Coração da Vida
1 Capítulo 1
Capítulo um
Está chovendo de novo, a cidade parece deserta, deve ser porque na chuva quase ninguém sai da cama, eu também não ia sair, mas tenho que visitar meu avô no hospital, se bem que ele está quase morrendo, mas fazer o que? É família.
Faltam mais ou menos meia horas para chegarmos, se meu pai não passar dos 30 km/h, enquanto o tempo passava naquele pequeno carro, eu fitava a janela, olhando as gosta de chuva correr pelo vidro, me lembro de quando era criança, e imaginava como se fosse uma corrida,e confesso,estava torcendo pela gota da esquerda.
Finalmente chegamos aquele lugar não era um lugar muito agradável. Subismo as escadas e entramos no quarto em que meu avô estava, não era novidade ele estar dormindo, olhei ao redor e vi uma cama para pacientes, estava vazia, pensei em sentar nela.
-Filha, não sente ai, alguém pode brigar — minha mãe é controladora- sente aqui na cadeira!
-Se alguém me ver, fala que sou paciente, pelo meu estado de animo pode achar que estou quase morrendo!
-Vida, não estou brincando!
Alguma mãe tem apelidos carinhosos para seus filhos, mas esse é meu nome mesmo. Vida. Não sei quem escolheu, creio que foi minha avó, mas isso é bom, gosto de ser diferente, até mesmo no nome. Meu avô acordou! Finalmente, pensei que já tinha batido as botas!
-Vida, como você está ? –meu avô se preocupava muito comigo,parecia a filha dele.
-Bem até, só meio cansada, mas nada que dez horas de sono resolva.
-Hmmm — ele só sabia falar isso como resposta para certas coisas.
Assim que estávamos quando indo para casa, chegaram duas enfermeiras, logo atrás três caras, que trazia uma maca, com um rapaz deitado nela, acho que veio de uma cirurgia, ele estava dormindo, provavelmente estava em efeito de sedativos. Os médicos o deixaram lá e saiu, uma enfermeira colocou um soro na veia dele, escreveu o nome dele na placa, e saiu. Aproximei-me para ler o que estava escrito.
Nome: Enzo
Idade: 16 anos
Paciente com problemas cardíacos.
Nossa, ele era um ano mais velho que eu, e sinceramente, ele era um gato, cabelo preto, fino como fios de seda, pele bronzeada, deve ser da Califórnia. Quando cheguei mais perto, para ver uma pulseira quem estava na cômoda dele, ele se mexeu, estava acordando, meu pai me puxou pelo braço.
-Vida, vamos embora, deixe esse rapaz descansar – o tom de voz dele era de pai com medo da filha se apaixonar por um rapaz que só sabe o nome.
Depois de duas semanas, minha mãe recebe uma ligação,acho que era do hospital.
-Alô? – meio preocupada ela atendeu a ligação.- sim,aham,sei,entendo,estamos a caminho.
-Vovô está bem mãe?
-NOOOLAAAN – minha mãe deu um grito tão alto que provavelmente os vizinhos escutaram.
E lá vem meu pai desesperado correndo, como um louco derrubando tudo, quase atropelando o cachorro.
-O que aconteceu? O que a vida quebrou dessa vez?
-Hã ? Tudo eu nessa casa!
-O hospital ligou, papai recebeu alta hoje !
-Que bom, vamos busca-lo !
Ah,não consigo acreditar, meu avô estava internado já fazia sete meses,e justo quando entra um gato no mesmo quarto que ele, recebe alta. Droga. Pela primeira vez, o dia estava ensolarado e meu pai já ultrapassou cinquenta quilômetros, isso é um marco na história da família. Assim que chegamos, vovô estava sentado na cama, conversando com o Enzo, meu Deus, ele tinha olhos castanhos tão claro quanto o céu naquele dia. Meu pai trouxe uma muda de roupas e levou meu avô no banheiro para ajuda-lo a se vestir.
-Filha – disse minha mãe com tom de felicidade- vou assinar os papeis,espere aqui.
- Até porque eu não ia ir embora com o carro.
Logo minha mãe se retirou da sala,e eu estava sozinha…
-Oi – aquela voz era doce e meiga. Era ele, o Enzo falando comigo, me sentia com fogos de artifícios por dentro.
-Olá – Ufa! Pelo menos não gaguejei.
-Você deve ser a Vida, seu avô me contou de você!
-Assim,ele sempre fala de mim para todo mundo que ele conhece.
-Hm, prazer sou En..
-Enzo! –nossa eu não deveria ter interrompido ele, me sentia uma menina sem educação.
- Isso,como você sabe?
Bom,era óbvio pela placa na cama dele,mas tentei ser engraçada.
