Contrato de Casamento
19 Capítulo XIX- Ninguém disse que seria fácil
Notas iniciais
Quinn olhou para o relógio mais uma vez e viu que estava atrasada para o almoço. Buzinou irritada como se fosse a solução para o congestionamento a sua frente. Era a coisa que mais odiava em Nova York, o engarrafamento. Inclinou sua cabeça para trás no banco e deu um suspiro longo, pensando no fracasso que estava sendo o seu dia. Tinha planejado passar aquele horário com a esposa, antes que essa voltasse a estudar ou precisasse ir a alguma aula. Queria muito ter esse momento a sós com ela.
Sentia falta dela. Ao que parecia, NYADA andava exigente especificamente com a judia por conta das aulas e provas que perdeu com os ensaios para a peça da Broadway. As últimas semanas que se seguiram, a diva andava muito atarefada. Sempre com matérias para colocar em dia e trabalhos para entregar; e quando havia um tempo livre, resolvia ler algumas das obras indicadas na aula de literatura. Uma das professoras da academia, Cassandra July, designou que a morena deveria ficar tempo a mais praticando a dança já que estava atrasada em relação a turma. Outra coisa que havia tomado o tempo dela.
Nas poucas vezes que desfrutaram de algo mais íntimo, tinha sido arrebatador. Algo havia mudado em Rachel, não saber dizer com precisão o que era, mas claramente estava diferente. Era tão avassalador que dava a impressão de ser uma despedida. Todos os momentos que tiveram uma intensidade tal como fosse o último delas. E isso não era bom. Então, não conseguia evitar essa sensação de a qualquer instante sua mulher iria embora.
Um aperto no peito horrível. Podia sentir com cada célula do corpo quando a morena a beijava, a tocava, estava querendo aproveitar o máximo para em seguida deixá-la. Não existia nenhuma prova concreta que afirmassem que estava certa. Porém, toda vez que deitava sua cabeça no travesseiro para dormir e admirava a beleza da esposa, somando com as vezes que acordava pela manhã cedo e a primeira coisa que via era a mesma se arrumando para ir a aula, Quinn tinha esse pressentimento. De que no fim, sua amada iria deixa-la.
Quando finalmente chegou em casa, estacionou seu carro de qualquer jeito na garagem para ir correndo ver Rachel. Mal passou pela porta e foi sendo recepcionada pela Sra. Jackson, a governanta.
G: Boa tarde, Sra. Berry-Fabray [Ajudou a retirar o blazer da patroa]
Q: Boa tarde, Sra Jackson. [Respondeu educada] Onde está Rachel?
G: Ela estava a mesa ainda a pouco esperando a senhora, mas devido à demora comeu sozinha e se retirou para estudar no... [Fez uma pausa para achar a palavra certa para se referir ao quarto especial feito para a atriz] No último cômodo do segundo andar [Completou meio incerta em relação a denominação que havia usado]
A loira ficou enraivecida. Queria ter chegado a tempo de ficar um pouco com Rachel.
Q: Peça para que preparem meu prato e que seja servido nesse quarto. Estarei lá com a minha mulher [Disse, seguindo para a escada] Leve sobremesa.
G: Senhora Berry-Fabray? [Chamou, fazendo-a parar no meio caminho] A correspondência chegou [Entregou em mãos um bolo de cartas]
Quinn agradeceu e seguiu seu caminho. Passou a olhar as cartas uma por uma de maneira rápida. Eram todas contas. Água, luz, telefone. Seria perfeitamente normal se não tivesse o nome de “Rachel Barbra Berry-Fabray”. Deve ter ocorrido um engano no registro, pois as contas da casa estavam registradas em seu nome. Aquelas contas deveriam ser destinadas a loira e não a outra. Confusa, abriu uma delas. Ao ler sobre o que se tratava, uma ânsia dominou seu corpo. Ela sabia que havia algo errado! E ali estava a prova...
Com o corpo trêmulo de fúria foi ao encontro de Rachel. Abriu a porta do “canto Rachel” e fechou, com violência. A diva derrubou um de seus cadernos em espanto.
