Coração selvagem
28 XXVIII - Vendar-se
Nós estávamos relembrando no ginásio do colégio como era antes de Yuka fazer a cirurgia. Depois de meses e quase nas férias de verão novamente, as coisas mudaram bastante. As garotas que sacaneavam Yuka não falavam mais nada e quem gostava de Midorima e dizia a ele para terminar com ela, pois não tinha futuro – o que descobrimos depois da cirurgia – parou de falar já que Yuka agora era “normal”. Mas o que é considerado “normal” afinal? Quem tem direito de dizer quem é normal ou quem não é? Yuka tem amigos, faz parta de um clube escolar, tem notas boas, tem namorado e uma família. Isso tudo constantemente é base para uma pessoa ser considerada normal, mas todas as garotas invejosas que viam a vida dela dando certo diziam que ela era anormal apenas por causa de seus olhos. E tem algo de errado em ser esse “anormal”? Eu sou alta além da conta para uma garota da minha idade e ainda tenho medo de crescer mais, porém eu tenho amigos, uma ótima família, notas boas, estou num clube escolar e tenho namorado, por incrível que pareça. Eu também seria considerada normal, mas agora parando de falar sobre as etiquetas ridículas que nos dão pelas aparências... Mudamos de assunto e Amaya parecia chateada.
– Hum, ainda tenho o trabalho de matemática pra fazer. – Madoka pensava – Katsumi, me ajuda?
– Hai. – ela sorriu – Também tenho que terminar o meu.
– Pode ser sexta? Amanhã Daiki e eu vamos ficar juntos.
– Vocês só sabem sair.
– Não vamos sair. – Madoka sorriu maliciosamente.
– Hentai. – eu ri e fitei Amaya – E você?
– Eh? – ela pareceu ter despertado – Hum...
– Estávamos falando dos trabalhos. – Yuka disse.
– Ah... Só falta história.
– Eu te ajudo. – Mitsue sorriu.
– Arigatou.
– O que você tem? – Harumi disse.
– Hum... Bem... É que aconteceu uma coisa.
– Perdeu a virgindade?! – Madoka exclamou.
– Madoka! – Katsumi exclamou – Só você é tarada pra pensar nisso.
– Na verdade eu tentei... – Amaya corou.
Madoka olhou maliciosamente para Katsumi, que fez cara de tédio.
– Tá... – Katsumi fitou Amaya – Como assim você tentou?
– É que... Hum... – ela corou e começou a contar.
Como Kagami mora sozinho, era mais fácil na casa dele os dois ficarem sozinhos. Da sala vendo um filme, eles foram parar no quarto dele, se beijando. Estavam deitados na cama e Kagami a beijava, deitado de lado e pondo aos poucos a mão por debaixo da blusa dela. Ela estava com os braços em volta de seu pescoço e o deixou tirar sua blusa quando ele se pôs a fazê-lo. Ele começou a beijar o pescoço dela e a tirar sua saia. Ela corou e pegou em seu braço, fazendo-o parar.
– A-Anou...
– Hum? – ele a olhou e começou a descer os beijos até chegar ao sutiã dela.
Ela corou levemente e não falou mais. Ele tirou a roupa, ficando apenas de cueca e se pondo entre as pernas dela, fazendo-a corar. Abriu o fecho de seu sutiã.
– Uhm... T-Taiga-kun...
– “Kun”? – ele a olhou em dúvida – Nande?
– E-Eh... Hum.
Ele voltou a beijá-la e desceu os beijos passando por seus seios, barriga e tirando sua calcinha até chegar ao ponto onde queria.
– Uhm...! – ela corou, apertando o lençol.
Ele passava a língua suavemente sobre ela enquanto ela se contorcia levemente e parou, ficando sobre ela e a beijando.
– Posso colocar? – ele sussurrou.
– N-Nani? – ela perguntou nervosa.
– Colocar... Em você. – ele corou levemente.
– U-Uhm... Eu acho que... Sim.
Ele tirou a cueca e ficou entre as pernas dela, continuando a beijá-la. Ela corou e começou a sentir ele a penetrar, porém segurou em seus ombros.
– O-Onegai...
– Eh? – ele parou, a olhando – Daijoubu?
Ela balançou a cabeça, negando envergonhada. Ele saiu de cima dela, sentando na cama.
– Gomen... Não está pronta?
Amaya corou e se sentou, se cobrindo com o travesseiro.
– A-Acho que não. – ela disse – Pensei que estava, mas...
– Oe, daijoubu. – ele disse, pondo gentilmente a mão em seu rosto.
Ela corou e acalmou o olhar. Ele a abraçou e deitou na cama com ela, acariciando algumas mechas de seu cabelo.
– E o que isso tem de errado? – perguntei.
– Não acha que ele ficou com raiva? – ela disse.
– Mas ele pediu desculpas. – Katsumi disse.
– Hum. – ela abaixou o olhar – Acho que eu frustrei ele.
