Coração selvagem

31 XXXI - Reconciliação


Eu estava há alguns dias sem falar com Atsushi. Depois de ele ter demonstrado não confiar em mim e ainda ter me mandado calar a boca, eu é que não queria mais falar com ele. Depois de tudo o que passamos e o que fazíamos, ele achava mesmo que eu faria isso com ele? Nós dormíamos juntos! Por que ele acha que eu o trairia com um garoto que mal conheço?

Eu estava deitada na cama, angustiada e meu celular começou a tocar.

— Moshi, moshi? – disse desanimada.

— Tsubaki, está em casa?— Madoka disse.

— Hai. Nande?

— Yuka me disse que você não quer falar com Atsushi.— ela disse – Ela me contou o que houve.

— Hum.

— Baka, descobri que uma garota viu você conversando com aquele garoto. Mitsue me disse.

— Como ela sabe?

— A idiota da garota contou pra uma amiga que ela disse a Murasakibara-kun o que viu e a fofoqueira da amiga contou para outra amiga. Chegou aos ouvidos de Kise-kun e ele contou para Mitsue.

Me sentei na cama.

— Quem é a garota? – perguntei.

— Sei lá.— ela disse – É uma garota do primeiro ano, não sei quem é.

— Hum, arigatou. – disse – Mas não vou falar com ele.

— Uhm...? Por que não?!

— Quando perguntei se ele não confiava em mim, ele me mandou calar a boca.

— Não vai falar com ele por causa disso? — ela exclamou – Daiki me manda calar a boca toda hora. Brincando ou com raiva. É claro que Murasakibara-kun estava com raiva, baka! Uma garota disse a ele que você estava o traindo e mesmo ele não acreditando isso é um choque!

— Mas não vou falar com ele!

— Qual o seu problema?! Não está vendo ele triste também?

— Todos os dias... – disse – Mas ele não confiou em mim.

— Oe, quando você perdeu a virgindade não foi depois que desconfiou dele também?

— Foi diferente.

— Desculpas, mais desculpas!— ela exclamou – Cala a boca e vai falar com ele se não a gente vai ficar com raiva de você!

Ela desligou a chamada e eu suspirei, fechando meu celular e deixando-o de lado.

...

No treino de futebol, alguns dias depois, Kazuki estava com Masa vendo nosso treino. Mesmo ainda não falando com Atsushi, não queria que ele o visse no treino e pensasse mais idiotices. Até as meninas me olhavam e sabiam o que estava acontecendo. Quando nosso treino acabou, foi quando os meninos do basquete chegaram. Atsushi não estava entre eles e depois que Katsumi falou com Akashi e voltou até nós, me disse que ele não vinha ao treino. Fiquei irritada e fui para o vestiário. Depois que tomei banho, Kazuki me abordou na saída do vestiário.

— Tsubaki.

Me virei impaciente.

— O que você quer?

— Ouvi falar que você e seu namorado brigaram, queria pedir desculpa.

— Tá. – disse – Mas isso não vai adiantar agora.

Ele abaixou o olhar e de relance vi duas garotas nos espionando da esquina do ginásio. Passei por Kazuki e elas se esconderam, mas quando virei a esquina vi a garota que deu a carta de declaração daquela vez e outra menina. Franzi o cenho, elas me olhavam percebendo que foram pegas.

— O que estão fazendo? – perguntei.

— Vendo o time de basquete. – a garota da declaração disse.

— E eu por acaso tenho cara de jogadora de basquete? – perguntei irritada, me aproximando – Foi você que contou ao meu namorado sobre eu estar conversando com ele, ne?

— Não pareciam que estavam conversando. – ela disse, franzindo o cenho.

— Ele estava me chamando pra sair e eu disse não, mas você se meteu, não é? – parei em frente a ela, que percebeu como eu era alta – Foi sua culpa.

— Ele não merece alguém como você! – ela disse receosa.

Rangi o dente e a peguei pela gola da camisa. A amiga dela exclamou, recuando e pedindo ajuda. Eu levantei a garota pela blusa e a pus contra a parede.

— Você não tem que se meter no relacionamento de ninguém, idiota. – disse – Só porque ele não aceitou aquela cartinha, você acha que tem o direito de mentir para nos separar?

