Corações Feridos
60 Culpe a chuva.
Notas iniciais
Seus corações batiam acelerados, no mesmo ritmo. Ficavam se encarando tentando entender o que estava acontecendo. Julie não acreditava naquilo, só poderia ser um pesadelo. Como assim Daniel é o noivo da sua prima? Porque justo o Daniel? Foi por isso que ela encontrou alguns parentes dele nessa festa, inclusive sua ex-sogra.
Daniel também foi pego de surpresa. Sua noiva sempre mencionou a tal prima, mas ele não juntou as peças…
Débora os apresentou formalmente, sem reparar que os dois fixaram os olhos um no outro, os dois viajavam em pensamentos, nem perceberam que Débora falava. — Juh! — Ela balançou sua prima até que a mesma saiu daquele transe.
Viu que Daniel ainda a olhava.
Julie prendeu as lágrimas, conseguiu engolir o choro e com a voz fraca, disse. — Muito prazer. — Estendeu sua mão.
Daniel a imitou e eles se comprimentaram, era como se fossem completos estranhos. E era assim que Julie se sentia em relação a Daniel: Não o conhecia mais.
Como ele pode fazer isso?
A magoou completamente e dava para reparar isso em seus olhos. — Prima, e-eu… Vou entrar…
Débora sentiu um clima meio pesado. — O que houve? — Perguntou confusa mas Julie passou por eles sem responder. — Amor… Entendeu ela?
- …
- Daniel. — Tocou no seu rosto e ele acordou.
- Oi?
- Você viu? Ela… Estava chorando ou foi impressão minha? — Débora perguntou preocupada.
Mas Daniel também não respondeu, apenas passou pela sua noiva e entrou de novo.
Ao chegar na sala olhou em sua volta, tentando caçar Juliana. Mas não a via em lugar algum. Ele tinha certeza de que Julie chorava. Precisava consertar isso, não queria que ela pensasse que ele fez isso de propósito ou por vingança.
Mas era exatamente isso que ela pensava.
Daniel foi passando pelas pessoas, agora tinha certeza de que a mulher que viu infiltrada na festa era Heloísa. A mesma também não sabia que o tal noivo era nada mais nada menos que seu ex-genro. Mas ela acabou descobrindo ao chegar na festa, assim como a sua filha, mas descobriu pois encontrou a mãe de Daniel e as duas conversaram sobre a novidade.
O loiro procurou Juliana por toda a parte. Não a encontrou em lugar nenhum. ‘’Será que foi embora?’’ A única pessoa que ia responder a essa pergunta era Heloísa, já que as duas vieram juntas para a festa.
Ele respirou fundo e tomou coragem para falar com sua ex-sogra. Tocou no seu ombro, e Heloísa se virou, estava sorrindo mas ficou séria ao ver que era Daniel. — Onde está a Julie? — Perguntou.
- Eu sabia. Eu sabia que a Débora sempre quis tomar tudo que a minha filha teve. É uma invejosa.
- Não estou falando da Débora, estou perguntando pela Julie.
- Olha, se você quer piorar as coisas…
- Eu não sabia de nada. — Ele interrompe. — Acha que eu faria uma coisa dessas com ela?
- Então você resolva aí, porque para conseguir convencer isso para a Julie vai ser difícil.
- É por isso que eu não quero perder tempo. Onde ela está?
- Vi ela entrando no banheiro.
Ele assentiu com a cabeça e sussurrou um ‘’obrigado’’.
Passou por Heloísa e pelas outras pessoas. Andava apressado pelo corredor, conhecia muito bem a casa de sua noiva. Sabia que tinha dois banheiros. Ele tentou o primeiro. Tentou abrir a porta, mas estava trancada. — Tem gente! — Daniel ouviu alguém gritar lá dentro, a voz era fraca e chorosa.
‘’ É ela. ‘’
Bateu na porta de madeira. — Abra, Julie! — Ele gritou.
- Não!
Continuou batendo na porta. — Eu vou continuar aqui em quanto você não sair!
- Então vai ficar ai por muito tempo porque eu levei uma cadeira para cá! — Rebateu.
- Pare com isso! Precisamos conversar!
- …
Teimoso, Daniel continuava batendo na porta. O barulho oco da madeira deixava a cabeça de Julie irritada. Do lado de dentro, ela fechou os olhos. Pretendia passar o restante da noite ali. Não queria dá as caras para ninguém.
