Notas iniciais
Olá leitores queridos! *Confesso minha empolgação à medida que vejo crescer o número de favoritos. Pode ser um número modesto, diante dos tantos autores aqui que já tem seu grupo seleto e fiel de leitores, mas para mim, é uma alegria ver que minha estória tem interessado vocês; *Hoje temos o penúltimo capítulo da primeira fase e eu vou tentar caprichar no capítulo para deixar todos satisfeitos e merecer a confiança e o interesse de vocês; Como de costume: obrigada pela paciência, audiência e boa leitura!

Savage deu um riso pesado. Uma gargalhada maligna, carregada de galhofa e zombaria. Não parecia aniquilado, nem rendido. Era o som de um vencedor, embora estivesse perdendo a batalha.

— Vocês acham mesmo que acabou? – Ele emitiu um simples comando e o computador reconheceu a automação para dar início à contagem regressiva de autodestruição. Tudo iria pelos ares em um par de minutos.

— Seu louco desgraçado – Slade esbravejou – Você vai matar todos nós! – Seus olhos estavam em chamas, uma mistura de medo e incredulidade. Ele estava lá porque foi pago, não para desperdiçar a vida por causa dos planos de um ditador psicótico.

— A estupidez humana não para de me surpreender, de fato – Ele manteve o divertimento sádico dirigindo a resposta irônica a seu antigo aliado. – Eu sou IMORTAL (ele enfatizou a palavra), seu tolo. Embora meu corpo sofra com a explosão, ainda sim, minhas células são capazes de restaurar-se até me devolverem as saúde plena*.

Os olhos de Slade, bem como de todos na sala, se arregalaram diante da loucura proferida pelo imortal fascista. Clark podia ouvir as centenas de corações acelerados dos guardas rendidos no salão, refletindo o desespero inequívoco daquelas pessoas. Embora estivessem de lados opostos, ele não deixou de se compadecer com a aflição alheia e olhou para Bruce com os olhos solidários de um homem cujo coração transborda generosidade.

Bruce manteve a calma, embora estivesse consciente da periculosidade de um adversário que não teme a morte.

— Superman, Mulher Maravilha, quero que levem todos os que puderem, o mais rápido possível, à superfície da ilha. Carreguem quantos puderem e antes dos segundo finais, permaneçam também lá em cima. – Ele ordenou, com serenidade suficiente para transmitir segurança aos seus dois companheiros de equipe.

— E você? – Perguntou Superman, temeroso com a resposta.

— Eu vou tentar reverter o comando e impedir a explosão. – Bruce fez uma pausa – Não há garantias de que eu vou conseguir... então, tirem todos daqui e fiquem à salvo, VOCÊS DOIS – Ele gritou para Diana, não deixando margem à desobediência.

— Nós não vamos sair daqui sem você, Bruce – Diana rebateu com teimosia régia.

— Não temos tempo para discussão agora, princesa. Vão, rápido! – Bruce disse sabendo que ela e Clark não perderiam tempo para salvar quantos pudessem da explosão iminente.

Antes de correr para o console do computador, para tentar reverter a cronometragem, ele olhou pra ela, quando ela se deslocou voando, em velocidade, rebocando três homens em cada braço – pendurados uns aos outros, de mãos dadas. Seria a última vez que ele a veria.

Foram segundos, mas para ele, era como se tivessem sido minutos preciosos para beber uma última vez da imagem de sua princesa. Se fosse a hora de morrer, ele queria morrer com sua figura em sua mente, a aquecer-lhe o coração. Sabendo que ela estaria a salvo, sabendo que ela teria sua chance de ser feliz. Ele não tinha mais essa chance. Felicidade era uma ilusão para um homem como ele, tão quebrado emocionalmente. Sua vida poderia ser ‘desperdiçada’ por um bem maior: essa era sua missão. Esse era seu propósito. Este fora seu juramento!

(...)

A supervelocidade e superforça de Kal lhe conferia a possibilidade de levar dezenas de homens à superfície com eficiência e rapidez. Aliado à eficiência de Diana – tão forte quanto ele e presenteada com a velocidade de Hermes (não tão rápida quanto à sua, mas ainda sim, ultraveloz) – em pouco mais de um minuto eles conseguiriam cumprir o pedido de Bruce e aguardar as autoridades para efetuar a prisão do bando aliado à Savage.

