Coração de Badboy

7 ... Ou quem sabe a flecha era pra outra pessoa?


Notas iniciais
0.0

— O de morango é mil vezes superior — Hinata falou.

— Tá doida, garota? — Ino rebateu — Milkshake tem que ser de ovomaltine.

E esse era o debate que ocorria entre minhas amigas em pleno intervalo entre as aulas. Se fosse só isso, tudo bem, mas Ino e Hinata não conseguiam debater como pessoas civilizadas (a primeira não era civilizada para quase nada, e a segunda tinha o espírito do debate cultivado em uma família de políticos ao longo de décadas e mais décadas).

Normalmente eu me divertia às custas dos argumentos elaborados que elas criavam acerca de assuntos do dia-a-dia ou completamente aleatórios, como no dia que as duas passaram duas horas falando sobre "O que fazer em um apocalipse zumbi". Não era um simples "Ah, vou me esconder" ou "Vou para um esconderijo", as duas realmente levavam debates a sério, e qualquer mínima falha no plano de uma era duramente criticada pela outra.

— Ino, você tem que entender que o morango é uma fruta que se harmoniza bem melhor em uma sobremesa. Os sabores são complementares. — Hinata explicava como se falasse com uma pessoa bem burra, o que claramente estava deixando Ino bem irritada.

Pedi licença às meninas — que nem me ouviram — porque estava tensa e com a cabeça cheia. Agora após o intervalo teríamos prova de história, e eu não estava muito confiante. Queria dar uma revisada na matéria, principalmente em alguns pontos que não tinham ficado claros, e iria aproveitar os minutos finais antes da aula, por isso fiz o caminho contrário rumo a sala de aula, observando que lá fora fazia um dia bem ensolarado.

Um dia tão bonito e eu aqui estudando…”, além de outros pensamentos, como de que minha mãe podia na verdade ser milionária em um país distante e estar apenas querendo me ensinar uma lição sobre humildade, passaram pela minha cabeça avoada. História não era meu forte.

Ao entrar na sala, liguei as luzes e fui direto pra minha cadeira. O problema foi que uma cabeça se levantou de supetão no fundo da sala.

— Aí Sasuke, credo — botei a mão sobre o peito acelerado — Que susto, garoto. O que você tava fazendo aqui no escuro? — o garoto, que sentava algumas cadeiras atrás de mim, piscou lentamente

Percebi que foi uma pergunta um tanto quanto óbvia, visto que seu rosto estava marcado com os aros do caderno, os olhos inchados e o cabelo todo desarrumado.

— O que você está fazendo aqui, né? Não vai comer não? — resmungou, voltando a abaixar a cabeça sobre os braços.

— Você não vai comer não? — retruquei, indo cutucar sua cabeça de implicância com meu lápis que tinha um pompom rosa em cima. — Daqui a pouco tem prova de história e eu vim revisar.

Ajeitei seu cabelo bagunçado com minha mão livre, já que os fios levemente compridos estavam rebeldes devido a soneca, e o mesmo soltou um som de satisfação.

Depois que tivemos aquela conversa sobre o flerte e "os termos" da nossa amizade, fiquei mais tranquila de agir de maneira amigável com ele, sem ter medo do mesmo confundir as coisas — apesar de ser eu quem sempre estava pensando demais sobre isso. Sempre fui de certa forma carinhosa com meus amigos, quando me sentia confortável com eles, e foi uma surpresa pra mim ver que Sasuke, com toda aquela pose de badboy, ronronava igual um gatinho quando recebia cafuné.

Foi até engraçado a primeira vez que ocorreu. Estávamos na casa do Naruto, os três vendo um filme maluco que Naruto escolheu. O dono da casa estava com a cara enfiada no celular, porque Hinata estava passando mal e não podia vir, então estava lá, todo preocupadinho. Sasuke estava deitado no chão, e eu no sofá ao lado de Naruto. Em determinado momento, meu pé esbarrou nos ombros de Sasuke, e eu decidi que minha distração para o suspense do filme seria ficar empurrando de leve o moreno, que só me deu uma olhada feia de rabo de olho, mas não falou mais nada.

— Sakura! — o moreno reclamou quando, em um momento tenso, empurrei ele muito forte e o mesmo quase tombou pra frente.

Fiz minha melhor cara de santa e sussurrei desculpas, me justificando através do nervosismo no olhar de quem estava preocupada com o rumo do destino dos protagonistas, recebendo outro olhar descontente.

