Notas iniciais
Como eu disse, se vocês catarem um erro grotesco, me avisem. No mais, obrigado pelo carinho e atenção de todos. Já são quase quarenta pessoas seguindo a fic, e eu tô bem feliz com os comentários e favoritos de vocês. Se por acaso eu não respondi algum é culpa do Nyah por esconder eles de mim - e venham reclamar na minha inbox se eu não respondi vocês. =D Um beijo pra todos. *ah, acho que eu vou postar um capítulo novo a cada dois/três dias

“Derek, por favor, você pode vir ajudar o seu pai?” Talia Hale falou com a voz mais autoritária possível, mas graças ao fato de todos os seus filhos serem lobisomens assim como ela a sua voz não era mais do que um sussurro ao sair dos lábios. Aquilo era o bastante para fazer Derek desviar a sua atenção do garoto na janela.

Ele não tinha culpa de seus ouvidos simplesmente se atentarem aos sons que aquele garoto fez. Foi tão rápido que Derek não pode fazer nada além de simplesmente olhar para ele — apenas para ver que o menino se escondeu com pressa, fugindo do olhar de Derek. Uma coisa pesou dentro do peito dele, mas logo tudo se desfez.

E então a mãe dele o chamou, e ainda bem que ele ouviu a sua mãe, afinal de contas não era coisa boa desobedecer ao Alfa da casa.

Aquele dia era todo diferente, no entanto. Se mudar para uma nova casa em uma cidade que eles nem conheciam não era algo simples. Mesmo que os lobos não fossem mais assim tão apegados a seu ninho, Derek ainda era muito jovem para conseguir se adaptar rapidamente a um novo lugar, uma nova escola, novos colegas.

A única coisa boa daquilo tudo era que ele iria acabar trocando de escola em Nova York também, de qualquer jeito. O ruim é que ele não conseguiria mais ver nenhum dos seus amigos do outro lado do país. E não que Derek tivesse tantos amigos, ele nem iria se enganar. As coisas não eram maravilhosas para ele, então começar de novo poderia ser uma boa coisa. Sem falar que durante as férias os genes de Alfa dele finalmente se manifestaram, fazendo Derek crescer e melhorar a sua aparência inteira, o que não era nada mal.

Carregar caixas do caminhão de mudanças para dentro de casa era bem mais fácil com seus novos músculos desenvolvidos. Ele até sentia um pouco de orgulho em saber que ele quase conseguia carregar mais do que o próprio pai, já que ele era um ômega. O pai de Derek, claro, era super orgulhoso do próprio filho, e Derek adorava aquele tipo de atenção.

Durante toda a tarde ele ajudou a descarregar toda a mudança com seu pai, enquanto a mãe e as duas irmãs iam organizando a casa. Estar em um bando de lobisomens ajudava muito naquela hora, principalmente porque todos tinham bastante força e poderiam trabalhar muito mais rápido. Não foi uma surpresa chegar a hora do jantar e a casa inteira estar praticamente organizada, restando apenas o quarto de cada um para ser arrumado e alguns detalhes nos cômodos.

Derek foi o último a tomar banho no banheiro dividido por ele e suas irmãs, e por isso mesmo foi o último a chegar na mesa para jantar. Todos já estavam prontos para a primeira refeição na casa nova.

“Eu quero que esse nosso jantar seja o primeiro de muitos nessa casa, e que a gente possa fazer ótimas memórias no nosso novo lar,” Talia disse para todo mundo. Eric Hale, seu marido, sorriu para ela. Derek até deu um sorriso para seus pais, e um para Cora também, sua irmã mais nova. Laura apenas fez uma careta de desinteresse.

Ela foi a que mais perdeu coisas quando eles se mudaram, afinal de contas ela iria para o último ano do Ensino Médio e agora iria ter se formar em uma escola onde ela não conhecia ninguém. Sem falar que Laura tinha uns namoradinhos na cidade antiga, e agora ela não poderia mais ficar com eles, não que qualquer um fosse sério, pelo menos por o que Derek sabia.

O jantar então começou com todos partindo para as pizzas que estavam na mesa. Claro que Talia não iria cozinhar naquele dia, por isso eles já estavam começando a provar os melhores lugares para se pedir uma pizza, e por ser a primeira ela não era nada ruim. Derek comeu uns nove pedaços como se fosse um morto de fome.

