Notas iniciais
*It's time for action, baby!

— Você quer que eu faça o quê? – Diana perguntou pela quinta vez, incrédula. Ela estava tentando manter a calma depois de ouvir o pedido absurdo que Bruce lhe fizera. Ela ainda não conseguia distinguir se estava nervosa porque estava com raiva dele ou porque temia que as coisas dessem errado por causa dela. – Bruce... – Ela estava tentando ser razoável – você sabe que eu não sou boa nisso. Eu vou acabar estragando tudo. Por que você não a Lois? Ela é boa nisso!

— Diana, eu não posso chamar a Lois porque Bruce Wayne precisa de uma desculpa para estar perto da área restrita e você, não Lois, é a minha acompanhante... Se me virem no local, eu posso dar uma desculpa qualquer de que estava procurando por você, entendeu? – Ele explicou pacientemente mais uma vez. Ele sabia, desde a primeira vez, que ela já havia entendido, mas ele preferiu ser paciente para convencê-la a ir com ele e fazer sua parte. – Vamos, Diana... É provável que a vida de milhares de pessoas esteja dependendo de você agora. Se não descobrirmos o que eles querem e o que pretendem, as consequências serão catastróficas.

Diana finalmente assentiu, arqueando os ombros em sinal de frustração. Bruce dominava a irritante capacidade de fazê-la ceder. Ele sempre conseguia dela o que ele queria. Ele sabia exatamente o argumento que a obrigaria a ceder; sabia o momento certo de seduzi-la, quando ela tentava se manter firme e negar seus pedidos. Não adiantava relutar. Era melhor dar-se por vencida e fazer o que fosse preciso! (...) ‘É para salvar as pessoas, Diana. Tente manter isso em mente’, ela disse a si mesma, como um incentivo.

— E as câmeras de segurança? – Ela questionou.

— Não se preocupe! – Ele determinou – Eu já consegui entrar no sistema de segurança via satélite e vou dar um jeito de reprogramar as gravações das câmeras no momento em que estivermos lá. Elas vão reproduzir por dez minutos imagens pré-gravadas, sem a nossa presença. Mais do que isso, é provável que a central de controle de segurança perceba a gravação. Ninguém vai ter imagens nossas, princesa! Mas só temos dez minutos, entendeu?

— Que os deuses me ajudem! – completou Diana em voz baixa, quase como um sussurro, como uma oração de encorajamento.

Bruce não foi capaz de esconder o meio sorriso. Se ele fosse honesto consigo mesmo, ele não teria dúvidas em admitir que este era, de longe, o plano mais divertido que ele já elaborou na vida!

(...)

Lois estava correndo através do corredor que dava acesso à imensa cozinha do navio. Ela precisava encontrar Clark desesperadamente. Já tinha tentado, em vão, achar Bruce e Diana em quase todas as áreas comuns. Também havia tentado entrar em algumas das salas reservadas apenas aos convidados, com acesso proibido aos funcionários, com exceção de alguns poucos autorizados. ‘Provavelmente é nesses lugares que acontecem as depravações’, ela pensou.

Ela o encontrou sentando em uma das mesas do refeitório para funcionários. Ele estava em sua pausa para o jantar, mas não parecia ter tocado na comida. Seu rosto trazia uma preocupação evidente.

— SmallVille, que bom que te achei! – Ela disse, tentando recuperar o fôlego.

— O que foi, Lois? O que houve? – Kent arregalou os olhos, visivelmente tenso.

— Precisamos encontrar Bruce e Diana agora, Clark. – Lois assumiu um tom de comando – É muito pior do que a gente imagina. É infinitamente mais grave. – ela continuou – Eu estou com medo, SmallVille. Eu estou com muito medo – Ela se jogou nos braços dele, tentando buscar conforto, tentando achar proteção.

(...)

Você sabe o que fazer, Diana. É só seguir o plano. Você consegue, princesa!’’. As palavras de Bruce não saiam da cabeça dela. Era só seguir o plano... simples assim!

