Conversa

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Bom, fazia tanto tempo que não conseguia terminar nada de Kuroko no Basket, mas finalmente arranjei coragem e escrevi. Na verdade, apenas terminei o que tinha começado. Só me falta conseguir terminar as muitas mais que estão paradas em meses mofando no meu computador. Que Taiga e Tetsuya me dê forças para isso.
Mesmo fazendo tanto tempo que o anime terminou a primeira temporada, eu nunca pude sair/largar do fandom.(Mas nesse tempo apenas li, vi e re-vi mangá, anime, fanfics, fanarts, tudo...) Fiquei tão apaixonada por ele que hoje, com certeza, digo que é meu anime/mangá favoritos há um ano e meio, mais ou menos. E com orgulho!... E até que enfim minha espera vai terminar daqui duas semanitas. Estou tão animada, mal conseguindo me conter.
Para comemorar isso, resolvi postar uma OneShot que terminei á alguns dias atrás. Era para ter esperado um pouco antes de por no Nyah!Fanfiction, mas... sou apressada mesmo. >_<
Boa leitura.

— Kuroko? — Kagami abriu a porta do quarto que sabia que era do menor, vendo-o deitado na cama de lado ocultando sua face. Não sabia se ele dormia, então optou por chamá-lo.

Kuroko virou-se, olhando para a porta assustado ao ver quem ele menos queria ali. Sentando-se na cama, seus olhos correram pela face do ruivo que não tinha absolutamente nenhuma expressão. O que era bastante estranho num rosto que sempre fora bem expressivo.

— Kagami-kun? O que está fazendo aqui? — Perguntou segundos antes de mascarar sua surpresa, com sua monotonia habitual.

— Temos que conversar. — Taiga respondeu. Sua face se tornando cada vez mais séria a medida que as palavras escorregavam de sua boca. — Sua mãe avisou que ela está indo ao mercado e volta antes do almoço.

Tetsuya assentiu ao aviso e não pode deixar de pensar que agora estava só os dois em sua casa. O cenário perfeito para a tal conversa que Kagami se referia. Já sabia do que tratava, mas não queria tê-la naquele momento. Durante dois dias, o menor evitara ir as aulas escolares e ao club de basquete para evitar ao máximo o que tinham que falar.

Desviou os olhos para a mesa de estudo do canto direito de seu quarto e seus olhos correram pela superfície, parando em um papel dobrado em cima dela. Uma das mãos brincava com um fiapo do cobertor, sendo incapaz de se manter quieta e como se desobedecendo a ordem de seu cérebro para ela parar.

— Entre então, Kagami-kun. — O menor pediu. Taiga andou pelo quarto e parou na janela aberta, encarando um ponto lá fora para se distrair um pouco e tentar tirar o desconforto que sentia. O sol da manhã bateu em seu rosto e por alguns segundos, seus olhos fecharam, apreciando o calor acolhedor.

As olheiras eram tão evidentes, com as bolsas negras tingindo sua pele meio morena e denunciavam que ele tivera dificuldades em dormir.

O silêncio em torno do local não era nem de longe bem vindo, mas eles não tinham certeza do por onde começar a falar, e naqueles minutos, de abrir a boca e fechar, Kagami decidiu tomar a frente e virou-se para o azulado.

— O que você me disse é verdade? Está esperando um filho meu? — Perguntou.

O nó em sua garganta aumentou e ele simplesmente balançou a cabeça, mas que para o ruivo não foi bem aceito. Ele queria ouvir da boca pequena e rosada.

— Diga, Kuroko.

— Sim, é verdade... — Tetsuya murmurou baixo e ainda com os olhos voltados para a mão pálida.

— Quando ia me contar?

— Eu não sei, Kagami-kun... Já não sei de mais nada... Estou confuso. — Confessou ao outro. Estava sendo sincero no que dissera. Kuroko não sabia o que faria e temia a reação que aquele notícia causaria em Kagami. Taiga iria largá-lo?

E pensar que ele poderia ter que criar seu filho sozinho doía demais...

Seu filho...

Como uma bomba, a revelação bateu em sua cabeça. Ele realmente não tinha aceitado a ideia em si. Que um pequeno ser foi feito e crescia dentro de sua barriga a cada dia que passava. Um ser que precisava dele e do outro pai quando nascesse dali a sete meses. Um ser que dependeria de si para tudo. Sua cria, seu filhote, seu pequeno pedacinho de gente que levava seu DNA e da pessoa que amava.

A recordação do que viveram em uma das muitas noites que tiveram.

O azulado ofegou, puxando ar de forma desesperada. Em meio aos pensamentos nem notara que prendera a respiração.

O ruivo, encostado na janela, deixou a raiva se esvair quando viu o estado em que se encontrava Kuroko. Brigaria com o menor depois, afinal, ainda se sentia ofendido por não saber antes sobre aquilo. Isso era seu assunto também.