Pegou seu celular, felizmente trouxe seu fone de ouvido. Só mesmo as músicas fariam ela relaxar, pelo menos um pouco, era uma música lenta, romântica e um pouco triste '' Blame it on the rain. '' Colocou quase no volume máximo, afinal, mesmo com os fones ela conseguia ouvir Daniel batendo sem cessar na porta.
‘’Não vou desistir.’’ — Daniel pensava, se apoiou na parede do corredor, só esperando Juliana abrir aquela porta.
Ele bateu na porta por mais alguns minutos. Até que cansou, mas continuou ali. Como prometido, disse que ficaria ali enquanto ela não saísse do banheiro. Bom, isso era o que ele pensava.
Mas Débora queria arrastar Daniel para conhecer seus outros parentes queridos. — E-eu… Estou ocupado. — Tentou dizer isso carinhosamente. — Depois eu converso com seus parentes, amor.
- Nada disso. — Sua noiva sorriu. — Vem logo.
Conseguiu arrasta-lo de volta para a festa. Do lado de dentro, no banheiro, Juliana percebeu que já não batiam mais na porta. ‘’ Ele desiste fácil. ‘’ — Pensou retirando os fones. Colocou o celular no bolso e se levantou, saindo do banheiro. Olhou para os dois lados do corredor, como se atravessasse uma rua.
Viu que Daniel realmente não estava mais por perto. Aproveitou isso para voltar pra festa, apenas tentando encontrar a sua mãe para avisar a mesma de que ia ir embora. Felizmente, não demorou muito para acha-lá.
Encontrou Heloísa sentada no sofá, conversando com suas tias e sobrinhas, também parentes de Julie.
E o pior: Todas elas conheciam Daniel, sabiam que eles dois eram namorados, se casaram e até tiveram um filho.
Juliana sentiu suas bochechas corarem, abaixou a cabeça ao perceber os olhares dos parentes, mas precisa avisar a sua mãe.
Se aproximou do grupinho, comprimentou todas e elas responderam antes de começar a falar dela e do Daniel em sussurro.
Julie puxou o braço de sua mãe, a levando para um canto mais calmo. — Mãe. — Disse olhando para os lados, queria ter certeza de que Daniel não estava por perto. — Eu vou pra casa. — Avisou com a voz fraca e os olhos marejados.
- E vai simplesmente fugir?
- O que quer que eu faça?! F-foi… Uma surpresa muito grande.
- Não foi apenas para você. Foi para todos nós. Eu sei, filha. Mas eu acho que sua prima não sabia de nada.
- Mas o Daniel sabia, ele fez de propósito.
- Precisa conversar com ele, vai ver ele não sabia também.
Julie suspirou. — Eu não vou conversar com ninguém, eu vou embora, vou levar o carro. — Ia passando por ela.
- Seu pai daqui a pouco está vindo. — Sua mãe conseguiu prender sua atenção. — Ele acabou de me ligar, disse que está preso no trânsito mas já está a caminho.
- Eu não ligo mais. — Limpou uma lágrima que caiu. — Eu vou embora!
Heloísa abaixou a cabeça, sabia que sua filha era teimosa, puxou isso do pai. Não poderia fazer nada, afinal, Julie parecia decidida a ir embora dessa festa.
Ela passou pelas pessoas, já pisava no quintal quando viu Beatriz chegar. As duas se olharam, Bia não entendia o porque de Julie estar ali, afinal, também não sabia da ‘’grande novidade’’ que Débora também era da família de Julie.
Mas ela sorriu ao ver sua amiga. Se aproximou e percebeu que Juliana não estava tão feliz, conseguia ver isso nos olhos da amiga. — Félix, fica com a Nanda. Eu já volto. — Julie escutou Bia sussurrar, sabia que Beatriz viria falar com ela, então continuou parada.
E foi o que Bia fez, se aproximou. — Amiga, o que faz aqui? O que houve?
Julie balançou a cabeça, sentindo seus olhos se enxerem de lágrimas. Segurou o braço de Bia e a arrastou para os fundos da festa. Lá estava bem menos movimentado, tinha apenas umas cinco ou seis pessoas ali, a maioria eram amigas da Débora e felizmente não conheciam as duas. — Você não sabe?
- Não sei o que? — Perguntou confusa.
