Notas iniciais
Olá queridos, *Aposto que muita gente vai se surpreender com o capítulo de hoje; *Posso adiantar uma coisa: a pessoa que mais influenciou Diana para que ela cancelasse o casamento é a pessoa menos esperada para esta tarefa! *No mais, boa leitura: Beijos ♥

As tardes na primavera de Gotham eram geralmente frias, mas aquele dia em especial, o sol resolveu que deveria brilhar com mais intensidade, aquecendo a vida na cidade. Diana terminou seu discurso para um monte de crianças de olhos arregalados e sorrisos fáceis do orfanato Filhos de Gotham, mantido pela Fundação Wayne. Ela falou sobre a importância da boa alimentação, a escovação dentária, obediência aos mais velhos e os animais em extinção. Lembrou-se de quando falou dos morcegos e sorriu.

As crianças de Gotham amavam morcegos e Diana não se surpreendeu com as reações encantadas. O lendário e formidável Batman inspirou milhares delas naquele lugar. As professoras e cuidadoras lhes disseram que as crianças estavam ainda mais empolgadas por terem a princesa de Themyscira lá, justamente falando dos morcegos e do Batman para elas.

Ela se perguntou como eles reagiriam se soubessem que Batman e o generoso mantenedor do orfanato, o bilionário Bruce Wayne, são a mesma pessoa.

‘Bruce’!

Diana ponderou bastante sobre ir até Gotham City. A cidade estava sob a proteção do Batman e meta-humanos não eram bem-vindos. Então ela teve que ‘pedir’ a Bruce/Batman a permissão antes de aceitar o convite feito pela direção da instituição. ‘Nada de dar muito chocolate para eles, princesa’, ele a exortou, antes de soltar um riso muito discreto – ou foi o que ela imaginou ter ouvido no comunicador.

— Senhorita princesa! – O pequeno de óculos e olhar inteligente puxou sua saia delicadamente. Ela logo percebeu quem era: um garoto de 10 anos chamado Tyler que passou boa parte do tempo perguntando sobre os peixes da baía de Gotham. Diana estava feliz de Arthur tê-la instruído sobre muitas coisas da vida marinha em suas conversas habituais. Diana sempre fora uma amante dos animais e os peixes se enquadram nesta descrição.

— Diga, querido! – Diana respondeu.

— A senhorita fala com os animais mesmo?

— Sim, Tyler. Eu falo!

O menino arregalou os olhos e sorriu satisfeito: – Um dia, eu quero ser veterinário e cuidar dos bichos.

— Muito bem, Tyler. Aposto que eles vão amar você! – Ela passou a mão no topo de sua cabeça antes de vê-lo se retirar com a turma.

Diana reuniu o laptop, e sua bolsa quando viu uma mulher no canto da sala. Ela havia chegado minutos depois que Diana começou sua apresentação e conversa com as crianças. A mulher era de estatura média, com um corpo esbelto e curvilíneo. Seu rosto, no entanto, estava escondido sob a imensa aba de um chapéu cor de creme, finíssimo e elegante. Ela era refinada, certamente. Ela usava um longo sobretudo branco e um par de sapatos pretos de salto altíssimo, com joias adornando o pescoço e anéis nos dedos.

Ela se aproximou de uma forma muito felina e sedutora. Depois tirou o chapéu e Diana reconheceu os olhos de esmeralda chamando a atenção para o rosto bonito de Selina Kyle.

— Ótima palestra. As crianças gostam de você! – Selina lembrou-se de Helena, que sempre falava de como gostava da ‘tia Di’ e ‘tio Clark’, que costumavam levá-la para passear uma vez por semana, mais até do que o próprio Bruce e Selina, sinceramente, se sentia agradecida por isso, já que via nos olhos da filha a felicidade imensa em estar com os ‘tios’.

— Obrigada, Selina. Como está Helena? – Diana perguntou.

— Ela está bem – Selina estudou as feições de Diana buscando alguma resposta para algo que só ela sabia.

— Me admira você aqui, de todas as pessoas, Selina.

