Coração de Diamante
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Bilbo foi para casa naquela noite, mas ele não conseguia descansar. As palavras que Bofur havia lhe dito o fizeram ficar se revirando em sua cama, acordado até o sol nascer. Bilbo sabia que ele tinha que parar de pensar tão mal de si mesmo e parar de sofrer por alguém que não o merecia, mas era mais fácil dizer do que fazer. A ferida em seu coração ainda estava sangrando e levaria tempo para Bilbo se curar. Mas ele iria, eventualmente.
Mas ainda assim, Bilbo não pôde evitar as lágrimas que vieram aos seus olhos quando ele entrou em seu quarto e olhou para a cômoda no canto. Lá estavam os presentes que Bilbo havia comprado para Bard, os presentes que Bilbo teria dado a ele nesse Natal. O homem loiro tinha passado vários dias em busca dos presentes perfeitos para dar a seu namorado (ex-namorado, ele se corrigiu) e tinha passado várias horas embrulhando cuidadosamente cada presente com papeis coloridos e fitas.
Bilbo limpou as lagrimas em seu rosto com as costas da mão dele e furiosamente jogou os pacotes na lata de lixo. Lá no fundo ele sabia que era uma atitude infantil (aqueles presentes tinham sido caros e ele poderia dar para outra pessoa) mas ele simplesmente não conseguia olhar para qualquer coisa que o fizesse se lembrar de Bard sem se sentir mal, rejeitado, sentindo-se como se ele fosse nada mais do que um inseto que tinha sido esmagado pelos sapatos de alguém.
Então... ele jogou os presentes no lixo, e todos os outros pertences que Bard tinha deixado em seu apartamento tiveram o mesmo destino. Sua escova de dentes, sua jaqueta de couro, alguns DVD, seu perfume, tudo. Ele queria poder fazer o mesmo com os sentimentos que ele ainda tinha por Bard, mas ele se contentou em apenas se livrar dessas coisas materiais.
No dia seguinte, Bilbo acordou sentindo um pouco melhor. Mesmo com a cabeça e olhos doendo devido a seu choro e falta de sono, a sensação de peso em seu coração estava um pouco mais leve. Ele pensou que era talvez porque a realidade dos fatos estava finalmente entrando em sua cabeça. Bard havia lhe dado um belo de um chute, e não havia nada que pudesse fazer sobre isso. A vida não iria parar e esperar por ele, Bilbo tinha que seguir em frente.
Então Bilbo foi para o Gandalf’s naquela noite com o firme propósito de mergulhar de cabeça em seu trabalho e ignorar aquela voz interior que lhe dizia para pegar o telefone e ligar para Bard. Sua estratégia havia funcionado... mais ou menos. Ele ainda tinha aqueles momentos em que ele parava e ficava pensando em Bard, mas esses momentos foram diminuindo sua frequência com o passar dos dias.
****
Algumas noites depois, um casal tinha vindo para Gandalf’s para comemorar seu primeiro aniversário de casamento. O Gandalf’s não era apenas uma Cafeteria, era também uma excelente Confeitaria. A atmosfera acolhedora e as várias mesas espalhadas pelo lugar faziam do Gandalf’s um lugar perfeito para tais reuniões de família. Mais clientes significava mais trabalho, mais trabalho significava uma mente ocupada, e uma mente ocupada significava que ele não pensaria em Bard. Era perfeito.
E como esperado, Bilbo tinha estado ocupado a maior parte da noite, anotando pedidos, carregando bandejas e servindo os clientes. Com os pés rápidos, mãos ágeis e um sorriso alegre no rosto, Bilbo conseguia trabalhar de forma eficiente e de quebra, esquecer seus problemas.
– Duas fatias de torta de limão e dois cafés, um com leite e açúcar, o outro preto, sem açúcar. Por favor. — Bilbo disse alegre e rapidamente quando ele se aproximou do balcão, lendo a comanda com o pedido de uma das mesas.
Bofur, que naquele momento estava do outro lado do balcão preparando um café para um cliente impaciente, parou o que estava fazendo para olhar para Bilbo.
– Você pode repetir isso? Mas tente falar devagar o suficiente para que os meus ouvidos humanos possam ouvir. — Bofur disse com um sorriso.