Quando o kryptoniano levou a última dezena de homens do salão, voltou-se rapidamente para conferir o cronômetro e se deparou um uma contagem regressiva que apontava 20 segundos restantes. Ele não queria deixar Bruce, mas precisava levar aqueles homens pra cima. Ele queria levar seu amigo mais que qualquer coisa – e ele sabia que poderia – mas Bruce jamais iria de boa vontade e nunca o perdoaria por levá-lo à força. Kal-El fez uma oração silenciosa à Deus que lhe concedesse tempo suficiente para levar os remanescentes acima do Bunker e voltar para buscar Bruce antes da explosão.

‘Deus me ajude... Vamos Clark, seja rápido. A vida do seu melhor amigo está em jogo’ – Ele pensou consigo.

(...)

Diana tinha o coração contrito e pesaroso desde que Bruce dera a ordem para evacuação. Ela o conhecia o suficiente para saber que seus planos não contemplavam a saída dele em segurança, até que todos estivessem a salvo. Ela sabia o quanto seu espírito era devotado à missão de salvar vidas, em detrimento da sua, valendo-se de um sacrifício de si mesmo em nome da promessa que fizera a seus pais.

Ela deu seu máximo para trazer à superfície da ilha tantos quantos fossem possíveis, a fim de poder resgatá-lo também, antes da explosão. Ela desceu para o que seria uma última vez e viu quando Kal subiu com os últimos homens restantes. Seus olhos se arregalaram em choque e seu coração quase parou de bater por completo com a visão dos números vermelhos piscando de volta para ela, indicando apenas 8 segundos restantes para o resgate do homem que amava.

Uma maldição grega instantaneamente encheu o ar, chamando a atenção de Batman, que a esta altura, já se conformava com a própria morte. Ele imediatamente saiu de trás da mesa do computador em que estava trabalhando, apertando a mandíbula em fúria, depois de vê-la lá. Em sua última ação, ele cerrou os punhos.

— SAIA... AGORA! – Seu grito era pura fúria e medo. Raiva por ela não tê-lo obedecido, por não estar segura, por não deixá-lo morrer com o coração leve, preenchido pela certeza de que ela estaria a salvo. Medo porque ela estava lá... porque seria exposta. Porque embora fosse imortal, não era indestrutível.

Diana apenas o encarou e partiu em direção a ele. Foram milésimos de segundo, mas parecia uma eternidade. Ela desdobrou-se no máximo de sua velocidade e orou a Hermes que lhe concedesse a graça de extrapolar os limites de seu dom, mas a sensação era como se ela nadasse em areia movediça. Ela não achava que estava sendo veloz o suficiente.

Sabia que não o removeria a tempo até a superfície, antes de serem pegos pelas chamas das explosões. Então, numa fração de segundos, ela tomou a decisão mais cabível para salvar alguém que certamente lutaria para não ser salvo. Toda uma miríade de emoções brilhou através de seus olhos naquele instante quando seus olhares se encontraram, em silêncio, dizendo-lhe as coisas que ela queria dizer a ele, mas de repente não tinha mais tempo.

Antes que ele pudesse reagir, ela o atingiu como um míssil mortal. Seus olhos azuis brilhavam de raiva e medo, assim como os dele, por sob a máscara. Ela colocou os braços e as pernas ao redor dele, numa medida de encaixe de seu abraço, imobilizando-lhe completamente. A força foi tanta que ele bateu violentamente contra a parede de concreto, tirando-lhe o ar dos pulmões. Restavam apenas três segundos... e ela voava, à toda velocidade, pelo túnel que levava a parte superior da ilha, com as costas voltadas para o Bunker, na tentativa de protegê-lo das chamas que se deslocariam por todas as saídas após a explosão.

Bruce tentou, em vão, lutar contra o seu domínio sobre ele, quando ouviu a explosão. Eles estavam em deslocamento ultraveloz quando ele viu a bola de fogo vindo em direção a ambos. Não dava pra saber se estavam perto o suficiente da costa para saírem de lá com vida. Não conseguia calcular nada naquele momento. Tudo que sentia era a dor excruciante em seu ombro esquerdo, que latejava impiedosamente, provavelmente deslocado pela pancada do míssil amazônico.

