinha dificuldade de falar e andava um pouco tonta. Seus olhos se fecharam involuntariamente.
Ela quase caiu no chão mas Daniel a segurou. Só ai ele percebeu que o coração dela batia forte e acelerado. A cabeça de Julie dava voltas e voltas. Estava atordoada. Ele a colocou sentada no sofá de novo. — Eu vou ligar pra emergência! — Daniel pegou o telefone em cima da mesinha de centro.
– Você não pode ligar pra emergência! Ela não está morrendo! — Débora interrompeu saindo da cozinha junto com Bia.
– JÁ VIU COMO ELA ESTÁ?! — Apontou para Julie, gritando. — ESTÁ MAIS BRANCA DO QUE EU!
– Gritar não adianta as coisas! — Débora revidou. — Quer ficar calmo?!
– SÓ VOU ME ACALMAR QUANDO ELA ESTIVER BEM!
– Daniel, por favor, assim você vai deixar sua irmã mais nervosa e ela está grávida.
Ele não respondeu, apenas tocou no rosto de Julie, o sentindo frio. Desceu sua mão até o peito dela, perto do coração. Continuava acelerado.
Ele a pegou. — Eu vou levar ela para o hospital.
– Tem hospital aberto a essa hora?! — Débora cruzou os braço.
– É POR ISSO QUE EU QUERIA LIGAR PARA EMERGÊNCIA SUA IDIOTA!
– Chega de discutir vocês dois! — Bia interrompe empurrando levemente o irmão. — Vamos pro hospital.
– Se o hospital não estiver aberto só será perca de tempo.
Daniel ignorou as palavras da sua noiva: A única coisa que importava para ele agora era ver Julie bem.
Ele a pegou nos braços, Juliana ainda se sentia atordoada. — Eu vou com vocês! — Bia anunciou, pegou a bolsa da Julie e seguiu seu irmão.
Chegaram no quintal, Daniel colocou Julie no chão e a mesma o abraçou, deitando sua cabeça no seu peito. Ele olhou para o lado, viu Débora parada na varanda. — Daniel, você vem? — Bia interrompeu.
Ele deixou toda a raiva que sentia de Débora ali, no quintal, se esforçou para dar um sorriso e acenar para sua noiva. — E-eu quer-o ir pra ca-sa. — Julie disse, fraca.
Daniel a pegou nos braços. — Eu vou te levar para o hospital. Você não está bem. — Disse a colocando no banco da frente do carro, enquanto sua irmã Beatriz entrava pelo lado de trás.
Ele pegou a chave na bolsa da Julie. Suspirou ao se sentar no banco acolchoado do carro que antes era seu. — Coloca o cinto. — Ele pediu carinhosamente, mas Julie ainda estava aerea. Daniel estava nervoso com o seu estado. — Me diz o que sente? — Tocou no rosto frio dela. Novamente ela não respondeu.
Ele colocou o cinto de segurança nela, não queria mais perder tempo. Acelerou com o carro, estava nervoso e quase bateu com outro carro que vinha em sua direção. — Daniel, calma. — Bia pediu mas foi em vão.
Daniel dirigia de um jeito ''atrapalhado'' já que estava distraído em pensamentos. Estava com medo de acontecer algo ruim com a Julie.
– Você não vai avançar esse sinal vermelho! — Beatriz gritou.
– Eu só não quero perder tempo! — Ele revidou olhando para o espelho retrovisor de dentro do carro, encarando a expressão séria da sua irmã.
Ele sentiu uma mão sobre a sua. Olhou para a marcha do carro e percebeu que Julie segurava sua mão, virou o rosto para ela. — Está melhor? — Perguntou preocupado.
– Est-tou com d-dor de cabeça. — Disse um pouco do que sentia, fechou os olhos e deixou algumas lágrimas escaparem.
– Você vai ficar bem. — Daniel segurou sua mão fria e a beijou, ela sorriu fracamente ao sentir o toque.
Bia também não escondeu o sorriso, ela conseguia enxergar o amor deles. O amor que eles faziam questão de ignorar. '' Mas hoje eu vou dar um empurrãozinho. '' — Ela pensava, imaginando um plano.
Daniel voltou a dirigir. Demorou quase meia hora, mas por fim eles chegaram no hospital, que felizmente estava aberto. — Viu, Débora não sabe de nada, onde já se viu hospital fechado?! É hospital, tem que estar aberto! — Reclamou. — Você vem com a gente Bia? Ficou nervosa e está grávida, aproveita e toma um calmante.
– Não, eu estou bem. Vou ficar aqui no carro mesmo, vai ser rápido. — Respondeu se aconchegando no banco de trás. Queria deixar os dois sozinhos por um tempo, quem sabe assim ele consiga se explicar.
Daniel saiu do banco da frente. Deu meia volta e abriu a outra porta. Julie ainda estava tonta quando se levantou e ele precisou segurar sua mão.