-Seu avô me disse. – falei aquilo com uma risada, tentando incentivar ele a rir.
-Acho meio difícil, já que meu avô morreu!
-Paterno? – foi a primeira coisa que veio a cabeça para tentar amenizar a situação.
- O pai do meu pai morreu quando ele tinha quatro anos. – eu não sabia onde colocar minha cabeça naquela hora, primeiro cara que eu conheço, faço uma merda dessas.
-Ah,desculpe.
-Brincadeira! – filho da puta- Mas então, você vem sempre aqui?
-Até hoje,porque meu avô recebeu alta,então…
-Droga!-disse ele olhando pro chão.
-O que foi ?
-Queria pode lhe ver de novo. – minha nossa! Aquilo deixou meu dia muito mais… Feliz- Você poderia vir nos horários de visitas?
-Ah….Claro.
-Que bom. Assim posso conversar com você por mais tempo!
Nada poderia estragar aquele momento crepúsculo, até meu avô sair do banheiro com meu pai. Isso soa meio estranho. Então fomos para casa, fiquei olhando pela janela do carro, com meu fone de ouvido, escutando minha música favorita Here Comes The Sun
(Beatles).
-Mãe !
-Oi filha ?
-Posso ir pro cinema amanhã? Quero sair um pouco de casa!
-Boa ideia! Que filme vamos ver?
-Eu prefiro ir ver com a Eimili! –Emili era minha amiga,ou não,tivemos uma briga.,
-Vocês não brigaram?
-Sim, mas fizemos as pazes! –Mentira.
-O.K
Eu precisava de uma desculpa para ir ver o Enzo,se eu falasse a verdade, provavelmente meu pai ia querer ir junto, e isso não seria muito legal. Coloquei o fone de volta,liguei na mesma música,em modo repetir,então encostei a cabeça no vidro do carro,e dormir,e mesmo que tenha sido por vinte minutos, eu sonhei com ele.
Capítulo dois
Mal posso acreditar que ele era real, um cara tão doce, lindo e inteligente quer conversar comigo, talvez seja porque eu sou a única opção dele, ou eu,ou as enfermeiras. Merda, eu deveria saber que isso era bom de mais para ser verdade, ele só fala comigo, pois eu sou a mais idiota que ele encontrou para conversar. Droga. Tirei o vestido que eu havia escolhido, todo amarelo com tulipas na estampa, coloquei meu pijama, e deitei na cama, liguei a TV mas não tinha nada de interessante passando, então peguei o aparelho de DVD,coloquei Glee 4° temporada, e comecei a cantar junto, mesmo que minha voz seja horrível, eu sempre fui fã da série, meus personagens favoritos são Blaine e Santana, como eu amo esses dois. Quando chegou no 17° episódio (Sim,eu vi dezessete episódios seguidos), minha mãe bateu na porta e entrou.
-Você não ia ao cinema?- Ele estava em pânico,achou que eu me atarsei.
-Ia. Mas eu desisti, os filmes em cartaz são chatos, então…
-Hm, vamos na farmácia comigo? – como se aquele fosse um belo programa para um dia de sol.
-Tá. –naquele dia eu estava sem animo nem pra piscar.
Minha mãe dirigia melhor que meu pai,deve ser pelo fato dela ir mais rápido que ele,assim que entramos na farmácia ela tinha esquecido o nome do remédio.
-Ai,saco, esqueci o nome do maldito remédio do seu avô, já sei, como o hospital esta aqui perto, vamos passar lá e eu pergunto o nome.
-O QUE? –eu não posso ir pra lá,não quero mais ver o Enzo. – Mãe,vamos procurar na internet!
-Não confio nisso de internet. Vamos logo,anda.
-Tá, mas eu vou esperar no jardim do hospital,não quero que o e En… Não quero entrar!
-O.K
Mamãe subiu as escadas correndo, em direção à sala do médico que atendia o vovô, enquanto isso sentei no banco do jardim e comecei a ler A Culpa É das Estrelas, como o Augustus era perfeito, queria que ele estivesse aqu..
-Oi Vida! –Droga,o Enzo estava aqui no jardim.
-Ah,oi –mais animada que um cadáver.
-O horário de visita acabou, porque você não venho mais cedo?
-É que estava com dor de cabeça, então fiquei em casa.
-Entendi, e porque você está aqui?
-Minha mãe veio atrás do nome de um remédio pro meu avô.
-Hmm-Coitado, ele estava tão triste, como eu pude ser tão burra? –Mas se seu estiver melhor, passo venho lhe visitar.
-Recebo alta amanhã, e vou voltar para Los Angeles. – Ele morava em L.A e estava aqui em, Providence ?