Ele simplesmente fechou os olhos e deu-se o último prazer de um homem à beira da morte, ao ver a mulher que amava em seus braços – embora, neste caso, era ela que o tinha nos braços. Ele moveu a cabeça com suavidade para curva do pescoço alongado de Diana. Queria sentir o cheiro inebriante do perfume que sempre o arrebatou em seu último suspiro; o movimento dos cachos negros dos cabelos de sua musa a roçar a única parte descoberta de seu rosto, como se este fosse o último afago que desfrutariam; tocar-lhe uma última vez a pele macia, beijando-lhe o pescoço. Era, por fim, o bálsamo final concedido a um condenado... E ele esperou, de bom grado, a morte... até que tudo ficou escuro.

(...)

Os homens de Savage já estavam sentindo o cheio da fumaça e dos produtos químicos que se dissipavam através dos tubos de ventilação que levavam à superfície. Todos ainda traziam um olhar de horror diante da tomada de decisão insana de Savage.

Presos do outro lado da ilha, num lugar contrário à entrada do covil do Ditador, mais próximo ao local onde o Batman havia pousado o Batwing, eles viram entulho e detritos subindo pelos ares, abrindo buracos em alguns pontos. Nenhum deles pode ver se os três heróis desconhecidos haviam sobrevivido à explosão. E embora estivessem sozinhos, nenhum ousou sair do lugar para fugir. Estavam amarrados e desarmados. Numa ilha sem chance de escapatória, cercados pelo mar.

Longe da civilização e do radar de quem quer que fosse. Ninguém sabia que Bruce já havia enviado a localização às autoridades responsáveis pela custódia desses indivíduos, especialmente Slade, um réu que não poderia ser mantido numa prisão comum, de onde escaparia com facilidade.

(...)

Superman parou apenas por tempo suficiente para recuperar o mínimo do controle de suas emoções. Ele sabia que entrar em pânico não ajudaria em nada o Batman e a Mulher Maravilha – que por ventura, eram duas das pessoas que ele mais amava no mundo, além de seus pais terrenos, Lois e Kara.

Ele os viu há muitos metros de distância da saída e concentrou a mente em direção a eles, usando a superaudição para auscultar seus corações teimosos, que acabaram de lutar com a morte, batendo. ‘Graças a deus, eles estão vivos’, foi seu primeiro pensamento em agradecimento.

As batidas do coração de Diana eram fracas e espaçadas, como se o músculo cardíaco estivesse fazendo um esforço hercúleo para bombear o sangue. Ela estava debaixo de uma grande placa de aço – que provavelmente fora arremeçada na direção deles com a pressão da explosão, o rosto cheio de fuligem e um corte profundo na cabeça deixou um rastro de sangue seco no lado direito de seu rosto. Ela respirava com tanta dificuldade, que só um meta-humano como Kal-El, foi capaz de conceber sua respiração sem a necessidade de verificação próxima. Ele retirou a placa de aço pesadíssima de cima dela como se fosse uma folha de jornal e percorreu seu corpo inerte com a visão de raio-x para identificar ossos quebrados e contusões.

Bruce estava a poucos metros de distância dela, deitado e inconsciente no chão. Seus batimentos e respiração eram regulares, em condições bem melhores que os de Diana. Embora também houvesse uma certa dificuldade respiratória, em detrimento à inalação de gases nocivos emitidos pela fumaça, a situação dele era de longe bem menos preocupante. Clark também procurou por rupturas ósseas e lesões graves, mas constatou apenas alguns cortes sem relevância, arranhões no queixo e na mandíbula e o ombro deslocado... absolutamente NADA quebrado ou queimado. O que Clark atribuiu à proteção do traje. Ele não sabia que Diana o protegera com o corpo.

Ele os levou com cuidado para o Batwing e, dentro da aeronave, observou quando – o que pareciam – agentes de algum órgão de inteligência bélico internacional tomar a custódia dos homens capturados, incluindo Slade. Clark não foi capaz de identificar quaisquer dos agentes porque não havia uma única identificação que os ligasse a quem quer que fosse. Os uniformes eram completamente negros; todos tinham comunicadores auriculares embutidos à parte interna do ouvido, como os que Bruce lhes dera; embora parecessem soldados de elite, nenhum tinha etiqueta de identificação com nome, patente ou esquadrão a que pertencia. Eram comandados por um governo que não queria ter seu nome associado a tais ações e isso despertou a desconfiança de Clark. *

Quando ele os viu levar todos embora, em um avião que mais parecia uma aeronave, ele entrou em contato com Alfred através da linha de comunicação segura e irrastreável do Batwing.