Ela conseguiu caminhar de mãos dadas com ele. Mas dentro de si, ainda via tudo girando. Uma sensação horrível...
Ele entrou no hospital junto com ela, logo o barulho das pessoas, médicos e enfermeiros caminhando a despertou. Julie disse: — Eu quero ir para casa. — Mas Daniel a ignorou.
– Senta aqui. — Ele pediu e ela se sentou. — Eu vou ali no balcão, vou ver se consigo alguém para te atender rápido. — Beijou o seu rosto e saiu.
[...]
Depois de quase vinte minutos, Bia viu seu irmão voltando do hospital, ele carregava Julie nos braços. Beatriz saiu do carro para abrir a porta de carona do banco da frente. Daniel estava calado, apenas colocou Juliana sentada no banco da frente. A mesma parecia ainda mais tonta do que antes.
Deu meia volta, se sentando no banco do motorista. Antes de ligar o carro ele suspirou, passando a mão pelo seu rosto. Estava cansado e não escondia isso. — O que houve com ela? — Bia perguntou, curiosa.
– Ela estava com a pressão alta. — Ele respondeu cabisbaixo. — O médico mediu na minha frente, quase chegou a vinte. — Explicava e Bia ouvia perplexa. — Foi a dezenove por alguma coisa.
– Nossa, mas a Julie é calma.
– É. O médico disse que poderia ser estresse. — Olhou nos olhos da irmã dessa vez. — Então eu pensei em uma pessoa.
– Débora. — Os dois falaram ao mesmo tempo. — Ela praticamente esfregou você na cara da Julie. Imagina como ela deve ter se sentido? — Daniel balançou a cabeça com as palavras de Bia.
– Eu sei, imagino. — Olhou para a Julie, que acabou adormecendo. — O médico passou um calmante forte para ela. Foi o mesmo remédio que ela tomou quando estava grávida, então eu sei que o efeito vai deixar ela um pouco doidinha.
– Então alguém tem que ficar com ela, pelo menos essa noite. — Bia propôs, ainda pensando no tal plano.
Daniel não respondeu, apenas voltou a dirigir.
[...]
Chegaram na casa de Julie, ela já estava no quarto, dormindo. Bia foi para a cozinha beber alguma coisa e Daniel estava sentado no sofá da sala. Ele puxou os seus cabelos, respirou fundo. Ainda estava preocupado.
Fixou o olhar na aliança que usava. Bufou.
– Eu não posso me casar com a Débora, eu não amo ela. — Pensava alto.
– Então não case. — Bia interrompe.
– Acha que é facil assim?
– Eu acho. — Pausou. — Muitos homens pedem a mão da mulher em noivado, mas depois enrolam ela, demoram anos para finalmente casar. Enrola ela! Só estão oito meses juntos, pra quê casar tão rápido?
– …
Daniel assentiu, sabia que Bia estava certa. — E você? Vai para casa? — Mudou de assunto.
– Liguei para o Félix, daqui a pouco ele vem me buscar.
– Ah.
– E você?
– Vou ficar aqui.
Beatriz sorriu em pensamentos. — Mas aqui… Na sala? Pensei que ia cuidar da Julie.
– E eu vou.
– Se você vai cuidar da Julie você tem que ir para o quarto né. Ela está no quarto, não na sala.
Daniel encarou sua irmã. A conhecia muito bem. — O que está propondo, Beatriz?
Ela sorriu torto, Daniel acabou rindo. Não sabia que Bia conseguia sorrir tão igual a ele. — Quer saber mesmo? Toma uma atitude Daniel! A Julie é louca por você!
– Nem tanto quanto eu sou por ela. E depois do que aconteceu nem sei mais se ela vai me perdoar.
Os dois ouviram um som de buzina de carro. — É o Félix. — Bia beijou o rosto do irmão. — Boa noite e pensa bem, ouviu? Quer mesmo se casar com alguém que não ama? E a Julie? Você vai simplesmente deixar para lá. — Daniel estava calado. — Se ela te faz feliz você precisa correr atrás. — Suspirou. — Boa noite.
– Boa noite.
Bia passou pela porta, Daniel continuou na sala até ver sua irmã entrar no carro.
Olhou para as escadas.
Será que deveria mesmo seguir o conselho da Bia? Ela é uma ótima conselheira, mas estava com medo de ser a atitude errada. Ele não queria magoar a Débora. Mas também não queria magoar a Julie, seria a última coisa que ele faria…
Subiu as escadas. Abriu lentamente a porta do quarto dela, estava tudo escuro e ele quase ligou o interruptor.
Mas foi se aproximando, mesmo na escuridão, conseguia enxergar. Chegou no colchão. Viu que Julie dormia de barriga para baixo na cama. Ele sorriu fracamente, puxando a cadeira do computador e a arrastando para perto da cama.