- Porque você esta aqui,se mora eu L.A ? –sou curiosa.
-Tive um problema do coração, enquanto visitava meu tio, então ele me trouxe para esse hospital. Ele mora no próximo quarteirão.
Droga, quando eu tive a chance de visitá-lo, eu dou uma de idiota e agora ele vai embora, merda. Bom eu poderia pedir o endereço do Facebook dele, assim mantínhamos contato.
-Você tem conta no Facebook?
-Não. Não gosto muito dessas coisas, prefiro ar livre. –não entendi o que ele quis dizer,mas tudo bem. –Você tem celular,assim podemos nos falar por WhatsApp ou SMS.
-Ah sim – Entreguei meu numero a ele. Minha mãe já buzinava de dentro do carro.- Tenho que ir.Adeus.
-Até qualquer dia. –disse ele com um sorriso no rosto.
Quando chegou a noite, dois dias depois daquela conversa, recebi uma mensagem, nem olhei, deveria ser da operadora. Acordei cedo, me arrumei e fui para escola. Era aula de sociologia, uma das aulas que eu menos gosto, já não aguento mais ouvir falar de Durkheim, entre uma chatice e outra, resolvi mexer no celular, quando olhei, a mensagem era do Enzo.
Oi, como você esta? Acho que não devo ficar longe de você mesmo, ontem tive uma parada cardíaca e vou ter que ficar aqui por mais alguns dias.
Eu estava tão feliz, não pelo fato dele ter uma parada cardíaca, mas por ele fiar por mais alguns dias. Assim que acabou a aula, liguei para mamãe e disse que ia pro shopping com a Laura (Uma amiga que acabei de inventar). Peguei o ônibus e fui visitar o Enzo. Ainda falta vinte minutos para começar o horário de visita, então sentei na grama do jardim, abri a mochila e tirei meu livro favorito, A culpa É das Estrelas. Eu tenho três livros desse, um no carro, outro em casa, e esse na mochila. Quando faltava algumas páginas para acabar o livro pela décima vez, uma funcionária do hospital venho em minha direção !
-Posso ajuda-la? –tom de voz doce e enjoativo.
-Sim, quero visitar meu amigo. Enzo… (Eu não sabia o sobrenome dele).
Enzo Rangél ?
-Deve ser esse mesmo.
-Pode entrar.
-Obridaga,moça.
Quando entrei, o tio dele estava conversando junto ao médico na porta da sala,esperei ele sair,levou cerca de quinze minutos, nesse tempo eu terminei de ler A.. você sabe.
-Oi Enzo, como você está?
-Oi Vida,estou bem, para quem poderia estar morto.
-Hmm, então o que você quer fazer? Tenho a tarde livre!
-Podemos conversar? –ele parecia feliz para quem estava em uma sala de hospital chata há dias.
-Sobre o que você quer falar?
-Você! Do que você gosta?
-Livros e músicas. –isso não é mentira, ás vezes eu acho que ler é um dom que Deus deu a todos, mas poucos sabem como usa-lo. –E você?
-Festas, sair com amigos, e assistir Glee. –Ok, eu preciso me casar com ele.
-Eu também, diz ai, você namora muito?
-Não. Apenas fico, namorar não é comigo, sabe?
-Sim. – pensei em falar “Hm”, mas não achei que seria uma boa ideia.
-E você, Vida? Quanto namorados você já teve? –nossa como eu posso responder a isso? Eu nunca tive um namorado, e só beijei um garoto em toda minha vida! Foi estranho, pois ele era alta, magro e tinha uma voz muito fina, apesar de ser meu primeiro beijo, e único até agora, eu me considero BV, pois não foi o beijo especial que qualquer garota poderia esperar da primeira vez.
-Não, sou bem reservada, e a moda antiga! –que merda que eu falei.
-Hm, entendo, você fica bastante em casa? –claro, até porque sou “BV”.
-Sim. –essa conversa estava ficando meio que sem graça, até porque ele estava sem graça, não sei o motivo, não sou nenhuma garota linda que deixa os rapazes nervosos.
-Desculpa. –ele estará envergonhado?
-Desculpa? Como assim?
-Nunca falei com uma garota… como você. –porque será?
-Como eu?
-Sim, que não se importa com o corpo, — nossa,será que foi um elogio? – e não fala só de moda ou de shopping.
-Ah sim, é sou meio que…normal. –ele riu.
-Nossa! Tenho que ir, mamãe deve estar preocupada!
-Como você sabe?
-Por que tem trinta e três chamadas perdidas. –estou ferrada.
-Vish, você se ferrou legal.
-Pois é.
