Coração selvagem

11 XI - Kazumi Mitsue & Kise Ryouta


Bem... Eu tive o encontro com Murasakibara. Agora falaria com as meninas. A primeira foi Amaya. Comecei a dizer que não descobri muita coisa sobre ele e ela me olhava desconfiada.

– Descobriu isso com quem?

– Eh... – Disse nervosa – Um informante.

– Informante?

– É! Um passarinho que me conta as coisas! – Exclamei – Enfim, quer ajuda com Kagami-kun ou não?

– Hai! – Ela disse sem hesitar.

– Certo. – Disse – Como não sabemos muito sobre ele, você tem que descobrir, desculpe.

– Tudo bem. – Ela sorriu – Mas como eu começaria... – Ela pensou.

– Hum, ele sabe cozinhar, ne. Mora sozinho... Na verdade isso não diz muito. – Disse frustrada.

– Eu dou um jeito. – Ela disse animada – Arigatou!

A olhei surpresa e sorri gentilmente.

– Agora eu tenho que pensar sobre Mitsue. – Pensava.

– Conseguiu informações sobre Kise-kun também? – Ela disse surpresa.

– Hai. – Disse – Consegui mais sobre ele, mas não sei o que fazer. Soube que ele quer saber quem a garota da carta e do presente.

– Ela não vai querer participar.

– Eh? Nande? – Disse surpresa.

– Mitsue morre de vergonha de Kise. Ô escolha, ne! – Amaya disse rindo – Ela não vai querer.

– Hum. – Pensei e sorri – Talvez ela não precise saber.

Amaya riu, amando a ideia.

– Pensei em algo. – Disse começando a contar.

...

Bom, o plano que Amaya e eu bolamos foi: fazer Mitsue e Kise se encontrarem. Precisava ser algo casual e nem de longe ela poderia saber que nós planejamos isso! Como Amaya era mais próxima de Mitsue, ela a chamou e marcou de se encontrarem no final da tarde numa lanchonete para saírem juntas. E com isso, eu pus um bilhete que Amaya havia escrito dentro do armário de Kise na hora do intervalo. Como Kise poderia comparar as letras e Amaya conhecia melhor a letra de Mitsue, ela “meio” que falsificou o bilhete. Com tudo ocorrendo como planejado, na hora da saída Kise abriu seu armário e viu o bilhete, pegando-o e o abrindo.

“Kise-kun, se você quer saber quem te deu os bombons e a carta de declaração, vá a lanchonete ‘Kawaii’ às 16:30 dessa tarde.”

Ele olhou em dúvida para o bilhete e olhou ao redor como se fosse descobrir qual daqueles alunos trocando os sapatos seria sua garota secreta. Kise fitou o bilhete mais uma vez e sorriu levemente. Eu estava com Amaya, o espionando e sorrimos uma para a outra, vendo que o plano estava dando certo.

Quando a tarde chegou, Amaya estava a postos e atrás de uma árvore do outro lado da calçada onde ficava a lanchonete.

– Ela chegou. – Amaya disse ao celular.

– Como ela está vestida? – Eu perguntei.

– Um vestido branco de alças grossas com uma fita branca abaixo do busto.

– Acho que Kise-kun vai gostar.

– Hai. – Ela riu – Ela está de rabo-de-cavalo e ele está cacheado.

– Por que ela cacheou o cabelo?

– O cabelo dela já tem um pouco de cachos. – Ela disse.

– Eu nunca reparei! – Ri.

Mitsue normalmente usava no colégio um penteado com metade do cabelo preso e o resto solto com cachos nele todo. E eu nunca reparei!

– Vou ligar pra ela. – Amaya disse.

– Hai.

Ela desligou o celular e ligou para Mitsue, vendo-a sentada no lugar ao lado da janela da lanchonete.

– Moshi, moshi? – Ela disse.

– Mitsue, gomen. – Amaya disse – Acho que vou me atrasar bastante. Minha mãe me pediu para passar na farmácia e a fila está enorme.

– Ah, tudo bem. – Ela sorriu – Eu espero.

– Hai. – Amaya sorriu – Ja ne.

Amaya continuou escondida atrás da árvore e olhava para a janela da lanchonete, vendo Mitsue falando com o garçom. Ela me ligou de novo e eu logo atendi, claro.

– Ela disse que vai esperar. – Ela disse rindo.

– Ótimo! – Ri – E Kise?

– Hum... – Ela olhava pela rua – Ah! Está chegando agora!

– Ótimo! – Exclamei ansiosa.

Amaya continuava a falar comigo, dizendo o que se passada e Kise passou pela porta, vendo algumas famílias e casais na lanchonete. Ele correu o olhar, procurando por uma garota sozinha e viu Mitsue sentada no lugar ao lado da janela. Ela a olhou surpreso, vendo como ela era fofa e se aproximou.

– Kon’nichiwa. – Disse gentilmente.

Ela olhou em direção a voz e corou.

– K-Kon’nichiwa. – Gaguejou.

Ele sorriu e se sentou a frente dela, juntando as mãos e cruzando os dedos uns nos outros enquanto a aproximava do queixo.

