Contrato de Casamento
5 Capítulo V- Comunicado
Notas iniciais
Quinn estava em seu estúdio organizando os assuntos da próxima exposição. Mas sua cabeça estava em outro lugar. Não conseguia se concentrar em nada. Sua paciência tinha fugido ao lado da sua tranquilidade. Hoje seria seu jantar de noivado. Todos viriam. Seus pais, sua irmã, o antigo glee, os pais de Rachel, Shelby, Beth e os amigos de Rachel. Tinha que ser perfeito, sem erros.
Sua atuação tinha que estar altíssimo essa noite essa noite. Ninguém podia desconfiar de nada. Ainda sentia uma dose de culpa pelas suas atitudes, mas essa noite tudo iria mudar. Faria a sua morena a mulher mais feliz do mundo. Sem mágoas, sem dor. E aos poucos poderia conquistar o seu amor. E esse era só o começo.
Suspirou e parou tudo que estava fazendo. Um dos melhores restaurantes tinha sido fretado para essa ocasião. A comida do agrado de todos e as palavras perfeitamente ensaiadas. Ela exigiu também que Rachel não contasse nada a ninguém, todos só descobririam na hora certa. A única que julgava ser especial era Beth que também prometeu guardar segredo.
Do outro lado de Nova York, a futura estrela acomodava os pais no seu apartamento. Marcou o voo deles para mais cedo, não iria cumprir com que pediu. A família Berry não funcionava assim. Não podia desapontá-los dessa forma. Contando no meio todos que estava noiva de Quinn Fabray. Filha de Russel que tanto perseguiu aquela família por não serem tradicionais. Um casal gay com uma criança. Um escândalo para a cidadezinha de Lima.
Enquanto esperava Shelby, andava de um lado para o outro na sala. Seus pais estavam no banho o que lhe dava tempo de se acalmar e fazer o necessário. Mentiria para todos, olhando nos olhos deles. Não seria tão difícil, fez isso com Quinn. Mesmo amando-a não deixaria tomar controle da sua vida. Não jogaria contra ela, mas ao lado dela. Pelo menos, até sua carreira estar a salvo. Ainda lembrava-se dos olhos de Quinn na noite da apresentação, não podia confiar nela. Só o fato desse maldito contrato existir era prova disso.
Sua vida que sempre fora planejada se encontrava de cabeça para baixo, não permitiria uma bagunça ainda maior. Suas mãos suavam e tremiam. Durante aqueles dias evitou todos. Noah, Jesse, sua mãe, Leroy e Hiram.
Não sabia se conseguia se controlar, uma dor crescia no seu peito. Era fácil mentir, atuar. No entanto, guardar as emoções para si e lidar com elas sozinha era mais difícil.
Se Shelby desconfiasse do jogo sórdido que Quinn estava fazendo para forçar sua filha mais velha a casar, Rachel não sabia do que sua mãe era capaz de fazer. Apesar de saber que a loira era o grande amor da sua pequena estrela. Jamais aceitaria aquele tipo de coisa. Muitas vezes quando ela planejava seu futuro, imaginava a fotografa ao lado. Em circunstâncias completamente diferentes...
Respirou fundo e tentou parecer entusiasmada. Shelby sorria para ela curiosa, enquanto as duas esperavam os dois homens.
Por um momento pensou em pedir ajuda para a judia mais velha, porém as possíveis consequências lhe impediram. No mínimo, ela não permitiria que a filha casasse, caçaria o contrato e rasgaria. Enfrentaria todo o processo na justiça ao lado dela e teria seu nome na lama também. Lutaria para convencer os produtores e diretores de peça. Mas a diva sabia como funcionava o esquema. Ninguém levaria Shelby corcoran a sério por ser sua mãe e por ser sua agente. Defender um filho e um cliente qualquer profissional faria em qualquer situação. Tudo isso porque só estava pensando em seu lado e no mínimo. Era capaz de Beth ser afastada da sua mãe biológica.
Não podia deixar isso acontecer, amava sua família acima de tudo. Não permitiria que nenhum deles sofresse.
L: Então... [Incentivou a filha]
R: Eu não sei por onde começar... [Começou a fingir] Tenho medo da reação de vocês [mordeu os lábios]
H: Estrelinha, sempre estivemos do seu lado, não foi? [Sorriu carinhoso] Pode nos contar tudo
Não papai. Eu não posso
R: Lembram-se de Quinn Fabray?
Então percebendo a reação curiosa e receptiva dos três contou a mesma versão que Beth tinha ouvido, incluído essa conversa e compra das alianças. Os três tiveram as mesma reações.
S: VOCÊ VAI CASAR COM QUINN? [gritou, incrédula] Depois de tudo?
