Controle
1 I
Controle
ô/
substantivo masculino
Ato ou efeito de controlar-se.
Sua respiração estava descompassada. Você sentia o suor — resultado dos enfrentamentos corpo a corpo que você foi incluída, forçadamente — escorrer pela sua testa, a umidade quase estragando seu cabelo perfeitamente arrumado.
Era para tudo estar perfeito. Perfeito. A noite tinha tudo para marcar a sua vida, da melhor forma possível. Você consegue lembrar como tudo começou. Seu vestido era magnífico e todos os presentes estavam vestidos com a mais fina costura possível. O salão estava impecável, uma multidão de pessoas que compunham a alta sociedade, amigos do seu pai. Aliados.
A festa que seu pai organizava era conhecida como a "Festa do Ano", respeitada pela mais alta sociedade. Você esperava que essa festa pudesse colocar-lhe numa boa posição nesse mundo que estava incluída. Ele não era exatamente uma pessoa limpa, em questão dos negócios, mas para ser sincera, ninguém presente naquele salão era. E você poderia se importar menos. Todos ali presentes tinham conhecimento dos negócios que controlavam. Quando você pensava quantas vidas foram tiradas graças aos chefes das grandes quadrilhas — que estavam bebendo e dando gargalhadas, sem nenhum peso na consciência — todo seu corpo arrepiava.
Bandidos, ladrões, assassinos, foras da lei. Quando parte das pessoas escutam algo relacionado a isso, já ligam a pessoas em situação de pobreza. Essa situação se contrastava com a festa, todos possuíam várias casas e mais carros do que dedos nas mãos. Falando em mãos, os anéis que todos vestiam poderiam tirar países da miséria, provavelmente.
Entretanto, seu pai não tinha uma boa fama, se você quisesse resumir. Ele era um homem perigoso e controlador, decidindo patrocinar somente seus aliados. Sua "empresa" concentrava as mais perigosas armas e alucinógenos de Seul, produtos com muito valor comercial. Um verdadeiro sonho para as pequenas gangues espalhadas pela capital. Nem todos ali aproveitando as bebidas servidas pelos garçons eram seus "amigos", porém nenhum se atrevia a cometer qualquer crime contra o anfitrião. Pelo menos, era o que você acreditava e torcia para que estivesse certa.
Respirando fundo, você tentou esquecer toda a tensão, aproximando do excêntrico bar, num lugar mais isolado. Esboçando um sorriso falso, você pediu um coquetel relativamente leve.
— O que uma belíssima jovem como você faz sozinha numa festa como essa? — Uma voz suave surge, muito próxima do seu ouvido e a respiração quente do desconhecido entra em contato com sua pele fria e tensa, fazendo você quase pular.
Monitoração, fiscalização.
Park Jimin brincava ansiosamente com os botões da sua blusa. Ele não conseguia pensar direito. O que ele mais queria era aliviar sua dor, seu stress. O menino de cabelo de cor laranja não conseguia tirar da mente essa tarefa que ele foi designado.
Observar. Assistir. Monitorar.
Era o que ele mais odiava. Jimin gostava da adrenalina. Gostava das brigas, discussões, enfrentamentos, do poder de segurar uma arma e selar o destino de vidas que se apresentavam no seu caminho. Hoje, infelizmente, ele teria que observar seus parceiros agirem. Ele assistiu seus amigos se esconderem nos determinados lugares decididos anteriormente no plano pelas câmeras. Esconderem? Sim.
Eles foram convidados para a grande festa, mas resolveram decepcionar seu "parceiro" e afirmaram que não seria possível comparecer. Jimin engoliu seco ao lembrar a razão da presença do seu grupo. Porque mentir, afinal? O anfitrião, que patrocinava a pequena — porém perigosa — gangue, os enganou, roubando parte do dinheiro, pois não deu todo o carregamento solicitado. E como sempre, problemas como esse não eram resolvidos com um diálogo — o pensamento fez o ruivo esboçar um pequeno sorriso — mas sim das formas mais sujas e dolorosas possíveis. Normalmente ele estaria calmo, acostumado a dormir com o peso na consciência devido as mortes que ele era responsável. Porém essa missão envolvia um dos chefes mais poderosos. E o outro motivo era que eles não pretendiam machucar o traidor em si.
Afinal de contas, qual seria a graça?
Poder, domínio ou autoridade sobre alguém ou algo.
Kim Namjoon se apoiava na pia de porcelana, seus dedos se tornando brancos da demasiada força que ele estava aplicando. Ele não conseguia conter a raiva que sentia. Traição era uma das coisas que ele mais desprezava, talvez fosse pela posição de líder que ele possua esse pensamento.