Depois da refeição ele ajudou seu pai a lavar a louça, para ter um momento com ele. Já era costume os dois lavarem a louça junto, pelo menos um costume que havia se estabelecido desde que Derek era uma criança e se esticado por sua adolescência. Às vezes parecia que ele já era velho demais para continuar com aquela relação próxima de seu pai, pelo menos era aquilo que seus velhos “amigos” diziam, falando que um Alfa não poderia fazer trabalhos de casa e nem ficar assim próximo de um pai ômega para não virar um fracote.

Mas aquele tipo de pensamento era estúpido, porque ajudar nos trabalhos de casa nada tinha que ver com o valor de cada um. Pelo menos era assim que Derek foi ensinado a pensar.

E o pai dele era tudo para Derek.

“E então, o que você achou da casa?” O pai dele pediu, entregando um dos pratos recém enxaguados para Derek secar.

“Eu gostei. É bom ter um quarto só pra mim. E é melhor ainda ele ser mais isolado dos outros,” Derek falou, sorrindo. “Sabe como a Laura é, música alta e cantoria descabelada.”

Eric riu.

“Ela puxou a sua mãe. Mas nós escolhemos essa casa exatamente por isso, para todo mundo ter seu espaço e a gente ficar perto de uma floresta, que começa logo na outra rua,” O pai dele falou.

Derek apenas assentiu.

“E você e a mamãe? Vocês vão começar a trabalhar quando?”

“Logo na próxima semana, quando vocês começarem as aulas. A mãe de vocês vai ter que dirigir pelo menos uma hora por dia para o trabalho dela, por isso ela já quer testar os melhores caminhos para chegar até Sacramento durante essa semana. E eu ainda não sei. Estou esperando para ouvir sobre a vaga para a Biblioteca Municipal.”

“Eles ainda não te responderam nada?” Derek pediu.

“Bom, a curadora do Museu, que também trabalha como diretora da biblioteca disse que gostaria de falar comigo ao vivo, por isso eu já tenho uma hora marcada com ela. Mas a senhora me garantiu que o emprego provavelmente seria meu,” O pai de Derek disse.

Derek fez um som de entendimento.

“Que bom, então. A gente vai ficar fora de casa na maior parte do dia mesmo, então não seria justo você não ter um trabalho,” Derek falou.

“Ah, sim,” seu pai concordou. “Mas a mamãe já conseguiu um aumento de salário enorme agora que a gente se mudou para cá, sendo que a firma de advocacia que ela queria trabalhar tem um escritório por aqui e eles ofereceram pra ela essa chance. A gente não tinha uma decisão fácil, mas quem sabe mudar de ares é melhor.”

Derek apenas assentiu mais uma vez. Seu pai continuou falando.

“E você sabe que o vovô e a vovó moram em San Francisco, o que vai fazer com que a gente possa ver eles mais vezes, não?”

“Sim,” Derek disse. Ele gostava dos pais de seu pai, e sentia falta deles vivendo em Nova York.

Eles dois ficaram de papo sobre mais algumas coisas simples sobre a vida deles enquanto terminavam as louças. Quando o trabalho na cozinha estava terminado, Derek subiu para seu quarto para começar a organização por lá. O sol ainda estava brilhando lá fora, prestes a descer por trás das montanhas, então ele teria um tempo para conseguir arrumar suas coisas antes de ficar muito tarde.

O quarto de Derek ficava no sótão da casa. Era o mais pequeno de todos, e o mais longe do banheiro, mas era o mais isolado, o que ele mais queria. Nem Cora nem Laura quiseram um quarto pequeno como aquele, mas Derek não tinha problema nenhum com o tamanho.

Do quarto dele Derek tinha uma visão bem boa da vizinhança, principalmente porque a casa ao lado, daquele garoto que estava o olhando durante a tarde, não era tão alta, o que deixava Derek ver muitas das casas do bairro e ainda as montanhas ao longe.

A organização do quarto fez com que Derek se perdesse um pouco no tempo, murmurando uma música qualquer enquanto ele mexia suas coisas de um lugar para o outro. Não foi logo naquele momento, mas mais tarde Derek iria perceber que a música que ele estava murmurando era a mesma que o garoto da casa ao lado tinha cantado durante a tarde.