Bilbo revirou os olhos e simplesmente entregou-lhe a comanda com o pedido. O rapaz loiro encostou-se no balcão, esperando que Bofur preparasse os pedidos para que ele pudesse levar para os clientes que estavam sentados em uma mesa perto da janela. Ele só estava ali de pé, olhando para os diferentes tipos de bolos, tortas e biscoitos por trás do vidro do balcão, quando ele percebeu que Bofur estava muito lento para preparar um simples café para viagem, mas decidiu não comentar isso. Enquanto isso, o cliente impaciente de Bofur bufava e limpava a garganta, aparentemente tentando dizer a Bofur sem palavras para que ele se apressasse. Nem é preciso dizer que Bofur não lhe deu a mínima atenção.
Bofur terminou de preparar o café e o entregou ao cliente impaciente com um sorriso falso e sem vergonha. Sem dizer uma palavra, o cliente pagou pelo café e saiu da loja pisando alto. Bilbo tinha certeza que ele o ouviu xingando.
– O que foi aquilo? — Bilbo perguntou intrigado.
– Se tem uma coisa que eu adoro é quando os clientes ficam me apressando. — Bofur respondeu sarcasticamente.
– Então você preparou o café do cliente devagar de propósito? Só porque ele estava te apressando? — Bilbo perguntou incrédulo.
Bofur assentiu com aquele sorriso travesso.
– Você é tão desaforado! — Bilbo disse, incapaz de segurar uma risada.
– E eu tenho orgulho disso. — Bofur piscou para Bilbo e então ele começou a preparar os cafés que Bilbo lhe tinha pedido, desta vez com sua velocidade habitual.
– Um dia o Sr. Gandalf vai ver você tratando os clientes desse jeito e então você não vai achar tão engraçado. — Bilbo disse, ainda rindo.
– Mas eu acho que ele vai ver você fazendo hora por aí quando você deveria estar trabalhando mais cedo do que isso. — Bofur disse, de repente com um tom sério e olhando por cima do ombro de Bilbo.
– O quê? — Perguntou Bilbo franzindo a testa em confusão.
– Senhor Bolseiro. — Uma voz profunda retumbou atrás de Bilbo, assustando o rapaz loiro e fazendo-o pular.
Ainda tremendo um pouquinho por causa do susto, Bilbo virou-se apenas para ver o Sr. Gandalf Grey ali em pé com sua altura imponente, com seu terno bem costurado — cinza, é claro — e uma expressão séria em seu rosto.
O proprietário da cafeteria era um homem intimidador. Ele podia ser um homem velho (sua idade exata era um mistério e razão de apostas entre os funcionários da loja) mas seus olhos azuis eram afiados e frios, como os de uma águia. O Sr. Gandalf não era o tipo de pessoa que iria repreendê-lo com palavras, não, não, não, apenas um olhar era suficiente para fazer o cara mais durão (sim, eu estou falando de Dwalin) gaguejar e desviar o olhar como uma criança levando uma bronca de um pai depois de ser pega fazendo algo errado. E era exatamente assim como Bilbo se sentia agora.
– Alguma razão especial para você estar aqui “fazendo hora”? — Gandalf perguntou sério e Bilbo corou constrangido.
– Uh... bem... eu... — ele gaguejou.
– Um pouco de menos conversa e um pouco mais de trabalho, Sr. Bolseiro. Não me faça ter que separar vocês dois e colocar você e o Sr. Urson em turnos diferentes. De novo.
– Sim senhor. — Bilbo assentiu e abaixou a cabeça.
– Duas fatias de torta de limão e dois cafés, um com leite e açúcar, o outro preto, sem açúcar. Pronto. — Bofur disse quebrando o silêncio. Aparentemente, durante essa breve interação entre Bilbo e o Sr. Gandalf, ele tinha preparado os dois cafés e duas fatias de torta, colocando-as em seguida em bandeja que estava agora empurrando para Bilbo.
– Ah, o pedido. Eu tenho que... levar para o cliente... — Bilbo disse, contente pela interrupção porque Bofur tinha dado a ele uma desculpa perfeita para escapar do olhar de seu chefe. — Com licença...
– Na verdade, vamos deixar Bofur cuidar disso. — Então Gandalf olhou para Bofur e disse: — Educadamente, por favor. Eu vi como você lidou com a situação com aquele cliente e nós vamos ter uma conversa sobre isso mais tarde. — Ele virou-se para Bilbo novamente — Eu preciso que você chame Thorin para mim. Ele ainda precisa preencher alguns formulários para os registros e o contrato dele. Diga-lhe para vir ao meu escritório o mais rápido possível. Eu estarei esperando.