Não! Não havia nada de simples nesse maldito plano, Diana se lamentava, enquanto percorria o imenso corredor de cabines que levavam ao local mais próximo das áreas com restrições de acesso. Ela se perguntava porquê não podia simplesmente socar os guardas, nocauteá-los e botá-los abaixo? Isso sim seria um plano simples – e divertido, ao menos para ela. O esquema de Bruce envolvia coisas bem mais complexas. Mas, como sempre, ele a convencera de que, se usassem a força como abordagem direta, o risco de alerta seria acionado de imediato. O melhor seria uma distração que lhe desse tempo suficiente antes de se livrar dos guardas para evitar que chamassem reforços.

No fim do corredor, ela se deparou com uma porta de aço que impedia a passagem adiante e bloqueava a visão do que quer que estivesse além dela. Havia um aviso informando que a entrada era restrita apenas à oficiais e tripulação autorizada.

Diana rompeu com facilidade a pesadíssima estrutura de aço que bloqueava o caminho, e deu de cara com outro corredor. Ela passou rapidamente a vista nos cantos superiores das paredes, em busca de câmeras de vigilância... Elas não estavam transmitindo, como Bruce previu. Era como se estivessem desligadas. Se ele estivesse certo – ‘e ele irritantemente sempre estava’, ela pensou – adiante, ela encontraria os guardas que Kal havia mencionado. Era hora de botar o plano em prática.

(...)

Rajesh foi o primeiro a notar a morena alta se aproximando. Não demorou muito até que seus companheiros de turno também a notassem. Honestamente, era impossível desprezar ou ignorar a presença daquela mulher.

Ele percebeu que havia algo errado com ela quase que imediatamente. Ela estava caminhando suavemente em sua direção, com um sorriso ingênuo nos lábios mais bem esculpidos que ele já vira na vida e a boca entreaberta o suficiente apenas para dar passagem à língua que teimava em umedecê-los, com movimentos circulares, forçando todos os seus pensamentos na direção dela, como personagem principal de todas as suas fantasias sexuais. As curvas eram generosas, os seios fartos saltando aos olhos, as pernas infinitamente longas e torneadas... era uma deusa!

Raj fora hipnotizado por aquela mulher. Ele não era mais capaz de mover-se, como se estivesse paralisado. Seus músculos também enrijeceram, tensionados inconscientemente em resposta à excitação que a visão dela causara. Ele não foi capaz de perceber que seus companheiros reagiram da mesma forma à presença da morena. Estavam todos de pé, imóveis, com os olhos vidrados em sua direção. Desautorizado a piscar ou até mesmo respirar, Raj finalmente conseguiu tomar fôlego antes de mergulhar novamente seus olhos naquela figura.

Havia algo errado... Definitivamente! Mas ele e seus companheiros foram incapazes de racionalizar o que quer que fosse. Tudo que eles milagrosamente conseguiam concluir é que ela estava cada vez mais perto... ‘Ela está vindo pra mim’, Raj disse a si mesmo.

***

Assim que Diana atravessou a porta de aço, ela começou seu ato. Não havia ninguém, por hora, mas ela não queria arriscar encontrar alguém abruptamente e não conseguir mais seguir com o combinado. Ela estava vestindo apenas o maldito biquíni branco e minúsculo que Bruce lhe comprara. Como ele pediu, ela removeu a parte de cima do conjunto e atirou desleixadamente no chão. ‘E junto com a peça, foi-se ao chão também sua dignidade’, ela sentenciou.

Ela seguiu em frente, com as mãos cobrindo timidamente parte dos seios, mas deixando à mostra uma quantidade generosa deles. Diana percorreu suavemente o sinuoso corredor até finalmente avistar os guardas. ‘Seis... são exatamente seis’, ela instruiu-se. Ela estava descalça por insistência de Bruce, que lhe disse que ela ficava ‘sexy como o inverno’ quando caminhava com os pés descalços e os calcanhares levemente elevados, como se ainda estivesse em seus saltos.

Ela deu o máximo de si para parecer convincente de que estava bêbada. Andava de forma mais lenta, com uma dose suave de desequilíbrio, fingindo usar a parede para se equilibrar novamente e seguir caminho. Seu cabelo estava desgrenhado apenas o suficiente para dar-lhe um ar de descuido divertido, do contrário, não teria o efeito sexy que Bruce queria dela. Ele queria que ela parecesse despenteada o suficiente para deixar a impressão que estivera recém-saída de um ‘clube de jogos eróticos’!