Namjoon era relativamente jovem, mas a quantidade de pressão e de ansiedade que ele sofria tornou sua feição fria e seus traços mais fortes, resultando numa aparência mais adulta. Ele levantou a cabeça e observou sua figura. Teu terno de coloração escura — um tom de vermelho profundo — fazia contraste com seus cabelos cinza claro. Ele estava usando um óculos de armação fina e redonda para complementar o seu disfarce.
O líder estava em um dos banheiros mais isolados do sumptuoso salão de festas, ligando sua discreta escuta no ouvido direito, para conseguir entrar em contato com seus parceiros. Namjoon tinha estudado cada metro dessa construção, para localizar os melhores e seguros esconderijos. A missão precisava ser executada com perfeição, pois seria necessária manipulação e sangue frio para conseguir enganar sua vítima. A necessidade da presença de todos era imprescindível, pela quantidade de seguranças e de inimigos presentes. O jovem de madeixas claras tinha estudado sua vítima aos mínimos detalhes e ele chegou à conclusão que não se tratava de uma pessoa qualquer. Ele alertou todos os seus comparsas em relação a isso, escolhendo o que ele tinha absoluta certeza que iria realizar o trabalho com perfeição.
Namjoon olhou pela janela, observou a noite escura. Percebeu a ausência de estrelas e respirou fundo. Seria uma noite e tanto para ele e seus seis aliados.
Domínio da própria vontade, das próprias emoções; autocontrole, equilíbrio.
Min Yoongi sempre foi considerado como uma pessoa fria. Até demais. O segundo mais velho entre os 7 se mostrou indignado por não ter sido escolhido para executar a missão. Ao invés disso, ele estava preso aproximadamente pelas próximas três horas com Hoseok, que era praticamente o seu oposto. Yoongi suspirou e colocou as mãos na cabeça, apoiando seus cotovelos no computador, enquanto o seu companheiro não parava de falar. As palavras que saíam da boca do menino imperativo soavam como unhas em um quadro negro para Yoongi que constantemente mexia no cabelo de cor menta.
Os dois homens não se encontravam sozinhos, porque um dos mais novos, Taehyung, estava dormindo no banco de trás da van escura que eles estavam. E o homem de cabelos cor de menta agradecia aos céus — que ele não acreditava, pois seria uma demasiada hipocrisia matar como profissão e possuir alguma crença, pelo menos pela sua concepção — que o jovem menino de cabelos claros estava dormindo e ele esperava que continuasse assim, pois ele sabia como o mais novo entre os três poderia se tornar violento.
Enfim, Min Yoongi, Hoseok e Taehyung estavam responsáveis como plano B, para reagir a qualquer ataque inimigo. Hoseok estava jogando no seu telefone algum tipo de jogo irritante com cores extremamente fortes, Tae estava roncando no banco de trás e o mais responsável estava observando as câmeras instaladas por Seokjin, o mais velho da gangue.
Yoongi — ou Suga, como seus amigos o chamam — é um assassino com sangue frio, totalmente indiferente aos sentimentos das suas vítimas. Era conhecido em toda Seul pela sua agressividade na hora do ataque e ainda mais pela sua limpeza e rapidez. Era extremamente pálido — a razão do apelido que lhe fora dado, que remetia ao açúcar branco — e muito magro. Um homem muito amargo e sozinho, além de fechado. Ele só confiava nos seus parceiros, nada mais e nada menos.
O dono dos cabelos cor verde claro mal consegue se lembrar do último dia que chorou ou sentiu algum tipo de pena por alguém. Ele percebe que Hoseok parou de falar e começou a cochilar, deixando seu jogo barulhento de lado.
Isso causa a imediata lembrança da última vez que sentiu algo de verdade.
Dispositivo ou mecanismo interno destinado a comandar ou regular o funcionamento de máquina, aparelho ou instrumento.
Seokjin estava em um galpão perto da luxuosa festa. Ele organizou cordas, algemas e armas numa pequena mesa encostada na parede. Jin era o mais velho entre todos, uma pouca, mas significativa diferença, já que ele se sentia responsável por todos os erros que ocorriam ou todo momento que algum deles se machucava.
Jin era responsável pela parte mecânica e tecnológica de toda equipe. Escolhia os armamentos mais precisos e discretos e graças aos cuidados dele que a equipe não cometeu erros terríveis em relação ás suas ações — muitas vezes realizadas por causa da emoção.
Era um ótimo cozinheiro — cuida da saúde de todos os membros e é muito emotivo, portanto, não fica responsável nos momentos que são necessário sangue frio, como o do Yoongi. Essa missão em particular preocupa muito a ele, principalmente porque o mais novo é o encarregado de realizar o trabalho sujo. Por mais que ele confie em seu maknae, ele não consegue afastar o sentimento de aflição.