— Vamos dizer que temos, digamos, interesses em comum, não é?! No entanto, você bem que podia falar sobre gatos. Acho que você esqueceu! – Selina sorriu com uma certa provocação. – Eles têm uma presença forte em Gotham.

— Você tem razão... – Diana também sorriu – Mas eu falei sobre linces. Eles são felinos. Então, não foi tão ruim assim.

Selina respirou fundo, Ela queria ir embora e estava tentando reunir forças para algo que Diana não sabia. Então Diana quebrou o silêncio.

— Bom, eu não sou uma cidadão de Gotham, miss Kyle. Você pode me indicar um bom café? Eu estou com um pouco de fome. – Diana pensou um pouco antes de completar – Se quiser me acompanhar...

Selina não conseguiu esconder sua surpresa: – Há um café a duas quadras daqui. Podemos ir. – Selina queria conhecer um pouco mais do ‘inimigo’ e por isso aceitou a proposta.

(...)

Diana e Selina andaram lado a lado. O vento soprava forte naquela tarde, apesar do sol forte, fazendo com que Diana para endireitasse o casaco. Ela não sabia porque motivo Selina aparecera repentinamente, mas estava interessada em saber e – tinha a impressão – não era para falar de gatos. Mas ela decidiu não insistir em perguntar sobre isso.

Selina, por outro lado, parecia inquieto sobre o passeio. Ela não disse nada depois de sua conversa no orfanato, aparentemente esperando por Diana para começar um diálogo. Uma vez que ela percebeu que Diana também não estava falando, apenas caminhou em silêncio. Os olhos de miss Kyle estavam na paisagem, apesar de seu foco ser a amazona.

Diana era bem alta. Certamente mais de 1,80m e bonita o bastante para ser uma transeunte que chamava muita atenção. Os cabelos em cascata, da cor de corvo da princesa definitivamente estavam incomodando a Mulher Gato, voando com o vento. Ela parecia livre... e Selina sentiu uma pontada de insatisfação.

Mas Selina Kyle estava longe de ser uma mulher comum. Ela não era alta como Diana, mas ela bonita, muito bonita e estava acostumada com os olhares lascivos do público masculino. Porém, esta tarde, ela parecia irritada de ter alguém chamando tanta ou mais atenção que ela, mesmo não usando a tiara e o laço. Embora os braceletes de prata fossem um sinal claro de que a Mulher Maravilha estava caminhando ao seu lado.

Elas entraram no café e Diana escolheu um canto discreto. Quando os pedidos das duas chegaram, a princesa amazona sorveu um grande gole de seu mocha com caramelo. Selina estava tomando um cappuccino quente, povilhado com raspas de chocolate belga.

Selina estudou Diana novamente. Muitos heróis e heroínas admiravam a Mulher Maravilha por sua bondade, cérebro e beleza. Selina não! Ela conhecia a origem de Diana e não era de se admirar que uma mulher tão abençoada vivesse uma vida feliz e agradável e fosse amada por muitos. Seria fácil viver como ela, abençoada por um exército de deuses gregos. Não como Selina, que teve que lutar para sobreviver todos os dias de sua vida.

De certa forma, o rancor em seu peito cresceu um tanto mais desconfortável. Não era desprezo – ela não tinha razão para tal – era um mal estar, um desconforto, uma tristeza. E, ela teve que admitir, ciúme. Como se a vida a tivesse enganado, permitindo que alguém tão abençoado fosse feliz, enquanto outra tivesse que sofrer violência doméstica com o pai bêbado e uma mãe perturbada. Para não mencionar o hospício horrível em que ela teve que viver quando era adolescente... Depois as ruas violentas de Gotham e todas as coisas degradantes que teve que fazer para sobreviver.

E agora, diante dela, agindo amigavelmente, a mulher responsável por estragar sua última chance de felicidade – muito embora ela não acreditasse nisso, para ela, felicidade era uma utopia. Mas ela esperava realmente ter um ‘gostinho’ do que seria ser feliz com Bruce. Ela já vinha experimentando um processo de transição. Os problemas com a justiça era cada vez mais raros. E vestir o traje muitas vezes foi apenas uma desculpa para ver o vigilante de Gotham.

