Tá... Agora eu sabia mais ou menos o que Murasakibara estava fazendo. “Passos”. Ele estava completando passos, como níveis! Mas isso sempre tem um objetivo. E eu quero saber o que é! Por que ele quer ser meu amigo? Por que ele diz que é meu amigo? Nós nem nos conhecemos! Enfim... Acho que eu não era a única que estava irritada.

O clima na sala estava pesado em relação à Madoka. Ela parecia bem irritada, mas também não era sempre de todo sorrisos. Desde o começo da aula, mesmo de costas, ela parecia tensa e não olhava para os lados. Me perguntava o que houve. Como criamos certa amizade e ela até me defendeu daquela vez, olhei para Amaya, que se sentava às duas horas de mim e ela me viu a olhar. Virou um pouco a cabeça em minha direção e eu olhei para Madoka e em seguida de volta para ela. Ela olhou para Madoka e viu sua posição rígida. Olhou de volta para mim e assentiu com a cabeça. Aquilo estava muito estranho...

Peguei meu celular, escondido do professor, e o abri, começando a digitar e a enviar a mensagem. Minutos depois, Katsumi me respondeu.

“Melhor não perguntar a ela ainda. Espera pelo treino, ela está bem irritada.”

Olhei em dúvida para a tela, mas enviei de volta um “Tá”. Guardei o celular e voltei a prestar atenção na aula. No intervalo, eu estava sentada com Yuka, que esperava por Midorima. Ela parecia contente e ficava mexendo os pés calmamente no chão, como se estivesse sapateando.

– Feliz? – Perguntei, achando graça.

– Hai. – Ela disse com um sorriso contente.

– Nande? – Disse já rindo.

– Hum. – Ela corou levemente – Shintarou e eu fizemos um mês de namoro.

– Que legal! – Eu ri – Mas por que tanta felicidade? É apenas um mês.

– Eu sei. – Ela sorriu – É que... Nós estávamos na casa dele no dia que fizemos um mês. Passava um filme na televisão e ele pegou minha bochecha, me beijando. – Ela sorria mais e corou – Ele... Colocou a língua na minha boca...

– Eca.

Ela riu.

– Eu não sabia beijar de língua e ele disse para eu imitá-lo. – Ela continuava – É incrível!

Eu ri, não consegui não rir.

– Nani? – Ela perguntou.

– “Descobrindo sua sexualidade”. – Ri – Parece até nome de livro.

– Pára! – Ela corou.

Logo depois Midorima chegou e ficou com ela. Eu ri quando o vi e fui embora, o que o fez me olhar em dúvida. Fiquei no pátio, mas a maioria dos alunos deveria estar no refeitório. Eu queria que o horário do treino chegasse logo pra eu saber o que tinha de errado com Madoka e ficava com o celular na mão na esperança de que alguém me mandasse mensagem, dizendo o que estava acontecendo com ela. E com isso, Murasakibara apareceu atrás de mim e pegou meu celular.

– Oe...! – Me virei e o vi – N-Nani?!

Ele digitou e fez uma ligação.

– Espera...! O que você está fazendo? – Exclamei.

– Ligação... – Ele bocejou.

Franzi o cenho. Que raiva! Ele fechou meu celular e me devolveu.

– Você é um abusado. – Disse.

– E agora eu tenho seu número e você o meu. – Ele sorriu com os olhos meio abertos.

– Run. – Cruzei os braços e desviei o olhar.

– O que você tem?

– Nada. – Disse, começando a andar.

Andei alguns passos e ele pôs o braço em volta do meu pescoço. Fui obrigada a parar de andar e o olhei, franzindo o cenho.

– O que houve?

– Não te interessa. – Desviei o olhar.

Ele suspirou e parecia estar com preguiça. Revirei os olhos, querendo sair dali e ele me abraçou por trás, me segurando e se sentando no chão, o que me obrigou a sentar. Exclamei pelo susto e ele escorou as costas na parede, afrouxando o abraço. Eu estava encolhida entre as pernas dele, de costas para ele e com os joelhos dobrados, quase suando frio por ele estar tão perto.

– N-Nani?

– Hum... – Ele suspirou – Não vou fazer nada com você.

– Então, por que...?

– Você está bem estranha. – Ele disse calmamente, mexendo nas pontas do meu cabelo.

Corei, me encolhendo mais.

– Não estou estranha. – Disse emburrada, abraçando os joelhos.

– Hum. Pode contar pra mim.

– Por quê? Pra eu confiar em você? – Perguntei sem entender a razão de tudo aquilo.

– Pode ser. – Ele sorriu levemente – Você estava olhando muito para Mizuki-san.

Abaixei o olhar.

– Não vou deixar você concluir o passo.

Ele sorriu, achando graça.

– Quero saber a razão desses passos. – Eu disse – Por que quer ser meu amigo?

Ele não respondeu.

– Mu... Murasakibara-kun, nande...?

– “Atsushi”.

– Eh? – Virei um pouco o rosto para vê-lo.

