Coração De Gelo

5 Capítulo 5: Não quero, não aguento mais, esperar.


Notas iniciais
"Ser imoral não vale a pena, porque diminui, aos olhos dos outros, a vossa personalidade, ou a banaliza. Ser imoral dentro de si, cercada do máximo respeito alheio."

Dois meses se passaram então, quase que na velocidade da luz ou até mais rápido que isso, principalmente para Sirius, que já tinha uma rotina natural de todos os dias sair bem cedo da Base e voltar somente ao cair da noite, ou então nem voltar.

Passar o tempo com Inverno era com certeza bem melhor do que ficar na Base com seu pai, que em nada tinha melhorado o relacionamento com seu filho, embora suspeitasse de que algo estranho estivesse ocorrendo cada vez mais.

Liam não era burro. O que um rapaz faria fora por tanto tempo, principalmente fazendo tanto frio? Ele não sabia. Depois que conseguira aquela amostra do que parecia ser sangue (uma imitação dos glóbulos de sangue humano, mas totalmente negros), ficara pensando consigo mesmo sobre os mistérios que haveriam naquele lugar.

Seria o sangue de um animal? Com certeza aquilo era de algo vivo, pela organização celular avançada, mas de onde viria? E como Sirius teria arranjado contato com aquilo? Nas últimas duas semanas, Liam tinha começado a seguir o filho, mas não sabia porque, o mais novo sempre sumia numa determinada hora, simplesmente sumia, e se antes Liam ficava desesperado para encontrar o filho, agora ele só sentia uma curiosidade para saber o que diabos ele estaria fazendo.

E enquanto seu pai matutava sozinho, Sirius conversava com Inverno. É, bem, a estação conseguia conversar perfeitamente, mesmo que não usasse muitas palavras, e mesmo que em certas horas algo a mais ocorresse, em momento algum nossa estação quebrou sua promessa, e mesmo com o inverno acabando, ele continuava a esperar que Sirius tomasse a iniciativa.

E Sirius deixava o tempo ir. Tinha se acostumado a hostilidade de Inverno e também às suas reações estranhas sobre algumas coisas, além de que, na verdade, começara a realmente gostar de ficar perto do outro. Se acostumara quase completamente com o frio, então estava tudo indo conforme deveria ser, Sirius falando a mesma quantidade comum de palavrões e Inverno lhe respondendo com respostas ignorantes e rudes, embora houvessem horas em que simplesmente eles se deitavam no chão de gelo dos domínios de Inverno e olhavam para o céu noturno.

A mancha no peito de Inverno estava maior, claro, preocupantemente maior, e Sirius não podia deixar de notar. Na verdade, de vez em quando ele chegava nos domínios do outro e via algumas gostas de sangue negro no chão, como se Inverno tivesse vomitado sangue ou se ferido ou algo assim, mas nunca perguntou nada. Era orgulhoso demais para demonstrar que se importava e também, Inverno não diria nada mesmo.

Então estava tudo relativamente bem, e era divertido brincar com os poucos animais que ainda haviam naquelas redondezas quando Inverno ia junto, sorrindo só de tempos em tempos, mas sorrindo.

Faltava então uma semana para o final do inverno, o final dos três meses que fora obrigado a passar ali. Sirius adentrou em seu quarto na Base e se despiu, sentindo falta do chocolate que acabara já fazia semanas.

Ultimamente, Inverno parecia um tanto mais triste. Não que ele demonstrasse, mas agora ele estava falando menos e agindo menos, como se estivesse cansado, tanto que o frio começara a cair e as tempestades pararam de acontecer. Era como se ele estivesse morrendo mesmo porque sua estação estava acabando.

Sirius, vestindo então só uma calça, pulou em cima da cama e abriu o alçapão no teto do seu quarto, preparando-se para subir ali. É claro que ele percebera o estado do Inverno, mas sobre perguntar... Não era tão sensível e solidário assim, embora não gostasse de ver Inverno daquela maneira.