— Hey, Kuroko, olha para mim. — Pediu. A voz soando tão gentil naquele momento, que não parecia ser o mesmo Kagami agressivo em quadra e com quem lhe irritava – um exemplo, Aomine Daiki. Aquele cara era uma pessoa que não se dava bem nem se lhe pagassem. Parecia que seus santos não batiam, e tudo o que conseguiam fazer era brigar, brigar e brigar a cada oportunidade que tinham.

E quando se encontravam, ai de quem ficasse no caminho. Nem mesmo seus namorados – Kise, por parte do moreno – conseguiam lhes separar e pararem de vez as provocações que insistiam em proferir.

E mesmo assim, Kuroko parecia não ouvir, perdido num mundo seu, e ignorando tudo ao redor. O brilho desfocado estava manchando os olhos azuis límpidos, deixando-os foscos, sem vida. Algo que jamais deveria ficar. E estavam certos os que dizem que o espelho da alma são os olhos, porque foi com eles que até Kuroko se expressavam.

Demorou tanto tempo, mas Taiga conseguia ler parcialmente as mudanças no mais baixo. Não tudo, apenas o suficiente para dizer o que sentia. Era algo sutil, quase imperceptível, mas ele via, claramente. Em sua mente era devido ao fato do tanto de tempo que passavam juntos, pela simples convivência do dia a dia. Assim como Koganei que conseguia dizer o que Mitobe pensava.

Sem saber o que fazer naquela situação, pegou-o o menor pelo queixo, forçando seu rosto até que estivesse num ângulo que Taiga poderia se inclinar e dar-lhe um beijo. Os lábios colaram-se, quentes, mas demorou um tempo a Tetsuya se movimentar, mas quando o fez, Taiga agarrou sua nuca, aprofundando cada vez mais. Línguas duelavam, e aquilo estava lhes deixando acesos.

Foco, Taiga.

Não era para isso que havia ido a casa de sua sombra.

Separando-se finalmente, depois de deixar uma mordida de leve no lábio inferior alheio, Kagami ficou olhando para os olhos azuis que agora possuíam o brilho que tanto conhecia.

— Agora está me ouvindo? — Tetsuya balançou a cabeça, concordando. Sentia o gosto ainda da boca de Taiga, um gosto único e familiar.

— Eu... não sabia que possuía o gene... não fiz isso de propósito. — Falou baixinho, algo que Kagami teve que se esforçar para ouvir, mesmo estando cara a cara um com o outro.

— Eu sei.

Durante alguns momentos, o silêncio pesado reinou no ambiente. Ninguém sabia ao certo o que falar, somente se fitando e quando não conseguia mais, Kuroko desviou o olhar para a escrivaninha do quarto. A folha que havia feito perder o sono e atormentar-lhe noite e dia estava sobre a madeira marrom, dobrada como quando havia a pegado.

— O teste está na mesa, se quiser olhar.

O outro murmurou, levantando e pegando a folha. Sentou-se na cama novamente e leu. Uma, duas, três vezes. A ideia passava por sua cabeça, mas era tão surreal e tão incrível ao mesmo tempo.

Um dos seus desejos mais secretos era ser pai, mas não pensava que iria ser tão cedo assim. Nunca contou isso a ninguém, afinal, ele não tinha jeito com cuidar de crianças e nem tinha ficado tanto tempo ao redor delas para ver como seria.Mas um dia, quando ele viajou para os Estados Unidos para cumprir o treinamento que Alex havia proposto, ele ficou observando alguns minutos, uma criança jogando com seu pai. Pareciam se divertir, e, naquele momento desejou que um dia pudesse fazer a mesma coisa. Alguém que ele ensinasse tudo o que sabia.

Ele sorriu quando voltou para a realidade.

Kuroko agora olhava para ele, cautelosamente, como se esperando algo acontecer. Kagami entendeu o que ele sentia. Era medo, só que não tinha certeza do que. Deixando a folha ao seu lado, na cama, indagou.

— Me diz porque está com medo? — Os olhos de Tetsuya se arregalaram por simples segundos. Parecia que estava tentando descobrir como o outro havia lido-o.

— Eu não estou com medo. — Disse simplesmente, dando de ombros. E o ruivo pegou seu queixo, forçando-o a olhá-lo mais uma vez.

— Eu sei que está.

Segundos depois, ele via a face de Kuroko mudar imperceptivelmente, algo como aflição ou dor. Só então se deu conta de que apertava-o com uma força exagerada. Soltou-o imediatamente, desculpando-se.

— Kagami-kun, o que vai acontecer daqui para frente? Vai me largar? — Falou Tetsuya, cansado demais de tentar esconder seu maior medo. Não aguentaria se o ruivo deixasse-o, seria muito doloroso e ele não saberia como continuar com o filho, sem falar que tinha receio da reação de seus pais.