– Ok. — Bilbo disse confuso.
E com isso, Gandalf se afastou caminhando em direção a uma porta com um cartaz que dizia “Entrada somente de Funcionários”. Ele abriu a porta, entrou, e fechou a porta atrás de si.
– Ufa, essa foi por pouco. — Bofur disse com um tom alegre.
– Eu juro, um dia você vai fazer nós dois sermos demitidos.
– Bobagem. Vovô Gandalf nos ama. Ele parece carrancudo do lado de fora, mas no fundo ele nos ama. — Ele sorriu com confiança
– Sim, continue acreditando nisso. — Bilbo disse sarcástico e então mudou de assunto. -Você sabe onde Thorin está?
– Acho que ele está na cozinha. Ele está sempre lá ajudando Bombur com a louça suja e coisas assim.
Bilbo assentiu e deu a volta no balcão para alcançar a porta da cozinha, que ficava atrás do balcão para que apenas os funcionários tivessem acesso. Bilbo estava surpreso que Gandalf tivesse pedido a ele que ele fosse procurar por Thorin. Bilbo não tinha falado com o cara nem sequer uma vez desde que ele tinha começado a trabalhar na cafeteria a alguns dias (o que era extremamente rude) então ele pensou que essa seria a sua oportunidade de se apresentar ao seu novo colega de trabalho.
– Thorin? — Bilbo chamou seu colega enquanto ele abria a porta da cozinha, mas sem obter resposta. — Thorin? — Ele chamou novamente.
A cozinha era muito grande. Havia uma ilha no centro; várias prateleiras com utensílios que dividiram o cômodo em duas seções separadas; um forno e um congelador industrial. Na cozinha havia também a porta para o quarto que era usado como uma despensa, e a porta dos fundos que levava a um beco deserto.
Bilbo deu uma boa olhada ao redor e viu que Bombur (o cozinheiro irmão de Bofur que trabalhava no turno da noite) devia estar em seus 30 minutos de intervalo, porque a cozinha estava aparentemente calma e vazia.
– Thorin? — Bilbo perguntou de novo, quase desistindo de procurar o cara na cozinha, mas então ele viu uma sombra atrás de uma das prateleiras.
Silenciosamente, Bilbo atravessou a cozinha, indo na direção das prateleiras. Quando ele chegou até as prateleiras, ele parou abruptamente quando viu a cena na frente dele. Ele não estava enganado, a sombra que Bilbo tinha visto era de fato silhueta de Thorin. O homem de cabelos escuros estava lá, segurando sua mão contra o peito, com uma expressão em seu rosto que dizia que ele estava sentindo dor. No chão jaziam os cacos do que parecia ser uma tigela de vidro. E a coisa mais perturbadora: sangue. Sangue no chão e sangue escorrendo da mão de Thorin. Ele olhou para aquela cena com espanto por um longo tempo (na verdade, fora apenas por um segundo) até o momento em que a gravidade da situação finalmente atingiu Bilbo.
Thorin estava ferido.
– Oh meu Deus! — Bilbo disse e Thorin finalmente pareceu notar sua presença, porque ele levantou a cabeça e olhou para Bilbo com aqueles olhos azuis profundos e por um momento, Bilbo pensou ter visto medo neles.
Ignorando isso em ordem de tentar socorrer seu colega ferido, Bilbo deu um passo adiante e, sem pensar, ele agarrou a mão ferida de Thorin para examiná-la. Thorin se encolheu, assustado com essa aproximação súbita, mas Bilbo escolheu ignorar isso também. O rapaz loiro estava mais preocupado em examinar a mão ferida para se certificar de que ele não teria que chamar uma ambulância.
– Thorin... — Bilbo disse franzindo a testa, visivelmente preocupado. Havia um corte feio na palma da mão de Thorin que sangrava e parecia profundo. — Como você fez isso...?
Bilbo começou a perguntar, mas então ele olhou novamente para o vidro quebrado no chão e ele podia adivinhar o que tinha acontecido: Provavelmente Thorin tinha deixado tigela cair no chão e ele estava apenas tentando limpar a bagunça e havia se machucado no processo.
