Notas iniciais
Mais um capítulo revisado.

LEAH

Eu estava caminhando na floresta quando um vento forte e incessante começou e foi me arrastando até o topo de uma montanha, onde logo constatei que não estava sozinha, pois havia alguém por perto que estava chorando e murmurando coisas na língua antiga Quileute. Conforme fui me aproximando, mais as palavras se tornavam compreensíveis.

"Eu não posso mais viver assim. Não há vida sem você, meu amor!" E no topo da montanha encontrei uma jovem de cabelos negros jogados ao vento. Eu não vi seu rosto, apenas escutava a sua voz.

Eu me senti estranha de estar ali e uma sensação de déjà vu se apoderou de mim, como se já estivesse estado nesse lugar. E essa sensação familiar também me causou um medo.

"Ele me condenou a cem vidas atormentadas pela dor e desilusão. Mas, não importa. Sou Chiara de coração indomável e só serei livre, quando estiver de novo nos braços de meu Kenae!" E, então, a jovem sem rosto se aproximou da beirada da montanha.

"Espera, não!", eu gritei desesperada, antecipando o que estava prestes a acontecer. Foi nesse instante, que seus olhos me encontraram e neles me vi ali refletida como se estivesse olhando para o meu próprio reflexo no espelho.

Mas, era tarde demais...

Consequentemente, a jovem ignorou o meu chamado e tomou uma decisão tenebrosa, indo de encontro com o abismo da morte. Eu não pude salvá-la, me senti sufocar, estava sem ar e meu coração pulsava vagarosamente, causando uma nova dor dilacerante.

A escuridão foi me invadindo...

"Lee, vamos... acorda!" Eu acordei agitada e desnorteada, rapidamente, se deparando com Seth sentado do meu lado com um olhar preocupado.

"Lee, você está bem?"

"Foi só um pesadelo", falei num fio de voz, tentando também me convencer disso.

"Quem é Kenae?", inesperadamente, ouvi a voz rouca e forte de Jacob me questionando.

"O quê?" O encarei confusa.

"Você estava chamando alguém. Você disse... meu Kenae." Ele franziu a testa e fechou os punhos como se estivesse irritado. "Quem é ele?" Havia um certo comando escondido em sua voz, quase como uma ordem Alfa.

"Eu não sei." Fui sincera, apesar que bem lá no fundo, talvez, eu soubesse a resposta, mas necessitasse guardá-las somente para mim.

Jacob continuou me olhando de um jeito estranho. Me levantei ignorando a presença dele e do meu irmão e entrei no banheiro trancando a porta, depois joguei água no meu rosto e molhei a nuca. Havia uma sensação nauseante que só piorou quando olhei para o espelho sobre a pia. O que encontrei lá não era o meu reflexo. Era o reflexo de um homem com feições sombrias e olhos furiosos, sorrindo com escárnio para mim. Ele já havia aparecido em meus sonhos e era assustador.

"Quem é você?" Foi a única coisa que me veio a mente.

"Eu sou seu Carrasco!" Então, homem sinistro sussurrou no meu ouvido me deixando tonta, minhas pernas fraquejaram e eu cai ajoelhada no chão.

"Lee, abra a porta!", Seth chamava nervoso. Eu não conseguia me mover, apenas continuei sentindo meu corpo tremer de frio e pavor. Pavor de algo que era assustadoramente desconhecido e muito sinistro.

"Leah, você está bem?" Jacob bateu na porta persistente. "Eu vou arrombar." Não deu tempo de lhe responder, num segundo a porta se abriu bruscamente. Logo, senti mãos fortes me seguraram firme.

"Seth, vai ver se tem um antiácido." Seth sem questionar nos deixou ali sozinhos.

Apenas o toque de suas mãos em minha pele, parecia aquecer todo o meu corpo e acalmar meu coração. Seus olhos eram tão intensos nos meus, havia preocupação e um brilho indecifrável em suas órbitas negras. Jacob parecia ver a minha alma e naquele momento me senti sendo atraída para os seus braços.