Quando descobriu a gravidez, a reação imediata não favorecia Helena, por assim dizer. Como ela ia ter um filho com a vida que levava? Mas o bebê era do Batman, não havia dúvidas. E Selina o amava demais se desfazer de um pedaço dele dessa forma. Então, ela o procurou na caverna e lhe disse sobre a gravidez. Ele prometeu cuidar dela e do bebê, mas, desde o começo – ela dolorosamente admitia – ele não parecia feliz.

Mas ela desconsiderou os sinais que o comportamento dele lhe indicara, tentando se convencer de que teriam uma família e essa era a chance deles (os três) terem uma vida pelo menos um pouco feliz. Ao contrário disso, a distância gradativa de Bruce – cada vez mais obcecado com Gotham, passando cada vez mais tempo com a Liga e até na empresa – no começo apenas lhe frustrara, depois a fez praticamente odiá-lo e agora, ela sequer conseguia sentir alguma coisa com relação a ele.

Selina o amava de verdade. A tragédia que ambos compartilhavam em suas vidas os aproximou de modo que ninguém talvez possa. Mas ela nunca se apaixonou por ele. Ela foi e sempre seria apaixonada pelo Batman.

Pelo bem de Helena, ela e Bruce, de comum acordo, tentaram conviver tranquilamente, como amigos. Como desde o nascimento dela, as brigas se tornaram cada vez mais frequentes e aquecidas, ambos chegaram a conclusão de que suas tentativas de viver como um casal não estava fazendo bem a qualquer um deles. E Selina, para surpresa geral, conseguira aceitar esse ‘acordo’ com muita tranquilidade.

Até que os rumores começaram!

Bruce vinha ajudando Diana frequentemente com a Fundação Mulher Maravilha e ela passou a frequentar Gotham com uma certa frequência. Não era nada demasiado, mas, tendo em vista a proibição do Batman quanto a presença de metas em sua cidade, essas visitas chamavam a atenção. Além disso, alguns tabloides maldosos sugeriam que essa ‘sociedade’ filantrópica com Wayne era uma tentativa notória do playboy de cortejá-la – O que era plausível, tendo em vista que ele nunca assumiu o relacionamento deles publicamente, mantendo o disfarce. Tudo que ele fez foi assumir a paternidade de Helena publicamente, dizendo a imprensa que sua mãe fora um de seus casos e a deixou sob seus cuidados, em virtude das melhores oportunidades que a criança teria tendo ele como tutor legal.

O nome de sua mãe foi mantido em sigilo por questões de segurança, tanto para ele e Selina, quanto para Helena. Se descobrissem que a Mulher Gato é a mãe, poderiam assumir que ele era o Batman – já que o romance tórrido entre a ladra e o herói era de conhecimento público.

Vê-los em fotos de jornais, seja em ações de caridade, dançando em bailes beneficentes, ou como Batman e Mulher Maravilha, ‘salvando o dia’, passou a incomodá-la mais do que ela gostaria de assumir.

Assim, a raiva que revestia a mágoa que ela sentia de Bruce, cresceu em direção a amazona.

(...)

Frente a frente com Diana, tomando lentamente seu cappuccino, Selina olhou para a mulher morena discretamente, sobre a borda da xícara. Talvez o convite inesperado que ela lhe fizera, ou quem sabe sua postura ‘desarmada’ tivessem agido para dissipar sua raiva... mas o rancor ainda estava lá, infelizmente.

‘Ela e Bruce são amantes? Ainda haveria uma chance para nós dois?’ Eram coisas que Selina não conseguia deixar de se perguntar.

— Obviamente ele sabe que você está aqui. – Catwoman levou sua xícara para um descanso no pires.

— Ele me pediu pra assumir seu lugar. Eu não sei ao certo, mas parece que Lucius estava tendo problemas em fechar alguns contratos e pediu que ele estivesse presente durante as reuniões para ajudá-lo a convencer o conselho de acionistas... Ele não queria frustrar as crianças cancelando a visita e achou que seria uma boa ideia ter a Mulher Maravilha como substituta – ‘Aposto que as crianças não irão se importar em ver uma heroína tão de perto’, Diana lembrou-se das palavras de Bruce ao telefone, no dia do convite.