- A noiva do Daniel é simplesmente minha prima!
Beatriz ficou boquiaberta. — O QUE? Então… O seu ex marido vai virar seu primo?!
Julie parou. Não tinha pensado assim… — Isso está se tornando um pesadelo. — Sussurrou mas Bia conseguiu entender. — O pior é que metade da minha família está aqui! Todos conhecem o Daniel e sabem que era meu ex marido. E o assunto mais comentado na festa sou eu! Isso é uma grande humilhação! — Algumas lágrimas caíram. — Porque o Daniel fez isso comigo?
- Não culpe o Daniel, culpe sua prima! Você já me falou dela, deve ser uma falsa, invejosa!
- Isso é verdade… M-mas… Não sei se ela sabia… Ela estava boiando… E… Me apresentou para ele, se soubesse não teria me apresentado para o Daniel!
- Quem sabe ela quer que você pense que ela não sabe de nada. — Bia cruzou os braços. — Não gosto da noiva do Daniel.
Julie suspirou, se via em um abismo. Não conseguia encontrar uma saída para o seu problema, a não ser se esconder. — Eu vou pra casa.
- Não! Você não pode! — Bia a segurou. — Assim você vai estar colocando tudo à perder.
- Então o que eu devo fazer? E-eu… Eu não posso ficar aqui… — Passou a mão pelo rosto. — Olha, se eu for ficar. Vou ficar aqui. Bem aqui. — Bateu os pés no gramado — Não vou sair daqui por nada!
- Julie…
- Por nada! — Gritou se sentando em um banco de pedras no quintal. Amarrou a cara e na sua mente lhe veio a cena que sua prima apresentava Daniel.
Beatriz voltou para a festa. A primeira pessoa que encontrou foi seu irmão. Ele olhava para os lados, parecia procurar algo ou alguém. Até que se virou e focou os olhos em Bia. Sorriu fracamente, um sorriso fraco e apagado, que só sua irmã entendia. Sabia que ele estava chateado e sabia também que o motivo era a Julie.
Ele foi se aproximando da irmã. Pegou sua mão e a beijou. Bia o abraçou pela nuca. — Não gosto de te ver chateado… — Dizia enquanto ainda se abraçavam. Bia era preocupada com o Daniel, mas também se preocupava com a sua amiga. O que a deixava confusa, em cima do muro, sem saber a quem dar razão.
Daniel não respondeu, apenas perguntou: — Viu a Julie?
Beatriz se soltou dos braços do irmão. — Você quis dizer sua prima de segundo grau?
Ele balançou a cabeça, jamais conseguiria imaginar a Julie sendo sua ‘’prima’’ — Não é minha prima. Você viu ela ou não?
- Vi. Mas acho melhor não ir falar com ela agora. Ela quer ficar sozinha.
- Poxa Bia, preciso explicar…
- Eu sei. — Interrompeu. — Mas deixa ela pensar um pouco. Ela está triste e talvez você complique mais as coisas.
- Se eu soubesse que a Débora era a prima da Julie eu jamais…
- Você não tem vergonha? — A tia de Julie se aproximou cruzando os braços, Bia e Daniel se calaram. — Magoar minhas duas queridas sobrinhas?! E você ainda teve coragem de esconder algo tão importante para a sua noiva! Que a sua ex esposa é prima dela!
- Olha senhora…
- Não se meta nisso Beatriz! — Ela interrompeu. — Estou falando com ele não com você! — Continuou. — A Débora ainda não sabe de nada, mas ela vai acabar descobrindo porque tá todo mundo comentando!
- Eu vou tentar consertar isso.
- Você não vai tentar não Daniel, você vai ter que consertar! — Daniel ia protestar, mas ela continuou. — Se não ajeitar isso vai se ver comigo, ouviu? — E passou por eles, esbarrando no braço de Daniel.
Bia se virou para o irmão. — Não está com medo dessa tiazinha né?
- Eu conheço ela, ela é bem invocada. Mas… Estou mais preocupado com a Débora… Se ela descobrir isso pode piorar mais as coisas. É por isso que eu estou tentando andar com ela o tempo todo, afastar ela da sua família. Porque estão todos chateados comigo. — Suspirou. — Tantos problemas… Quando penso que as coisas estão melhorando, eu vejo que é o oposto…
Bia torceu os lábios. Beijou o rosto do irmão. — Ainda vai pedir a Débora em noivado na frente de todo mundo?