Mais alguns minutos se passaram, e, em outra cena tensa, Sasuke foi empurrado com tudo novamente.

— Tsc — reclamou mau humorado, agora sentando encostado no sofá, próximo a minha cabeça, para que meus pés nervosos não pudessem mais chutá-lo.

— Desculpa — fiz bico, mas ele deu de ombros desdenhando. Não consegui deixar de rir da visão do homem de quase 1,90 de braços cruzados e cara emburrada. — Ah paaaara, o que posso fazer para me desculpar com vossa senhoria?

O moreno imediatamente me olhou com os olhos apertados, e um esboço de sorriso nascendo em seus lábios. Então não precisou dizer nada, apenas aproximou sua cabeça da minha mão com uma expressão de satisfação.

Fiquei paralisada por alguns segundos até entender o pedido por trás dos seus gestos. Os cabelos negros e brilhosos eram convidativos, mas minha mente ainda pensava "Alô gata, é o Sasuke, aquela peste. O filho do Diabo não vai gostar de um…"

— Cafuné? — pensei em voz alta. Após seu grunhido de afirmação, retruquei debochada — Não vou fazer cafuné em você, Sasuke.

Seus olhos de gato me encaravam fixamente, como quem avalia se vai matar o rato ou brincar com ele antes do abate, me fazendo dar um pulinho de susto no sofá pela sua virada brusca. Com a expressão séria como um general de guerra, ele pegou minha mão direita e pôs bruscamente sobre sua cabeça

— Você vai sim — vi o brilho travesso em seu olhar, que cresceu com meus murmúrios xingando ele de abusado e folgado. Ia deixar passar, pois tinha chutado o garoto. Isso e porque seu olhar me deixava completamente tímida, principalmente porque ele parecia ler todos os pensamentos vergonhosos que passavam na minha cabeça.

Parecia que ele sabia que eu tinha pensado que não seria tão ruim passar meus dedos pelos seus fios rebeldes, sentir a textura, ver se eram tão sedosos quanto pareciam. Parecia que ele sabia que eu reparava em como seus olhos e sobrancelhas tinham pelos grossos e escuros, e como achava isso bonito.

Espantei os pensamentos da cabeça naquele momento, e só guardei para mim quando constatei que, sim, suas madeixas eram tão macias quanto achei que fossem, e além disso, tinham um cheirinho de shampoo muito gostoso. Certamente aquele canalha roubava o shampoo caro da mãe dele.

Mas o melhor de tudo mesmo era ver como Sasuke reagia ao carinho. Ele soltava sons de satisfação esporadicamente, e quando eu me distraía e parava, ele começava a balançar a cabeça em protesto. Infelizmente isso era adorável tanto quanto era insuportável, porque a partir daquele dia, virei uma escrava.

E de volta ao dia do teste de história, seus cabelos continuavam do mesmo jeito, macios, cheirosos e convidativos. E, ele do mesmo jeito: folgado, abusado e manhoso.

— Sakura! — o moreno protestou, quando me afastei pra minha cadeira.

Apenas apontei do livro de história para o meu caderno continuamente, até receber um revirar de olhos.

— Sakura, estudar não dá futuro não, o que dá dinheiro é Tiktok.

Ignorei e comecei a estudar. Em meio a revoluções, presidentes e tudo mais, ouço sua voz logo atrás de mim.

— A prova de história é hoje?

Nessa mesma hora, Naruto entrou na sala como um furacão, derrubando alguns estojos e materiais no chão no caminho da porta até minha carteira.

— A PROVA DE HISTÓRIA É HOJE! — ele berrava.

Balancei a cabeça em negação, não acreditando que eu andava com esses dois.

— Vocês são péssimas companhias.

Apesar da lição de moral, passei o resto do nosso intervalo explicando bem resumidamente a matéria para os dois, e falando das questões que eu achava que iriam ser cobradas. Por sorte, duas das cinco que eu havia discutido com eles realmente caíram na avaliação, então me senti feliz de ter ajudado.

Fui uma das primeiras a terminar porque, por sorte, tinha caído tudo o que eu havia estudado, e fiquei esperando o pessoal no pátio, pois provavelmente iríamos sair para algum lugar — era nosso ritual pós prova. Pouco a pouco todos foram chegando, uns com cara de que arrasaram, outros de que foram arrasados, até a Hinata, que foi a última a sair.