— Se você não fosse ‘símbolo da verdade’, eu poderia jurar que vocês são amantes – Apesar do tom de voz tranquilo de Selina, suas palavras estavam cheias de cinismo e sarcasmo.

— Bom... então, é sobre Bruce que vamos falar?! Eu não estou surpresa. – Diana se ajustou na cadeira – Não somos, Selina. Eu não costumo me relacionar com homens comprometidos e eu também estou comprometida. Somos só amigos. Não há com que se preocupar.

‘Então ela não sabe do meu acordo com Bruce. Ela supõe que estamos juntos (como um casal). Isso significa que ele não lhe disse... Mas por que?’, Selina exibia uma pequena ruga entre as têmporas, absorta em seus pensamentos.

— Posso ser honesta? – Diana continuou quando viu Selina consentir – Você não veio me ver por isso, não é? Digo, eu sei que você quer algumas respostas, mas não sobre um caso entre nós.

— E por que você diz isso?

— Seus olhos... As expressões no seu rosto, do seu corpo. – Diana respondeu – Você estava tensa quando falou sobre ‘sermos amantes’, mas quando eu disse que não, nada mudou. Não há sinal de alívio. É como se você não se importasse.

— Talvez. – Depois de uma pausa considerável, a mulher Gato soltou – O que de fato há entre você e o Batman? – Foi o último nome que fez a voz vacilar.

— Você quer realmente saber? Você se importa com a resposta?

— Um pouco, mas não vai mudar o que eu penso de você!

— E o que você pensa de mim, Selina? – Diana não pretendia, mas soou um tanto irônica.

— Que você é uma princesinha superprotegida, abençoado por um batalhão de deuses gregos, que se sente no direito de ‘ensinar a humanidade sobre a compaixão e a paz’. – Selina não conseguiu esconder a raiva – Eu não caio nessa. Ninguém que nasceu em uma maldita família conturbada, que cresceu nas ruas de Gotham, passando as noites em um bordel, ou que precisava roubar para comer, cairia nessa lorota.

Apesar do tom um pouco mais elevado nas palavras de Catwoman, parecia uma conversa normal. Sua vida foi difícil, mas ela estava disposta a manter o garbo e a elegância, especialmente na frente da princesa.

— É muito fácil para uma mulher como você falar de compaixão e blá blá blá. É ridículo ter pessoas que a admiram por isso. Você recebe dons, tem vida fácil e ganha tudo que precisa para essas ‘boas obras’ e ainda admiram você por isso, como se você se esforçasse. – Catwoman alongou a coluna ainda sentada e massageou a nuca.

— Não me diga que você está tentando nos comparar? Eu e você? – Diana disse suavemente, o que irritou Selina um pouco mais. – Você não vai conseguir!

— Por que não? Você pensa que é melhor que eu? Por que eu vivi nas ruas e tive que fazer coisas das quais não me orgulho e você é uma princesa? – Rancor. Selina era puro rancor.

— É claro que não! – O olhar de Diana não era nada menos que sincero – Nos comparar não é possível porque você também é única, Selina. Não tem nada a ver com melhor ou pior.

Diana sabia a história de vida de Selina. Bruce lhe contara. Foi o que diminuiu sua raiva em relação a ela. Antes, havia o ciúme da relação dela com Bruce, do vínculo dos dois com a chegada de Helena, das fofocas que ouvira sobre o romance tórrido entre o Batman e Catwoman nos telhados de Gotham. A amazona sabia de todos os namoros furtivos que Bruce vez ou outra se permitia, para manter a imagem frívola do playboy. Ainda sim, farça ou não, aquilo doía. Mas estava longe da dor que ela sentiu quando soube o quão intensa era a relação dele com Selina.

Diana não a odiava. Não odiava nenhuma dessas mulheres. Afinal, não é difícil apaixonar-se por um homem tão impressionante, ainda mais para quem o conhece além das máscaras.

Surpreendentemente, ela descobriu que sua nova impressão de Selina não era mais negativa.