Bom,não estávamos em frente a minha casa depois de um cinema, então ele não ia me beijar como despedida. E agora? O que eu falo ?
-Bom,acho que já vou, não quero meu pai chama a policial!
-Policia?
-Pela demora ele pode achar que fui sequestrada. –isso nunca aconteceria, até porque, não tenha nada que possa custar um resgate.
-Ah, Vida, tem uma sujeira no seu rosto! –droga,além de não ser atraente, ele pode pensar que não tomo banho pelo visto.
-Onde?
-Pera, deixe eu ver,perto do seu olho, aqui ó…-cheguei mais perto para ele tirar essa sujeira maldita. Até que ele me beijou! Meu Deus do céu, que beijo foi aquele? Fiquei sem fôlego por alguns segundos, esse sim, foi o beijo perfeito.
Capítulo três
Depois do beijo perfeito, eu estava tão feliz, que me esqueci até que já se passou quase um mês, trocávamos SMS até tarde da noite, muitas vezes eu acordava com mensagens dele, me desejando um ótimo dia. Bom, como hoje é sábado eu posso dormir até tarde, sendo que eu não passo das nove da manhã, mas, posso ficar até anoitecer falando com o En… Merda, acabou meus créditos. Raiva. O jeito é ir tomar café mesmo. Meus pais estavam na mesa, meio desanimados, e meu avô estava no carro, pude ver pela porta aberta! Cadê o café? A mesa estava arrumada, será que esqueceram que eles tem uma filha?
-Mãe? Cadê meu café? Pode ser cereal mesmo- eu estava faminta.
-Filha,precisamos conversar- o que eu fiz dessa vez?
-Sobre?
-Bom -começou meu pai,com a voz meia que deprimente.- seu avô teve dores muito fortes ontem a noite, e precisamos leva-lo ao hospital.
-Ok, pode ir eu me viro aqui.
-Filha –prosseguiu minha mãe- é no hospital de Washington, não queremos lhe levar, pois será muito cansativa essa viagem!
-Tudo bem! –finalmente, vou ficar em casa sozinha, e dar uma festa, pera, se eu der uma festa, quem eu vou chamar? Meu urso de pelúcia?
-Mas sua avó esta vindo, ela vai ficar com você, vamos ficar uma semana fora, ou mais, ainda não sabemos direito.
-Tudo bem. Vou ficar bem, tem macarrão instantâneo, né ? –se não tem, eu to fudida.
-Sua avó vai fazer bolo de brócolis para você, -nossa, eu amo tudo que tem brócolis.- ela vai dormir no quarto de visitas.
-Tá mãe, já entendi, podem ir, vou sobreviver.
-Okay, nos de um abraço. –ele me apertaram tanto, parecia que eu estava me mudando pelo tempo que ele ficavam me beijando, abraçando etc…
Me despedi do vovô, e fiquei vendo o carro partir em meio a neblina da manhã de chuva e frio. Minha avó, a Grace, chegou depois de algumas horas, durante esse tempo eu coloquei crédito no celular, assisti Glee 3D,e aproveitei para fazer o dever de casa. Mas estávamos em junho, então eu entraria em férias depois de uma semana. Quando a vovó chegou, foi logo fazendo biscoitos e bolos, já preparava o estoque para aquela semana. Eu adorava ajuda-la nas receitas, então fizemos uma lasanha juntas.
-Vida, me diga uma coisa, -começou ela com aquele papo de sempre. –já esta namorando?
-Não vó, conheci um rapaz,mas é só amizade, e um beijo. –saiu sem querer.
-Beijo? Como ele é? Estuda com você? È mais velho? Bonito?
-Vovó –não queria ter essa conversa- podemos falar de outra coisa?
-Hm..tudo bem. –acho que esse “Hm” persegue nossa família.
-Mas…Ele é um gato.
-Ah, eu sabia. –ela estava mais feliz que eu.
Depois da lasanha, fomos assistir um filme, a vovó sempre gostava de ver filmes gospel, então assistimos A Prova de Fogo. Fui dormir era mais de onze horas, deitei na cama, e logo depois meu celular tocou. O Enzo estava me ligando pela primeira vez, será que aconteceu alguma coisa?
-Alô? – minha voz estava com som de preocupada.
-Olá Vida,tenho uma boa notícia!
-Ufa! Pensei que tinha acontecido algo ruim.
-Não não, recebi alta hoje a tarde! – isso é uma boa notícia pra mim?
-Que bom. –não queria demonstrar tristeza na minha voz.
-Mas, vou ficar com meu tio, estou de férias da escola, apesar do atestado, estou realmente de férias e não quero voltar, é as mesmas pessoas, isso enjoa.
