Coração selvagem
21 XXI - Natal
O resto daquele final de semana foi bem intenso. E depois nós voltamos para casa. O mês passou rápido e já estávamos no Natal. E como planejado, minha família foi para a casa dos nossos avós. Fomos de trem e chegamos em poucas horas com uma ótima receptividade na estação. Eles nos esperavam e fomos para sua casa, nos instalando no quarto. Nossos pais conversavam com eles na sala e Yuka e eu arrumávamos algumas coisas.
– Nee, Tsubaki.
– Hai.
– O que você tem? Está estranha há semanas.
– H-Hum... – desviei o olhar – É que... Etto... Hum, como foi Midorima te tocar pela primeira vez? Foi... Constrangedor?
– Um pouco. – ela disse – É estranho, mas bom ao mesmo tempo. Constrangedor realmente.
– Hum.
– Nande? – ela olhou na direção da minha voz – Murasakibara-kun e você...?
– N-Não! – exclamei nervosa – Não dormimos juntos.
– Ah... Mas então...?
– É que... – corei – Ele me tocou... Lá.
Ela arregalou os olhos.
– Q-Quando?
– Na viagem.
– Hum. – ela corou – E... Como foi?
– N-Na... Primeira noite ele... Me fez gozar.
Ela riu.
– Não ria, é constrangedor! – exclamei.
– É porque você está com vergonha dele! – ela sorriu.
– E-Eu...! Uhm... Ele é tão...
– “Bonito”? – ela sorriu – Eu não sei, mas... Acho que era isso, ne?
Sorri.
– Mais ou menos. – ri.
– Bom, isso é ótimo, ne?
– Hã? Nande?
– Ora. – ela riu – Se você gosta que ele te toque, então gosta dele mesmo, ne?
– Eh...
– Se apenas gostasse dele sem gostar de ele tocar em você ou se gostasse apenas de ele te tocar, não seria amor de verdade.
– “A-Amor”?
– Hai! – ela sorriu – Você não ama Murasakibara-kun?
Abaixei o olhar, pensando. Eu o amo?
– H-Hum, não sei ao certo... Nunca pensei nisso.
Ela sorriu e assentiu como se me compreendesse.
– Bem, vou lá pra baixo.
– H-Hai. – disse.
Yuka saiu do quarto e eu me pus a pensar. Atsushi sempre estava comigo, me ajudou com as meninas, me salvou, agora é meu namorado e está me tocando intimamente. Eu gosto dele, sim. Mas o amo?
O natal foi ótimo. A comida estava perfeita, a conversa agradável e as piadas do meu pai e do meu avô melhores ainda! A árvore estava iluminada e piscando, tornando aquele canto da sala cintilante com as cores do arco-íris. Ficamos até tarde conversando e quando Yuka e eu fomos dormir, meu celular começou a tocar. O peguei rápido para não acordá-la e fui para a varanda na ponta dos pés.
– Moshi, moshi?
– Tsubaki. – Atsushi sorriu – Feliz natal.
– H-Hum... – sorri – Feliz natal.
– Como estão as coisas aí?
– T-Tudo bem. – disse timidamente – Foi bem divertido, engraçado... E você?
– Todos vieram. – ele disse contente.
– Que ótimo!
– Anou... Você vai a algum lugar no ano novo?
– Uhm... Não. – disse – Nande?
– Hum. – ele sorriu – Eu queria passar o ano novo com você. Você quer?
– E-Eh... H-Hai... Acho que sim...
Ele riu.
– Então está combinado.
– H-Hai. – sorri – A-Anou... Gomen... Por não... Hum...
– Nani?
– Na viagem... Eu não deixei você me tocar direito depois daquele dia.
– Ah...
– B-Bem... Se...
– Tsubaki, eu gosto de te tocar, mas se você não gosta eu vou parar.
– Não vai não. – sorri.
Ele riu.
– Gomen... Você é linda.
Corei.
– H-Hum. Mas... Se quiser fazer de novo... Eu deixo dessa vez.
– Hai... – ele disse surpreso – Tsubaki.
– Hai.
– Eu gosto muito de novo.
Corei novamente.
– Eu também gosto muito de você. – disse timidamente.
– Hum. – ele sorriu – Ja ne.
– J-Ja.
Desligamos e eu pus o celular contra o peito. Por que meu coração acelerava quando eu apenas falava com ele. Isso não acontecia antes. Eu... O amava? Como? Nem sei nem o que é isso direito.
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