— Eu sei que Bruce ama você – A voz de Selina tinha mágoa, mas muito mais alívio – Então você entende o meu ressentimento em direção a você?!

— Sim... mas você não deveria. Nossa relação nunca avançou. – Diana não conseguiu esconder a melancolia.

— Bem... Eu preciso ir agora. Tenho que pegar Helena na escola. Normalmente Alfred faz isso, mas eu lhe disse que faria... Quero ficar o máximo de tempo que puder com ela.

— Você fala como se fosse se despedir dela.

Os olhos de esmeralda estudaram os azuis uma última vez e não havia amargura ou mágoa.

— Eu e Bruce cometemos um erro. Algo que quase nos custou nossa amizade. Eu o conheço intimamente, vejo através dele, porque nós somos como espelho um do outro. Nós reconhecemos a dor, o vazio, a raiva um no outro. Se eu acreditasse em almas gêmeas, eu diria que nós somos. – Selina não queria ver os olhos de Diana – Mas por mais que meus sentimentos por ele sejam sinceros, eu percebi que meu coração é do Batman. Talvez fosse mais fácil manter uma relação com ele, no fim das contas. Eu e Bruce não conseguimos. Ele está infeliz. Eu tenho sido mais infeliz do que eu era e isso é uma droga!

Diana ainda estava chocada com o desabafo de Selina. Tanto por sua personalidade forte não revelar fraquezas e inseguranças.

— Vocês têm Helena, Selina.

— Helena foi a única coisa boa, depois de tudo. – Selina soltou um suspiro profundo – Eu sinto que estraguei as coisas para Bruce, no fim das contas. Eu não posso consertar o passado, mas talvez eu possa fazer algo que faça o futuro dele um pouco menos triste. Eu sinto que devo isso a ele.

— Eu sei que ele ama você. Droga... todo mundo naquela mansão sabe disso – Selina fechou os olhos – Eu ouvi Alfred dizer a ele que ele deveria dizer a você como se sente antes que você se case... Eu não vou fingir que me importo com o fato de você cometer um grande erro, mas eu me importo com ele.

— Eu aposto que esse tal ‘noivo’ é um cara legal. E talvez você goste dele. Eu não me importo... Só que você ainda ama o Bruce, ainda é apaixonada por ele. Se casar com outro não vai fazer você esquecê-lo. Tudo que vai conseguir é fazer duas pessoas infelizes, ao invés de uma.

— Eu... eu não posso fazer isso com o Tom. Eu vou partir seu coração. Eu sei como é ter o coração partido – Diana tinha um olhar triste.

— Ele vai ficar magoado e com raiva de você... Provavelmente te odeie pelo resto da vida – Selina deu a impressão de se divertir com a ideia e alguém com raiva de Diana. – Ainda sim é melhor que arruinar a vida dele porque ama outra pessoa. Você não sabe o que amar alguém e perceber que ele ama outra pessoa.

— Sim, eu sei... – Diana interrompeu.

— Não, você não sabe droga nenhuma! – Selina queria gritar, mas se conteve – você pensa que sabe alguma coisa. Ele não ama outra pessoa. Ele ama você. E embora seja ridículo, ele tende a afastar as pessoas que ele ama.

— Mas... e você?

— Ele ainda não sabe. Ninguém sabe... Mas eu pretendo sair da mansão. Morar com Helena, num canto só nosso. – Selina respondeu – Depois de amanhã eu vou para Paris. Quero passar um tempo lá... ‘férias’, digamos. Um mês ou dois. E na volta procurar um apartamento.

Selina levantou, tirou dinheiro suficiente da bolsa para pagar a conta das duas e andou elegantemente até a porta. Antes dela sair, Diana se aproximou apenas o bastante para ser ouvida sem gritar.

— Selina... obrigada!

— Não foi por você. Foi por ele!

— Eu sei... Ainda sim, obrigada.

‘Maldita princesa’, Selina murmurou para si mesma, mas sem raiva. Após esta tarde, seria difícil para ela odiar Diana.

Notas finais
*Inspirado no quadrinho da Liga da Justiça #90, antes do projeto OMAC *E Catwoman #32