Coração Malandro

16 Capítulo 15


Notas iniciais
Boa leitura :)

Após deixar Mara, Marcella continuou com os seus afazeres. Estavam no início do mês, o que significava as compras mensais para o orfanato. Essa era uma das tarefas pela qual Marcella estava responsável.

O supermercado que Marcella costumava ir não ficava longe do shopping onde tinha almoçado com Mara. Aquela hora, o supermercado costumava estar vazio.

O que Marcella não esperava era encontrar Giovanni Bellini. Ela pensou que, depois de ter aceite a sua boleia, nunca mais o voltaria a ver. Eles não moravam num lugar propriamente pequeno. Além do mais, a única coisa que Marcella sabia sobre Giovanni era o seu nome e a marca do carro que ele tinha.

Marcella avistou Giovanni perto da secção dos iogurtes. O seu primeiro impulso era chegar perto dele e cumprimenta-lo. Mas logo decidiu não fazê-lo. Eles tinham-se visto apenas uma vez e Giovanni podia já nem lembrar-se dela.

Mas Marcella estava enganada. Quando Giovanni a viu, aproximou-se dela e logo começaram a conversar. Isto até ao momento em que Giovanni convidou Marcella para jantar, naquela noite. Marcella, inicialmente, ficou sem saber o que responder. Claro que ela queria jantar com Giovanni. Ela não admitira a ninguém, mas Giovanni não lhe saíra da cabeça.

Marcella acabou por aceitar. Giovanni escreveu o seu número no telemóvel de Marcella e despediram-se seguindo cada um o seu caminho.

—Sybil, precisava de te pedir um favor. – disse Marcella, naquela tarde, quando chegara ao orfanato.

—Diz querida.

—Hoje à noite, eu precisava de sair.

—Não há problema nenhum, Marcella. Sabes que podes sair sempre que quiseres. – disse Sybil voltando de seguida ao seu trabalho.

Como Marcella já tinha adiantado a sua parte do trabalho, voltou ao seu quarto para escolher que roupa usaria naquela noite. Ela sentia-se uma completa adolescente que ia ter um encontro pela primeira vez.

Marcella nunca casou. Mas esse facto não foi devido à falta de candidatos. Eles existiram. Marcella teve dois namorados. O grande problema é que ela não os amava o bastante para casar com eles. Ela sabia que, se tinha alguma dúvida em relação ao homem que estava ao seu lado, então esse não era o homem da sua vida.

Marcella pegou num vestido preto que já não usava há algum tempo. Aquele seria o seu vestido naquela noite.

O telemóvel de Marcella começou a tocar. Era Mara.

—Estou?

—Olá Marcella. – cumprimentou Mara – Estás muito ocupada esta noite?

—Um bocado. Eu…eu tenho um encontro. – revelou Marcella.

—Um encontro? Muito bem menina Marcella. Então deixa estar, falamos amanhã.

—Tens a certeza que não precisas de mim? Pareces um bocado aflita.

—Não te preocupes, Marcella. Aproveita mas é o teu encontro. Depois quero conhecê-lo para ver se o aprovo.

—Se por acaso acontecer mais alguma coisa, tu serás a primeira a conhecê-lo.

—Acho bem. Até amanhã, Marcella.

—Até amanhã.

Marcella desligou o telemóvel e atirou-o para cima da cama. Ela sabia que se passava alguma coisa com Mara. Ela sabia que Mara precisava de si. Mas Mara deixara claro que queria que ela aproveitasse aquele encontro. Ela só esperava que não fosse nada de grave.

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Mara não sabia o que fazer. Mara não sabia para onde ir. Se fosse para casa teria de falar com Benjamin e ela ainda não estava mentalizada para fazer isso. Também não podia ir ter com Rose. Não depois de ver o seu patrão a trair a mulher. Não depois de ter beijado Alexander. Alexander…como é que ela se podia sentir assim depois de o ter beijado? Como ela podia ter gostado tanto de um beijo de um tipo de pessoa que ela repudia tanto? Ela não conseguia perceber. Ela não sabia o que fazer.

Mara optou por ir até ao Black & White. Pelo menos ela achava que não encontraria ninguém lá.

Mas Mara estava redondamente enganada. Mal entrou, a primeira pessoa que Mara avistou foi Benjamin sentado ao lado de Oliver, um amigo de infância.

Mara deu meia volta para se ir embora a tempo de Benjamin não a ver, mas não deu certo. Quando colocou o primeiro pé na rua, Benjamin agarrou-a no braço.

—Porque está a fugir? – perguntou.

—Benjamin, agora não. – pediu Mara sem o encarar.

—Nunca te tomei por cobarde, Mara. Nunca mesmo. Eu sempre admirei a forma como enfrestas as coisas, a forma como és justa, honesta, a forma como és direta com as coisas. Já fugiste de mim hoje uma vez, queres mesmo voltar a fazê-lo? Eu pensei que nós éramos melhores amigos.