— Não conseguia lembrar do nome daquela bendita Batalha da questão 3… — ela resmungou, sendo abraçada por Naruto.

— Eu prefiro nem comentar sobre essa prova. Vai pesar minha energia — o loiro disse, fazendo voz de sua personalidade alternativa, o Naru Guru (palavras dele). Sempre ríamos com o aparecimento de Naru Guru.

— O que vocês vão fazer agora, gente? — Temari perguntou, ainda deitada no banco do pátio. Igual o Sasuke, no dia que disse que era afim de mim.

Balancei a cabeça. Que pensamento aleatório, Sakura.

Mesmo assim, me peguei questionando para onde o moreno tinha ido, e se havia ido bem na prova. Droga, tenho que pensar menos nele.

— Então, eu tenho treino agora depois do almoço. Se vocês quiserem ir, é uma hora só, e depois podemos ir à sorveteria — disse Naruto, apontando com o queixo para a quadra do outro lado do pátio.

Todos deram de ombros sem muita empolgação, mas ninguém rejeitaria uma hora de fofoquinha pós almoço, recomendada inclusive entre os médicos para uma boa digestão.

~-~

Estávamos todos na quadra. Naruto e Sasuke jogando futebol, Ino treinando sozinha alguns movimentos da coreografia das líderes de torcida para o jogo do fim de semana — tentando não olhar muito para o seu ex, Gaara, que corria a poucos metros de distância —, e o resto de nós estava na arquibancada, jogando conversa fora e vendo memes no celular.

Em certo momento, começou uma discussão em campo, e paramos para observar a gritaria.

— Meu Deus — pensei em voz alta. Hinata, que estava ao meu lado, igualmente contemplativa, afirmou com cabeça.

— Se me perguntar uma regra desse jogo eu não vou saber dizer… — ela suspirou, os olhos vidrados em seu namorado fazendo um barraco no meio da quadra. Rimos calorosamente.

— Meninas, estamos indo! O sorvete fica pra próxima — Temari aproveitou a deixa, levantando com Shikamaru. O moreno apenas fez um rostinho malicioso frente ao nosso semblante decepcionado.

— É que a Temari quer provar outra coisa hoje… — ele quase não conseguiu terminar de falar, antes de tomar um tapa na cabeça. — Ai cara, você me maltrata demais.

— Você gosta que eu sei — ela falou provocante, e saiu andando dando tchau para nós.

— A minha boca tem o mel — o moreno cantarolou, causando risadas em nós ao levar outro tapão na orelha.

— Aiai, esses dois… — suspirei. Na mesma hora, Ino se reuniu comigo e a Hina.

— Ué, os pombinhos foram embora?

Apenas explicamos que eles tinham ido se pegar, conforme conhecimento de todos. Ino deu de ombros e se aproximou de nós, em tom de fofoca confidencial.

— Meninas, acabei de ver uma ruiva gostosona andando pelo pátio.

— Uuuh!

— Aluna nova?

— Não sei, gente — a loira confidenciou — Mas era gata, e estava conversando com o professor Orochimaru. Talvez entre pra escola, né?

— Puts, Orochimaru?

— Ela parecia legal?

— Será que é aqui da cidade?

A entrada da dita cuja na quadra parou todas as nossas confabulações. Imediatamente, eu coloquei a mão na cabeça, chorando por dentro.

— Puta merda, é a Karin — choraminguei.

Enquanto eu choramingava, as meninas me bombardeavam com mil e quinhentas perguntas por segundo. Eu só conseguia sentir um gosto de terra lá no fundo da boca, tendo flashbacks terríveis.

Depois de um momento de contemplação da minha desgraça, respirei fundo.

— Gente, não sei se já comentei com vocês que o Naruto tinha uma prima, que me odiava, que afundou minha cara no canteiro… Essas coisas… — falei cautelosamente, enquanto as meninas buscavam a informação na memória. — Então, é ela.

Meu lamento foi interrompido pela cena abaixo. Karin foi diretamente falar com Naruto e Sasuke na quadra, e o loiro, que ficou extasiado, começou a pular de alegria e a nos chamar para apresentar Hinata a prima.