– Ele disse que tudo bem, Amaya. – Mitsue disse – Se você não está pronta ele não vai te obrigar.
– Verdade. – disse – Já aconteceu comigo e Atsushi disse que tudo bem, que não ia me obrigar se eu não estivesse pronta.
– Mas você queria? – ela perguntou.
– Bem, mais ou menos. – disse – Estava bom, mas eu não me senti pronta.
– Hum, bem... – ela corou – Eu quero.
– Quer mesmo? – Mitsue perguntou.
– Hai.
– Então faz.
– M-Mas... Eu não sei o que fazer.
– Nenhuma de nós sabia também. – Madoka sorriu.
Harumi abaixou o olhar.
– Daiki me deixou tranquila, sabe, hum... Ele nem queria fazer porque nem estávamos namorando e disse até que eu o odiaria. – Madoka disse – Ele transpira bastante – deixou escapar uma risada.
– Ryouta dá risadinhas. – Mitsue deixou escapar.
– Como assim? – Madoka riu – Ele ri quando faz?
– Não é isso, baka. – ela disse – Quando a gente termina ele deita do meu lado e... Deixa escapar umas risadinhas. – ela sorriu feliz.
– Estranho... Mas e você, Katsumi?
– Uhm... – ela corou – Ele me beija bastante...
– E?
– “E?” o que? É isso! – ela exclamou, corando mais.
– Pode falar, baka.
– Hum... Bem, S-Seijuro... Me pede pra vestir umas roupas. – ela disse sem jeito.
– Tipo fantasias?
– Não. Tipo... Lingeries.
– Eita! – Madoka exclamou – Esse gosta! – ela riu – O que vocês fazem com isso?
– Dormimos juntos, baka! – ela disse envergonhada e desviou o olhar, não querendo contar os detalhes.
– Shintarou gosta que eu fique por cima às vezes. – Yuka disse, tentando ajudar.
– E é bom? – Amaya quis saber, curiosa.
– É... – Yuka deu uma risadinha – Bastante.
Eu sorri, achando graça.
– E você, Tsubaki? – Madoka sorriu maliciosamente.
– E-Eh... – corei – Eu nunca fiquei por cima.
– Tá. – ela riu – Mas o que acontece?
– Ele me toca. – disse em tom óbvio.
– Tá! Mas o que acontece?
– Ele gosta de... Chupar meus seios. – disse sem graça para ela parar de perguntar.
– Também, ne...
– Eh?
– Nada. – ela riu.
Fiz cara de tédio, meus seios não eram tão grandes, eram num tamanho considerado bom, mas... Sei lá, ele deve gostar, ne.
– E você, Harumi? – Amaya perguntou – O que Kuroko-kun faz com você?
Ela corou.
– Hum... Nada. A gente... Ainda não fez. – ela disse sem jeito.
– Tipo... Nada mesmo? – Katsumi disse surpresa – Nem se beijar?
– Beijar sim, mas... Não passa muito disso quando ele começa a ficar ofegante.
– Por quê?
– Não sei. – ela deu de ombros – Ele não demonstra quase nada. – abaixou o olhar – Nem sei se ele gosta de mim.
– Baka! Pára com isso. – Madoka disse – Ele deve estar com vergonha. Daiki disse que ele é assim mesmo.
– Mas...
– Shh! – ela disse – Você tem que dar um jeito, assim como Amaya.
– Como assim eu?
– Você deve estar com vergonha também, ne?
– É, mas...
– Então! – ela riu – Você tem que ficar calma e deixar ele te acalmar também. E Harumi, você tem que pensar em alguma coisa.
Harumi fez cara de tédio.
– Hum...
Eu ri.
...
Harumi realmente pensou, mas acabou que não teve nenhuma ideia para Kuroko não ter mais a vergonha hipotética que concluíram que ele tinha. Eles saíram durante a semana e Kuroko a levou para sua casa para assistirem a um filme. Ficaram na sala com a TV ligada e Harumi olhava para todos os lados, menos para o filme, tentando pensar em um jeito de perguntar a ele se ele realmente gostava dela.
– Nani? – ele perguntou sem expressão.
– Eh...! – ela o olhou – N-Nada, nada.
– Não está vendo o filme, quer fazer outra coisa?
“Outra coisa...”, ela pensava. Na verdade Harumi queria dormir com ele há algum tempo e naquele mesmo dia em que eles saíram, ela comprara camisinhas quando ele não estava por perto para tentar fazer com ele naquela noite, mesmo não sabendo se daria certo.
– E-Eh... Eu quero, sim. – ela disse corando – Mas... Não sei se vai dar.
– Como assim?
– Tetsuya-kun... Você gosta mesmo de mim?
– Gosto, por quê?
– Eh... – ela corou – É que... Não parece.
– Como assim?
– Quando a gente se beija você para depois de um tempo. – ela confessou – Parece que não gosta de me beijar.
– Ah... Gomen. – ele desviou o olhar.