-Hm, que ótimo –dessa vez eu estava muito feliz. –você vai fazer o que amanhã a tarde?
-Não era eu que deveria perguntar isso?
-Ah sim,desculpa.
-Então Vida, vai fazer que amanhã?
-Ah, eu vo…
-Ótimo, passo para lhe pegar as duas. Boa noite. – ele nem deixou terminar a frase, provavelmente ele sabia que eu ia ficar em casa.
-Boa noite.
-Desde que eu não esteja naquela cama dura de hospital, vai ser.
Agora sim, eu mal poderia esperar meu primeiro encontro, o que será que vamos fazer? Coloquei o vestido amarelo com tulipas, o mesmo que eu ia visita-lo no hospital. Quando eu estava quase pronta, minha avó entra no quarto, com um presente.
-O que é isso vovó? –eu sabia que era pra mim.
-É para você! Eu sabia que você tinha conhecido um garoto, então trouxe isso. –como ela sabia? Ah,vovô.
-Obrigada. –era um vestido, todo roxo com detalhes bem trabalhados, ele ia até o joelho, tinha uma alça toda decorada com flores. Aquele sim era o vestido perfeito. –se a senhora sabia que eu tinha conhecido um rapaz,porque perguntou ontem?
-Queria ouvir da sua boca, como foi.
-Hm, mas obrigada, eu amei. Mesmo.
-Que bom, tenha um ótimo dia!
-Garanto que vou ter.
Depois de uma hora, o Enzo tocou a campainha. A vovó foi atende-lo, enquanto eu terminava de me arrumar. Conseguia ouvir a conversa deles, até porque a parede que separa meu quarto da sala, é fina.
-Olá senhora. Sou Enzo, a Vida está? –ele estava mais educado que antes.
-Sim, entre querido, vou chama-la, fique a vontade.
Pela primeira vez ela entra no quarto sem bater na porta.
-Nossa, ele é um gato. Parabéns pela escolha.
-Obrigada.
Quando abri a porta do quarto, ele se levantou rapidamente do sofá, estava com uma calça jeans e uma camisa xadrez branca com roxa. Que combinava com meu vestido. Tudo estava perfeito.
-Depois falam que a vida não é bela. –a, só não agarro ele agora porque a vovó está aqui.
-Você também está lindo.
-Vamos?
-Sim.
Quando estávamos perto da saída, minha a vovó grita.
-Usem camisinha. –ai que vergonha, minha avó não poderia fazer isso.
Enzo riu baixinho, e eu olhei pro chão, para disfarça porque estava toda vermelha. Ele tinha vindo com uma bicicleta. Ótimo. Só faltava meu vestido subir com o vento. Ele subiu e eu não tinha andado de bicicleta antes, não sabia onde segurar, e se eu caísse?
-Você pode segurar em mim. Abraça-me, não vou lhe deixar cair. –ai, que perfeito.
Mesmo que eu morasse aqui desde que nasci, essas ruas nunca foram tão lindas, o vento batia no meu rosto, com uma brisa leve, com cheiros de flores, que estavam espalhadas como um enorme tapete pelo campo. Eu encostei minha cabeça nas costa dele, e fechei meus olhos, torcendo para que não fosse um sonho, e se fosse, quero entrar em coma.
Depois de quinze minutos pedalando, ele parou enfrente a entrada do bosque, eu não poderia entrar ali, minha mãe disse que estupradores vivem aqui.
-Eu não posso entrar. –eu estava com medo.
-Não se preocupe, estou aqui. –que bom alguém para correr comigo.
-O.K
Ele me conduziu pelo caminho, entramos em um campo, mas lindo que aquele que vi durante o passei de bicicleta. Tinha todos os tipos de flores; girassol, tulipas, rosas, orquídeas, lírios, margaridas. Todas misturadas, mas cada uma com sua cor, o que tornava o campo colorido e mais belo. Sentamos em um balanço, que estava em uma macieira, cheia de maças por sinal. Aquilo só poderia acontecer em filmes, mas era real.
-Bom, o que vamos fazer? –eu não queria perguntar isso, mas estava meio entediada.
-Bom, eu trouxe uns livros para lermos, já que você gosta tanto. –eu realmente adorava ler, mas eu não me arrumei assim para ler.
-Eu gosto de ler, mas você não tem outra coisa em mente? –sinceramente, isso não estava em meus planos.
-Sim, tenho um plano “B”.
-Hm, qual é?
Sem que eu pudesse esperar a resposta, ele me surpreendeu com um beijo, seu lábio estava quente, aquele foi um momento muito especial, enquanto o beijo rolava ele foi se jogando na minha frente lentamente, então eu caio do balanço, e ele caiu em cima de mim.