Foi só subir no teto e fitar a vastidão branca que cercava a Base que Inverno surgiu a sua frente, sem nem sequer precisar ser chamado, a estação levando então uma das mãos ao queixo do rapaz e dando-lhe um leve beijo nos lábios, Sirius empurrando-o para trás, como de costume.

-Vai, entra aí.-O rapaz disse, voltando a entrar no quarto e sendo seguido pela estação, que fechou o alçapão.

Sirius sentou-se na cama, puxando os cobertores para si enquanto via Inverno sentar-se ao seu lado, calado.

-O que é?-Sirius perguntou, querendo quebrar aquele clima de silêncio incômodo.

Mas Inverno apenas balançou a cabeça negativamente, fitando o chão como se pensasse muito sobre alguma coisa.

-Se você vai continuar me deixando na merda, então é melhor ir embora, porra.-Sirius disse, embora não estivesse falando totalmente sério, chegando só um pouco mais perto da estação, os cabelos desta uns milímetros mais longos.

Inverno ergueu o olhar, os olhos azuis frios fitando os negros do outro.

-E aí, você vai me dizer o que é que você tem ou não?-Sirius perguntou, começando a se irritar.

-Eu quero que se apresse.-Inverno disse então, sua voz soando firme.

-Heim? Tá falando de quê?

-Da promessa que você fez. “antes que o inverno acabe, antes de três meses”, lembra?

-Ah, porra, é isso?!-Sirius exclamou, pondo-se de pé.-Você quer que eu me apresse sobre dormir com você?! E eu achando que era algo mais import...

-É importante.-Inverno o interrompeu apenas, sem falar mais nada e fazendo o rapaz se calar por alguns instantes.

-Eu...

-Eu não vou mais lhe obrigar. Se quiser, já que dentro de uma semana estará livre, pode ir sem cumprir a promessa. Não vou me importar.

-Eu não disse que não ia cumprir! Oras, que porra, eu faço isso, eu faço, mas, cara... Cara, eu preciso... Pensar! Eu não disse que não iria fazer, é só que isso aí dói e...

-E você acha que a dor que eu sinto não chega a ser maior?-Inverno perguntou, fitando Sirius então, levando uma das mãos até a mancha negra que agora era possível ser vista mesmo coberta pela túnica branca que a estação vestia.-Somos, então, orgulhosos e egoístas demais, mas meu egoísmo chega a ser maior que meu orgulho, tanto que estou deixando todo meu orgulho de lado para vir lhe pedir por isso, mesmo sabendo que me sentirei humilhado e que alguém com o meu poder jamais deveria se sentir assim. Dentro de uma semana, você irá embora e eu irei desfalecer. O inverno vai terminar, e o que vai sobrar? Nada. Você não irá voltar e eu, quando acordar, serei agraciado apenas pela neve e pelo gelo.

Sirius franziu o cenho, sem realmente ter raiva.

-Porque eu sei que, assim como a última pessoa que me viu e que também esteve aqui, você não vai trocar o calor da sua casa por este lugar e muito menos por mim, eu sei. E arco com as consequências. Portanto, a última coisa que você pode fazer é me deixar, ao menos, lembranças.-Inverno continuou, os olhos inesperada e dolorosamente frios.-Ou será que até isso você iria me negar?

E aquele foi o golpe de misericórdia. Sirius sabia que Inverno estava certo, na verdade, apesar de gostar do Inverno e tudo o mais, ele sentia muita falta de casa. Não queria mais ficar ali, mas vendo pelo ângulo que a estação olhava, agora parecia um tanto cruel que Sirius simplesmente fizesse as malas e fosse embora. Cruel demais.

-Eu não vou lhe negar...-Sirius disse, antes que aquele silêncio pesasse demais. Inverno tinha razão, era a última coisa que ele podia fazer diante do pouco tempo que lhe restavam juntos, mas... Ele... Ele...-Eu... amanhã, okay?! Amanhã você vem aqui e a gente resolve isso!

-Não quero que seja obrigado a fazer isso.

-Como não quer?! Isso foi uma puta chantagem emocional!