Q: Você pode me explicar isso aqui? [Perguntou raivosa, balançando o bolo de cartas na mão]
R: Nossa, Quinn, você me assustou [Abaixou-se para pegar o caderno] Não faço a menor ideia do que seja isso aí
Q: Ah, não? [Sua voz pingava sarcasmo] É a sua correspondência, minha querida esposa. São contas... [Fez uma pausa para respirar fundo] Do seu antigo apartamento! [Andou até ela e jogou os documentos em cima da escrivaninha que ela estava sentada] Por que você não entregou o apartamento?
Rachel ficou em silêncio por alguns segundos, analisando chocada os papeis a sua frente. Pegou um deles, que estava aberto, e olhou para a loira de forma inquisidora:
R: Você abriu minha correspondência? [Perguntou indignada] Ficou louca, Quinn? [Levantou da mesa e espalmou as mãos na madeira com força, encarando a outra de igual para igual]
Q: Não mude assunto! [Devolveu no mesmo tom] Por que não entregou o apartamento?
R: Que direito você acha que tem de fazer isso? [Ignorou a pergunta]
Q: Eu achei que fosse engano. Pensei que fossem as contas desta casa e, que por algum erro, tinham vindo no seu nome [Explicou sem conter a irritação] Mas o que eu encontro? As contas do apartamento de solteira da minha esposa, que por alguma razão ainda o mantém e eu sequer sabia disso! Agora me responda! [Exigiu]
Quinn outra vez estava atacando quando se sentia indefesa. Na verdade, estava apavorada. Durante aqueles dias ficou dominada por um pressentimento que iria perder sua esposa. E a ideia de que ela mantinha o apartamento só parecia confirmar seus medos.
R: Eu não entreguei meu apartamento porque ele não é alugado, é meu! Meus pais o compraram para mim. [Explicou, se esforçando para se manter calma]
Q: E por que não o colocou nas mãos de um corretor imobiliário ou em locação? [Questionou desconfiada]
R: Porque ele é meu, foi um presente e não tenho a intenção de me desfazer dele. [Respondeu, se irritando com a desconfiança] É especial, é o meu...
Q: Lar? [Interrompeu] Aqui é o seu lar. Essa é sua casa! [Elevou a voz]
Quinn se afastou para sentar no sofá vermelho. Pôs os cotovelos sobre os joelhos e curvou a cabeça para escondê-la entre as mãos espalmada. O pânico lhe sucumbiu. Sua esposa ainda mantinha o antigo apartamento por considera-lo a sua casa. Rachel pretendia deixa-la... Seu corpo tremeu por inteiro com aquela constatação, um bolo se formou em sua garganta. A amava tanto que não podia pensar na hipótese de não tê-la mais por perto sem sentir o ar sumir dos seus pulmões.
Q: Por que não me contou? [Deixou escapar uma voz falha]
Rachel, por sua vez, estava completamente estressada. Trabalhos para serem entregues nos prazos, matérias atrasadas, provas, reposição de aulas... Ela não aguentava mais. Além disso, tinha aguentar Cassandra e suas desculpas para fazer a morena ficar tempo extra em suas aulas. Na frente da turma, destrava a atriz constantemente. Era quase assédio moral. E quando se estavam sozinhas, assediava de outra forma. A professora era muito insistente, mas sempre recebia a recusa da maneira mais clara. O que fazia Cassandra ficar com ódio e descontar na aluna no dia seguinte. E essa rotina havia se tornado um clico vicioso na vida acadêmica de Rachel. Mesmo sem fazer movimento algum, podia sentir a dor em seus músculos. Nas pernas, braços, abdômen... Por conta dos exercícios físicos em excesso.
Sua mente estava tão saturada que nem conseguia perceber o real estado de sua esposa ou os reais medos dela. Apenas conseguiu acumular mais raiva com o jeito que estava sendo tratada. Pisou firme, andando, até a esposa.
R: Olhe para mim! [Ordenou e Quinn, espantada, obedeceu] Eu não sabia que devia satisfação sobre meus assuntos pessoais. Ter de informar você sobre cada passo meu. [Subiu o tom, revoltada] Essas contas e o apartamento são assunto meu! O que eu sempre resolvi sozinha. Antes de você...
Q: Exatamente esse o ponto! [Cortou a morena, chateada] Antes de mim... Quando você não me tinha, mas você tem agora! Podem ser assuntos seus, no entanto, diz respeito a nós duas. Você é minha mulher agora. Devíamos tratar dessas coisas juntas! Como um casal e não manter em segredo. [Expôs suas razões] O quer que eu pense sobre isso quando você mente para mim dessa maneira?