Sem conseguir me controlar o abracei, desesperadamente, apoiando a minha cabeça em seu peito, depois fechei os meus olhos e me deixei levar pelas batidas do seu coração. Todo o sentimento ruim de antes havia sido esquecido ao sentir sua pele febril e seu cheiro amadeirado, me causando uma sensação imediata de paz e segurança.

Jacob começou a acariciar os meus cabelos e beijou docemente meu ombro por cima da alça da minha regata, deixando minha pele arrepiada. Dessa vez, era um arrepio gostoso. Ficamos assim por um momento, num silêncio bom, até que nossos olhos voltaram a se encontrar. Mais uma vez, senti uma forte atração me impulsionando a ele, nossos rostos estavam tão perto.

"Eu achei isso." A voz de Seth me fez despertar para realidade, então, me afastei abruptamente de Jacob. Quando me desprendi dos seus braços, senti um vazio tão grande, que chegava a ser inexplicável.

Eu não entendia o porquê me senti assim, era como se eu fosse algo frágil que poderia quebrar e precisava de Jacob para me manter protegida. Isso me deixou atordoada e, ao mesmo tempo, com raiva, pois não gostei dessa sensação. Nunca gostei de ser a garota delicada, ou a donzela em perigo.

"Leah, o que você tem?" Jacob tocou meu rosto e tentou se aproximar de mim, mas eu decidi me afastar dele.

Chega de frescura!

Eu já me sentia melhor e não havia necessidade de todo este drama.

"Eu tô legal. Vou tomar um banho." Jacob continuou me olhando desconfiado. "Caramba, eu preciso de um pouco de privacidade! Será que dá pra ser!" Já estava irritado com os olhares dos dois garotos.

"Tudo bem, Lee. Qualquer coisa estamos lá embaixo", Seth disse se dirigindo para as escadas. Jacob relutante seguiu logo atrás. Para a minha irritação ficar pior, a porta do banheiro agora se encontrava com a fechadura detonada.

Tive que tomar banho com a porta apenas encostada. Dessa vez, preferi água morna para relaxar os músculos e de uma certa forma me aquecer. Ao terminar me enrolei numa toalha branca e, ainda hesitante, resolvi dar uma olhada fugaz na direção do espelho. Para o meu alívio, não havia mais nem um vestígio daqueles olhos obscuros, ali só havia meu reflexo. Soltei a respiração, tentando me controlar.

Aquela imagem só podia ser fruto da minha imaginação distorcida. Depois de escovar os dentes e pentear meu cabelo molhado, segui rumo ao meu quarto, sem perceber que lá já havia alguém me esperando.

"Droga! O que você tá fazendo aqui?" Jacob estava deitado em minha cama. Seus olhos logo ficaram vidrados em mim. "Garoto, você é folgado." Ele ainda parecia focado em meu corpo. Seus olhares me perturbavam. "Acorda, Black. Eu preciso me trocar." Comecei a estalar os dedos na sua frente.

"É... desculpa... eu...", ele gaguejava me fazendo rir do seu jeito.

Jacob se levantou e permaneceu me olhando como se estivesse hipnotizado. Só com o seu olhar, ele era capaz de causar tantas sensações em mim. Sensações que há muito tempo não sentia e outras que eram inexplicáveis.

"Para com isso!", o repreendi sem graça, estávamos nós dois em pé nos olhando.

"Ah, desculpe! É que você... é linda", sua voz rouca sussurrada, me causou um arrepio na espinha e um certo revoar de borboletas na minha barriga.

"Obrigada, eu acho... Agora com licença!", murmurei meio tensa. "A menos que você me queira ver pelada." Resolvi ser atrevida e mexi na toalha. Percebi que seu coração batia acelerado, assim como sua respiração e seus olhos que se arregalaram. Só para lhe sacanear, me aproximei sedutoramente dele.