— Eu vi vocês! – ela disse, segurando meus braços e balançando os pés suspensos – Eu gosto dele!

— Mas ele me ama, baka. – disse – Você não tem esse direito.

Os meninos do basquete chegaram e com a movimentação, as meninas vieram logo atrás.

— Tsubaki-san! – Akashi exclamou.

— Tsubaki! – Yuka exclamou – Larga ela!

— Foi ela que disse aquela mentira pra Atsushi! – disse ainda a segurando, meus olhos marejaram – Foi culpa dela!

— Baka, não faz isso! – Katsumi disse.

Larguei a garota, que caiu sentada no chão.

— Pára de vir aos treinos, idiota. – disse a ela – Ele não gosta de você, arranja outra pessoa.

Os outros me olharam surpresos e eu passei por eles.

— Aonde você vai? – Amaya perguntou.

— Consertar as coisas. – disse.

Fui embora e enquanto me afastava, Aomine enviou uma mensagem para Atsushi.

“Para: ATSUHI;

Mensagem: Tsubaki está indo para sua casa.”

Quando cheguei na casa de Atsushi, a olhei e me perguntei se ele me deixaria entrar. Fitei a janela do quarto dele, que estava aberta e passei pelo portão, indo até ela. Era no segundo andar, mas se eu talvez desse um impulso forte, conseguiria entrar por ela. Respirei fundo, tomando coragem e dando distância. Corri e pisei na parede, dando impulso. Porém apenas na terceira tentativa eu consegui me segurar nela.

— Ah... Droga... – disse, tentando apoiar o pé.

Ouvi alguém do lado de dentro se aproximar. Olhei para cima, me segurando com dificuldade e vi Atsushi.

— O que está fazendo, baka? – ele perguntou, me segurando e me ajudando a entrar.

Entrei pela janela e sentei no chão, recuperando o fôlego.

— Eu... Não sabia se ia me deixar entrar. – disse ofegante.

Ele deixou escapar uma risada, sentando na cama.

— O que você quer?

O olhei e levantei, indo até ele.

— Foi aquela garota que te deu a carta naquela vez.

Ele me olhava.

— Por que não me disse? Não achou que ela estava mentindo? – disse de frente a ele.

— Achei. – ele disse – Mas mesmo assim fiquei com raiva porque você ficou nervosa quando perguntei o que estava fazendo na escada.

— Você estava sério e um garoto tinha acabado de me chamar pra sair de um jeito muito estranho. – disse – Acho justo eu ter ficado nervosa.

— Que jeito? – ele perguntou desconfiado.

— Ele estava muito perto de mim, me lembrei do ataque no vestiário.

Ele abaixou o olhar.

— Gomen...

Engoli a seco e pus as mãos em seus ombros, o deitando na cama.

— Oe...

— Baka... – disse, o beijando – Não me manda calar a boca nunca mais.

Ele me olhou surpreso. Sentei em cima de seu quadril, fazendo-o ficar entre minhas pernas e o beijei de novo. Ele pôs a mão em minha cintura e nos virou, ficando por cima de mim e continuando o beijo. Enquanto fazíamos eu gemia ofegante e apertava as costas dele mais intensamente do que todas as vezes anteriores. Quando terminamos, estávamos nos olhando debaixo das cobertas.

— Você me deixaria entrar se eu tivesse batido na porta? – perguntei.

— Não.

— Eh? – disse surpresa.

— Eu estava aqui em cima, você teria que tocar a campainha. – ele riu.

— Baka. – fiz cara de tédio – Você desconfiou mesmo de mim?

— Não. Já disse por que fiquei com raiva.

— Gomen. Mas você também não me deixou explicar.

— Hum. – ele sorriu – Gomen.

Desviei o olhar, emburrada.

— Daqui pra frente eu te deixo falar e você não ameaça mais as garotas que gostam de mim. Certo? – ele sorriu.

— Como sabe...?

— Mine-chin me enviou uma mensagem dizendo que você vinha pra cá.

Acalmei o olhar e sorri.

— Hai. – disse – Baka.

— Uh?

— Eu não faria isso. Eu amo você. – disse quase inaudível.

Ele acalmou o olhar e pôs os braços em volta de mim, fazendo com que eu me aproximasse mais.

— Hai.

Me aconcheguei em seus braços, ele afagava minha cabeça.