Ela acalmou o olhar e o abaixou, mas Kuroko pegou em seu rosto e a beijou. Ela corou e fechou os olhos, sentindo o toque dos lábios dele. Eram macios e ela gostava, pelo menos até ele pôr a língua dentro da boca dela e parar em seguida.
– E-Eh... Nani?
– Hum. – ele balançou a cabeça – Gomen...
Ela abaixou o olhar.
– Eu quero dormir com você, T-Tetsuya.
Ele arregalou os olhos, olhando-a em seguida.
– Acho que não dá.
– Nande?
– Eu... Não quero que você me veja daquele jeito.
– O que? Sem... Roupa? – ela disse sem jeito.
– Hum, com aquelas expressões. É constrangedor.
– Já fez isso antes?
– Não.
– Então como sabe que tem?
– Não sei, isso que é constrangedor.
Ela abaixou o olhar.
– Se quiser, eu não vejo. – ela disse sem jeito.
– Como?
– Eu fico com os olhos fechados.
Ele sorriu levemente.
– Você vai abri-los alguma hora pra me ver.
– Então amarra alguma coisa pra eu não ver.
– Uh? – ele disse em dúvida – Vendar você? Não seria estranho?
– Hum. – ela sorriu levemente – Mas se você tem vergonha... Eu faço isso.
Ele acalmou o olhar, vendo realmente que ela estava disposta a fazer aquilo. Pegou em sua mão e a levou para o seu quarto. Os dois estavam sentados na cama e ele tirou a camisa, o que a fez fazer o mesmo, corando aos poucos. Peça a peça, ficaram nus e Harumi corou por ele vê-la tão detalhadamente e não demonstrar nada.
– E-Eu... Comprei algumas... Eh...
– Hai. – ele sorriu levemente – Quer mesmo isso?
– Hai. – ela disse sem hesitar – Você quer?
– Hum. Queria há algum tempo.
Ela corou, vendo que era realmente vergonha que ele tinha. Ele levantou e pegou uma gravata de dentro de seu armário, voltando para a cama e vendando Harumi. Ela engoliu a seco sem poder ver mais nada e apenas começou a sentir os toques dele. Engoliu a seco novamente quando o sentiu beijar sua nuca e descer os beijos pelas suas costas, deixando-a ofegante pelo toque. Ela o sentiu levantar e se sentar a sua frente, o que a deixou envergonhada por ele poder vê-la nua. Ele a beijou e a deitou, mordendo levemente sua orelha em seguida e descendo os beijos até chegar em sua barriga. Ela o sentia ofegante, porém ele não parou como fazia sempre. Ele ficou entre as pernas dela e começou a penetrá-la lentamente, fazendo-a ranger um pouco os dentes. Ela o abraçou, pondo os braços em volta de seu pescoço e ele a via ofegante com a boca levemente aberta. Os movimentos eram lentos assim como os toques que a deixavam excitada e Harumi o ouvia deixar escapar alguns gemidos às vezes, o que a fazia ter a curiosidade de ver as expressões que ele demonstrava naquele momento. Ele a beijou novamente, continuando.
Quando terminaram, os dois estavam deitados e Kuroko fitava o teto. Harumi o olhava já sem a venda, deitada com o braço dele ao seu redor e acalmou o olhar.
– C-Como foi? – perguntou, corando.
Ele a fitou e sorriu levemente, vendo-a envergonhada.
– Foi ótimo. – ele disse, deitando de lado e a abraçando – Gomen...
– Eh? Nande?
– Por vendá-la.
Ela acalmou o olhar.
– Hum. – balançou a cabeça – Daijoubu.
– Quando eu estiver pronto, não vou mais fazer isso.
– Hai. – ela sorriu levemente, abraçando-o.
Naquele momento essa informação não importava tanto já que Harumi finalmente teve um contato mais íntimo com o namorado. Sentiu seus toques, sua respiração ofegante e gemidos, o que a deixou feliz.
...
Harumi nos reuniu no intervalo do dia seguinte e contou o que houve.
– Já?! – Madoka exclamou, rindo – Você é rápida!
– Madoka! – Katsumi exclamou.
– Que foi?
Mitsue, Yuka e eu rimos.
– E como foi? – Amaya perguntou curiosa e esperançosa.
– Foi... Bom. – Harumi sorria levemente, corando.
– Sugoii! – Madoka exclamou – Pra sorrir e corar, foi ótimo, ne!
Ela corou mais.
– H-Hai.
Madoka riu.
– Agora só falta Amaya.
– Eh? – ela corou – N-Nani?
– Você é a última. – ela riu.
– Mas relaxa. – Katsumi disse – Não tem que fazer por que fizemos.
– Hai... – ela corou – E-Eu... Vou pensar como.
Sorrimos, torcendo para que ela finalmente dormisse com Kagami e superasse a vergonha. Eu imaginava o tamanho do sorriso dela quando fizesse e nos contasse no dia seguinte.
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