-Viu como sou absurdamente egoísta a ponto de fazer com que sinta pena de mim para que eu consiga o que quero? Você.-Inverno encostou a palma da mão contra o peito do outro.-Também faz isso, às vezes sem sequer perceber, a diferença é que fui sincero quanto ao fato de que, quando o inverno acabar, todos irão embora e só restará a mim neste local. Vamos, sinta pena de mim, sinta o que quiser por mim, eu não me importo contanto que você durma comigo. Não importa que sentimentos guarde, contanto que esteja comigo.

Inverno empurrou Sirius delicadamente para trás até este bater as costas contra a parede, sem xingar nem dizer nada.

-Eu quero você. Agora.-Inverno murmurou, aproximando seu rosto contra o do rapaz.-Me dê o que eu quero.

-Mas se eu te der, você vai morrer, não vai?-Sirius perguntou então, falando sério, tão sério que até esqueceu de enfeitar a frase com qualquer palavrão.-Você é fraco com o calor e essas coisas... Essas coisas são quentes! Se só o pouco que fizemos fez você ficar com isso no seu peito, imagine... Imagine o que pode acontecer!

-Isso é preocupação, o que você sente por mim?

-E se for?!

-Ficaria muito feliz que fosse.

-Não venha com essas frases! Você sabe o que vai acontecer, não sabe?! E mesmo assim...

-Mesmo assim, apesar de toda a dor que sei que virei a sentir tanto durante como depois, apesar de tudo isso, eu quero. Sei que o calor vai me adoecer e provavelmente me mate, mas qual a consequência maior? Não há consequência maior. O inverno está acabando, e com ele, eu e você.

-Eu não quero que você morra, porra! Eu vou embora, mas eu quero voltar, e quando voltar, quero te ver aqui! Nem que eu demore para voltar, mas eu volto! Você não precisa morrer, você...

-Eu quero. Eu estou cansado de esperar inverno após inverno. Eu não escolhi esta vida. Não fiquei com a existência libidinosa do Verão, ou a alegre do Primavera ou até a calma e silenciosa do Outono. Não, eu fiquei com a fria e triste. Eu estou cansado de esperar, dia após dia, que isso acabe. E você surgiu na hora certa porque aí, posso ao menos dormir sabendo que pelo menos alguém vai lembrar de mim, nem que seja negativamente.

-Eu não quero ser responsável pela sua morte!

-Pois que seja ao menos responsável pela minha paz.

-Não! Eu não posso fazer isso com você! Se você morrer e aí...-Mas antes que ele terminasse, Inverno o puxou com força para si, abraçando-o com tanta força que quase chegava a doer, seu corpo naturalmente frio em contato com o corpo sem camisa do outro, naturalmente quente.

-Eu quero deixar em você apenas boas lembranças.-Disse a estação, fazendo o rosto do menor se encaixar entre seu pescoço e seu ombro.-Porque será a única coisa boa que deixarei para trás, então... Me conceda este último desejo, por favor.

-Você é um sacana!-Sirius exclamou, tentando se soltar do outro.-Sacana! Filho da puta! Bastardo! Maldito! Eu odeio você! Você sabia que isso ia acontecer, é por isso que você ficou comigo e me salvou e tudo o mais não é?! Por que fez isso comigo?! Apenas pra morrer no final?!

Mas Inverno não soltava Sirius, apesar de este chutar e esmurrar sem parar.

-Você não pode fazer isso comigo, porra! Não pode! Eu odeio você, eu...

-Eu te amo.

E do lado de fora do quarto, Liam ouvia tudo sem nada entender, mas com muito a suspeitar.

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-Eu não quero fazer isso!

-Mas fará, por mim.

-Não! Eu desisto! Não quero mais!

-Sirius...-Inverno murmurou enquanto despia sua túnica e a deixava cair silenciosamente no chão do quarto enquanto fitava o outro deitado na cama, ainda vestido.-Eu não acredito que alguém que se considere tão “macho” vai ter medo disso e numa hora dessas.