Raj e seus companheiros se deleitavam ao apreciar aquele exemplo claro de perfeição. Ela estava cada vez mais perto e, ele finalmente, se deu conta do que estava errado: ‘Ah, ela deve estar bêbada e perdida’, ele pensou!

Aquilo não era novidade pra eles. Era bem comum nesses cruzeiros com homens ricos e suas amantes fogosas. Mulheres, velhotes ricos, figurões da política... Acontecia quase como praxe encontrar uma enormidade de bêbados inconvenientes, perdidos ou desconectados com a realidade por uso excessivo de drogas e mulheres à beira da loucura, completamente fora de si, muitas vezes nuas.

— Olá, rapazes – Ela sorriu com um ar absurdamente sexy. – Eu estava procurando meu parceiro... mas acho que ele me abandonou – ela fez um biquinho sensual para fingir uma pontada de decepção – Será que vocês podiam me ajudar?

— Senhorita, como chegou até aqui? – Raj perguntou, quase que saído do transe.

— Oh... eu realmente não sei, senhor! – Ela fingiu inocência – Eu só não consigo encontrar meu quarto. – Ela mordeu o lábio com avidez.

— Você está aí, mocinha!! – Alguém gritou do corredor. – Volte aqui e vamos terminar imediatamente o que começamos na cabine! – os guardas olharam incrédulos para homem moreno e alto que se aproximava, visivelmente bêbado, segurando uma garrafa de Scotch quase vazia e uma toalha sobre o ombro.

— Senhor, senhora, eu não sei como chegaram aqui, mas precisam sair agora! – Raj interveio e os guardas sacaram suas metralhadoras.

— Ops... Vamos com calma, senhores. Eu e a minha deusa já estamos de saída... Certo, boneca? – Eu só preciso que alguém me diga pra onde ficam os quartos?! – Bruce disse, tentando parecer desleixado e levantando os braços em sinal de rendição caricata, deixando a garrafa cair à seus pés e quebrar no chão.

Diana logo o seguiu em seu gesto, revelando o busto perfeito e deixando os seios à mostra para deleite geral da platéia masculina boquiaberta. Houve a imediata hesitação dos guardas e as armas foram imediatamente arqueadas com a reação espontânea de incredulidade e excitação geral, o que deu a Bruce a oportunidade de colocá-los ao chão em pouco mais de alguns segundos.

— Bom trabalho, princesa! – Disse ele, beijando-lhe a bochecha. – Agora cubra-se – Ele a entregou a toalha que havia trazido consigo. – Vamos arrastá-los para uma das cabines e eu vou verificar o que elas escondem. Fique de guarda!

­– Seja rápido, Bruce! E boa sorte! – Ela sorriu pra ele.

(...)

Bruce e Diana estavam de volta ao quarto. Ela estava se vestindo enquanto esperavam encontrar Clark, que tinha notícias do que fora descoberto por Lois. Segundo Kent, Lois lhe disse que viu na cabine do capitão um mapa-mundi com demarcações em praticamente metade do planeta. A sinalização indicava atentados simultâneos a serem realizados em nações dispersas por todo globo. Mas ela não sabia quando, onde, ou como.

Nenhum deles, no entanto, previu ou ouviu o barco repleto de vinte homens fortemente armados que se aproximara do navio antes do previsto. Os comandados rapidamente embarcaram a bordo, fazendo o seu caminho, divididos em duas equipes, uma para a sala de máquinas e outra na ponte. Dez minutos depois, a primeira equipe de terroristas invadiu a ponte, batendo para fora a tripulação com duas granadas de gás paralisante. Eles rapidamente colocaram suas máscaras de gás, enquanto os seus homólogos na sala de máquinas bombearam outro gás tranquilizante através do sistema de ventilação do navio. Cinco minutos mais tarde, tanto a tripulação como os passageiros foram totalmente incapacitados. Nos outros cinco minutos, estavam todos rendidos.

(...)

Diana acordou com uma luz solar brilhante derramada na suíte. Seus braços estavam rígidos e seu cérebro parecia ainda estar ‘dormindo’. Ela tentou esticar os braços novamente quando então notou um par de algemas em torno de seus pulsos e tornozelos. Seus braços estavam amarrados atrás das costas e os olhos de Diana se abriram quando ela explorou as restrições. Ela e Bruce foram colocados lado a lado na cama. Diana olhou furtivamente ao redor da sala, tentando localizar seus atacantes, mas a suíte estava vazia.