– Então... – Ele disse, reparando nela – Não imaginava que você pudesse ser tão bonita.

– Uhm... – Ela corou mais e se encolheu um pouco – Arigatou.

– Parece envergonhada. – Ele disse sorrindo gentilmente.

– Hum. – Ela assentiu sem jeito – Não esperava encontra-lo aqui.

– Eh? – Ele disse em dúvida, abaixando as mãos – Como assim? Não foi você que me mandou aquele bilhete?

– Bilhete? – Ela disse em dúvida até seu celular receber uma mensagem.

Ela o fitou e viu a mensagem. “GOOD LUCHY. Amaya ;)”. Mitsue arregalou os olhos e corou mais, pondo a mão sobre a boca. Kise a olhou em dúvida.

– Daijoubu? – Perguntou preocupado.

– U-Uhm... – Ela o olhou – A-Armaram...

– Eh?

– P-Por que você veio aqui?

– Hum. – Ele acalmou o olhar e sorriu levemente – Gomen, acho que me enganei.

– Ah, iie! – Ela disse e abaixou o olhar – Você disse a alguém o que ganhou?

– Não. – Ele disse, desconfiado.

– Uma caixa rosa... Cheia de bombons caseiros decorados e... Uma carta de declaração de amor. – Ela disse com vergonha, sem olhá-lo.

– Hum. – Ele disse, apoiando o rosto na mão e dando um meio sorriso – Você pode muito bem ter me visto abrir o armário e pegar essas coisas.

– “K-Kise-kun, eu não sei direito como dizer isso e realmente tenho vergonha, mas eu gosto de você. Você é bonito e gentil, e quando te vejo meu coração parece acelerar apenas por você me olhar sem querer quando passa por mim no corredor. Eu não consigo nem olhar para você e sinceramente apenas sei que seus olhos são cor de mel por causa das revistas que você posa como modelo. Eu queria muito que você soubesse como eu me sinto já que não tenho coragem nenhum de falar com você e muito menos de te entregar essa carta pessoalmente. Espero que de alguma forma você aceite meus sentimentos por você e, mesmo que não, aceite esses bombons. Numa revista eu descobri a data do seu aniversário e queria te dar um presente. Espero que goste deles, eu que fiz.”.

Ao terminar ela o olhou e ele a olhava, surpreso.

– E-Eh...

– Não tem nome no fim. – Ela disse, corando levemente – Tem... Corações de cor rosa pela folha.

Ele estava boquiaberto e desviou o olhar, fechando a boca.

– N-Não estava exatamente assim. – Ele disse sem jeito.

– Ora, e você queria que eu decorasse?! – Ela exclamou, corando.

Ele a olhou, surpreso.

– Já foi bastante difícil eu pôr num papel o que eu sentia e você quer que eu diga certinho o que estava escrito numa carta de semanas atrás?! – Ela concluiu, corando mais por ter dito aquilo dessa forma para ele.

Kise a olhava pasmo e ela desviou o olhar, envergonhada.

– G-Gomen... – Ela disse – Não queria dizer isso assim...

Kise levantou e se inclinou para frente de repente, apoiando a mão na mesa e pegando no rosto de Mitsue, virando-o para ele. Ela o olhou em dúvida e apenas o viu beijá-la. Ela corou mais e processou que ele estava a beijando mesmo.

– AAAHHHH! – Amaya exclamou ao celular – Ele a beijou! Ele a beijou!

– Sugoii! – Exclamei – Nee, Amaya. Pode ir embora. Deixa os dois.

– Não! Quero saber o vai acontecer! – Ela disse – Hum! Eles estão saindo da lanchonete de mãos dadas. Ela está muito corada!

Eu ri. Amaya ria e percebeu Mitsue a olhando da entrada da lanchonete. Ela arregalou os olhos e se escondeu atrás da árvore de novo. Mitsue digitou algo no celular, sorrindo, e logo o fechou, guardando-o e indo embora com Kise de mãos dadas. O celular de Amaya vibrou e lá estava uma mensagem de Mitsue. “Péssimo esconderijo, mas... Arigatou, Amaya. :)”. Amaya sorriu e ligou para mim de novo.

– Baka! – Exclamei por ela ter desligado na minha cara.

– Ela me viu. – Amaya disse feliz.

– Eh? Então por que você está feliz?

– Deu tudo certo. Eles estão indo embora juntos.

Eu sorri e logo depois Amaya desligou, dizendo que iria para casa. Eu sorria a ponto de rir e Yuka apareceu na minha porta.

– Nani, Tsubaki?

– Hum? – A olhei – Nada. – Disse feliz.

Ela sorriu, achando graça, mesmo sem saber do que se tratava. Eu peguei meu celular e sem pensar, mandei uma mensagem para Murasakibara. Fechei meu celular e comecei a me concentrar no dever de casa que deveria fazer.

No quarto dele, seu celular tocou e ele o pegou de cima do criado-mudo. O abriu e viu minha mensagem.

“ Remetente: TSUBAKI

Mensagem: Deu tudo certo! :D”

Ele olhou surpreso para a mensagem e sorriu, fechando o celular e voltando a fazer o dever de casa.