-Não importa! Eu não quero e... Ei, ei, ei, fique longe de mim!-Sirius exclamou, tentando recuar na cama mas o outro lhe agarrou pelo pé e lhe trouxe mais para perto, olhando em seus olhos enquanto se curvava sobre o rapaz.

-Tinha uma pessoa escutando detrás da porta. Pela temperatura corporal dela, digo que ela estava surpresa, mas não assustada. Você contou a alguém sobre mim?

-É claro que não, idiota, até porque, quem viria acreditar?!

-De qualquer forma, ela já foi embora. Enfim.-Inverno levou uma das mãos até a calça do outro, uma vez que a camisa já estava despida.-Tire isso.

-Não! E-Eu não quero fazer isso, que merda, isso é estupro e...

-Você quer, porque se não quisesse, estaria gritando e pedindo por ajuda e estaria realmente apavorado, mas no fundo, você quer. Eu sei que quer.-Inverno levou uma das mãos então até um dos mamilos expostos do outro, tocando-o suavemente e fazendo Sirius estremecer.-Viu? Seu corpo quer.

-Você está só se aproveitando da situação, seu filho da puta!-O rapaz exclamou.

-Achei que já soubesse o quanto sou egoísta e agora, oportunista também.-A estação disse, se curvando sobre Sirius e beijando-lhe longamente, mordiscando seus lábios e então descendo para seu pescoço, chupando-o enquanto suas mãos tocavam os mamilos do menor, que por sua vez mordia a língua para não emitir nenhum som constrangedor.

Inverno passou para o ombro de Sirius, descendo até chegar em seu peito e, sem olhar nos negros olhos do outro, lambeu com gosto um de seus mamilos, deslizando a língua sobre a pele rosada, chupando-a, usando a mão livre para segurar as mãos de Sirius que tinha ido arrancar os cabelos brancos da estação.

-P-Pare com isso!-Sirius exclamou, fazendo Inverno ergueu a cabeça. Sirius, mesmo com o cenho franzido e com uma expressão irritada, estava, apesar de tudo, ofegante e um tanto corado.-Não faça mais isso.

-Então o resto posso fazer?

-Não!

-Então o que é?

-Isso é... Isso é vergonhoso!

-Sexo nunca foi uma coisa muito bonita, afinal.

-Não seja sarcástico agora! Você sabe o que eu estou dizendo, é constrangedor!

-Você pode fechar os olhos, se quiser.

-De novo?!

Inverno suspirou então, deitando a cabeça no peito que subia e descia do outro, e sem olhar para Sirius, disse:

-O constrangimento é medo de alguma coisa, como medo de falar em público ou de tirar a roupa na frente de outra pessoa, mas é um medo que vem de outro medo. Quem fica constrangido de falar na frente de outras pessoas é porque tem medo de fazer algo de errado e ser vítima de riso, e quem tem medo de tirar é roupa é quem tem medo de não ser belo o bastante. Você tem medo de quê?

-De nada, oras!

-Não está ajudando.

-E-Eu só sinto vergonha de ter outro cara chupando meu peito!

Inverno suspirou, batendo a cabeça no peito do rapaz como se a estivesse batendo na parede.

-Escute...-A estação voltou a falar, fitando o rosto do rapaz.-Eu quero transar contigo. Se isso puder alegrar você, eu te acho um espécime humano com qualidades excepcionais. Para quem não pode escolher, tanto faz se o humano for homem ou mulher, mas eu acho que, neste momento, você está sendo um tanto infantil. O prazer é o mesmo, então por que ficar fazendo conta disso?

-Você tá dizendo que eu sou uma criança?!

-Estou, ou melhor, que está agindo como uma quando já é praticamente um adulto.

-Pois chupa essa porra aí!-Sirius exclamou por puro impulso, levando ambas as mãos até os olhos porque sentia que, se vesse, não aguentaria e desistiria.

Porque apesar do seu jeito de “macho” e suas atitudes, ele era extremamente tímido enquanto ao sexo (não que fosse virgem, porque não era já fazia muito tempo, mas passar meses sem fazer nada com ninguém o fez ficar neste estado).