R: Nada! Eu não quero que você pense em nada, por que não há nada para se pensar! O apartamento é meu e eu tomei a decisão de ficar com ele. E não pretendo voltar atrás! [Explicou mais uma vez, cansada] E não venha se fazer de vítima, exigir sinceridade nessa relação quando você mesma não é!
Q: o que você quer dizer com isso? [Questionou ofendida, mas tudo o que recebeu foi silêncio] Rachel, sabe que eu não gosto de meia palavras. Se quiser me dizer algo, diga de uma vez. [Irritou-se novamente]
A loira levantou-se do sofá e encarou a mulher a sua frente. Um olhar completamente intenso, desafiante. E para sua surpresa, Rachel sustentou-o.
R: Você também esconde as coisas de Quinn [Acusou] Quando você pretendia me contar que passou minhas contas em NYADA para seu nome?
Q: O quê?!
R: Não se faça de desentendida! [Ralhou] Fui hoje resolver meus horários e minhas notas na secretaria da faculdade, e descubro que consta no sistema Lucy Quinn Berry-Fabray como a minha “responsável financeira” [Estreitou os olhos como se tivesse a pegado no flagra]
Q: Ei, calma, Rach [Suavizou a voz] Eu transferi para meu nome porque agora estamos casadas. Eu tenho o dever de pagar sua faculdade e tenho condição de fazer isso. Não havia sentido que Leroy continuasse a fazer isso... Você é a minha responsabilidade agora. Eu não falei nada não porque fosse segredo ou quisesse esconder. Mas sim, porque achei que fosse óbvio. É claro que eu assumir suas contas no lugar dos pais.
R: Não era meu pai quem pagava NYADA, era eu! [Esclareceu] Eu pagava a mensalidade com parte do meu cachê da peça!
Q: Eu não sabia disso [Arqueou a sobrancelha confusa] Mas nada muda, continuarei pagando sua mensalidade e o resto das suas contas. [Disse firme]
R: A grande Fabray não perderia essa chance, não é mesmo? [Revirou os olhos, irônica] A oportunidade perfeita para colocar a esposa no cabresto [Sua voz agora adquirira um tom venenoso]
Ambas estavam esgotadas. Cada uma por suas razões. A conversa entre elas era necessária. Porém, o momento escolhido fora errado. O ar pairava sobre a gangorra de emoções que fluía das duas. Existia uma divisa grande entre as duas e naquele momento, ambas, a estava a alimentando. Com o medo, a raiva, o cansaço, a mentira sobre os sentimentos, a frustração, a abstinência que sentiam uma da outra.
Ambas estavam perdendo o controle de si mesmas, se precipitaram acusando uma a outra e, por consequência, uma discussões levava a outra. Sem ao menos chegarem a uma conclusão ou a solução sobre a anterior. O que só acumulava ainda mais os sentimentos entulhados dentro delas. E isso era um problema para Rachel, que era uma pessoa passional. Embora tivesse assumido uma postura mais fria, suas emoções ainda a regiam. E se ela estivesse abarrotada, ela iria explodir. Iria colocar para fora.
A porta se abriu, anunciando a governanta com a refeição que Quinn pedira. Antes que pudesse entrar, a judia a bloqueou:
R: Agora não! [Dispensou a senhora Jackson, com rapidez]
A senhora se recolheu na mesma hora, deixando as patroas sozinhas novamente. A diva cruzou os braços e voltou-se para a fotógrafa. Quinn tinha iniciado a conversa, agora Rachel iria até o fim. Tinha muito a dizer.
Q: Por que você faz isso? [Sua voz continha frustração] Eu faço tudo com a melhor com as melhores das intenções. Para agradar você, elogiar, te proporcionar conforto. Por que você merece! [Enfatizou] Contudo, você sempre busca o que há por atrás, fica desconfiada como se existissem segundas intenções.