R: Mãe, eu ainda a amo [Tentou se manter contida]
H: Mas e a família dela?
R: Papai, Russel e Judy não serão um problema. Quinn me garantiu. E se forem... É problema dela.
Recebeu seis olhos desconfiados.
R: [pigarreou] Nosso. Eles serão problema nosso. [Corrigiu]
L: E por que diabo só nos contou agora? No dia do noivado? [Cruzou os braços, nada contente com a história]
R: Porque tudo aconteceu muito rápido. Voltamos a ficar juntas e de repente já estávamos noivas [Mostrou a aliança]
S: Querida, tomar decisões precipitadas não é do seu feitio. Tudo bem, se não quiser seguir em frente com isso. Desista dessa loucura.
R: Mãe, como você mesma disse, eu não tomo decisões precipitadas. Não tenho motivo para desistir. Fui completamente racional nessa decisão. [mentiu perfeitamente]
H: Você está feliz, estrelinha?
R: Estou [disse firme]
Shelby não podia acreditar no que ouvia, mesmo não parecendo mentira. Sabia perfeitamente dos sentimentos da filha, da história, de tudo. Entretanto, não acha que a jovem perdoaria assim tão fácil e se jogaria nos braços da ex-namorada. Olhou para a sua cópia mais jovem, vasculhando algum traço de mentira e nada foi encontrado.
L: Se você está feliz e tem certeza do que faz. Não nos resta outra opção a não ser apoiá-la, certo? [Coçou a nuca] Podemos não entender, mas devemos te respeitar.
H: Mas...
L: Hiram, nossa criança cresceu. Temos que respeitar isso também [Cortou o marido] Mas se ele te fizer sofrer...
R: Obrigada pais. Vocês são incríveis [Sorriu sincera]
Mesmo sendo uma situação descabida, foi bom ver que seus pais estariam ali para tudo que precisasse. Até as ideias mais loucas, eles segurariam sua mão. Mas estava óbvio que nenhum deles havia engolido a história que tinha contado. Ficou claro que não entendiam.
Os Berry assumiram a postura de melhores pais do mundo, mas por dentro a desconfiança os corroía. Nunca houve sequer segredo entre eles. Ainda mais um noivado de um mês da sua filha. Eles esteriam por perto segurando as mãos filha, entrariam com ela na igreja, ajudariam com a nova casa. Mas seus olhos de águia estariam procurando por algo mais, qualquer deslize, dúvida, medo e arrependimento. Leroy e Hiram trocaram aquele olhar. Silenciosamente concordavam um com o outro. Não podiam parar a filha por ela ser maior de idade e independente financeiramente. E sinceramente, eles nem sabiam ao certo se esse era o caso. O importante agora era dar o suporte necessário.
S: Então daqui a dois meses você se casa? [Encarou a filha]
R: Sim. E espero ter os três na cerimônia.
S: É claro que estaremos
Ela percebeu a decisão dos Berry e decidiu não se contrapor. Apesar de não estar convencida, ficar contra não era sensato. Mas Quinn Fabray que aguarde, a mamãe ursa iria investigar essa história a fundo.
L: Então eu acho devemos dizer parabéns [Sorriu forçado]
Os pais foram até a filha e envolveram num abraço. Se ela estava feliz, eles estavam feliz. Por hora, isso bastava. Sentiu os braços da mulher Corcoran também. E um alívio lhe consumiu, sabia que persuasão não tinha sido perfeita, mas pelo menos foi bem sucedida.
Com a desculpa de que precisava estudar, se retirou para o quarto. Quando a porta se fechou, quis chorar mas não havia lágrimas e nem tristeza suficiente.
E pela primeira vez sentiu-se irada com a Fabray. Xingou a loira por força-la casar desse modo, xingou por ter que mentir para os pais
Filha da puta!
xingou-se pelos pensamentos na noite do espetáculo, xingou-se por no fundo não estar com tanta raiva de verdade, xingou-se por ter criado esperança.
O fato de aceitado e se acostumado com a ideia não lhe tornava passiva. Com certeza não estava de abraços abertos para a nova vida, mas não estava revoltada ou fechada. Era tão paradoxo.
Você é um paradoxo, Barbra
Só sabia descrever como desapontada. Mas com quem? Com Quinn? Com si mesma? Com a vida? Não tinha essa resposta.
Se jogou na cama e grunhiu frustrada. Usou suas almofadas com saco de pancada. Não tinha a menor ideia do que estava fazendo, nessas situações de desespero, de sentimento. Ela costumava sentar a cabeça no colo de Shelby ou Noah onde ficava ouvindo palavras de conforto, bons conselhos.
No entanto, essa possibilidade não existia. Não podia dizer nada ao seu melhor amigo, era arriscado de demais. E a sua mãe só tornaria as coisas piores do que já são.
