Notas iniciais
Eu queria agradecer o pessoal q favoritou. Esse capitulo é mais melancólico. Espero q eu tenha descrito bem as emoções dos personagens. Então, vamos lá.



JACOB

"Leah, você está bem?" Eu saí do carro preocupado, ela estava com a perna sangrando e a calça jeans rasgada. Leah olhou para mim um pouco assustada e eu não gostei daquele olhar. Aliás, seus olhos negros estavam lacrimejados.

Leah não é muito de chorar, nem quando se machuca. Geralmente, ela até ria enquanto eu ficava apavorado só de ver sangue.

"Lee, eu te levo pra casa." Eu me ajoelhei na sua frente e tentei tocá-la.

"Eu não preciso da sua ajuda! É só uma ferida superficial." Por trás das suas palavras haviam uma certa tristeza. Tentei me aproximar, mas ela se levantou sozinha, me fazendo se sentir um idiota.

"Eu te levo pra casa e ponto final!" Eu segurei o braço dela, deixando-a furiosa.

"Me solta, ou eu juro... eu faço o maior escândalo aqui!" Ao tentar me empurrar, a garota teimosa quase caiu, porém eu consegui puxá-la pela cintura. Nossos olhos se encontraram, havia uma certa intensidade em suas órbitas negras.

"Para de ser teimosa!" Contra sua vontade, eu a peguei no colo.

"Me solta!" Ela ficou se debatendo e gritando, mas eu ignorei. Preferia ela assim, irada do que triste.

Eu posso lidar com sua fúria, porque ela sempre foi forte e decidida, mas vê-la triste e abatida é como se não fosse a mesma Leah.

"Agora relaxa e aproveita a viagem." Coloquei ela no banco do passageiro. Depois de pôr a bicicleta atrás da caminhonete retornei para ver a sua perna.

"Eu já disse que tô bem. Só me leve pra casa... Por favor!" Ela parecia aborrecida e cansada.

Sendo assim, seguimos rumo a La Push, comigo sempre tentando puxar alguma conversa e em troca recebendo uma resposta direta e monossilábica, até cair num silêncio que me incomodava.

"Tá ansiosa pra faculdade?" Leah tinha a cabeça encostada na janela, parecia decidida a me ignorar. Eu não sou de desistir tão fácil. "Sue disse que você decidiu fazer medicina. Vai ser legal ter uma amiga médica. Quando você vai?"

"Segunda-feira! Mas... nós não somos mais amigos", ela disse secamente.

"Nós somos e sempre seremos amigos”, enfatizei. “Você fala como se..."

"Nós FÔMOS amigos!", Agora Leah enfatizou cheia de sarcasmo e rancor. "Agora você faz parte do bando do Samuel Uley." Dessa vez, ela me deu um olhar frio. "Para mim, você não passa de um estranho!"

"O quê?! Tudo isso é por causa do Sam? Vira essa página!" Apertei o volante com raiva enquanto senti o Rabbit acelerar.

"Ah, eu vou seguir em frente... assim que eu sair desse maldito lugar!" Me senti irritado com ela e meu corpo tremeu. Eu precisava me controlar. “E não finja que se importa... Agora você já tem uma nova amiguinha...”

"Ah, então você está com ciúmes?!", resolvi provocá-la. Vejo ela respirar irregular e até podia ouvir o som do seu coração batendo acelerado.

Entretanto, senti que havia algo sombrio e perigoso pairando no ar e isso me encheu de preocupação.

"Leah..." Parei o carro na frente de sua casa. “Eu sinto muito se... se eu te magoei.” Eu tentei tocar na mão dela, mas ela me rejeitou e saiu do carro. "Leah, espera!" Sai atrás dela com raiva.

"Ah, manda um recado para o Sam e para Emily.” Ela se virou abruptamente quase fazendo meu corpo se chocar contra o seu. “Diga que não precisam mais manter o namoro escondido." Suas palavras me deixaram chocados. “Agora me deixa em paz!”

Merda! Ela deve ter se sentido traída por mim também.

Sam diz que eu sou egoísta, mas ele também está sendo... Ele e Emily só estavam esperando Leah partir para Seattle para poder assumir o relacionamento deles, tentando protegê-la de sofrer, mas no fim isso não adiantou de nada.

O que me faz ter mais raiva de tudo isso é que um dia Sam e Leah faziam planos juntos, no outro ele se torna um lobo (o Protetor de La Push) e acaba tendo um imprinting pela prima da sua Noiva.