– Amigos se chamam pelo nome, Baki-chin.

Corei, me voltando para frente.

– Pára de me chamar assim.

– Hai, hai... Tsubaki. – Ele disse, levantando.

Eu o olhei, ele começou a andar.

– Ah. – Ele parou e me fitou – Acho que o problema da sua amiga foi algo que Mine-chin fez.

– “Mine-chin”? – Disse em dúvida.

– “Aomine”. – Ele deu um meio sorriso e se virou.

Eu o olhei surpresa e o vi se virar, indo embora. Fiquei sentada no chão, pensando. O que Aomine-kun fez?

...

No treino à tarde, Madoka estava normal e ainda mais feroz no futebol do que o normal. Ela era conhecida como a mais rápida do time, mesmo tendo entrado no time naquele ano mesmo. Ina-chan, Kei-chan, Aya-chan e Kameko-chan eram do segundo ano, senpais. Enfim, Madoka parecia normal, mas sabíamos que ela não estava, principalmente por Katsumi olhá-la constantemente com a expressão um pouco triste.

Depois do banho, que como sempre eu fui a última a acabar, saí do vestiário ao lado do campo de futebol e fitei Katsumi e Yuka falando com Madoka, que estava sentada, abraçada com os joelhos e de cabeça baixa. Me aproximei em dúvida, sentando ao lado dela.

– Daijoubu? – Perguntei.

Ela balançou a cabeça, negando.

– Madoka... Posso contar? – Katsumi perguntou.

Ela assentiu com a cabeça. Katsumi suspirou e me olhou.

– Aomine-kun e Madoka fizeram aquele trabalho da turma de vocês juntos. – Ela disse – E ele... Hum. – Ela abaixou o olhar.

– Ele é um idiota. – Madoka disse de cabeça baixa.

Olhamos para ela e ela abaixou as pernas, se endireitando. Seus olhos estavam marejados, mas sua expressão era de raiva. Ela não olhava para nenhuma de nós, apenas começou a contar.

“Aomine me chamou pra fazer o trabalho na casa dele. Eu fiquei contente, sabe. A gente vive brigando, mas eu gosto de estar com ele. Fomos para casa dele depois da aula semana passada e para o quarto dele. Estava tudo bem.

– A gente pode pôr esse também! – Eu disse animada, apontando para a tela do computador.

– Hai. – Ele disse.

– Esse também! – Disse, me aproximando mais dele.

Ele corou conosco perto um do outro e eu percebi, corando também. Continuamos a fazer o trabalho e logo terminamos. Eu fiquei parada, pensando se deveria ir embora e ele passou a mão no cabelo, pensando.

– Hum, acho que já vou indo. – Disse.

– Se você quiser pode ficar. – Ele me olhou.

– Nande? – Sorri, achando graça – Vamos fazer o que?

– Jogar um jogo? – Ele deu um meio sorriso.

– Baaka! – Ri, empurrando-o.

Ele pôs a mão na minha na minha bochecha.

– Eh... – Corei e forcei um sorriso – Aomine-kun, o que está fazendo?

– Jogando. – Ele disse, me beijando em seguida.

Corei, mas continuei o beijo. Começou a ficar intenso e ele não parava. Eu também não parava, estava realmente bom. Mas ele pôs a mão na minha cintura e começou a subir, tocando meu peito. Eu corei mais e tentei parar o beijo, mas ele segurou minha nuca, continuando. Eu fiquei com vergonha e ele me deitou no chão, começando a levantar minha blusa do uniforme.

– A... Aomine-kun...

– Nani? – Ele disse ofegante.

– Eu... – Corei – Não quero isso...

– Eh? – Ele parou ofegante, sentando – Nande?

– “Nande?”? – Disse surpresa, sentando – E-Eu... – Corei de novo – Nunca fiz isso. Não somos nem namorados... E você não disse que íamos jogar um jogo?

– Esse era o jogo. – Ele disse em dúvida – Você é virgem?

– H-Hai. – Disse – Você pensou...?

– Ah... Gomen. – Ele desviou o olhar, pondo a mão na nuca – Não imaginava que você fosse virgem.

– Nande? – Perguntei pasma – Tenho cara de vadia?!

– Não é isso. – Ele disse surpreso – É que eu só...

– Aho-mine! – Exclamei, empurrando-o.

Ele me olhou surpreso e apenas me viu sair porta a fora. Eu fui pra casa e me tranquei no quarto. Só queria fazer o trabalho com ele, ficar com ele. Mas ele queria mais que isso!”

Nós a olhávamos, surpresas.

– Eu tenho cara de vadia? – Madoka perguntou chateada – Fiquei até feliz por ele querer dormir comigo, mas ele achou que eu já tinha dormido com alguém antes! Por quê?

– Anou... – Disse, querendo dizer algo, mas não sabia o que dizer.

– Madoka-chan, não sei como você é exatamente, mas acho que ele pensou aquilo talvez por causa da sua voz. – Yuka disse.