Por favor, que ele consiga fazer tudo de acordo com o plano, o mais velho pensa. Ele olha para as paredes cinzas do galpão e se aproxima de uma pequena janela, observando o céu escuro, livre de qualquer estrela. Ás vezes ele deseja uma vida normal, longe daqui. Mas imediatamente ele pensa nos outros seis membros, que são sua única família e no vínculo de confiança que eles criaram com o tempo. O homem de cabelos escuros engole em seco, sentindo uma leve angústia em relação a essa missão. Ele percebe que seus óculos de armação grossa e preta estão embaçados devido ao frio e limpa-os no casaco. Ele sente o seu celular vibrar na mesa do outro lado da sala — aquela que ele tinha organizado todos os objetos que Namjoom pediu — e estranha. Com passos lentos e pesados, com medo, Seokjin pega seu telefone. Uma sensação de ansiedade passando por ele.
Está próximo.
Jin franze o cenho e respira fundo, tentando se recompor.
Capacidade de reagir de imediato em determinadas situações, por meio de reflexo motor, ou por habilidade.
Jungkook sempre foi perfeccionista. Tinha uma necessidade incessante de realizar todas suas tarefas com perfeição, eliminando quaisquer erros no caminho, mesmo que isso utilizasse violência. O maknae, desde pequeno, era pressionado pelos seus familiares — por casos que ele não gosta de citar — para ser o melhor em tudo. O menino de cabelos negros desenvolveu uma ansiedade severa e passou seus anos escolares sem amigos, focado demais no seu trabalho.
Jungkook se considerava — desde sua infância — uma falha. Um erro. Ele acredita com todo seu corpo e alma que sua condição na gangue, chamada Bangtan, foi uma chance que teve para realizar suas missões com sucesso e se no caminho cometesse erros seria acolhido pelos seus parceiros. Mas isso não impede que ele não busque a perfeição e a superioridade, tornando sua obsessão até doentia por parte do jovem garoto.
Quando seu líder, Namjoon, o designou essa tarefa, ele se sentiu honrado e orgulhoso. Começou a pesquisar sua vítima, sua personalidade e atitude e a cada momento se sentia mais preocupado por conta da importância da missão em si e do seu mártir.
Vai ser tranquilo. Eu vou conseguir, ele tentava pensar com otimismo, não obtendo sucesso.
Agora estava muito bem escondido, num local isolado do bar, somente esperando ela se aproximar já que ele não podia ir atrás dela devido a mentira que havia contado ao anfitrião sobre sua presença. O jovem passou a mão pelos cabelos lisos e negros respirando fundo. Ele nunca foi bom com o sexo oposto, mas essa era uma operação e parte dele não sabia o porquê Namjoon tinha o escolhido.
Escolhendo esvaziar sua mente de toda preocupação, Jeon Jungkook passou um lenço na fina camada de suor que tinha surgido na testa e te viu de longe. Pegou o celular e enviou uma mensagem para o membro mais velho, Seokjin, alertando o início do plano.
Ele sabia que você era uma jovem relativamente bonita pelas fotos, mas não faz jus a sua figura que ele jura se assemelhar a de uma deusa. O maknae não consegue tirar os olhos da sua vítima e sua elegância. Seu corpo radiava perfeição, mas seu rosto mostrava tédio. Ele quase sentiu pena.
Quase.
Jeon estalou seus magros e longos dedos, colocando sua melhor expressão de confiança e flerte e se escondeu nas sombras próximas. Observou como seus quadris moviam a cada passo que você dava se aproximando do bar e sentando no lugar mais longe da multidão.
Fácil.
Jungkook se aproximou e sussurrou no seu ouvido, se sentindo enfeitiçado pela essência doce e levemente cítrica que você exalava.
— O que uma belíssima jovem como você faz sozinha numa festa como essa? — Ele espera que não tenha soado tão clichê quanto parece, mas solta uma pequena e curta risada quando percebe seu susto.
— Também gostaria de saber. — O jovem consegue notar seu tédio pelo tom de voz e pelo jeito que você apoiou seus cotovelos no balcão do bar.
— A festa está linda. Mas a noite, se possível, está mais. Se você se sente tão entediada, se importaria de me acompanhar para tomar um ar lá fora?
— Eu mal te conheço. Apesar de você ter uma figura relativamente atraente e que atualmente estou extremamente chateada, não posso aceitar pedidos assim de desconhecidos. — Jungkook levanta uma sobrancelha para sua escolha de palavras, notando a presença de álcool no seu sistema. Ele se aproxima de você, sentando-se no lugar ao seu lado, tocando de leve seu braço e levantando o seguinte questionamento:
— Então porque não mudamos isso? Meu nome é Jeon. Temos o restante da noite para nos conhecermos melhor. Tenho certeza que uma jovem tão bela e relativamente atrevida como você seria uma companhia interessante para o restante da festa.
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