—É exatamente por sermos melhores amigos que te estou a pedir.

—Nem penses. – disse Benjamin em tom sério – Não é por adiarmos esta conversa que ela vai ser mais leve. Não é por a adiarmos que vai mudar o que aconteceu.

—Eu bem sei que as coisas não podem ser revertidas. Porque se isso fosse possível era o que eu faria. Eu apagaria aquela noite.

Benjamin virou Mara de forma que esta o encarasse. Mara dizia a verdade. Mara estava arrependida.

—Tu não sentiste nada? – perguntou Benjamin sem desviar o olhar de Mara.

—Benjamin, tu és o meu melhor amigo. Eu amo-te do fundo do meu coração. Mas este é um amor de irmãos, nada mais. Por favor, Ben, diz que é o mesmo para ti. Por favor.

—Eu não te posso mentir, Mara. – revelou Benjamin. Mara olhou para ele, aterrorizada. Uma coisa era ambos concordarem que aquela noite tinha sido um erro e o melhor era esquecerem, mas Benjamin não queria esquecer. Benjamin queria repetir aquela noite – Eu queria que o que aconteceu ontem já tivesse acontecido há mais tempo. Desculpa Mara, mas quando dei por mim já estava apaixonado por ti.

—Ben… — disse Mara. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto – Eu…eu não queria. Desculpa, eu não queria magoar-te desta forma. O que eu fiz foi imperdoável.

—Tu não tens culpa, pequena. Tu não tens culpa de me ter apaixonado por ti.

—Mas tenho culpa de te estar a fazer sofrer agora. Desculpa Benjamin. – pediu Mara soltando-se de Benjamin e correndo o máximo que conseguia.

Mara não queria acreditar em tudo o que tinha acontecido nos últimos momentos. Ela nunca se tinha arrependido de nada na vida. Mas ali estava. Ali estava o maior arrependimento da sua vida. Se existisse alguma forma de mudar o passado, ela com certeza o mudaria.

A cara de Benjamin. Mara tão cedo não esqueceria aquela cara de sofrimento. Um sofrimento que fora causado por ela. Como é que ela não tinha percebido que Benjamin estava apaixonado por ela? Ela devia conhece-lo melhor do que a si mesma.

—Rose, estás em casa? – perguntou Mara quando Rose atendeu a chamada. Ela sabia que o último local onde se deveria meter era em casa dos House, mas ela precisava de Rose.

—Olá Mara. – cumprimentou Rose – Sim, estou. Vais passar por cá?

—Se não tiveres nada combinado.

—Podes aparecer. – disse Rose – Está tudo bem?

—Nós já falamos. Até já. – despediu-se Mara desligando o telemóvel.

Mara seguiu para uma paragem de autocarro ali perto que a levaria a casa de Rose.

Como era fim da tarde, o autocarro vinha totalmente cheio e a viagem demorou mais do que o normal devido ao trânsito.

Já era noite quando Mara chegou a casa de Rose. As luzes do grande jardim em redor da mansão House estavam todas acesas permitindo ver a beldade que aquele jardim exalava.

A única coisa que Mara pedia era que não fosse Alexander a abrir-lhe a porta. Já bastava ter falado com Benjamin sobre o que tinha acontecido. Não queria que o mesmo acontecesse com Alexander. Ela ainda não acreditava na forma que se tinha sentido quando o beijou e sabia que a sua mente ainda não estava clarificada sobre esse assunto.

—Boa noite, Mara. A Rose disse-me que vinhas. – disse Rebecca quando abriu a porta a Mara.

—Boa noite, Rebecca. – cumprimentou Mara lembrando-se do que viu mais cedo. Bryan com Cheryl. Ela não compreendia como o seu patrão podia trocar a bela mulher à sua frente por uma celebridade qualquer – A Rose está no quarto?

—Está, minha querida. Podes subir. – disse Rebecca deixando Mara entrar – Ficas para jantar, certo?

—Cl…claro. – respondeu Mara, hesitando na sua resposta. Ela sabia que jantar ali implicaria ver Alexander.

Mara dirigiu-se ao quarto de Rose o mais rápido que conseguiu. Ela não sabia se Alexander já tinha chegado a casa, mas também não queria arriscar.

O que Mara não esperava era que, quando abrisse a porta do quarto de Rose, Alexander também lá estivesse.

—Olá Mara. – cumprimentou Rose, sorrindo.

Mara cumprimentou-a brevemente, mas por algum motivo em especial não conseguia deixar de encarar Alexander. Este também fazia o mesmo. Não seria ele a dar parte fraca apesar de estar magoado por Mara ter fugido. Tal como acontecera com Benjamin, Mara também não esperava encontrar Alexander tão cedo.

—Bem maninha parece que já tens companhia. Vou ter com o Ezra. Até logo, meninas. – despediu-se Alexander fechando a porta atrás de si.