O Imprinting não é algo justo, tira suas escolhas e destrói sonhos. Mas, segundo os Anciões, tudo faz parte do destino e não há como lutar contra ele.

"Leah, eu... realmente sinto muito."

"Tarde demais, Black. Verdadeiros amigos não traem, não mentem. Eles sempre estão por perto quando o outro mais precisa. Mas, infelizmente, você se esqueceu disso!”, ela desabafa com a voz firme e vai embora.

Eu me odiei por ter sido um idiota. Por ter falhado com ela. Eu queria consertar as coisas, antes que fosse tarde demais. Mas não importa, porque o destino já tinha mexido as suas cordas ínvisiveis para bagunçar as nossas vidas.



***/ /***



A vampira ruiva estava prestes a atacar Harry quando saltei contra ela e a joguei contra um tronco. A sanguessuga continuou me olhando com um sorriso diabólico. Furioso disparei em sua direção, porém a tal Victoria saltou por cima de mim e continuou correndo pela floresta.

Logo, os outros lobos se juntaram à perseguição e todos corremos determinados a encurralá-la. De repente, ouço o grito de Bella. Desesperado, mudo minha rota indo rumo aos penhascos. Quase entrei em pânico quando a tirei das águas tempestuosas do mar e ela parecia quase sem vida, com seus lábios roxos e a sua pele fria e pálida.

"Vamos Bella, respire!" Após segundos de agonia tentando ressuscitá-la, ela abriu os olhos. Foi um dos momentos mais angustiantes e, ao mesmo tempo, ver seus castanhos chocolate olhando para mim, me deu uma sensação imensa de alívio.

Entretanto, meu alivio durou pouco, assim que um dos Cullen retornaram para Forks. Ela era uma vampira baixinha, com os olhos dourados e o dom de ver o futuro. Eu queria arrancar a cabeça dela, mas não podia por causa de Bella.

Eu não queria a minha garota perto de nenhum deles... nunca! Não queria perdê-la.

Então, sofri mais uma decepção naquela noite, quando o Cullen que eu mais odiava, ligou no exato momento em que estava tão perto de beijá-la. Aquela droga de ligação tinha que estragar tudo.

Eu pedi que ela ficasse por mim, mas Bella partiu para salvá-lo, como se ele fosse a única coisa que importava. Olhar nos olhos dela e encontrar aquela agonia que pertencia ao maldito vampiro. A garota ainda estava presa à Edward Cullen, não importava o quanto me esforçasse para conquistar o seu coração. E isso doeu tanto.

Essa dor foi me devorando por dentro e o único jeito de me libertar desse sentimento era deixando o lobo castanho-avermelhado me dominar. Porém quando corri para a floresta desenfreado, acabei me cruzando com um outro lobo que nunca tinha visto.

Logo, minha mente é invadida por muitas vozes eufóricas, que resolvi ignorar só para me concentrar apenas no pequeno lobo cinza. Em seguida, tomei a decisão de segui-lo, fascinado pelo quão veloz ele era. Era tão veloz como um raio que parecia quase inalcançável. Nesse instante, vi pela mente dos outros lobos, flashes dos irmãos Clearwater.

Não! Isso era impossível! O lobo cinza era Leah?! Leah correndo desesperada tentando fugir...

Corro mais rápido que posso decidido a chegar até ela. Tudo o que importava, nesse instante, era que Leah precisava de mim. Os outros também tentam se comunicar comigo e com a pequena loba cinza, só que sua mente está tão focada em fugir. Eu ignoro os chamados de Sam e os outros e, aos poucos vou conseguindo ver a sua mente.

Leah está confusa, cheia de sentimentos conflituosos. Eu posso sentir a sua fúria, dor e medo. Ela pensa em tantas coisas: seu pai, mãe, Seth, a faculdade e, por fim, na traição de Emily e Sam, forçando o Alfa que corria logo atrás, repentinamente, paralisar no meio do caminho.

As próximas imagens na mente de Leah é um verdadeiro choque para todos, pois na cabeça dela se passavam um flashback de Sam e Emily se beijando. Eu posso sentir a sua dor, mas não há lágrimas, apenas ódio e ressentimento.

"Sam, volte e cuide de Seth, deixe a Leah comigo!" Eu continuo correndo na direção ao norte.

"Não. Eu vou tentar falar com ela. Eu sei que ela..."

"Sam, não seja egoísta!", eu o repreendo. "Agora não é o momento de você tentar se explicar. É tarde de mais."

"Ela precisa de mim." Uma parte de Sam ainda a ama. Pensando nisso, ele decide retomar a sua corrida.