Inverno então voltou a lamber os mamilos do rapaz, usando sua mão para correr por sobre o abdômen, sentindo a pele, provocando leves arrepios no rapaz (que ainda mordia a língua para não emitir nenhum som).

Então a estação abandonou os mamilos, desceu, deixando uma trilha de mordidas e saliva pelo peito do rapaz, chegando até seu ventre, onde um tímido caminho de pelos surgia. Inverno abriu a braguilha da calça do rapaz e a tirou juntamente com a cueca boxer preta (que ele não pode deixar de imaginar que combinava com os cabelos e os olhos do rapaz).

Sirius, por hábito (ainda com as mãos cobrindo o rosto), até tentou fechar as pernas, mas Inverno voltou a abri-las, tocando o membro excitado do mais baixo com afinco, querendo mais que tudo ver seu rosto, ver suas reações.

-Seu... Filho da... Puta...-Sirius tentou exclamar, sem conseguir muito bem porque a voz saía entrecortada, evitando soltar gemidos.

-Como quiser.-Inverno deu de ombros, acostumado a ser chamado assim, aproveitando que o outro estava distraído para erguer um pouco seu quadril e, cuidadosamente, forçar um dedo contra sua entrada, o que provocou uma exclamação de dor e uma série de palavrões por parte do menor, que nem teve muito tempo para reclamar porque enquanto o estocava com um dedo, Inverno abocanhou seu membro, lambendo-o e chupando sua glande para que ele não sentisse tanta dor assim.

Sirius segurou os lençóis da cama com força, querendo mais do que tudo saber como exatamente tinha ido parar ali e querendo saber mais do que quase tudo onde esconderia sua cara depois dessa.

-Já... Chega...-Sirius tentou dizer, embora a voz tenha saído um tanto distorcida.-Pare com isso... I-Inverno!

A estação voltou a parar, suspirando, erguendo o olhar embora sua língua ainda estivesse sobre o membro do rapaz, o que dava um ar totalmente sensual à cena, com os longos e brancos cabelos de Inverno caindo pelas costas e pelos ombros e seus olhos azuis profundos, como mares congelados finalmente descongelando.

-Não quero parar.-Inverno disse, voltando a lamber o outro mais uma vez. Sirius ergueu a cabeça, os olhos negros irreconhecíveis, o cenho franzido mas a respiração ofegante.

-Vai me estuprar, então, é?-O rapaz perguntou, aproveitando o momento para fechar as pernas se Inverno não tivesse voltado a abri-las.

-Quando é que você vai parar de ser tão infantil?-Inverno perguntou, a voz um tanto mais fria desta vez.

-Quando você parar com essa besteira toda de dormir comigo!

-Embora você esteja gostando.

-É, embora eu esteja gostando e... Quer dizer, não! Eu não gosto dessa porra aí não! Cara, isso é constrangedor e...! Aposto que até você ficaria com vergonha por isso! Nem é normal e...!

-Aceito sua aposta.

-Aposta de quê?

-Que você acabou de dizer: Que eu sentiria vergonha. Eu aposto com você que eu não sentiria vergonha alguma.-A estação disse, apoiando-se nos joelhos do rapaz, que ficou um tanto pálido.

-Eu retiro o que eu disse.

-Não pode, não mais. Vai ter que ir até o fim.

-E como eu devo fazer essa porra?! Eu devo, sei lá, te chupar e aí montar em você que nem um viado mesmo?!

-Como se você não fosse gostar.

-Pare de ser tão presunçoso, seu filho da puta! Que seja! Bastardo! Maldito! Vai, deita nessa porra aí, e se você fizer qualquer comentário, eu juro que te dou uma surra!

-Como se você pudesse.-Inverno acabou dando um último sorriso antes de sair de cima do outro e se deitar na cama, vendo Sirius engolir em seco e então se posicionar no meio das pernas da estação, obviamente sem saber o que fazer.-Não quero ser presunçoso, mas...