-Você está bem? –perguntou ele meio preocupado.
-Melhor impossível.
Mesmo que nós estivéssemos deitados na grama, com aroma de todos os tipos de flores, eu só estava ligando para aquele beijo. Foi o momento mais perfeito da minha vida. Os pássaros cantavam cada vez mais altos, o vento sobrava no meu ouvido, parecia que até ele tinha uma melodia, com certeza, eu não era mais BV.
Capítulo quatro
Todas as músicas românticas finalmente fazem sentido para mim, depois daquele dia,
09 de junho, eu me sinto mais viva. Passamos as últimas semanas nos falando por telefone, facebook (Depois de convencer ele de criar uma conta), e-mail e tudo tipo de comunicação existente. Ele sempre vinha aqui em casa, minha avó agora é mais liberal depois de conhecer ele. Era uma tarde chuvosa e fria, a vovó estava dormindo.
-Então, que vamos fazer? –ele perguntou a mesma coisa a duas horas atrás.
-Que tal assistirmos um filme? –foi a primeira ideia que veio a minha cabeça.
-Uma ótima ideia, quer vê um romance?
-Que tal um filme de terror?
-Como você é perfeita! –ele deu um sorriso torto. Me lembrei do Augustus de ACÉDE.
Procurei por um filme,mas eu só tinha; drama, romance e Glee. Meus pais sempre estavam assistindo DVD, então fomos procurar no quarto deles. Enquanto procurávamos por algo, Enzo deu uma risadinha.
-O que foi? –você já sabe, sou curiosa.
-Seus pais ainda se divertem. –ele disse aquilo puxando um uma caixa cheia de camisinhas, todas de sabores diferentes, tinha até uma que brilhava no escuro. Aquilo me assustou.
-Okay, vou tentar esquecer que vi isso. Achei. –o único filme de terror que eles tinham era A Hora do Pesadelo. Assistimos a aquele filme de baixo das cobertas, comendo pipoca. Aquele Freddy Krueger era muito assustador, ele mata as pessoas em seus sonhos, em uma cena ele rasga uma mulher no meio. Por algum motivo eu me agarrei no Enzo, abraçando ele o mais forte possível.
-Viu, não disse que sempre estaria aqui para lhe proteger. –disse ele com um sorriso lindo.
-Você não disse isso antes. –não que eu me lembrava.
-Então estou dizendo agora.
Ele me beijou, e sempre que ele me beijava, era como se fosse meu primeiro beijo, calafrios, um nervoso, tudo o que se sente no primeiro beijo, mas aquele não era o nosso primeiro beijo, até perdi a conta de quantas vezes senti calafrios com esse garoto. Aquilo estava durando muito, o beijo foi demorando, e casa vez mais lento e rápido ao mesmo tempo. Ele foi descendo a mão sobre minha perna, eu estava com um short curto do pijama. Será que essa seria minha primeira vez? Enquanto ele conduzia aquele momento, meu coração acelerou, eu nem ouvia mais o filme, nem ligava pra nada, até que minha avó entrou no quarto. Raiva. Rapidamente o Enzo se virou e tentou disfarçar mais já era tarde.
-Desculpe incomodar, só queria ver se vocês estavam com fome, mas vejo que o Enzo já ia comer. –o que? Meus Deus, será que minha avó disse aquilo mesmo? Que vergonha.
-VOVÓ!
-Tá, parei. Acho melhor o Enzo dormir aqui,já é tarde. –apertei uma tecla do celular para ver a hora. Já era 23:28. Realmente, era melhor ele dormir aqui em casa mesmo.
-Meu tio pode ficar preocupado. –ele tinha razão, não pensei nisso.
-Não se preocupe, já liguei pra ele e avisei. Te levo pra casa amanhã, faço questão que você almoce conosco, assim posso saber mais de você. –disse a vovó entusiasmada.
-Eu adoraria. Obrigado.
Quando ela finalmente saiu do quarto, ele desligou a TV, nos cobriu com a coberta, e continuou com aquele momento. Foi fantástico. Não tenho muito o que dizer, apenas agradecer pela noite que tivemos. Ele dormiu no meu quarto, não queria dormir sozinha depois daquele filme.
No dia seguinte acordamos as nove da manhã, tomamos café no jardim, conversamos, cantamos os covers de Glee, contei a ele do meu livro favorito, e chegou a hora do almoço. Minha avó era uma ótima cozinheira, ela fez torta de frango, escondidinho de carne e bolo de brócolis, mas o Enzo odiava brócolis, então ficou só na torta e no escondidinho mesmo.
-Obrigado senhora, o almoço estava ótimo. –ele foi sincero.