— Bruce... acorda! – Ela sussurrou.

— Oooohhh ... minha cabeça dói como o inferno! – ele resmungou. – O que me atingiu?

— Shiiiiiihhhh!! – Ela pediu que ele falasse mais baixo – Eu acho que nossos ‘amigos’ tomaram o navio antes do combinado!

Os olhos de Bruce tentaram se ajustar a claridade e ele percebeu a restrição de seus movimentos: – Eu não sinto cheiro de nada. Devem ter usado algum tipo de agente reativo às terminações nervosas. Você está bem, princesa? – Ele perguntou, visivelmente preocupado.

— Estou, Bruce – Ela sussurrou de volta – E você?

— Eu vou sobreviver! Mas todos os meus sentidos estão entorpecidos, pra ser sincero. – Ele fez um grande esforço para reajustar a mente. – Eu deveria ter previsto a antecipação depois que vi as armas nas cabines. Eles iriam trazer o mínimo com eles e se equipar aqui em cima. Seria óbvio usar algo como um gás para colocar a tripulação à baixo e pegar as armas aqui. É óbvio que também receberam ajuda interna!

— Você quer que eu me livre das algemas e nos tire daqui? – Ela perguntou com preocupação.

— Não, não... Haverá tempo de sobra pra isso mais tarde. Vamos seguir com o plano e saber o que eles querem. Vamos manter a nossa cobertura por agora. Se um meta-humano fizer uma aparição vai acabar manchando o disfarce de Bruce Wayne. – Ele ponderou. – Vamos ver quem está no comando das exigências antes de fazer algo precipitado. Eu ainda estou com o com-link auricular, qualquer coisa posso chamar o Clark. Vamos esperar que eles não cometam nenhuma atrocidade, Diana.

— Está bem! – Ela disse e ele viu a preocupação com ele em seus olhos e dirigiu-lhe um olhar pesaroso, detectado imediatamente por ele.

— Não se preocupe comigo, princesa... eu vou ficar bem! – Ele tentou acalmá-la.

— Eu me importo com você, Bruce... – Ela começou, mas um grito vindo do corredor interrompeu sua declaração.

— Diana, mantenha a calma se nos separarem, entendeu? Não faça nada precipitado. Mantenha as mulheres calmas e cuide delas. – Bruce disse severamente, assumindo o tom do morcego. – Se estivermos separados por mais de uma hora, fuja e entre em contato com Kent imediatamente.

Ela fez uma breve pausa para beijá-lo com a mesma paixão que tinha mostrado na noite anterior, mas ficou levemente desapontada que o beijo não foi devolvido com a mesma convicção. O Batman estava lá, não era mais Bruce!

— Cuidado, Bruce! Não faça nada estúpido – Ela implorou.

— Quando eu já fiz algo assim? – Ele lhe deu um sorriso tranqüilizador, no entanto, a tentativa não aliviou sua preocupação.

— Não me faça dar-lhe uma lista ­– Ela lembrou, desviando o olhar.

A conversa foi interrompida um segundo mais tarde, quando dois terroristas encapuzados entraram na suíte. Eles foram cercados e puxados com força para fora da cama e jogados contra a parede. Depois disso eles os conduziram pelo corredor à caminho do deck principal da embarcação. A maioria dos passageiros já havia sido levada até lá e pareciam estar sofrendo ainda com os efeitos do agente tóxico do gás. Os terroristas estavam equipados com metralhadoras Sig-Sauer, separando os homens das mulheres em lados opostos do deck.

Bruce e Diana estavam entre os últimos casais e ela olhou para os comandados com ódio quando eles golpearam Bruce rudemente para que ele fosse para o lado oposto ao dela.

— Well, well, well, senhores! – Disse a voz reverberante do encapuzado homem alto e forte que parecia estar no comando da operação. – Vamos começar a festa – Ele riu enquanto tirava a máscara.

Bruce arregalou os olhos quando viu quem estava à frente de tudo.

Notas finais
*Amigos, eu não sou tão boa em descrições de cenas de ação. Por favor, peguem leve nas críticas e, estou aberta à sugestões e críticas construtivas.