-Mas nada, eu mandei você ficar calado, não mandei?! Oras, que porra! Fique quieto aí enquanto eu faço isso!-Sirius exclamou, embora tivesse voltado a engolir em seco, levando as mãos até a calça do outro, branca, simples, sem botões nem zíperes.

Mas fazer alguma coisa, ele só fez até ali mesmo. Voltou a engolir em seco, sua cabeça perdida demais para fazer alguma coisa útil. Oras, se até com meninas às vezes ele tinha horas que simplesmente empacava e não conseguia fazer nada além de olhar, com homens era bem pior.

Sirius piscou e pelos próximos vinte segundos ele não fez nada senão ficar com as mãos pousadas sobre as calças do outro. Inverno, extremamente paciente (porque depois de passar certo tempo vivendo com o rapaz aprendera que isso era uma virtude), apenas o fitava, mas, na verdade, se segurava para não rir.

-Olha...-Sirius tentou dizer, mas foi imediatamente interrompido pelo outro.

-Você não vai se safar dessa, nem pense em qualquer alternativa porque eu não vou aceitar nenhuma delas.-Disse a estação, deitado, mas apoiado com os cotovelos para que pudesse olhar o outro de frente.

-Eu não sei fazer isso, okay?! Oras, que merda!

-Me dê suas mãos.-Inverno disse, se sentando então e segurando as mãos do outro, tirando a calça e ficando completamente nu.-Agora, pegue aqui.

-Não vou pegar nisso aí, isso é...

-Então você é um mentiroso e um covarde e sua palavra não vale nada, já que no meio da aposta, recuou. Que pena, achei que fosse um tanto mais corajoso.-Inverno disse, o sarcasmo ácido na voz.

-Argh! Que diabos!-Sirius reclamou, mas fez o que o outro mandou, voltando a engolir em seco e ficando extremamente constrangido ao tocar no membro do outro, que por sua vez assistia de forma tão simples e calma que chegava a assustar.-Pare de olhar.

-Por quê?

-Porque sim! É vergonhoso, isso! Porra, cara, você não tem um pingo de vergonha, não?!

-Não vejo porque ter vergonha. Pegar nesta parte do corpo é como pegar nos cabelos ou no rosto. Corpo é corpo, independente da forma ou do lugar.-A estação respondeu, mas voltou a se deitar no colchão e ficou olhando para o teto.

Queria rir do rapaz no meio das suas pernas, mas não fez nada. A dor do calor já machucava bastante seu coração, mas ele não se importava, não naquele momento, dentre tantos outros, não naquele momento.

-Se todos os meus dias fossem tão complicados assim, não me importaria em repeti-los.

Notas finais
Ah, bem, cá está outro chap. Alguém aí já tem ideias de como vai terminar essa bagaça? No doc aqui do notebook a fanfic já está em seu último chap, mas lol, não sei qual final fazer. Rezem para que eu escolha um bom final.
Enfim, eu gostaria de explicar um detalhe que nem todos notaram: Sobre o sangue do Inverno. Como o Liam pode vê-lo se é o sangue do Inverno e se ninguém vê o Inverno? Bem, digamos que um fio de cabelo e roupas funcionassem da mesma forma: Eles só continuam invisíveis aos demais olhos humanos quando juntos ao dono, ou seja, ao Inverno. Uma vez que eles se separam, se tornam sangue, fios de cabelos e roupas totalmente comuns e visíveis, porém, se o Inverno quisesse, mesmo separados ele poderia fazer com que essas coisas continuassem invisíveis, mas não é o caso porque simplesmente ele não se lembra, da mesma forma que ele nem faz ideia que seu sangue foi parar no laboratório do Liam.
Mas enfiem... ESPERO QUE VOCÊS TENHAM GOSTADO!! Era pra ter tido um full lemon aqui, mas uma amiga minha que me vê quase todo dia lê e bem, seria constrangedor se ela me vesse e soubesse que eu escrevo esse tipo de coisa, BUT, siem, eles foram até o final, é por isso que o Sirius está com dor (??).
Ah, já tô falando demais. KISSES GNT E ATÉ PRÓXIMA SEMANA!!!
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