Algumas pessoas sempre falam que vão mudar, que vão se transformar no ano novo. Fazem promessas e promessas para o ano seguinte. Queria ter essa sorte, pra pensar em fazer promessas de ano novo, mas não adianta pra nada. Isso é só falta do que fazer. Eu? Se eu tenho falta do que fazer? Proteger-me e à minha família é falta do que fazer? Acho que não. Desculpe o mau jeito, sempre sou ruim em apresentações, embora não seja nem um pouco tímido.

Sou Carlos James, mais conhecido como C.J. Tenho 16 anos e uma vida meio conturbada – meio não é a palavra, e sim muito. Por quê? Haha, leia e saiba minha história nem um pouco normal.

Tudo mudou quando meus pais decidiram que era desnecessário ter uma vida normal. Mudamos de nossa cidade para uma grande fazenda, onde não teríamos aula e passaríamos o resto de nossas vidas cuidando da fazenda. Vou começar no dia da mudança, assim fica mais fácil de entender.

Era um dia chuvoso de primavera, e lá íamos nós para uma vilazinha chamada Macuco, onde ficava o novo lugar sem conexão com o mundo atual. Eu estava sentado ao lado da janela olhando para a paisagem chuvosa. Estava ouvindo Lord Don`t Slow Me Down no iPod — pelo menos isso eles me deixaram levar. Do outro lado do banco traseiro estava minha irmã mais nova, Curtney. Curtney era aquele tipo de irmã que a vista todos adoram, aquele tipo de irmã que te ferra nas horas mais inapropriadas. Ela é superinteligente para uma menina de 11 anos. Ela sabe resolver equações que nem eu sabia resolver – de vez em quando eu a pagava para fazer a tarefa de casa de Álgebra, Química, Física e Matemática para mim. Ela é loirinha de olhos castanhos, e sempre amarrava o cabelo em duas tranças um pouco mal feitas (perfeita aos olhos da mãe).

Meu pai dirigia a caminhonete quando ele parou para virar em uma descida. Ao lado direito dessa descida havia um brejo e logo após o brejo um campo de futebol, depois do campo, uma vila e um morro com uma estradinha. Á esquerda da descida, mato e vegetação rasteira, e ao alto, outro morro, menos inclinado do que o da direita, uma casa enorme e com a cor laranja opaco.

Meu pai desceu com a caminhonete, o que deu vista a uma porteira de madeira escura. Do lado da porteira tinha uma árvore grande e em um dos galhos dessa árvore pendia um ninho de pássaros.

_ C.J abra a porteira para mim. – meu pai disse – Ela não vai se abrir sozinha.

_Queria que abrisse. – sussurrei baixo o suficiente para que ninguém ouvisse.

Abri a porta da Limited relutantemente. Assim que coloquei meus pés no chão, senti uma coisa estranha. Como se o todo da fazenda fosse estranho. Deve ser porque sou novo aqui. Puxei o capuz do moletom e coloquei o iPod no bolso. As gotas da chuva caíam em mim, manchando o moletom com borrões escuros. Andei em direção ao portão. O chão estava muito molhado, quase uma lama. Meu tênis ia se transformar em um tamanco.

Cheguei perto da porteira e ergui a mão, para escorregar a trava, e um vento forte soprou em minha direção. Fechei o olho, pois vinha gotas no meu rosto. Quando abri novamente, a trava já tinha escorregado. Dei de ombros e empurrei a porteira. Fui para o lado para dar passagem ao carro. Meu pai passou e parou distante o suficiente para que desse espaço para fechar.

Fechei a porteira e entrei no carro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.