"Parem! Saiam da minha cabeça! Eu não quero mais ouvi-los!", Leah grita angustiada. Posso sentir sua exaustão, ela parece também estar ferida.

De repente, posso ver em sua mente minha mãe olhando para Leah. Ela parece tão real. Eu corro mais desesperado, até que a imagem some e eu não consigo mais ver Sarah e nem ouvir os pensamentos de Leah. Ela deve ter se transformado de volta a sua forma humana.

Fiquei tentando entender o porquê a imagem da minha mãe havia aparecido entre a gente. Talvez, isso fosse um sinal da minha forte ligação com Leah e isso significava que... Talvez, era eu quem tinha que estar ao lado dela, nesse momento tão estranho e difícil.

"Sam, eu preciso de roupas. Eu sei que estou perto dela. Só confie em mim." O lobo negro é hesitante, mas havia uma certa compreensão silenciosa entre nós. Sendo assim, ele me deixou seguir sozinho para encontrar Leah.

Eu me concentrei em seguir os seus rastros, o seu cheiro e o pulsar do seu coração, até conseguir encontrá-la deitada nua às margens de um riacho.

Eu queria mantê-la segura em meus braços. Cuidar dela, como tantas outras vezes, ela cuidou de mim.




LEAH

Havia um jovem Quileute na beirada de uma montanha olhando para o horizonte. Eu me aproximo lentamente, até que ele se vira para mim e nossos olhos se cruzam, percebo como seu rosto é lindo, de traços fortes, marcantes, nos seus lábios carnudos há um sorriso apaixonante que irradia calor e felicidade.

O belo desconhecido estende a mão para mim, eu estou quase o tocando. Entretanto, de repente sinto uma força obscura me atravessar por dentro e, quando consigo tocá-lo, imediatamente, sinto uma dor terrível se apossar de todo o meu ser.

De repente, meus olhos assustados recaem sobre o peito nu daquele rapaz, onde havia uma flecha cravada bem ali no seu coração e está sangrando muito. Em seguida, ele me olha com lágrimas nos olhos, seus dedos deslizam pelos meus e, então, o vejo cair para o abismo.

Naquele instante, a minha dor só aumenta.

Eu não pude salvá-lo! Me ajoelho no chão e choro olhando para a escuridão daquele precipício. Entretanto, não demora muito para descobrir que o tempo todo havia mais alguém ali nos observando...

"Eu te amei com toda minha alma... E eu daria a minha vida por você." É quando me viro e me deparo com um outro nativo que, dessa vez, irradiava dor, ódio e morte.

Aquele homem de olhos furiosos começa a caminhar em minha direção, fazendo-me sentir medo. Porém, não tenho saída, senão esperá-lo chegar até mim.

"O seu amor me destruiu.", ele diz parando em minha frente. "Agora eu te amaldiçoo em todas as suas reencarnações. Por 100 vidas, você irá renascer e a dor ainda será a mesma." Suas palavras eram cheias de fúria e veneno.

Nesse momento, estou a um passo de cair...

"Você vai amar alguém destinado a pertencer a outro e, em cada vida, terá seu coração quebrado em vários pedaços. A dor só irá parar a cada vez que der o seu último suspiro. E você nunca será feliz." Por fim, ele toca em meu coração, me causando uma dor forte e insuportável, que me arrasta para o abismo...

Então, eu desperto em meu quarto, desorientada e ofegante. O meu coração dói tanto que até me tira o ar. Eu me levanto atordoada e confusa, enquanto a dor repentinamente se transforma em outra coisa mais forte e assustadora. Sinto um fogo dominando o meu ser.

"Leah, você está pronta?", pergunta minha mãe se aproximando de mim. "A febre ainda não parou", ela murmura colocando a sua mão em minha testa.

"Eu estou bem, mãe." Nós nos abraçamos. Minha mãe está com um semblante aborrecido e angunstiado. Era hora de encarar a realidade.

Nós vamos até a pequena capela onde estão todos reunidos. Num canto vejo Seth chorando ao lado de Billy que também tem uma expressão de tristeza. Ali estão toda a família Clearwater, os Ateara, Uley e o resto da tribo. O tempo todo a minha mãe segura a minha mão apertado. Nós estamos perto do Altar onde está o caixão com corpo do meu pai. Sinto minha pulsação acelerar, fico ofegante e o ardor no peito continua a queimar incessante.

Meus olhos encontram Samuel Uley. E, só por um momento, seus olhos castanhos me fazem lembrar do MEU Sam. Só por um momento, eu queria correr para seus braços. Mas, então, me lembro que tudo é diferente agora.