"Tá, eu já... tô saindo." Nos afastamos, Jacob se atrapalhou todo na hora de sair do quarto. "Ai... que droga!" Ele havia batido a cabeça sem querer na parede. Foi inevitável não rir. Troquei mais um olhar com ele, antes de fechar a porta.

Agora eu estava sozinha em meu quarto, tentando acalmar meu próprio coração. E me sentindo atordoada com que estava acontecendo comigo.



***/ /***


Depois de vestir uma calça de moletom e uma camiseta qualquer, desci para encontrar os garotos lanchando na cozinha. Os dois conversavam animadamente e só pararam, quando perceberam minha presença.

"E aí mana, tá se sentindo melhor?" Seth veio em minha direção e, inesperadamente, me deu um abraço de urso e depois me pegou no colo.

"Tô ótima! Agora me solta!", resmunguei. E com meu canto do olho vi Jacob rindo de nós.

"Tá com fome? Adivinha, temos um arroz com almôndegas e molho, frango grelhado, batata frita e muffins", Seth explicou em tom tímido. "Bem, a Emily sabia que nós passamos a madrugada inteira em patrulha e quis ser gentil. Nós almoçamos com o bando lá e ela mandou te trazer um pouco da comida."

"Muito gentil, mas estou sem fome." Preferi beber apenas um iogurte. Vi que eles trocaram um olhar, talvez pensando que eu estava sendo birrenta por rejeitando a comida de Emily. "O que foi? Eu só tô sem fome. Juro que não é nada pessoal."

"Tudo bem. É que eu..." Interrompi Seth.

"Tá, eu sei o que você achou. Se lhe deixa aliviado, depois eu como." Me sentei na mesa de frente para Jacob que me olhava parecendo desconfiado. Tratei de desviar o olhar e me concentrar em qualquer outra coisa.

Lá fora começara uma chuva forte, fixei meu olhar na janela vendo as gotinhas de água escorrer pela vidraça.

Seth e Jacob começaram uma conversa de garotos, falando sobre carros e seus motores e o desejo de voltarem a estudar, pois com a nossa transformação, os meninos que estavam na escola, acabaram sendo obrigados a se afastarem do colégio.

"Velho Quil disse que há chances de voltarmos a escola no ano que vem", Seth comentou otimista.

"Isso é pura bobagem", Jacob falou frustrado.

"Por quê?"

"Porque enquanto estivermos condenados a perseguir vampiros, não haverá futuro pra ser planejado." Me intrometi no meio da conversa.

"Sua irmã tem razão. Todo mundo passa pelo colegial já pensando numa boa faculdade. Como você pode ver, nenhum de nós pode ter isso em mente. Tudo o que nos resta é proteger La Push desses sanguessugas malditos." Agora Jacob e eu concordamos com alguma coisa.

"Parem de ser pessimista!", mas meu irmão resolveu discordar da gente.

"Falou o garoto que tem medo de dizer: Oi, para a menina que ele gosta. Sabe, cadê essa sua confiança na hora da conquista?" Jacob conseguiu algo raro, irritar o meu irmão caçula..

"Faz de conta que você é um expert na conquista."

"Eu enfrentaria meu medo e falaria com a garota."

Merda! Essa conversa não ia dar certo.

"É mesmo?!"

"Ei, parem com isso!" Tentei chamar a atenção dos dois, mas fui ignorada.

"Então, por que você não atende as ligações da Bella? Ou vai visitá-la em Forks? Isso não é nada corajoso!" Seth parou ao perceber que tinha falado demais.

"Cala a boca! Você não sabe nada... seu pirralho!" Jacob rosnou, fechou os punhos e com ódio bateu na mesa fazendo-a tremer.

Eu sabia que a sonsa da Bella ligava para ele, porém na maioria das vezes, eu é quem atendia os telefonemas e praticamente a mandava se foder. Obviamente, isso não foi suficiente, pois as ligações continuaram.

"Jake, eu sinto muito." Seth tentou se desculpar, porém Jacob se levantou pronto para ir embora.