Pobrezinho.
– Venha aqui. — Bilbo disse, tomando uma decisão.
Bilbo pegou Thorin pelo pulso e arrastou o homem ferido até a pia de metal na parede para lavar sua mão para que ele pudesse ver melhor o ferimento. Bilbo abriu a torneira e guiou a mão de Thorin para debaixo da agua corrente. O homem de cabelos negros sibilou de dor e puxou seu braço de volta.
– Desculpe, desculpe, mas eu preciso para limpar isso. — Bilbo disse com tom ameno.
Thorin hesitou por um momento, mas eventualmente ele deixou Bilbo guiar sua mão de volta para a água.
– Desculpe. — Bilbo disse quando Thorin sibilou de dor novamente.
Bilbo estava limpando a ferida, mas ele viu com o canto do olho que o homem de cabelos escuros estava olhando para ele com uma expressão estranha, uma expressão surpresa e Bilbo não sabia o que pensar sobre isso. Thorin não disse uma palavra e um silêncio constrangedor caiu entre os dois. Bilbo tentou concentrar-se na tarefa de limpar a ferida até que ele achasse que ela estava limpa o suficiente.
Bilbo fechou a torneira e deu uma boa olhada na ferida na mão de Thorin. É, o corte era profundo. Ele tinha que cuidar disso.
– Vem comigo. — Disse Bilbo, levando Thorin através da cozinha e o homem de cabelos escuros em silêncio deixou-se conduzir. — Espere aqui um segundo, eu vou pegar o kit de primeiros socorros. — Bilbo disse a ele, deixando-o perto da ilha enquanto ele caminhava até um armário perto da despensa.
O rapaz loiro voltou alguns minutos depois, trazendo uma caixa branca do tamanho de uma caixa de sapatos, era o kit de primeiros socorros. Quando ele se aproximou de Thorin, ele notou que o homem de cabelos escuros parecia estar observando cada movimento seu. Bilbo colocou o kit de primeiros socorros em cima da ilha da cozinha e abriu a caixa. Enquanto Bilbo ia procurando dentro da caixa pelos itens que ele iria usar para tratar aquele ferimento, ele percebeu que Thorin desviara o olhar para não ver os ‘aparatos médicos’ que Bilbo ia espalhando sobre a mesa.
– Você está bem? — Bilbo perguntou curioso.
Thorin piscou algumas vezes e balançou a cabeça negativamente, baixando a cabeça em seguida.
Bilbo achou isso estranho, mas preferiu não dizer nada por enquanto. Dos itens que Bilbo tirara da caixa, primeiro ele pegou um frasco com líquido anti-séptico e uma bola de algodão. Ele embebeu a bola de algodão com o líquido e se inclinou para a frente para começar a desinfetar a ferida. Percebendo a aflição de Thorin, Bilbo achou que era melhor que ele não pegasse a mão do homem sem aviso como tinha feito antes, em vez disso, ele estendeu sua própria mão e esperou que Thorin aceitasse sua ajuda. Thorin olhou nos olhos de Bilbo novamente e o rapaz loiro tentou não se sentir sobrecarregado pela intensidade daqueles olhos. Em vez disso, ele sorriu encorajadoramente.
Lentamente, muito lentamente, Thorin estendeu a mão para Bilbo que a segurou gentilmente.
E Thorin ainda não tinha dito uma palavra.
– Isso pode doer um pouco, me desculpe. — Bilbo disse se desculpando.
Ele ouviu Thorin segurar sua respiração quando o algodão fez contato com sua pele e Bilbo perguntou-se se Thorin estava sentindo tanta dor assim ou se ele simplesmente tinha algum tipo de medo de procedimentos médicos. Algumas pessoas são mais sensíveis do que outras, Bilbo pensava.
Agora que Bilbo podia olhar para a ferida sob uma luz melhor, ele podia ver que ela não era tão grave como ele tinha pensado a princípio. Thorin nem sequer iria precisar de pontos. Mas essa não foi a única coisa que ele notou ao olhar para a mão do homem de cabelos escuros.