No momento que senti os olhos castanhos sobre mim, estremeci. Aquela menina era o demônio. Quando Naruto e eu nos conhecemos no 6° ano, nos aproximamos muito e por isso eu frequentava muito a casa dele, e ele a minha. Porém, um belo dia, apareceu a Karin de passeio em sua casa — o que se repetiu por alguns anos até rolar um barraco entre os pais deles por causa de um pedaço de bolo roubado da geladeira, daí as visitas pararam —, e por alguma espécie de ciúmes a garota resolveu me bater de vinte formas diferentes, sendo a pior delas envolvendo minha cara num monte de terra adubada. Depois daquele dia, nunca mais plantei nem um grão de feijão no algodão.

— Nós odiamos ela, Sakura? — Ino perguntou de olhos cerrados, e eu neguei com a cabeça. Já faziam quantos anos que não a via, uns três? Éramos muito novos, as coisas mudam certo?

Quer dizer, espero que tenham mudado.

— Hinaaaaa, vem cá logo! — o loiro pulava animadamente. O treinador do time pareceu estar cansado demais para argumentar a interrupção do seu treino de novo, e acabou liberando o resto dos meninos, sobrando apenas nós na quadra em poucos minutos. — Amor, essa é minha prima da minha cidade natal, a Karin, que eu te falei! Karin, essa é a Hina minha gata, aquela é a Ino e essa é a Sakura, que você já conhece né.

O loiro, alheio a tudo e todos, não percebeu minha cara de desconforto. Apenas franzi o cenho enquanto recebia uma olhada dos pés a cabeça da ruiva, que me encarava de uma forma engraçada.

— Oi Sakura! Quanto tempo. — disse depois de cumprimentar minhas amigas. Sua voz estava diferente, mais potente e madura. Além disso, tinha uma roupa bem Indie alternativa, um piercing bem conceito no lábio, e tinha crescido uns bons centímetros a mais que eu.

Acho que preciso entrar pra academia, se ela decidir me bater de novo eu vou ter que apelar pra tática do mato ou morro. Ou corre pro mato, ou corre pro morro.

— Oi Karin, verdade faz bastante tempo… — sorri, sem muito carisma pra reagir de uma forma mais amigável, estranhamente acuada sob seu olhar.

Pra completar a situação, Sasuke estava ali parado observando tudo calado. Então, lembrei que Sasuke e Naruto eram amigos de infância e tinham vindo da mesma cidade, então provavelmente ele e a Karin também se conheciam.

— E aí meninos, qual a boa de hoje? — a ruiva empurrou Sasuke com o próprio ombro, tirando um sorriso de lado do moreno.

— Hoje é quinta-feira sua pinguça — o moreno implicou, devolvendo o empurro. — Vamos só tomar um sorvete e depois ir para casa.

— Aaah, Sasuke. Você já foi melhor — ela riu.

É, eles se conheciam mesmo.

— Pois é prima, estamos focados para o campeonato. Mas tem uma sorveteria muito boa aqui perto, vamos lá pra gente conversar mais.

Pegamos nossas coisas e fomos andando lentamente para a sorveteria. Naruto, Hinata, Karin e Sasuke iam mais à frente, com a ruiva fazendo perguntas casuais para a nova namorada do primo, se mostrando uma pessoa normal e simpática, e de vez em quando trocando farpas com Sasuke e Naruto.

— Acho que eu nunca vi o Sasuke agindo como uma pessoa normal — Ino comentou surpresa.

— Também acho que nunca vi ele falando tantas palavras assim — tirando quando tivemos nosso encontro.

Um sentimento estranho pesou no meu estômago enquanto continuamos andando e observando a dinâmica do grupo à nossa frente. O que só aumentou quando os dois deram os braços para passar pela porta da sorveteria.

Eles pareciam tão… íntimos.

— Alô, terra para Sakura — Ino passou a mão na frente do meu olho. — Tô há 20 segundos te chamando. Tá chapada?

— Aí amiga tô viajando, desculpa. Pensando na próxima prova que teremos. — desconversei. Minha mente estava cheia, então balancei a cabeça. Sakura, por que você está sentindo essas coisas? Se recompõe mulher, vamos agir naturalmente.

Todos fomos pegando nossos sorvetes, e depois fiquei observando todos conversando alegremente. Estava me sentindo meio estranha, mais quieta que o normal, mas fazia comentários de vez em quando. Karin também parecia não ter mais nada contra mim, perguntou como estava minha mãe e relembrou de algumas presepadas que fizemos na praça da cidade. Todos pareciam alheios ao meu incômodo sem fundamento e eu preferi assim, pois não saberia explicar porque estava incomodada. Na verdade nem eu sabia, talvez apenas seja mais difícil desfazer um ranço de anos.