"Leah!" Inesperadamente, Emily me puxa para um abraço que eu não retorno.

Ela me olha nos olhos e vejo que não há mais nada de verdade entre a gente. Então, observo sua cicatriz no rosto, acho aquilo superficial. A desafio a manter o olhar, mas minha prima é uma covarde.

Não consigo mais continuar ali, minhas pernas travam. Todos estão me olhando, eu os ignoro, já não tenho mais lágrimas para chorar e agora só há um imenso vazio dentro de mim. Todavia, o fogo ainda está lá, querendo me dominar.

Eu não pertenço a esse lugar, quero a minha a liberdade...

Sendo assim, deixo minhas pernas me guiarem para fora dali e saio correndo, desesperadamente, para dentro da floresta, ignorando as vozes que tentavam me chamar de volta e o grito feroz e doloroso de meu irmão Seth.

E, no minuto seguinte, me transformo inesperadamente num lobo selvagem. Agora eu era imparável, correndo num ritmo alucinante, deixando as árvores passarem por mim como um borrão. Entretanto, as vozes voltaram a irromper o silêncio da floresta, no intuito de me fazer parar.

"Leah, volte!" Parecia a voz de Sam gritando. Por um segundo minhas patas travaram. Eu comecei a ouvir outras vozes me fazendo ficar desnorteada. As vozes foram criando imagens de lobos. Havia um que me lembrou um filhote com os olhos de Seth e havia um uivo que parecia de dor ou de lamentação.

Isso era muito surreal!

Todavia, ignorei todas aquelas imagens e vozes e voltei a correr freneticamente, enquanto minha mente foi captando novas coisas. Eu posso prestar atenção aos pequenos detalhes, coisas sutis, como os vários aromas presentes no ar: o cheiro da terra, das diferentes árvores, das flores silvestres. Posso captar vários tipos de sons a quilômetros e minha visão absorve tudo em um flash.

Eu sentia uma sensação incrível de liberdade. Por uns minutos, pude me senti invencível. E tudo parecia um sonho perfeito: sem dor, tristeza, ódio ou desilusão.

Eu queria viver sendo um espírito livre, sem olhar para trás. Entretanto, os arrependimentos ainda persistiam em me atormentar. Imagens de uma família imperfeita, mas ao mesmo tempo, completa começaram a dominar a minha mente, me fazendo se lembrar que agora somos incompletos sem papai aqui...

E a dor da realidade se agarra em mim com uma intensidade. Eu penso na última vez que eu o vi, na última palavra que lhe disse. Eu lembro dos olhos tristes e magoados dele.

Se me perguntassem qual foi meu maior arrependimento, eu lhe responderia: — Foi não ter dito para meu pai um simples "EU TE AMO" pela última vez. — Meu pai morreu vítima de um ataque cardíaco, foi fuminante, sem chance de despedidas.

Outra vez, meus devaneios são interrompidos por vozes invadindo a minha mente. A voz de Sam retumba no ar me torturando. Imagens dele e Emily ficam piscando em minha mente.

"Para!", eu grito para a escuridão da floresta. Eu não quero mais ouvi-los e não quero mais voltar.

"Coração indomável!" Mas, no meio daquele caos, ouço a voz de Sarah Black me chamando. "Você não tem nada para temer!", ela diz com sua voz suave, aparece bem em minha frente.

"Me leve com você!", eu faço minha súplica.

"Eu não posso, minha criança. O Seu lugar é com a sua família. Eles precisam de você." Ela me dá seu sorriso alegre e gentil. "Ele está vindo. Eu tenho que ir."

"Não. Espere!" Era tarde demais. A imagem some. Sinto minhas forças se esvaindo, minhas patas doem e eu não consigo mais continuar. Todo meu corpo parece desacelerar. Eu caio no chão exausta.

Num piscar de olhos o animal dentro de mim adormece, dando lugar a um corpo humano. Eu estou nua, deitada na grama, olhando para o céu sem estrelas, no silêncio reconfortante da floresta. Talvez, seria ótimo ficar aqui para sempre.

Contudo, já não estou mais sozinha. É, então, que o vejo entre as árvores olhando para mim. Nossos olhos se encontram. Eu sinto uma força intensa irradiar dele.

"Eu estou aqui Leah. Eu juro que eu sempre vou estar aqui. Eu vou cuidar de você, assim como você cuidou de mim."

Estou muito cansada de lutar contra esse sonho. Sei que quando acordar, tudo será diferente.



Notas finais
Bem por enquanto é isso. Até a próxima!!!