Olhamos para ela em dúvida.

– Minha voz?

– Hai. – Ela disse – Você fala naturalmente, mas sua voz soa de maneira sedutora.

Madoka corou.

– Uhm...

– Não sei se é por causa disso, – Yuka disse – mas talvez seja uma possibilidade.

– Isso é verdade. – Katsumi disse, pensando.

– Mesmo assim, eu não vou falar mais com ele! – Madoka exclamou.

– Mas Madoka... – Katsumi ia dizer.

– Não! – Ela exclamou irritada – Pensarem que você já dormiu com alguém é vergonhoso, não quero mais falar com ele!

– Mas se o sensei continuar com aquela estratégia, vai ser as mesmas duplas. – Eu disse.

– Hai... – Ela disse frustrada.

...

Madoka mentiu para me proteger naquele dia que eu quebrei o nariz da garota que caçoava Yuka. Ela me protegeu dizendo todas aquelas coisas. E agora estava irritada e chateada com o que Aomine fez. Nos dias que se seguiram, Madoka não olhava na cara de Aomine. E ele por sua vez parecia chateado, mas não com ela. Formulei a possibilidade de que talvez ele estivesse arrependido, mas não dava para ter certeza. Então foi por isso que eu tive uma ideia muito estúpida.

Fui até o quarto de Yuka, me arrependendo logo em seguida.

– Yuka. – Bati na porta e abri, esquecendo de que Midorima estava com ela.

Quando abri a porta, o vi com a mão debaixo da blusa dela e eles se beijando.

– Oe! – Exclamei, corando.

Ele se assustou e tirou a mão dali rápido, parando o beijo. Yuka tampou a boca, corando e virou a cabeça em direção a minha voz.

– T-Tsubaki. – Ela disse envergonhada – Podia bater na porta.

– Eu bati! – Exclamei indignada – Você fica surda quando beija ele?!

– Eh... – Ela disse, corando mais – N-Nani?

– Queria saber sua opinião sobre uma coisa.

– Pode ser outra hora?

– Não!

Olhei para Midorima, que compreendeu e levantou da cama de Yuka.

– Estarei esperando lá fora.

– Hai. – Ela disse docemente.

– Lá embaixo! – Declarei – Conversa um pouco com papai, hentai. – Dei um meio sorriso.

Ele engoliu a seco e saiu do quarto. Eu fechei a porta e sentei na cama de Yuka.

– Quero que você seja sincera e diga se eu estou louca. – Disse.

– H-Hai. – Ela disse sem entender – Mas por quê?

– Porque eu... – Corei – Quero ajudar Madoka com Aomine.

– Eh? Nande?

– Ela ainda está chateada desde aquele dia e eu vejo Aomine olhar para ela às vezes com uma expressão arrependida.

– Entendo. – Ela pensou – Acho isso ótimo! Querer ajudar alguém, principalmente um amigo é ótimo!

– Mas... Eu precisaria pedir ajuda.

– Minha? Como eu ajudaria? Não conheço Aomine direito.

– É esse o ponto. – Corei de novo – Não seria você.

– Eh? Então... Quem seria?

– M-Murasakibara-kun.

Ela tampou a boca, querendo rir.

– Por que isso agora?

– Hum. – Abaixei a cabeça, frustrada – Ele fica falando que é meu amigo. E agora tem essa coisa do passo de confiar...

– “Passo de confiar”? – Ela disse em dúvida – Que jogo estão jogando?

– Não é um jogo. E eu não sei o objetivo disso também. – Disse mais uma vez frustrada – Mas a razão do vestiário e do quarto dele foram pra mostrar o que um amigo faz pelo outro.

– O que houve no quarto dele? – Ela perguntou desconfiada.

– Eh...! – Corei, não era pra eu ter falado isso – Bem... Ele tinha falado aquilo pra mim. E pra testar, ele... Me deitou no chão à força e começou a beijar meu pescoço... Eu dei uma joelhada nele e saí correndo.

Ela arregalou os olhos.

– Tsubaki...!

– Eu fiquei com medo! – Me justifiquei – O que você faria se alguém desconhecido fizesse isso com você?

Ela acalmou o olhar.

– Então... Que tipo de ajuda você vai pedir a ele?

– Saber qual é o problema do Aomine e se ele está arrependido mesmo. – Disse – Tentar ajudar Madoka de alguma forma.

– Hum. – Ela assentiu.

– E não pergunte nada sobre Aomine ao Midorima.

– Nande? Posso ajudar também.

– Eu sei, mas ele perguntaria a razão e você contaria a verdade já que eu também sei que não mente pra ele.

Ele deu um sorrisinho envergonhado.

– Tá bom.

Sorri e suspirei.

– Mesmo precisando da ajuda dele, eu não sei qual o objetivo desses passos. – Disse – Mas com certeza não o deixarei passar para o próximo passo!

Yuka sorriu, achando graça. Porém eu estava decidida.

Notas finais
hehe