-Então, me fale sobre você! – sim,puxei a curiosidade da vovó.
Enquanto ele conversavam, o telefone tocou, era a mamãe, fui atender no jardim, pois dentro de casa o sinal era péssimo.
-Oi mamãe! –eu estava chorando, pois já se passou mais de uma semana, e eu estava com saudades.
-Oi Vida, como está as coisas? –ela também estava chorando.
-Bem até. Quando você volta? A vovó é ótima, mas sinto sua falta.
-Em 3 dias estamos de volta, seu avô está bem, ele estava com um tumor na parede do estomago. Mas já foi tratado e está bem.
-Okay. –pensei em falar do Enzo, mas se eu contasse ela ia voltar hoje mesmo.
Depois do almoço a vovó foi leva-lo para casa, durante o caminho, paramos em um posto para abastecer um carro. Quando estávamos quase saindo, o Enzo começou a vomitar sangue, entrei em pânico, o levamos para o hospital, enquanto o médico o examinava, liguei para o tio dele, que chegou em alguns minutos. Ele entrou na sala e conversou com o Dr.Carlos, passaram mais de uma hora na sala, depois que ele saiu perguntei como o Enzo estava, mas as lágrimas já respondiam.
-O médico disse que o coração dele está muito fraco, meu sobrinho só tem algumas horas de vida. –ele começou a chorar, chorou por horas, depois chegaram os pais do Enzo e familiares.
Eu estava em estado de choque, fiquei por três horas assim. Quando a vovó ligou para a mamãe, e contou tudo, inclusive que eu estava em estado de choque, meus pais chegaram logo de noite. Mas eu já estava melhor. Meu primeiro amor superou as expectativas do médico, mas mesmo assim, continuei preocupada. Depois de horas e horas sentadas na mesma cadeira, com sono, sem dormir, umas enfermeiras passaram correndo, acompanhadas de vários médicos e entraram no quarto do Enzo. Depois uma médica venho onde estava eu meus pais e os pais dele e disse:
-O caso dele piorou. –nisso a mãe do Enzo chegou a cair no chão, chorando cada vez mais. –ele só vai sobreviver com um transplante de coração. A senhora é mãe dele, será que…
-Ai meu Deus –ela chorou mais ainda a abraçou o marido,e ele disse em tom baixo mas eu pude ouvir.
-Ela tem…ela tem…AIDS. –ficamos todos em silêncio.
Capítulo cinco
Quando anoiteceu, meus pais foram para casa buscar uma muda de roupas para mim, e foram tomar um banho. O marido da senhora Einy, a mãe de Enzo também.
Ficou sou eu e ela. Depois de alguns minutos ela olhou para mim e disse.
-Ele nunca falou de mim para você né? –realmente ela nunca disse nada.
-Não.
-Ele tem vergonha de mim. –disse ela abaixando a cabeça.
-Porque teria vergonha da própria mãe?
-Se eu lhe contar, você não diz a ninguém, nem a ele?
-Não. Juro.
-Tudo começou quando eu perdi meu bebê, que seria meu segundo filho há um ano. Eu fiquei muito triste, então eu me envolvi com drogas e conheci um cara, na época eu ainda era casa com meu marido. E numa noite nos envolvemos, e dormi com ele, mas aquele cara tinha AIDS. Eu continuei tendo um caso com ele, e traindo meu marido, fazíamos sexo, por já não era mais com amor, eu não sentia mais nada por ele, apenas pelo meu amante, — como essa mulher pode fazer isso, mas eu não quis interromper a história- depois meu marido morreu, a causa foi o vírus HIV. Descobri que meu amante tinha a doença, e eu peguei, e transmiti para meu marido. Mas eu amava o Ronald –Ronald era o nome do amante dela. – então eu me casei com ele, e depois que o Enzo descobriu, ele veio para cá, passar uns dias com o tio.
Eu não tinha palavras, então a abracei. Quando era duas da madrugada o médico disse que o Enzo precisava de um coração agora, ou ele não ia aguentar, mas a mãe não poderia doar, por causa da doença.
-Ronald meu amor, eu sei que é loucura, mas, por favor, eu sei que você pode fazer isso. Por mim –aquela era a única esperança daquela pobre mulher.
-O que? Você está louca sua vadia? Eu nem queria ter vindo pra cá,e você acha que vou doar meu coração para esse playboyzinho? –ele disse isso em um tom meio grosseiro.
Ela deu um tapa na cara dele. Então Ronald saiu chutando as lixeiras do hospital e se mandou.
-Ele era um idiota mesmo. –disse ela enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
-E agora? O que será do cara que me deu a felicidade? –uma coisa passou pela minha cabeça,e eu sabia que aquela era a única maneira do Enzo continuar vivo.
