Coração de Papel
2 Amy e a realidade
Notas iniciais
A ouriça rósea abriu os olhos lentamente e, naquele instante, a face pálida foi tomada pelo brilho do par de orbes esmeraldinos que possuía. Embora tivesse o rosto marcado por curativos e arranhões, sua beleza não pôde ser contida por isso. Amy colocou a mão sobre a cabeça gemendo baixo. Isso fez Shadow se atentar a mesma.
O ouriço negro estava encostado na porta do quarto, onde Amy estava deitada em sua cama, Estava sério como de costume e seu olhar estava perdido no exterior de sua janela, mas logo direcionou aquele par de orbes para Amy que apenas ficou imóvel com o ato. Parecia que finalmente havia notado onde estava e na companhia de quem.
— Shadow... – Murmurou confusa, fitando ao redor. – O que ouve? Minha cabeça dói...
— Eu ia lhe perguntar a mesma coisa. – Shadow descruzou os braços e caminhou lentamente até a rosada. – Você não se lembra de nada?
Amy suspirou fechando os olhos. Tentava pensar em uma resposta para Shadow.
— Eu não me lembro de muita coisa... Só de estar em casa e, depois, muita gritaria e sons estranhos, então eu levei Cream para o quart-- Cream! – De repente Amy pareceu se preocupar. – Onde ela está?!
— Eu só encontrei você. – Shadow levantou-se e saiu do quarto. – Deite e descanse, ainda está muito debilitada. Sinto não poder lhe oferecer uma sopa ou algo do tipo, mas fiquei sem suprimentos. – Foi simples, apenas indo para a pequena sala e sentando-se no sofá, mas Amy o seguiu.
— Hei! como pode estar aí sentado? Temos que encontrar a Cream!
— Do jeito que você se encontra não vai a lugar algum e eu já vasculhei a cidade inteira, não a nenhuma alma viva lá. – Shadow fechou os olhos calmamente. – Apenas volte para cama e descanse...
— Eu não vou a lugar algum! – Amy cruzou os braços emburrada. – Já disse que vou atrás da Cream! – E com a deixa Amy já ia saindo pela porta quando sentiu uma dor enorme, mas quando estava quase caindo no chão Shadow a segurou.
— Quando melhorar pode procurar-la até morrer, mas por enquanto deite-se e repouse ou vai morrer antes chegar à cidade. – Shadow ergueu a ouriça rósea. – Você entende?
Amy ficou em silencio, apenas se libertando dos braços do ouriço negro.
— Se acontecer algo a ela a culpa é sua! – Amy saiu pisando forte.
— Você podia, ao menos, aprender a dizer obrigado. – Shadow ignorou seu próprio comentário voltando a sentar-se no sofá e uma veia saltou na testa de Amy.
— Humpf... – Entrou no quarto, irritada. Deitou-se na cama e socou o travesseiro como se a culpa de todos os males fosse do pobre cervo que lhe erguia, gentilmente, a cabeça, mas, ao finalmente se acalmar no aconchego da cama de Shadow, começou a refletir sobre suas lembranças e emudeceu.
Amy recordava do som alto de tiros e a risada compulsiva de Eggman do lado de fora e, ao olhar pela janela, pôde ver o ouriço azul cruzar a paisagem como um raio, mas alguns instantes depois ela ouviu uma enorme explosão e um clarão de dimensões gigantescas que a fez se preocupar e levar Cream para o seu quarto, mas, no meio do caminho, a pequena casa começou a tremer e desmoronar. Parte do teto cedeu e uma das vigas caiu sobre Amy, a fazendo tombar no chão, mas seu pequeno sofá a salvou de ser esmagada. Depois da ajuda de Cream, rapidamente Amy se levantou, agora mancando, a rósea levou Cream até o quarto, mas, de repente, algo a segurou pela perna, fazendo a rósea cair bruscamente no chão e bater a cabeça violentamente, apagando na hora.
— Humpf... – Amy suspirou pesadamente. – O que será que ouve? Onde estará Cream...? – Se perguntava. – Ah! Posso pedir ao Sonic para ir atrás dela e então eu posso ir embora daqui e ficar com meu Sonic! – Sorriu levantando-se devagar, já que sentira uma pontada no lado esquerdo. – Shadow eu quero falar com o Son-- Shadow? – Amy se entrecortou ao ver o ouriço negro adormecido no sofá. – Ora... Se dormir sem um cobertor vai se resfriar... Que irresponsável! – Amy suspirou indo atrás de um cobertor, mas não havia nenhum limpo além do seu. – Parece que eu terei de arrumar isso aqui... – Balançou a cabeça. – Se eu fizer devagar não vou me machucar... – Pensou cobrindo Shadow com sua coberta e indo começar sua faxina.
Na manhã seguinte...
Shadow bocejou lentamente abrindo os olhos de igual maneira e levantando-se em seguida quase que automaticamente. Dirigiu-se ao seu quarto em busca da ouriça rósea, mas o encontrou vazio. Parou por certo tempo, virando a cabeça e fitando o coberto que deixara no sofá, suspirou entendendo o que acontecera. Parecia já saber onde Amy estava, pois se dirigiu exatamente ao tal lugar.
— Acordou cedo... – Shadow comentou baixo assustando a rosada que, no momento, estava estendendo as roupas.
— Ah! Bom dia Shadow! – Sorriu sem virar o rosto, tentando não mostrar o semblante cansado.
— O que está fazendo?
— Estou arrumando sua casa. – Sorriu tentando estender um lençol na parte mais alta do varal sem muito sucesso.
— Hm...- Shadow murmurou algo indo em direção a rosada e a segurando pela cintura sem avisar, o que fez Amy se assustar.
— O-o que está fazendo? – Perguntou surpresa.
— Apenas estenda... – Murmurou erguendo-a alto o suficiente para que rósea alcançasse seu objetivo, logo depois a colocando no chão e saindo sem dizer nenhuma outra palavra. Amy se manteve parada surante alguns instantes, observando Shadow sair pela porta dos fundos, rumo à saída, foi quando se lembrou.
— Hei Shadow! – Amy chamou sua atenção correndo até o ouriço negro assim que esse parou de caminhar. – A onde vai? – Perguntou ao perceber que esse, por sua vez, sairia.
— Vou voltar para a cidade, vou tentar achar suprimentos. – Respondeu simples.
— Diga ao Sonic que quero que ele venha me buscar. – Sorriu e Shadow suspirou.
— Acho que você não sabe o que aconteceu com a cidade, não é? – Cruzou os braços e Amy concordou. – Quando melhorar eu te levarei. – E com isso Shadow fez menção de sair, mas Amy segurou seu braço.
— Mas eu já estou bem! – Exclamou chateada.
— Você está bem, é? – Shadow deu uma leve pontada no lado esquerdo da rósea e apenas esse pequeno movimento foi o suficiente para fazê-la cair no chão com um gemido forte. – Viu... Além disso, tem umas máquinas estranhas na cidade, se você as encontrasse não conseguiria se defender. Não quero que se machuque mais. – Foi simples.
— Mas Shadow! Eu preciso encontrar a Cream! – Protestou emburrada e Shadow a ignorou, por dentro sabia que a coelhinha provavelmente já estava morta.
— Fique aqui, eu volto antes do sol se pôr. – E com isso começou a correr mata adentro.
Amy suspirou fechando a porta. Depois da pontada que levou, seu lado começou a doer e sua cabeça começou a girar, então resolveu sentar-se no sofá. Tudo começou a escurecer aos poucos e seus olhos começaram a se fechar lentamente até a rósea adormecer por completo.
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