— Gente, o papo tá bom, mas vou ter que ir. Acabei de receber uma mensagem da minha mãe que ela se perdeu na cidade — a ruiva riu enquanto digitava freneticamente no celular. Se dirigindo ao Sasuke, ela disse — Paga meu sorvete Sasukinho, mais tarde eu passo na sua casa e peço lanche pra gente. Vai lá também Naru, leva a Hina. — ela levantou como um furacão, pegando seus pertences rapidamente — Beijão gente, beijos Ino, beijo Sakura, bom rever você. Vamos marcar uma resenha. Tchau galera!

Ela saiu dando tchauzinho e iniciando uma ligação com a mãe, já ditando coordenadas, e eu respirei um pouco aliviada enquanto todos retribuímos suas despedidas. Minha boca estava meio seca e com um gosto amargo, mesmo que meu sorvete fosse de chocolate.

— Ela não mudou nada, né? — Naruto riu — Sempre ligada no 220.

Daí pra frente a conversa da mesa esfriou. Terminamos nosso sorvete e na fila do caixa, enquanto eu catava uma moeda do fundo da mochila, Sasuke me cutucou de leve no ombro.

— Então você conhece a Karin? — ele puxou assunto.

Aff. Esse nome de novo.

— Sim. — respondi meio seca, finalmente pegando a maldita moeda fujona.

Moeda chata e boba.

— Tá tudo bem, Sakura? — ele perguntou, interrompendo meu resmungo baixinho, com um vinco formado no meio da testa.

— Sim, Sasukinho, está tudo bem. — coloquei minha comanda e meu dinheiro na mão do atendente, que tinha os olhos meio arregalados pela minha brusquidão. — Na verdade, tudo mais que bem. Tudo ótimo. Tudo perfeito.

Sasuke apenas me observou com uma sobrancelha arqueada, enquanto eu pegava meu troco e ia embora, dando tchau para todos.

~-~

Pode-se dizer que o resto do meu dia foi meio caótico. Estava estressada, irritada com qualquer coisa. Minha mãe falou que eu estava atrapalhando a paz interior dela e saiu para encontrar com as amigas do pilates. Eu decidi que realmente estava muito estressada e fui tentar fazer uma aula de yoga iniciante na sala, mas o tapete escorregou e eu dei com a fuça no móvel.

Dia lindo, dia brilhante.

Fora isso, meus estudos acabaram não rendendo muito, e a internet da casa estava lenta demais para maratonar uma série.

Bufei, cansada depois de um banho quente, sem saber o que fazer. Estava muito cedo pra dormir. Fiquei mexendo no celular, até lembrar de Karin.

Quando dei por mim, já estava abrindo seu perfil no Instagram. Lá estava ela, toda ruiva e feliz. Várias fotos conceituais de cafeterias, floriculturas, paisagens. As poucas fotos de seu rosto eram lindas e conceituais. Eu podia reclamar do que fosse, mas a garota tinha estilo e uma vibe boa.

Infelizmente nada pra eu falar mal.

Mais uma vez, sem nem notar conscientemente, estava stalkeando outro perfil. Dessa vez do Sasuke. Tinham só três fotos postadas, uma de um gato preto, outra de um jantar em família e outra dele em cima de uma moto grandona fazendo joinha. Todas postadas há mais de dois anos. Ainda sim, o moreno era seguido por bastante gente, e nem lembrava, mas nos seguíamos. Fiquei surpresa que ele me seguia, pois o mesmo não seguia muitas pessoas.

Olhei nas suas fotos marcadas, e tinham várias do perfil do time de futebol da nossa escola, algumas com a família, em grupos de amigos. Uma em específico chamou minha atenção.

Tinham várias pessoas em volta de uma mesa de sinuca, em o que parecia uma festinha. Ao fundo, Sasuke estava com os braços sobre os ombros de Karin, que fazia um biquinho em direção a bochecha do moreno.

Bloqueei meu celular, enfiei a cara no travesseiro e soltei um grito.

— Acho que eu estou ficando maluca. — encarei o teto, com as bochechas quentes de vergonha, raiva e… outra coisa que não saberia explicar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.