Daniel se calou, com tanta coisa acabou se esquecendo desse grande detalhe. — A Julie… — Sussurrou, imaginando a reação dela.
- Só a Julie não, a Heloísa, a tia barraqueira e o pai dela, que ainda não vi mas com certeza vai estar aqui na festa. Não perderia a oportunidade de ver a Julie né.
- Nossa… — Ele sabia que seu relacionamento com o seu Raul era complicado. — Ele vai acabar comigo…
- Principalmente se descobrir que você arrasou o coração da filhinha única dele.
- Bia você não está me ajudando. — Puxou seus cachos.
- Desculpa. — Deu um sorriso amarelo.
- Eu… — Olhou para os lados, tentando encontrar seu ex-sogro. Sorriu em pensamentos quando viu que ainda não havia chegado — Eu vou aproveitar que ele ainda está preso no trânsito. Vou pedir a mão dela logo e acabar com isso.
- Tem certeza? Acha que vai ser melhor assim?
- Claro! Assim acaba logo essa festa, todos vão embora e eu consigo ganhar tempo para pegar minha moto e sair da cidade.
- Daniel. — Sua irmã riu.
- Tá. M-m-as eu quero acabar logo com essa festa!
- Hm, mas eu mal cheguei. Pode ser daqui a dez minutos? — Bia perguntou olhando para a mesa de petiscos. — Me deu uma vontade de comer cubinhos de queijo. — Disse alisando sua barriga redondinha. Passou pelo o irmão e entrou na festa.
Enquanto isso, no lado de fora, perto da piscina. Julie observava o céu, sentindo as primeiras gotas de chuva caírem. Suspirou, fechando seus olhos, viajando em pensamentos. Até que depois de segundos a chuva começa a se fortalecer. Ventava bastante, o que fazia as gotas grossas caírem com mais força.
Julie continuava ali, afinal, havia um telhadinho que a protegia um pouco daquela tempestade. Mas não muito. Ela era a única que estava pelo lado de fora, todos os outros convidados entraram para se proteger do frio.
Olhando para a porta dos fundos, Julie conseguia ver sua mãe a procurando em meio aos convidados, tentando encontra-la.
Se virou para o lado ao ouvir passos.
Encontrou Daniel segurando um guarda-chuva. — Pensei que ia embora. — Ele disse se aproximando.
- Se você quer saber, só vim para a festa porque queria ver o meu pai.
- Ele ainda não chegou.
- Eu sei!
- Você quer continuar sentada ai? Pegando chuva? — Perguntou e ela o encarou.
- Eu saio daqui quando eu quiser! — Revidou.
- Aqui, eu tenho um casaco. — Balançou o casaco que segurava, era grande, preto e o tecido parecia ser bem grosso e quente. Julie jurava que o casaco era dele. Ele tinha esse casaco desde a época em que eram casados. — Você quer?
- Eu estou bem assim. — Se arrepiou sentindo frio bater nas suas costas. Mas não aceitaria o casaco de maneira alguma. — Vá se preocupar com a sua noiva, obrigada.
Daniel se aproximou, ainda em pé, segurou seu ombro e seus olhos se focaram. — Vamos aproveitar que estamos sozinhos, vamos conversar. — Os olhos de ambos se enxeram de lágrimas. — Por favor.
Ela se afastou. — Eu quero ficar sozinha.
- Quando eu conheci a Débora, foi na balada… Eu não fazia a menor ideia de que ela era uma Spinelli.
- Ela é uma Almeida. — Cruzou os braços. — Nem pra saber o sobrenome da sua noiva você presta.
- Vem, vamos entrar…
- Eu não quero.
- Então pelo menos aceite o casaco. — Desdobrou o casaco, agora Julie tinha certeza de que esse casaco era dele.
Ele tentou envolver o agasalho no seu ombro, porém, mais uma vez Juliana se afastou, estava irritada de mais para conversar.. — Daniel, eu não quero explicações, não quero entrar e não quero o seu casaco. Só quero ficar sozinha. Por favor.
Assentiu, sabia que não ia adiantar conversar com ela assim… E também… Precisava pedir a mão de Débora antes de seu Raul chegar.