– O que é isso? — Bilbo perguntou, franzindo a testa enquanto olhava para mão calejada de Thorin. — Isso são... farpas de madeira? — Ele levantou a cabeça e olhou para Thorin por um segundo até que ele entendeu. — Ah, sim, você trabalha meio período trazendo pinheiros para aquela floricultura no fim da rua, não é? Eu vi você lá ontem. — Bilbo corou quando percebeu o que ele acabara de dizer. — Não que eu estava perseguindo você ou qualquer coisa assim... eu estava lá à procura de sementes. Eu quero plantar algumas hortênsias em minha janela, eles vão florescer na primavera se eu plantá-las agora. Eu estou falando demais, não é? Eu... eu vou calar a boca agora — Bilbo disse desviando o olhar.
"Bom trabalho, Bilbo! Essa foi a melhor primeira impressão de todos os tempos!" Bilbo pensou consigo mesmo.
Depois que Bilbo terminou de limpar a ferida com anti-séptico ele aplicou uma camada fina de pomada antibacteriana na mão de Thorin, em seguida ele pegou uma gaze para enfaixar a mão do homem de cabelos escuros.
– Onde estão as minhas maneiras? Estou aqui fazendo esse curativo na sua mão e eu ainda não me apresentei. — Bilbo disse de repente, quebrando o silêncio que tinha caído entre os dois novamente. — Meu nome é Bilbo Bolseiro. — Ele olhou para Thorin e sorriu gentilmente antes de abaixar a cabeça para retomar a sua tarefa de enfaixar a mão ferida.
– Thorin. — Bilbo ouviu uma voz profunda e rouca dizendo e ele levantou a cabeça para ver Thorin olhando para ele com aqueles olhos azuis profundos e desta vez Bilbo viu quando ele abriu a boca e disse: — Meu nome é Thorin Durin." Ele disse e desviou o olhar, corando.
Bilbo surpreendeu-se por finalmente ouvir a voz de Thorin. Era profunda e rouca, tão masculino e forte. Bilbo se perguntou como aquela voz soaria sendo sussurrada em seu ouvido...
“Não Bilbo! Pare com isso!" Bilbo repreendeu a si mesmo.
– Bem, prazer em conhecê-lo, Thorin. — Bilbo disse com um sorriso, tentando fazer Thorin se sentir confortável para falar de novo se ele assim o desejasse, enquanto ele tentava suprimir pensamentos extremamente inadequados.
Thorin sorriu timidamente e não disse mais nada e Bilbo começou a pensar que sua primeira impressão talvez não tivesse sido tão ruim assim, afinal. Silenciosamente Bilbo terminou seu trabalho na mão de Thorin e começou a colocar as coisas de volta na pequena caixa branca.
– Prontinho, tudo feito. Tente manter a ferida limpa e seca, ok?
Thorin abriu a boca como se estivesse prestes a dizer algo, mas então ele ouviu o som da porta da cozinha sendo aberta e passos se aproximando. Thorin desviou os olhos e pareceu engolir as palavras que ele estava prestes a dizer.
– Uh ... Bilbo?
Bilbo virou a cabeça na direção que a voz tinha vindo e ele viu Bofur ali de pé no meio da cozinha, olhando para eles com um olhar curioso.
– Eu preciso de uma ajudinha aqui. — Bofur disse, apontando para a área principal da loja, mas então ele pareceu perceber o clima de tensão no ar e o homem de bigode franziu a testa. — Está tudo bem? — Bofur perguntou intrigado.
– Sim, sim. — Bilbo respondeu imediatamente. — Tudo certo. — Bilbo virou-se para Thorin e sorriu desculpando-se. — Você pode colocar o kit de primeiros socorros de volta naquele armário para mim, por favor?
Bilbo disse e Thorin apenas assentiu. O rapaz loiro começou a andar para longe de Thorin, mas então ele parou e se virou de repente.
– Ah, sim. O Sr. Gandalf quer vê-lo no escritório dele o mais rápido o possível. Ele disse que você ainda tem que preencher alguns formulários ou algo assim. — Bilbo entregou a mensagem que foi a verdadeira razão para ele ter vindo procurar por Thorin — Vejo você mais tarde, Thorin.
Com um sorriso e um aceno de mão, Bilbo seguiu Bofur para fora da cozinha, deixando Thorin sozinho.
Bilbo não ouviu o "Obrigado" que Thorin sussurrou uma vez que ele estava sozinho, nem viu que ele ainda estava ali alguns minutos depois, olhando para o curativo em sua mão com espanto e admiração.
Fale com o autor