R: Porque existem segundas intenções, Quinn! [Gritou] Você sempre age de caso pensado, desde o início quando me embebedou ainda mais para me fazer assinar a porra daquele contrato! [Lembrou magoada] E o que espera que pense das suas outras atitudes que foram sinceras e de coração? [Deu uma risada sarcástica] Aquela festa de noivado maravilhosa que você me proporcionou foi feita apenas para que ninguém desconfiasse do seu jogo sujo! O casamento foi da mesma forma! [Julgou fora da razão] Esse cômodo aqui... Você fez com a intenção de me manter sobre seu controle. Desse modo, eu não precisaria ficar no auditório de NYADA e nem na sala de dança por mais tempo quando quisesse. Eu poderia ficar aqui sob suas vistas. E também acho que o mesmo vale sobre as mensalidades... Assim, eu permaneço sob seu controle. [Desferiu as palavras ferinas sem senso de limite]
Q: Pare! [Berrou de volta] Agora já chega, Rachel!
Rachel congelou ao notar que Quinn tremia levemente e seus olhos brilhavam em lágrimas, transbordando mágoa. A morena estava sufocada pelos seus sentimentos e acabou explodindo em cima da esposa, completamente descontrolada. Disse coisas das quais se arrependeu imediatamente. Agora que tinha recobrado a consciência percebeu o quão injusta foi. Observou a loira dar passos trás, completamente atingida pelas palavras cortantes.
Ambas ultrapassaram o limite naquela tarde. Quinn com a invasão do espaço pessoal e as acusações. E Rachel errou ao contra-atacar descontando sua raiva e frustração na outra. A judia claramente estava fora de si quando julgou a esposa daquela maneira. Todavia, tomar conhecimento disso, não diminuía a dor de uma e a culpa da outra.
Rachel sentiu o gosto amargo de seus dizeres infelizes e o peso delas sobre seus ombros e sobre seu peito. Andou em círculos no quarto, vendo as coisas maravilhosas que ganhou da sua mulher. Sentou-se no pufe e fechou os olhos com força.
R: Isso nunca vai dar certo [Sussurrou]
Q: O quê?! [Assustou-se] Não diz isso, Rach, por favor! [Suplicou sofrida]
R: Nosso casamento é uma farsa, Quinn! [Falou alto, mirando nos olhos esverdeados]
Q: Basta! [Trincou os dentes] Não diga mais nada! [Avisou quando viu que a diva iria retrucar] Se você continuar a dizer essas sem sentido, eu... [Tentou ameaçar desesperada]
R: O quê? [Interrogou desafiante] Tem uma clausula no meu contrato que dizia que eu não podia me expressar? [Se precipitou mais uma vez e arrependeu-se no mesmo instante] A quem querendo enganar, Quinn? Isso não vai dar certo. Você espera e exige de mim mais do que eu posso oferecer... [Molhou os lábios] E eu não consigo perdoar você.
O coração de Quinn pareceu parar ao ouvir a sentença. Não queria mais deixar a sua esposa falar com medo de ouvir de novo algo tirasse seu chão. Aproximou-se com cautela e ajoelhou na frente dela, ficando mais baixa por alguns centímetros.
Q: Olha para mim, Rach [Pediu com carinho] Estamos cansadas, com raiva... Não foi o melhor momento para termos uma conversa. Esses não foram bons para nenhuma de nós. Sei como você está esgotada e eu te garanto que também estou [Afagou os braços bronzeados com suas mãos] Eu disse que daria certo, mas não disse seria fácil. Somos decididas, temos temperamentos fortes, mas nos damos muito bem. Não se esqueça do quanto progredimos, do quanto nos aproximamos e nos acertamos...
R: Eu sei [Sorriu triste] Nossa cumplicidade cresceu, mas progredimos em sexo, Quinn. Essa relação vive em altos e baixos... [Suspirou forte] Já parou para pensar em quantas vezes brigamos apenas em dois meses de casamento? [Perguntou retoricamente] Pois, eu já! Sempre brigamos e fazemos as pazes, fingindo que está tudo bem e que é o suficiente. E isso é exaustivo
Q: Não diga isso [Implorou] Não diga que sexo é a única coisa que nos une. Você sabe que não é [Olhou no fundo dos olhos castanhos] Talvez não estarímos nessa situação, se você não ignorasse meus sentimentos...