Batidas na porta interromperam seus pensamentos e podia apostar sua biografia de Barbra Straisand que era a mamãe Corcoran. Pegou um livro e os cadernos para confirmar que estava estudando.
S: Posso entrar? [Abriu a porta]
R: Entre [Disse sem tirar os olhos dos livros]
Sentou na cama e olhou para a jovem que não retribuiu. Com gentileza tirou o livros da mão, roubando com atenção.
S: Papo de mãe e filha? [Sugeriu]
Rachel guardou todos os cadernos e o livro na prateleira, voltando a atenção para sua agente.
S: Quer me contar me contar o que acontecendo? [Assumiu uma pose séria, mas carinhosa]
R: Do que está falando? [Fingiu inocência] Eu já falei tudo.
S: Eu sei [bagunçou o cabelo] Eu ouvi tudo, mas... [mordeu os lábios] Só não parece você
R: Eu sinto muito por isso. Sei que pareceu injusto e ingrato da minha parte. Mas como eu poderia contar para vocês que estava com Quinn de novo? A filha de Russel, o maior homofóbico de todos os tempos? A mãe biológica da sua filha?
Ao ver tanta verdade, o seu coração se acalmou. Porém, o sensor mamãe ainda estava ligado.
S: Parece realmente uma confusão dos diabos [Admitiu] Então vai mesmo casar? Noivar hoje? [Perguntou desafiante]
Sentiu a pressão das palavras, mas não podia titubear.
R: Vou [Respondeu à altura]
S: Como sua agente, eu devo te avisar que não é um bom momento para se casar. Está no meio de uma temporada de apresentações, Rach. Não vão te dar férias ou licença para uma lua de mel, no máximo uma folga. Tem certeza que não quer esperar? Por que tanta pressa?
Foi nesse momento que a mente da diva deu um estalo. Não era somente preocupação, papo de mãe e filha. Era como um jogo de Pôquer, sua mãe estava dando cartadas e blefes para conseguir suas jogadas.
Mas que gênio!
R: Quinn tem pressa. [Respondeu dando de ombros]
Então os senhores Berry apareceram na porta, sorrindo.
H: Então quer dizer que vamos jantar hoje Russel? [Gargalhou]
Salva pelo gongo, Barbra
Rachel acompanhou a risada do pai. E como a sua risada era algo contagiante, todos os presentes começaram a rir.
L: O que devemos esperar desse jantar? [Se dirigiu a filha]
R: Sinceramente? Eu não sei. Mas podem por favor fingir que estão em choque quando Quinn der a notícia? Fingir que eu não estraguei a surpresa dela?
O celular apitou na hora do banho, abriu o box esticou o braço para pegá-lo. Era a diaba loira.
O que ela quer agora?
“Rach, meus pais já chegaram. Estou com os dois saindo aeroporto. Ansiosa para hoje, não se atrase!”
Bufou e colocou o celular no lugar.
~FLASHBACK ON~
Depois de fazerem amor, as duas estavam nuas e abraçadas. Rachel distribuía beijos delicados pelas costas branca. Era maravilhoso esse momento.
R: É tão bom ter assim [mordeu o lóbulo da orelha] Ter você nos meus braços
Q: [Se afastou, cabisbaixa] É a nossa última vez [Lembrou, incapaz de olhar nos olhos de chocolate]
R: O quê? Não! [Implorou] Você não pode me deixar
Q: Rach [Se preocupou] Se meus pais descobrirem, eu... Você... [Começava a chorar] Eu não posso continuar com isso. E não posso prender você a mim, não é certo...
R: Eu me prendo a você [limpou as lágrimas da sua garota]
Q: [Olhou encantada] Você ficaria comigo mesmo assim? Em segredo? Seria minha namorada em segredo? Faria isso mesmo?
R: Sim. Só não me deixe sem você [Pediu]
Em movimento rápido, Quinn subiu em cima de Rachel. Beijou com calma, amor. Sugou sua língua, mordeu os lábios grossos.
Q: Rachel Berry, você aceita ser minha namorada? [pergunto entre o beijo]
Retomou sem tempo para resposta, não precisava de uma. Ganhou uma mordida sexy no lábio inferior.
R: Eu seria qualquer coisa que você quisesse, qualquer coisa precisasse [ E deu o sorriso que a loira tanto amava]
As línguas voltaram a se encontrar de forma apaixonada. O melhor beijo de todos que já deram por que estavam juntas. Podiam ser elas mesmas ali naquele quarto, sem medo, sem retaliação e sem inibição.
Q: Diz de novo [sussurrou]
R: Qualquer coisa que você quiser, qualquer coisa que precisa [disse sobre os lábios]
~FLASHBACK OFF~
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