Lá fora a chuva continuava a cair sem parar. Me senti inquieta com isso. Não podia deixá-lo sair assim de cabeça quente e, pior ainda, pensando nela. Seth quis ir atrás dele, mas eu o parei.

"Deixe que eu falo com ele."

Antes que Jacob abrisse a porta, parei em sua frente o impedindo de sair.

"Fique!", quase supliquei. Seus olhos se estreitaram e uma expressão carrancuda se formou em seu rosto.

"Eu preciso esfriar a cabeça." Ele travou e destravou as mãos, nervosamente.

Inconsciente, eu segurei os seus braços, deslizando as pontas dos dedos para cima e para baixo tentando acalmá-lo. Eu só percebi o que estava fazendo, quando seus olhos desviaram a atenção para uma das minhas mãos em seu braço. Esse simples toque parecia causar uma conexão forte entre a gente.

Quando me dei conta do que estava fazendo, novamente me afastei. Jacob me olhou carrancudo parecendo chateado comigo.

"É melhor eu ir", ele disse cabisbaixo. Foi, então, que me lembrei do nosso acordo.

"Jake, lembra o que combinamos? Nada de lamentações ou lágrimas. Está proibido pensar ou falar no Sam e... NELA", afirmei hesitante. "É a nossa terapia. Lembra?!" Ele me deu um sorriso torto.

"Tá bom. E como começamos a nossa... terapia?" Sua expressão se tornou suave e ele me deu seu sorriso iluminado e contagiante.

"Vou fazer um chocolate quente pra nós." Nós voltamos para cozinha que estava sem sinal de Seth, trocamos um olhar travesso.

Nós dois decidimos subir cautelosamente para o quarto de Seth. O garoto se encontrava deitado de barriga para cima e olhos fechados. Subitamente, pulei em cima da cama, assustando meu irmão.

"Que droga, Leah!" Segundos depois estávamos na maior guerra de travesseiros que deu origem a outra guerra particular entre os meninos. No fim, eles se entenderam.

Após um lanche rápido com direito a chocolate quente e os muffins da Emily, eles decidiram se divertir no videogame.

Bom, por hoje eu fiz a minha boa ação.




***/ /***


"Olha só pra vocês. São realmente lerdas", eu disse toda convencida.

Quil, Jacob e Collin haviam me desafiado para uma corrida em forma de lobo. E, adivinha quem venceu? Sim, euzinha.

"Isso foi tão fácil pra mim. Na próxima vez, vamos apostar pra valer." Eles me olharam irritadinhos.

"Cara, eu não tenho dinheiro nem pra comprar uma cueca nova", Quil revelou fazendo todos rirem.

"Eca que nojo!", os outros falaram em uníssono.

Após a corrida nos transformamos de volta. Mais uma vez, a patrulha fora tranquila sem vampiros na área. Tenho que dizer que também foi divertido, sem nenhuma tensão entre mim e o bando. Claro que houve provocações, principalmente de Paul e Quil, mas nada que eu não respondesse a altura.

Os garotos foram seguindo seus caminhos para casa, enquanto eu e Jacob seguimos o nosso, já que moramos na mesma rua.

"Sabe, isso foi muito legal. Nós deveríamos ter mais momentos assim, sem levar tudo a sério", Jacob disse entusiasmado.

"Você tem razão, foi bem legal!", concordei sorrindo para Jacob. "O que foi?"

"Você deveria sorrir mais vezes. Você fica mais jovem, alegre e... muito mais linda." Ele me deixou sem palavras, fazendo-me sentir desconcertada. "Quando você sorri, me faz lembrar da antiga Leah. Eu sinto saudades dela."

Uma coisa era fato, nada seria como antes. Mesmo que eu quisesse voltar a ser aquela Leah, seria algo impossível. O garoto na minha frente também não era o mesmo. Nós mudamos muito, não por escolha, e sim por sermos forçados a mudar. E, ao mesmo tempo, por ser o ciclo da vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer. Tudo está relacionado as mudanças, sejam para o bem, ou para o mal.