Derrotado, ele voltou para dentro. Mas antes de entrar pela porta dos fundos, ele virou o rosto e percebeu que Julie já o olhava.
Ficaram assim por alguns segundos, se perderam naquele olhar, perderam a noção do tempo e o que faziam ali. Era algo intenso, sempre quando seus olhos se encontraram.
Até que Daniel cortou o olhar, fechou o guarda-chuva e entrou.
Julie continuou ali por longos vinte minutos, percebeu o silêncio daquela noite. Finalmente desligaram a caixa de som e a música alta cessou. Ela olhou para dentro pela porta, que apesar do frio, continuava aberta. Não conseguia ver o que estava acontecendo, afinal, uma rodinha de pessoas se formou na sala.
Sua curiosidade era grande naquele momento. Mas nada no mundo a faria levantar e ir até lá.
Mau sabia Julie que se mudasse de ideia e entrasse se arrependeria amargamente, ia presenciar uma das piores cenas da sua vida: Ver seu primeiro amor se ajoelhar diante da sua prima e pedi-la em noivado.
A morena olhou para os lados, reparando que a chuva já dava uma trégua. Viu um carro FOX vermelho parar na calçada.
Sorriu abertamente ao ver que seu pai saia do carro. O viu abrir o portão da frente e passar pelo quintal. Caminhando em direção a porta da frente.
Julie se levantou.
Andou embaixo da chuva fraca e passou pela porta dos fundos. Viu que a rodinha dos convidados já não existia.
Mas parou quando viu Débora agarrando o pescoço de Daniel e o beijando. Daniel estava de costas, não via Julie ali e sua prima estava com os olhos fechados. Julie reparou bem na mão da prima que carinhava os cachos de ouro do rapaz.
Olhou para os dedos.
Usava uma aliança dourada.
Isso lhe causou uma sensação estranha. Se sentiu até atordoada. ‘’O que vim fazer aqui mesmo?’’ Já até tinha se esquecido que entrou somente para ver o seu pai.
Deu meia volta, aproveitando que ninguém notou sua presença ali. Voltou para a porta dos fundos.
Colocava seus pés para fora quando sentiu alguém puxar o seu braço.
Se virou.
- Onde estava Juh? — Era Débora, perguntando sem esconder o sorriso de alegria. — Você perdeu o grande momento da minha vida! — Fez questão de mostrar a aliança de ouro no seu dedo direito.
- Parabéns. — Tentou passar. Mas sua prima ainda segurava o seu braço.
- Onde vai?
- É que eu estava sentada ali… E…
- E nada. — Interrompeu. Cruzando os braços. — Não perde essa mania de querer ficar sozinha?
- Essa mania eu já perdi, tenho muitas outras mas…Isso não vem ao caso. Eu só quero ficar sozinha porque não me sinto muito bem.
- É por esse motivo que você tem que ficar na festa, pra se distrair. — Débora a arrastava para dentro. — Ah, e você tem que dá os parabéns para o meu noivo também, porque sua mãe disse que tem que ser pros dois, se não dá azar.
- Pensei que não acreditasse nessas coisas.
- Não acredito, mas não quero correr riscos. — Sorriu.
- M-mas… Tem que comprimentar os dois no casamento, não no noivado… Débora, me solta. — Pediu triste. Mas sua prima ainda segurava seu braço. — Se quer saber, nesse dia tão importante pra você choveu! E isso dá azar, muito azar.
- Ihh prima, vira essa boca pra lá! Não vai dar azar coisa nenhuma! Não fica jogando praga.
- Não estou jogando praga! Foi você que veio com esse papo de azar! — Se irritou. — Quer me largar, não quero falar com o seu noivo! — Fez uma careta.
- Mas eu quero falar com você. — Daniel surgiu atrás de Débora.
Julie por fim se soltou dos braços da sua prima. Ainda sentia raiva da cena que presenciou a poucos minutos atrás.
Aproveitou que um garçon passava servindo bebidas. Segurou toda a sua raiva a noite inteira, agora precisava extravasar. Juliana pegou uma taça de champagne e sem hesitar jogou com força no terno de Daniel.
Passou por ele enquanto Débora estava surpresa com aquela atitude. — Meu amor! Minha prima é louca, desculpe! — Tentava limpar o terno dele.
Mas diferente de Julie, Daniel riu daquela atitude. Era apaixonado até mesmo pelas loucuras dela.
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