Era uma que Derek nem conhecia direito, tendo ouvido no rádio uma ou outra vez, e ele não sabia o motivo de ele estar com ela na cabeça, mas logo ele não conseguia nem se controlar, tendo que ficar cantando ela com palavras que ele não conhecia — até ele lembrar que era um daqueles singles bobos do Backstreet Boys.

Felizmente a campainha da casa dele tocou lá embaixo, o que fez ele se desligar da música por um momento. Derek continuou com sua organização, no entanto, não querendo parar agora. Ele também não precisava descer naquele momento, pois provavelmente a sua mãe poderia atender a porta sem ele.

Um minuto depois, contudo, a mãe dele chamou Derek. Ele ouviu risadas vindo do primeiro andar da casa.

Fazendo uma careta, Derek suspirou e começou a descer as escadas. Quando ele chegou na sala de estar, que ainda não estava completamente arrumada, ele se deparou com dois estranhos que sua mãe havia convidado para dentro.

Um era um homem vestindo o uniforme da polícia, e o outro era um pequeno garoto. Já não tão estranho para Derek.

“E esse aqui é o meu filho, Derek.” A mãe dele falou, apresentando ele para os dois.

“É um prazer conhecer você,” disse o homem com uniforme da polícia. “Eu sou o Xerife Stilinski e moro aqui do lado. Esse é meu filho, Stiles.”

O garoto que estava ao lado do pai, um pouco escondido por trás da sua perna, deu uma olhada para Derek. Talia sorriu para o garoto e o pai de Derek também. O Xerife colocou uma de suas mãos sobre a cabeça do menino.

“É um prazer conhecer o senhor também,” Derek falou, meio distraído.

“Ele não é assim envergonhado sempre. Aliás, ele quase é sempre bastante extrovertido,” disse o homem ao apontar para o filho.

Derek, claro, não conseguia olhar para outra coisa a não ser os olhos do garoto, de Stiles. Havia alguma coisa neles que chamava Derek, alguma coisa que ele não sabia o que era. Parecia até um sentimento novo, mas completamente estranho a tudo que Derek havia sentido. Ele até ficou desconcertado, porque aquele garoto ainda era bastante jovem, e Derek já tinha seus quinze anos, não faria muito sentido os dois se aproximarem.

“Bom, eu só vim aqui para trazer uns cookies a lhes desejar uma boa mudança para a nossa cidade,” disse o Xerife. Derek conseguiu tirar seus olhos de Stiles por um momento, apenas para ver o Xerife de olho nele, com uma expressão de confusão no rosto.

Derek se virou para o lado.

“Obrigado pelo presente de boas vindas,” respondeu o pai de Derek, já guiando os dois de volta para a porta. Eles acenaram para os que estavam dentro de casa, e Derek até acenou de volta, mas ele estava distraído.

Quando o garoto e seu pai estavam fora da casa dele, Derek finalmente conseguiu se concentrar melhor, apenas para perceber que sua mãe e Laura estavam olhando para ele com sobrancelhas levantadas. Derek sentiu seu rosto pegando fogo.

“Alguma coisa aconteceu?” O pai de Derek pediu assim que ele voltou para a sala.

“Nada,” Talia respondeu, mas havia alguma coisa na voz dela, algo que Derek não entendia.

Ele não ficou por ali para ver o que eles iriam conversar, voltando para seu quarto sem dizer palavra alguma. Ele não conseguia tirar os olhos daquele garoto, de Stiles, da sua cabeça. E, de alguma forma, Derek nem queria. Ele não queria esquecer os olhos escuros e brilhantes do garoto.

Mas ele era apenas uma criança. E Derek não entendia como ele estava sentindo aquilo. Até parecia…

Não, não poderia ser nenhuma ligação, nenhum laço entre Alfa e ômega. Derek nem sabia se o garoto era um ômega, ainda que havia uma coisa dentro dele que dizia que Stiles era um. Mas também não iria acontecer assim do nada, não havia motivo pra Derek se sentir ligado a uma pessoa que nem conhecia, muito menos uma criança.

Quando chegou em seu quarto Derek olhou pela janela para a casa ao lado. Ele pode ver a janela do quarto de Stiles, com o garoto lá dentro. Ele estava colocando seu pijama, um conjunto azul com pequenas patinhas de lobo espalhadas pelo tecido.

Um pequeno sorriso se formou nos lábios de Derek, e ele nem sabia o porquê.

Derek não podia não olhar para Stiles. E ele não fazia ideia do motivo.