"Vou começar a te chamar de molenga!" Empurrei ele da minha frente e continuei andando.

"Quem é que um dia desses se jogou nos meus braços toda chorona?!", Jacob jogou na minha cara. "Aliás, sempre que precisar de um abraço gostoso, eu tô aqui." Ele correu na minha frente de novo e abriu os braços, como se estivesse esperando por mim.

"Vai sonhando!" Eu juro que tentei ser indiferente e passar por ele. Mas, o garoto tinha outros planos.

"É assim que você vai me tratar, ingrata!" E então sem que eu esperasse, ele me jogou em seu ombro e continuou andando como se nada tivesse acontecido.

"Black, seu idiota! Me solta agora, ou..." Eu me debatia tentando me livrar dele, porém Jake era mais forte.

"Não, este é o seu castigo. A menos que você seja uma boa menina." Ele continuou o seu trajeto, calmamente rindo da minha cara. "Eu já disse que você tem uma bela bunda. Da até vontade de apertar."

A parte pior da minha situação, era que os vizinhos pararam para nos olhar. Se eu já estava na boca do povo, imagina agora?!

"Jacob!", rugi irada. E, então, fiz a única coisa que podia fazer... Eu consegui morder as suas costas.

"Filha da... Então, você quer guerra?" Ele me deu um tapa na minha bunda que ardeu.

"Seu desgraçado!", Jacob começou a gargalhar e a girar comigo em seu ombro. Eu já estava numa posição nada confortável, sentindo o sangue correr todo para minha cabeça e uma leve tontura, até que ele decidiu parar.

Agora estávamos na frente da minha casa. Minha mãe abriu a porta e nos encarou com um olhar severo e as mãos na cintura.

"É melhor pararem com a bagunça, antes que eu ponha vocês dois de castigo!" A ameaça da minha mãe surtiu efeito, porque ele me soltou. "E Jacob, acho que preciso de um favor seu."



***/ /***


Mamãe pediu para que Jacob fosse comigo até Forks para fazer compras, mas esse era apenas um pretexto para mantê-lo longe da reserva. Ela e Billy estavam planejando fazer um aniversário surpresa para o garoto.

Bem, eu subi para tomar um banho rápido e me arrumar, enquanto Jacob foi fazer o mesmo em sua casa, é óbvio. Fiquei tão animada que resolvi realmente tirar um tempo para escolher uma roupa, tipo a minha calça jeans azul clara favorita e a camiseta que havia ganhado de presente do Jake, também resolvi passar um batom nos lábios.

Depois desci as escadas e Jacob já estava me esperando. Ele estava muito bonito com uma calça jeans preta e uma camiseta branca que se ajustava bem ao seu corpo forte e dava um belo contraste com a sua pele acobreada.

"Eu sei que sou lindo." Jacob percebeu o meu olhar e me deu um sorriso presunçoso. “E você também... até que tá uma gracinha.” Revirei os olhos enquanto minha mãe ria.

"Se cuidem e se comportem crianças." Minha mãe me deu uma piscadela.

Bem, era hora de pôr o plano em ação.

O caminho foi tranquilo, trocamos algumas palavras, rimos algumas vezes das suas aventuras desastrosas com Embry e Quil. Minutos depois, chegamos ao nosso destino, já se deparando com o mercado bem cheio.

Quando estávamos no fim das compras, indo para os caixas, nos cruzamos com Kim e Emily.

Como sempre Emily tentava puxar conversa comigo e nem sempre eu conseguia ignorá-la, ainda mais porque ela também sabia da surpresa. Em certo momento, minha prima se sentiu mal, seu rosto ficou pálido e ela parecia que ia desmaiar. Por sorte foi somente um mal-estar passageiro. Nós acompanhamos as duas mulheres até o estacionamento.

"Bom, acho que você se saiu bem nisso. Não foi tão difícil assim trocar algumas palavras com ela, foi?"