— Alfred... Alfred... Por favor, responda! – Kal iniciou a vídeo-chamada tentando manter a serenidade necessária para levar os amigos em segurança para caverna, onde receberiam os cuidados necessários para o reestabelecimento de ambos.

Em menos de meio minuto a imagem de Alfred estava projetada na tela da nave.

— Boa noite, mestre Kent. Presumo que a situação de mestre Bruce não seja tão satisfatória quanto eu gostaria, tendo em vista que é o senhor o interlocutor da mensagem e não ele. – Até mesmo as palavras aristocráticas de Alfred conseguiam mostrar mais envolvimento emocional entre ele e seu tutelado que sua postura estoica irretocável. Quem não conhecia com profundidade a história de fidelidade e dedicação que cercava Bruce e seu mordomo jamais diria que havia qualquer laço de afeto entre eles.

— Alfred, preciso que tome as medidas necessárias para receber Bruce e Diana na caverna. Você e Bruce devem ter um protocolo para situações em que cuidados médicos urgentes são necessários, não é? – Clark fez um pergunta retórica, porque já sabia a resposta. Por isso mesmo, continuou. – Você está certo: Bruce está ferido, mas não é nada grave. Eu mesmo já o vi em situações piores, logo, pra você, um ombro deslocado não deve ser nada.

— Se mestre Bruce não apresenta ferimentos graves, mestre Kent, eu não imagino a necessidade de incorrer na preparação da caverna... oh, céus! – Ele fez uma pausa abrupta, quando fora capaz de deduzir a justificativa para o pedido e a preocupação no rosto de Clark, que se mantinha mesmo com a notícia de que Bruce estava bem. – Não me diga que... oh, minha pobre menina...

— Sim, Alfred... – Clark baixou os olhos, incapaz de esconder a frustração e a própria dor – É Diana. Ela foi gravemente ferida e eu temo por sua condição atual. Eu sei que seu fator de cura é extraordinário, mas a imagem que eu tenho diante dos meus olhos me leva a duvidar dele. Por favor, me ajude!

— Tente manter a calma, mestre Kent. Eu estou na caverna, diante do computador principal, efetivando os comandos que acionam o piloto automático do jato. Em vinte minutos vocês estarão pousando no hangar da batcaverna. – o mordomo parecia amplamente acostumado à tais diretrizes, dada a facilidade com que agia – Eu entrarei em contato com a Dra Leslie e providenciarei tudo que for preciso para que recebam ajuda médica, especialmente miss Diana.

Clark sequer fora capaz de lembrar se respondera Alfred, ou se ao menos assentira em sinal de gratidão à seu pedido desesperado. Sua mente estava em ebulição, incapaz de tomar decisões importantes ou executar comandos simples – que não fossem para salvar seus amigos – seu coração, ele podia jurar, havia parado inúmeras vezes durante o voo até Gotham.

Notas finais
*A resposta de Savage não foi uma invenção aleatória, embora pareça estranha alguém explodir a si mesmo. Mas, pelo que sei, Savage é capaz de sobreviver a explosões de níveis absurdamente nocivos sim. *No episódio animado da Liga da Justiça em que Diana vai à Kasnia – Dama de honra, salvo engano – onde Savage se casa com Audrey, Bruce dança com Diana, etc..., bem no final, Lanterna e Flash conseguem lançar um satélite de fora da órbita em direção a terra e o Batman o direciona exatamente para o castelo onde Savage ainda permanece. E ainda sim, ele aparece, vivo, embora seu corpo sugira que ele teve a estrutura física completamente comprometida (ossos quebrados, deslocados, musculatura raquítica – diferente da sua estrutura normal, impressionantemente forte e robusta). *Logo, não é impossível a minha sugestão de que ele pode sobreviver a explosão e por isso, tramou como último recurso destruir as instalações, matar seus homens e aqueles que tentaram impedi-lo de governar.