Cor de amor
1 Capítulo único - Na sorveteria
Meu celular apitou. Encarei. 1, 2, 3 segundos... pronto, ali a melhor luz de led: azul. A-z-u-l. Sabe o que isso significa? Que é notificação do meu loirinho. Não é qualquer azul também, calma lá. É o tom de azul dele. Abri a mensagem só pra verificar que era ele me perguntando se eu já havia chegado ao nosso local de encontro. Respondi que sim, já estava na sorveteria colorida. Vários tons de sorvete, mas nenhum tão alegre quanto o azul.
Após verificar várias vezes os sabores de sorvete disponíveis, e não me ter decidido, parei em frente ao clichê: chiclete. Ponderava sobre o que pediria, quando senti mãos tapando meus olhos e um perfume maravilhoso inundou minhas narinas.
— Advinha quem é? – A voz grave continha um sorriso. Sorri grande.
— Deve ser meu girassol azul! – Respondi me virando e tirando suas mãos de meus olhos. Dei-lhe um selinho. Jasper abraçou minha cintura.
— Girassol azul? – perguntou com um semblante confuso – Dessa vez você se superou! – sorriu lindamente. Suspirei.
— Você é meu girassol azul. – Respondi enquanto me soltava de seus braços para pegar meu sorvete. Ele fez o mesmo. Caminhamos entre os sabores e ele, como sempre, escolheu manga. Coloquei meu chiclete. Claro que jujuba, cobertura e palitos também. Eu não consigo não ser infantil em uma sorveteria porque é uma sorveteria, afinal.
Fomos pesar os doces e ele riu do meu. Mostrei-lhe a língua e, antes que ele mordesse minha bochecha, corri até uma mesa.
A sorveteria a qual escolhemos é bem bonita. Aliás, foi bem aqui que nos conhecemos. O ambiente é aconchegante, o piso é de madeira branca e há várias mesas em um ambiente cercado de janelas de vidro e portais. Em um lado há uma sacada de madeira, na qual há algumas mesas com guarda sol. No batente da sacada há várias flores entrelaçadas ao apoio. Realmente encantador.
— Por que azul? – perguntou me olhando divertido e confuso quando nos sentamos à uma mesa da sacada.
— Porque a sua luz é azul. – respondi dando uma colherada no meu sorvete.
— Minha luz...? – suspirei. Ele não desistiria tão cedo de entender o seu apelido secreto. Bom, que já não é mais secreto. Enrolei com a colher no sorvete, e ergui o olhar para meu loirinho.
— A sua luz no meu celular. – Antes que ele retrucasse com o semblante confuso, continuei — A luz de led das suas notificações é azul. Eu nunca pensei no porque a sua luz é azul, bem, eu queria colocar uma cor diferente para que fosse especial, mas... azul. Não foi uma escolha. Aconteceu. Eu poderia muito bem te iluminar de rosa, afinal, é a cor mais presente na minha vida. Sabe de uma coisa? Azul é minha cor favorita. Azul, porque blue é tristeza, e você realmente é o único que consegue me quebrar. Tudo fica azul acinzentado. Azul porque é céu. Você é céu, é sol. O seu ultravioleta na verdade é azul celeste. Azul porque, eu realmente adoro observar a noite ao seu lado. Azul escuro. Azul petróleo. Azul que nos cobre quando a gente tá conversando sem som. Aliás, azul é seu sorriso, azul refresca, azul é mar, azul é a cor do topázio, é união. Azul é você. Você é a minha cor favorita. – terminei meu pequeno discurso com uma firmeza inesperada, as palavras apenas vieram.
O olhei de verdade pela primeira vez desde a minha declaração colorida. Seu rosto cheio de pintas e sardas pequenininhas que só poderiam ser vistas se observadas com atenção, sua barba que à luz do dia tinha tons de dourado quase acobreados, seus olhos ora verdes, ora castanhos. A boca rosada entreaberta, a bochecha corada, os cabelos voando leve com o vento fraco. Nunca me cansaria de olhá-lo. Era meu filme favorito. Nunca saberei se ele me amaria tanto quanto eu o amava nesse momento, o que não me era relevante. Ele, para mim, era a reunião de todas as sete artes.
Ele sorriu abobado. Não precisava responder. Sorri também, envergonhada. No fundo eu sabia que, para ele, eu também era azul. Azul é nós dois. Azul, meu bem... a cor do amor com certeza é azul.
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