Kagami por outro lado foi dominado por uma raiva que jamais tinha sentido. Não era como quando ficava estressado com algum jogo de basquete ou alguém que lhe irritasse. Não, era diferente, como se parte dele estivesse se quebrando por Kuroko pensar desse modo. Será que não havia deixado claro que os dois nunca iriam se separar. Eles eram um. Um dependia do outro.

Luz e sombra.

— Como pode pensar que vou fazer isso? — Explodiu, bufando. Tetsuya encolheu-se mais contra a cabeceira da cama, temendo que Kagami ficasse com mais raiva. Segurou os joelhos apertados contra seu peito, mirando o ruivo, que após vê-lo daquela forma, teve que se obrigar a se acalmar. Não queria ter gritado e assustar Kuroko, entretanto, foi inevitável.

— Me desculpe. — Ouviu o murmúrio vindo do outro.

— Venha aqui.— Kagami chamou Kuroko, para que assim ficassem mais perto. O menor hesitou por alguns momentos, mas logo rendendo-se ao calor do corpo de Taiga. Abraçou-se ao outro, como se sua vida dependia disso. E foi só questão de tempo para que as lágrimas — que ele nem havia se dado conta – caírem silenciosas, cálidas, molhando o ombro do ruivo.

Taiga não se afastou, apenas ficou lá, segurando-o junto a si. Estava surpreso que Tetsuya chorava, mas nada disse sobre isso.

— Eu não sei o que vai acontecer com a gente, mas eu quero cuidar de vocês dois. Não estou com raiva de você por ter engravidado, só fiquei por alguns segundos, porque dói saber que você pensava que poderia te largar nesse momento. Não sou assim. — E o tom gentil dominou sua voz, tão baixa, demonstrando exatamente o que queria. Quando de falar, sentiu o outro assentir, ainda na mesma posição de antes. Uma que ele achava que poderia morrer assim. Era tão bom sentir Kuroko ao redor, tão grudado a si, como quando estava se unindo. E na verdade, essa era uma forma de união também. Suas almas, ligando-se, entrelaçando-se lentamente, como o pequeno que crescia no ventre — ainda liso — do menor.

— Preste atenção. Sei que não sou de falar muitas vezes, mas quero que saiba e que isso fique bem claro entre a gente. Eu amo você, Tetsuya, eu quero o nosso filho e espero que aceite-me na sua vida e na dele. — Kuroko se desencostou de seu peitoral, olhando com os mais incríveis olhos que ele poderia ter. Estavam avermelhados pelas lágrimas anteriores, mas o brilho de felicidade e esperança era intenso. Tão intenso que contagiou-lhe também.

— Eu quero. — Inclinou-se para o maior, dando-lhe um pequeno beijo. Pequeno, mas que continha tantos sentimentos, e o ruivo foi capaz de perceber o significado deles. — Também te amo.

O ruivo sorriu. Pelo menos parecia que toda a confusão estava terminada, e o peso que carregava nas costas ficava mais leve. Não totalmente, pois ainda tinha muito com que resolver. Falar com seus pais, os de Kuroko, com o time da Seirin, porque lógico, eles tinham que contar e seria melhor nesse inicio de gravidez. Logo a barriga dele iria crescer e ficaria arriscado jogar basquete livremente. Notando que estava preocupado com o bem estar de sua sombra, ele não deixou de sentir que estava começando a ver por um lado diferente toda essa situação. Ele cuidaria bem de Kuroko, não importava o que e quem. Não deixaria ninguém lhe fazer mal, e tinha certeza que arrumaria tudo o que ele precisasse nesses próximos meses.

— Kagami-kun, você é tão gentil... — O silêncio foi quebrado, e o ruivo não pode deixar de sentir sua face se aquecendo pelas palavras.

— Oh, c-cale-se, Kuroko! — Repreendeu envergonhado, mas em seguida os cantos da boca repuxando-se, sem conseguir conter o sorriso, tal como fizera sua sombra, mesmo que fora imperceptivelmente. Depois de tudo, Kuroko parecia adorar vê-lo corado.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Fiz com todo meu empenho e do jeito que eu vejo esse casal (Perfect!Couple).
*Gene: Eu me refiro a uma teoria que vi em uma fanfic em inglês, não me recordo qual, mas sei que é do fandom Sterek. Lá, a escritora(a) dizia que anos atrás haviam descoberto homens podiam engravidar, através de um genes que estaria com ele desde o nascimento. Achei a explicação tão legal, que não poderia deixar de adaptá-la a essas drabbles/oneshots, e considerando a hipótese mais verdadeira que já vi.
Se puderem comentar expressando suas opiniões - construtivas - eu ficaria grata!
E avisando que aceito sugestões para uma próxima!
Hasta la próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!