-Mãe, pai , posso falar com vocês?
-Sim. –respondeu os dois.
Entramos em uma sala, e eu comecei.
-Durante ,minha vida toda, eu nunca tive um amor verdadeiro, nunca experimentei a verdadeira felicidade, até agora. Mas o Enzo me mostrou isso, e agora eu preciso agradecê-lo e eu sei que esse é o único jeito. –minha mãe me olhou fixamente e começou a chorar.
-Não,você não vai fazer isso,eu não vou deixar, eu sei que vocês se amam, mas não vou te deixar partir, nunca. –ela disse isso chorando,como nunca chorou antes.
-Mãe eu preciso.
-Não, você não precisa disso. –disse meu pai. – tem outros caras que você pode conhecer. Eu sei disso.
-Sim, mas nenhum será como o Enzo. Eu vou fazer isso. –pela primeira vez, eu estava determinada a fazer algo.
-Se você fizer isso, nós nunca vamos lhe perdoar. –disse minha mãe.
-Se eu não fizer, eu nunca vou me perdoar.
Passou uma hora depois daquela conversa, e eu precisava da autorização dos meus pais para doar um órgão. Eu estava sentada no corredor, sozinha, quando minha mãe vem em minha direção, com meu pai segurando a mãe dela. Eles se agacharam.
-Filha, seu pai e eu oramos muito por você, e Deus nos disse que devemos deixar voe fazer isso. –meus pais são muitos religiosos. Isso era uma das coisas que eu mais amava neles. – Essa é sua vida, você faz o que quiser com ela.
-Obrigada. –nos abraçamos, choramos muito, lembramos-nos dos nossos bons momentos. Mas eu tinha que fazer isso logo. Antes de entrar na sala de cirurgia, escrevi uma carta pro Enzo, assim como o Augustus fez para a Hazel, de A Culpa É das Estrelas, e coloquei dentro do livro, na cabeceira do quarto onde o Enzo iria ficar depois do transplante. Fui até a cama e dei um ultimo beijo nele, enquanto ele dormia.
-Adeus meu Amor, quero que você saiba que você foi a pessoas mais importante para mim, assim, eu lhe dou meu coração.
Chegou a hora, me deitei na maca, coloquei meu fone com minha música favorita, Here Comes The Sun na versão de Glee. E me levaram a sala, meus olhos começaram a se fechar, devido a anestesia, entre alguns segundos, eu vi, toda minha vida, e o último momento que me veio a cabeça, era o campo de flores.
Capítulo seis: Ponto de vista do Enzo.
Acordei com tontura, abri os olhos e vi aquele mesmo teto, não me lembro de muita coisa. Eu preciso ligar para a Vida, contar a ela que estou bem,quando me virei para pegar o celular que estava na cabeceira vi o livro favorito dela. O que ele está fazendo aqui? Havia uma página marcada abri e tinha uma carta dentro. Será que a Vida me abandonou? Não queria ler aquela cartas, mas e se fosse uma carta de amor. Então eu abri.
Querido Enzo.
Durante minha vida esperei por algum amor,e Deus me deu você. Eu não poderia deixar você partir, então tomei a maior decisão da minha vida, te dei meu coração. E agora você tem uma parte de mim em você, e por mais que você possa estar bravo comigo, não fique. Fiz isso por que eu lhe amo, como nunca amei ninguém, te desejei como o dia deseja a luz do sol. Você foi meu tudo, quando eu não tinha nada. Agora peço que você viva sua vida, pois você me ajudou a viver a minha e de alguma forma, você me viu quando eu estava me fechando para o mundo. Eu aceitei seu amor, assim como Deus aceita o perdão de um pecador. Agora estou aqui, cercada de anjos no céu, mas eu estava ao lado de um na terra. E esse anjo, me deu motivos para acreditar que todos temos um amor.
Te Amo,com amor, sua Vida.
Lágrimas escorriam pelos meus olhos. Não tenho muito o que dizer apenas uma coisa.
Obrigado Deus, por ter me dado a Vida.
Notas finais
Em primeiro Lugar quero agradecer a Deus, por me dar o dom da Leitura.
Esta história foi escrita durante dois dias. Inspirei-me no livro de John Green, A Culpa É das Estrelas, que citei várias vezes na história. Também citei a série Glee que é minha favorita. Enquanto ao nome dos personagens; Enzo, foi um nome que pesquisei na internet, junto com Vida, confesso que esperava um nome comum a personagem principal, que narra a história, mas Vida, era diferente, e descreve a missão dela na historia. Dedico essa história a todos os leitores que se identificam de alguma forma com os personagens ou a história em si. Obrigado.
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