"Eu só fingi ser uma boa moça", falei entrando no carro.

"Acho que tô gostando dessa sua nova versão", Jacob me elogiou me fazendo revirar os olhos.

"Agora que tal um... milk-shake? Eu pago", sugeri e o garoto aceitou.

Escolhemos uma lanchonete que costumávamos a frequentar quando crianças. Dividimos um milk-shake de chocolate e era quase como nos velhos tempos. Depois decidimos continuar passeando calmamente lado a lado pela calçada, até passamos em frente a uma lojinha de ferramentas e outros utensílios.

"Ei, vem comigo!" Entrelacei a minha mão na dele e o arrastei para dentro da tal loja.

Sue havia me dito para também me procurar algum presente que ele gostasse. E acabei achando uma caixinha de ferramentas que, aliás, tinha um desenho de um cachorro branco.

"Acho que é a tua cara!"

"Ah, é legal. Tem bastante coisa que vou precisar." Seus olhos até brilharam.

"Certo. Então, vamos levar!"

"O quê?!"

"É um presente de aniversário pra você." Ele ficou todo feliz e até me deu um abraço de urso que menti que estava me sufocando. “Caramba, hoje é o meu aniversário.”

“Sério que você esqueceu?” Enfim, continuei o enrolando.

Me sentia bem em estar assim com ele, sem brigas e o ar tenso de La Push e, sobretudo, sem o bando. Tudo estava indo bem, quando ao retornamos para a caminhonete dele, de repente Jacob paralisou e ficou tenso encarando uma vitrine de uma loja. Segui o seu olhar e me deparei com Bella Swan vestida num belo vestido branco de Noiva. Os olhos dela logo se cruzaram com os dele. Ambos se olharam demoradamente, me deixando estranhamente perturbada.

Aquela cena só podia ser uma brincadeira maldosa do destino.

Enfim, voltei a me focar no rosto agoniado e sombrio de Jacob, seu corpo estava tremendo furiosamente, ele fechou seus olhos tentando se controlar. Resolvi que eu tinha que fazer alguma coisa para ajudar aquele garoto. E, talvez, aquele seria o momento perfeito, para também me vingar dela e fazê-la sentir o gosto do próprio veneno.

Sendo assim, me aproximei dele, enlaçando meus braços em seu pescoço e o puxando para mais perto. Ao meu toque, Jacob abriu os olhos e me olhou assustado e incerto.

Era para ser um simples abraço inocente de amigo. Eu tentei me convencer disso, mas acabei fazendo uma loucura... Inesperadamente, o beijei.

No momento em que nossos lábios se encontraram, eu esqueci de tudo, de todas as dores e sentimentos que me torturavam. E de repente já não importava mais nada — senão o garoto em meus braços.

Jacob me puxou para mais perto, colando mais nossos corpos, com suas mãos segurando firme minha cintura. Eu senti como se uma corrente elétrica fluísse por toda a minha pele, me arrepiando toda. Seus lábios eram quentes, macios e seu gosto era inexplicável. Ele me beijava com certa possessividade, que me dominava e me deixava sem fôlego. Todas as sensações que sentia naquele momento eram intensas como fogo, aquecendo não apenas o meu corpo, como também a minha alma.

Ali nos braços de Jacob senti que, por um instante, reencontrei a minha paz. Era como se houvesse uma luz pairando sobre a gente, transformando o momento em algo incrivelmente mágico.

Entretanto, da mesma forma inesperada que o beijo aconteceu, ele foi rompido. Quando nossos olhos se encontraram, não havia nada a ser dito, pois não haviam palavras para descrever o que havíamos vivido.

Por um minuto, seus olhos se desviaram dos meus e retornaram para a vitrine da loja. Todavia, Bella já tinha desparecido.

Nós retornarmos para casa num silêncio angustiante.

Agora eu havia traçado um caminho sem volta. Eu havia cometido o meu maior erro.

Notas finais
Bom é isso aí. Aguardando seus revews.