R: Hã?! [Exclamou confusa]
Q: Você ignora meus sentimentos e sobrepõe os seus. Pensa nos seus medos, desejos, vontades, na raiva que sente de mim, o rancor... Você os coloca no topo e esquece o outro lado. Esquece que existe outro lado nessa história, esquece que existe outra pessoa nessa relação. Uma pessoa que tem medo e insegurança como você, mas que escolhe se manter forte também por você; uma pessoa que também se machuca com palavras, uma pessoa que quer se redimir, se você permitir, uma pessoa que também tem seus desejos... [Levou uma das mãos ao rosto de Rachel para afastar a franja] E eles não se resumem a sexo. Por Deus, eu pensei já estivesse deixado claro.
R: O-o quê? [Amoleceu diante da delicadeza de Quinn e suas palavras]
Q: Eu tenho sentimentos, minha Rach. Vários deles [Assegurou]
R: Sobre o que? [Mordeu os lábios]
Q: Sobre você, por você... Todos eles [Confessou]
Os lábios rosados cobriram os lábios carnudos em toque singelo. Quinn abriu os olhos em busca de uma resposta. Contudo, os olhos de chocolates estavam arregalados em perfeito choque. A diva estava perplexa com a revelação. A loira beijou a testa dela e se retirou do quarto. Essa não tinha mais nada a dizer e seria mentira se não admitisse que estava apavorada. Não tinha revelado a verdade inteira, mas disse que os sentimentos existiam. E também temia ter de ouvir uma resposta incrédula ou mais uma acusação.
Quando entrou no banheiro da suíte do casal, a fotógrafa deixou-se desmoronar. Trancou a porta e chorou ao ver seu reflexo no espelho. As ofensas ditas pela sua mulher martelavam na sua cabeça. O som do seu choro ecoou no local. Parecia que tudo que via feito até ali tinha sido em vão. Seu peito doía dilacerado pelo que ouviu...
Entrou no chuveiro e sentiu água se misturar com suas lágrimas. Ela não iria desistir da sua amada não mesmo. Embora parecesse que estava fugindo, não estava. Apenas precisava daquele momento para extravasar sua ira e seu desapontamento. Sabia que não tinha sido em vão. Se lembrou da emoção nos olhos castanhos gentis, do nariz avermelhado por causa do choro, do sorriso mais lindo da face da terra, da entrega cada vez maior... A morena sentia algo por ela, sabia disso! Essa conclusão acalmou um pouco seu desespero. Quando decidiu casar, sabia que não seria fácil, que enfrentaria barreiras. Porém, não significava que quando acontecia, não doeria.
Só precisava deste momento sozinha agora, não iria desistir. Desejou poder voltar ao início de tudo e fazer certo dessa vez...
Ainda no outro quarto, Rachel permanecia olhando para o lugar por onde Quinn saiu. Repetia mentalmente as últimas frases ditas por ela. Recordou do casamento delas, o sorriso de canto a canto que não deixou os lábios da loira nem por um segundo, a festa de noivado onde Quinn lhe defendeu veemente na frente dos amigos, as palavras ditas na mesma noite no carro, a maneira verídica e aberta como a mesma pediu desculpas no central park, a belíssima decoração na noite de núpcias, exatamente do jeito que ambas tinham sonhado. Rachel começou a hiperventilar, pois o ar parecia ter fugido dos seus pulmões. Lembrou de como foi tocada. Com calma, carinho, paixão. A maneira como disse que iria proteger enquanto sentiu-se insegura sobre o voyer. Lembrou das fotos na exposição da fotógrafa, eram antigas e recentes. A sua esposa tinha aguardado fotos antigas suas durante todos aqueles anos. Olhou em volta, cada livro, partitura, móvel, objeto... Todos escolhidos por Quinn. Posou a visão sobre um jarro com tulipas vermelhas que encontra em seu camarim desde uma apresentação.
Todos aqueles momentos passaram na cabeça da diva como flash. Como pode ter sido tão estúpida? A ponto de deixar seu rancor nublar a realidade bem a sua frente. Era tão óbvio agora. Não era só sexo por parte de Quinn, que tinha demostrado diversas vezes, no entanto, a atriz permaneceu cega pelos seus medos. E as coisas que havia a loira naquela tarde? Rachel chorou por isso. Sentiu como se tivesse extrapolado o limite do absurdo.
E pela primeira vez, Rachel sentiu como fosse responsável por aquele casamento. Sentiu-se que deveria correr atrás se quisesse que o matrimônio desse certo. Quinn já havia dado muitos passos em sua direção, agora seria sua vez. Iria consertar a burrada que havia feito.
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