Ligou a luz do abajur e conseguiu enxergar melhor: Lá estava ela. Dormia profundamente, visivelmente mais calma. Ele reparou bem nela. Seu rostinho mais corado, a mão estava mais quente e sua respiração bem mais lenta e calma.
Olhou para o seu corpo, ela acabou dormindo de vestido mesmo. Notou suas lindas e torneadas pernas. Acabou olhando para o bumbum dela. Balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos.
Puxou o edredom e escondeu o corpo dela. Voltou a se sentar, mas fez um certo barulho quando sentou na cadeira giratória do computador.
Esse pequeno ruído foi o suficiente para Julie abrir seus olhos. — Daniel? — Levantou seu rosto com uma certa dificuldade, ainda estava sob o efeito do remédio. Mas o efeito já estava passando.
– Eu estou aqui. — Ele disse segurando sua mão. — Está melhor?
Ela assentiu com a cabeça. Mas não escondia o rosto de decepção. Daniel percebeu e suspirou, sabia o motivo. — Está bem o suficiente para conversar?
Julie assentiu de novo. — Como eu disse antes, não fazia ideia que você e a Débora eram primas. — Ela suspirou, mas deixou Daniel continuar. — E se quer saber mesmo, eu só fiquei com ela porque… Ela me lembrava muito você. Porque todas as coisas que eu faço, são porque eu lembro de você. — Julie abaixou a cabeça. Mas ele segurou o seu rosto e a fez o encarar. — Está me escutando? — Ela assentiu.
– E ela sabia?
– Sinceramente, acho que não.
– Já eu tenho as minhas dúvidas… — Sussurrou mas Daniel ouviu. Ficou calado. — Tá bom, você já acabou com o seu teatro? Porque eu estou realmente cansada e não quero falar mais nada.
– Teatro? Desde quando eu sou ator?
– Acho que desde o dia em que me conheceu! Sinto que mentiu para mim esse tempo todo!
– Mas que loucura! Porque eu ia mentir esse tempo todo? ME DIZ?!
– Abaixa o seu tom de voz. — Pediu seca. — Eu tenho o direito de não acreditar em você, certo?! O que você fez foi… Imperdoável. Me humilhou na frente de toda a minha família e da sua também.
– Você acha que não foi humilhante para mim ter que me ajoelhar e pedir a mão de outra?
– Acho que não. — Cruzou os braços, se sentando. — Você fez isso com tanta facilidade.
Ele não respondeu. Ficou olhando para ela e ela… Não conseguiu desviar o olhar por muito tempo. Também ficou olhando para ele. Um silêncio profundo se formou.
– Eu te amo. — Até que ele disse.
Estava com uma expressão séria no rosto.
Julie não aguentou, acabou chorando na frente dele. Ela passou a mão pelo seu rosto, tentando limpar as lágrimas. Lágrimas que escorriam a cada segundo. — Eu te amo, Julie. — Ele repetiu, ainda sério.
– M-mas… C-como é fingido! — Ele continuava sério. — Consegue dormir bem contando tantas mentiras?!
– Não, não consigo. Não gosto de mentir para a Débora.
Julie riu pelo nariz. — Acha que eu vou acreditar nessa conver-- Ele puxou seu rosto e a beijou.
Foi um selinho demorado, Daniel tentou aprofundar o beijo, Julie sentiu a lingua dele tocar nos seus lábios, mas ela empurrou o seu peito e se soltou. Fitaram seus lábios, sentiram desejo de repetir aquele beijo. Mas Julie não ia engolir o orgulho, isso era o que ela pensava. — Sai daqui! Não percebe que eu estou magoada?!
– Eu também estou, mas vim me desculpar! Coisa que eu nem deveria fazer, porque eu não tive culpa!
Ela ficou calada, pensando nas palavras dele. ‘’ Ele não teve culpa… ‘’ Admitiu, apenas para si mesma.
– Eu estou na sala. — Daniel quebrou o silêncio. — Se precisar de alguma coisa é só me gritar. — Disse tocando levemente no seu rosto.
Julie abaixou a cabeça e assentiu. Olhou para ele e viu o mesmo passar pela cama, já ia abrindo a porta do quarto. — Daniel.
Ele virou o rosto. Daniel notou o olhar dela. Seus olhos diziam ‘’ Preciso de você. ‘’ e só com esse olhar Daniel entendeu o que ela não disse em palavras.
Fechou a porta, se aproximando novamente. De um jeito rápido, puxou o rosto de Julie, agarrando a nuca dela.
A beijou desesperadamente, um beijo forte e ardente. Julie retribuiu, era isso que ela queria. Ela tocou delicadamente no rosto do rapaz, que sentiu o toque e percebeu que Julie retribuia. Ele continuou se aproximando, ainda sem soltar seus lábios. Suas línguas traçaram uma batalha por espaço, Daniel a abraçou, se deitando sobre o colchão.
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