—Ele não janta? – perguntou Mara mal se viu sozinha com Rose.

—Não. Ele e o Ezra combinaram sair. Mas porque perguntas? – perguntou Rose, curiosa. Ela nunca tinha visto Mara interessada no que o seu irmão fazia. Pelo contrário, ela gostava de manter a maior distância possível dele. – Espera aí…tu tiveste a chorar? Mara, o que é que se passa?

—Rose, eu tenho tanto para te contar. – desabafou Mara e lágrimas escorreram pelo seu rosto. Rose nunca tinha visto Mara assim.

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Marcella estava maravilhosa. Esse foi o primeiro pensamento de Giovanni quando a viu. O vestido preto, justo até à cinta, assentava-lhe que nem uma luva. O cabelo apanhado em um coque apenas enaltecia a beleza de Marcella. Giovanni estava completamente maravilhado.

—Boa noite, Marcella. – cumprimentou Giovanni pegando na mão de Marcella e beijando-a levemente – Estás maravilhosa.

—Boa noite, Giovanni. – cumprimentou Marcella. O seu rosto estava de uma tonalidade rose que há muito não acontecia.

Giovanni chegou perto da cadeira onde Marcella se ia sentar e arrastou-a como um verdadeiro cavalheiro. Marcella agradeceu e sentou-se. Logo a seguir também Giovanni se sentou.

—Espero que não te importes, mas já pedi para nós os dois. Espero que gostes da minha escolha. É o meu prato favorito. – disse Giovanni vendo a cara de Marcella face à inexistência de menu na mesa.

—Eu acredito em ti. – disse Marcella, sorrindo – Este lugar é maravilhoso.

—Desde que vim para Seattle sempre foi o meu restaurante preferido. – revelou Giovanni.

—Quando é que vieste para os Estados Unidos? – perguntou Marcella, curiosa.

—Porque assumes que eu sou estrangeiro? – perguntou Giovanni com um sorriso de lado.

—Porque o teu nome é italiano. E porque o teu sotaque não engana ninguém. – respondeu Marcella com o mesmo sorriso de Giovanni.

—Tenho assim tanto sotaque?

—Sim. Mas eu gosto. – admitiu Marcella, corando. Ela sentia-se uma completa adolescente.

O empregado chegou com os pedidos e colocou-os em frente a Marcella e Giovanni.

—Tortellini de Bologna. – enunciou Giovanni – O melhor prato italiano alguma vez inventado.

—Pareces os meus meninos a falar. Com esse brilho no olhar. – disse Marcella referindo-se às crianças do orfanato.

—Tens filhos? – perguntou Giovanni.

—Não. – respondeu Marcella. Giovanni notou alguma tristeza na voz de Marcella – Na verdade sempre foi um sonho meu ter um filho, mas nunca encontrei o homem certo. Eu sei que parece meio antiquado, mas eu sempre sonhei em casa e ter filhos. Como podes ver, isso nunca aconteceu. Mas e tu? Nunca pensaste em casar? Ou já foste casado?

—Eu nunca me casei. – revelou Giovanni – A verdade é que em toda a minha vida eu só tive um grande amor. Mas ela faleceu muito jovem. Vítima de uma overdose.

—Lamento muito. – lamentou Marcella – E vocês nunca tiveram filhos?

—Nós queríamos. Mas ela nunca teve tempo e uns meses antes de morrer, ela desapareceu. Acho que ela não queria que eu soubesse que ela era viciada em drogas. Eu sempre lhe disse que gostava de ter uma filha. Várias vezes lhe disse que se isso chegasse a acontecer lhe daríamos o nome de Mara.

O garfo de Marcella caiu sobre o prato lançando salpicos por toda a mesa e pelo seu vestido. Ela conhecia aquela história. Ela lembrava-se perfeitamente do dia em que lhe tinham contado. Mais precisamente há dezanove anos. No dia do nascimento de Mara. Marcella não conseguia acreditar no que via à sua frente.

—Marcella, está tudo bem? – perguntou Giovanni ao seu lado enquanto limpava o seu rosto – Estás pálida. Queres que te vá buscar um copo de água com açúcar?

—Tens alguma foto dela? – perguntou Marcella ignorando todas as perguntas de Giovanni.

—Marcella, eu acho que…

—Tens alguma foto dela? – voltou Marcella a perguntar.

—Tenho. – respondeu Giovanni. Pegou na sua carteira e tirou de lá uma pequena fotografia – Toma.

Marcella pegou nela rapidamente. Os seus olhos não acreditavam no que viam. Era o que ela suspeitava. A mulher que Giovanni falava era Sarah Martin, a mãe de Mara.

Notas finais
Que acharam do reencontro de Marcella e Giovanni? Que acharam da conversa entre a Mara e o Benjamin? E do reencontro entre a Mara e o Alex? E sobre este final...vocês suspeitavam que o Giovanni era o pai da Mara? Contem-me tudo nos comentários :) Beijos ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.