Contrato de Casamento

22 Capítulo XXII- "Nós"


Notas iniciais
Heeeeeeey como vão? Me desculpem não ter postado ontem, mas foi dia das mães e eu passei o dia inteiro com a minha. Laly Yuliana, obrigada pela recomendação. Ainda estou anestesiada. Espero que tenha gostado mensagem que mandei. Trilha sonora: Mirrors - Justin Timberlake (Boyce Avenue feat. Fifth Harmony cover)

Por mais que a relação entre elas ainda estivesse frágil, por mais que ainda existisse mágoa e receio, recuar não foi característico de nenhuma das partes envolvidas. Elas simplesmente se deixavam progredir. Quinn não se preocupava em esperar por Rachel, que cedia por inteiro agora e até se arriscava tomar a frente. Transcorriam de forma equilibrada. Durante o dia, se ocupavam com o trabalho e os estudos, mas no fim, retornavam para casa, jantavam juntas, conversavam e se amavam. Ora de maneira doce, ora de maneira mais intensa. O casamento se solidificava cada dia mais. Agora questão de tempo. Tempo para crescer, curar as feridas, se desprender do medo.

Não apenas uma mudança na relação, abrangia o externo também. Rachel sentia-se mais leve e feliz. Sorria para o nada, gargalhava para tudo. Chegou em sair para almoçar com os antigos colegas do coral e interagiu animadamente com cada um deles. Sem conter-se na educação ou sem um pedido da esposa.

Rachel olhava para o seu reflexo no amplo espelho da sala dança. As faces estavam rubras, seu cabelo bagunçado, a pele suada. Tinha sido mais uma aula difícil, especialmente para ela.

C: Fim da aula. [Decretou]

Quando ouviu a dispensa de Cassandra, a turma inteira ficou aliviada e começou a dispersar para livrar do demônio loiro. Rachel voltou a sorrir, retornaria para os braços de Quinn. Fora uma atenuação do peso sobre si, o fato da sua amada não prendê-la a responsabilidade de persistir em busca de perdão para que a confusão da briga se resolvesse. Estavam bem e cada vez melhor.

C: Você não, Rachel [Impediu-a de ir embora] Vai fazer extra novamente. É discrepante a diferença entre a evolução da turma e a sua [Declarou venosa] Pode me agradecer mais tarde pelo reforço.

Rachel gemeu em frustração audivelmente. Girou os pés e voltou para o centro, assim que largou sua bolsa em algum canto. Os outros estudantes passavam por ela e sibilavam “boa sorte”. A professora esperou paciente todos se retirarem para dar início.

R: Então, no que estou errando dessa vez? [Perguntou, tentando ficar calma]

C: Em alguns pontos [Aproximou-se perigosamente] São poucos. Vou ajudar a consertar. [Se posicionou atrás dela]

Cassandra deslizou as mãos pelos ombros da morena e desceu pelos braços bronzeados. Em seguida, segurou firme na cintura, enquanto cheirava o cabelo castanho.

R: Cassandra, pare [Alertou-a, mas foi em vão] Agora! [Soou dura]

C: Por que? Você não sente minha falta? Não quer estar comigo de novo [Afastou-se estressada] Eu não entendo! Tínhamos alguma coisa, algo ótimo... e ainda que tivesse terminado de maneira horrível, não vejo como pode ter me esquecido e casado do dia para a noite. E-eu sinto sua falta

R: Eu sinto muito por isso. Não faça isso consigo, não se transforme o nosso relacionamento em algo maior do que realmente foi. Sabemos o que ele significou. [Sua voz denunciava toda a sua impaciência para tratar do assunto]

Praticamente em todas aulas de dança era mesma coisa. Cassandra July arrumava uma desculpa para que ficassem juntas e sozinhas, investia e discursava os mesmos dizeres. O que esgotava a paciência da judia.
A professora a virou, fazendo os corpos colidirem bruscamente. Os olhos verdes pareciam estar em chamas.

C: O quer insinuar? Que não foi importante? [Aumentou o aperto no braço dela] Eu fui mais uma para você?

R: Me largue! [Exigiu, soltando o aperto] Não ponha palavras na minha boca. Eu não trataria alguém de tal forma. Me conhece o suficiente para saber que jamais faria isso. Eu nunca iludi você sobre o que éramos naquele namoro, cujo as regras eram ditas por você. Foi bom, mas se tratou de algo físico. Sabemos disso.

C: Não era isso que você me dizia, Rachel! [Rebateu furiosa]

R: Não? Me desculpe se não fui clara [Seu tom era sarcástico] Vou tentar ser bem objetiva dessa vez. Fomos namoradas. Tivemos companheirismo, respeito, atração, sexo... [Fitou os olhos da loira] Entretanto, foi só isso! Nunca falamos de sentimentos. E chegou ao fim, sem saudades, sem arrependimento. Como você sabe, eu casei. Eu gosto da minha esposa, eu quero estar com ela e mais ninguém. Por isso, pare de insistir, de me perseguir. Respeite meu casamento e a você mesma. Não perca sua ética e nem seu tempo.

C: Cuidado com o que fala [Avançou sobre ela] Perdeu o juízo? Esqueceu que sou sua professora? [Lembrou em tom de ameaça]

R: Quem esqueceu disso foi você [Retrucou prontamente] Você extrapolou os limites e confundiu os assuntos. Nossa relação tinha parâmetros, e esses se mantinham fora de NYADA. Não queria perder sua moral como professora e eu não queria que achassem que recebia privilégios. [Pontuou extremante irritada] No entanto, você está misturando as coisas. Trouxe seu pessoal para o ambiente profissional. Eu estava discutindo com minha ex-namorada e não com a minha professora.

Cassandra limitou-se a lançar um olhar gélido para a estudante, que correspondeu à altura. A mesma sabia que estava com a razão, já que foi o seu espaço pessoal invadido. A diva se encaminhou para saída, mas foi barrada.

C: Aonde pensa que vai? [segurou-a] A aula ainda não acabou. Comece já! [Ordenou]

Rachel sabia que era somente uma questão de medir forças naquele momento. Porém, não era sábio desobedecer a professora agora. Então assentiu e começou a fazer os passos. Eram suaves e precisos, executados com graça sob a avaliação da loira, que sempre criticava e mandava recomeçar. A morena estava cansada, seus músculos doíam, seus joelhos já não conseguiam sustentar seu peso. Ainda assim, a diaba loira parecia irredutível.

Q: Rachel? [Chamou]

A judia parou de fazer coisa qualquer para olhar para a porta, onde estava uma linda Quinn, com uma feição confusa, mas um belo sorriso nos lábios rosados. Olhos esverdeados dela percorreram o corpo moreno, coberto por um colam preto.

R: Quinn, o que faz aqui? [Andou até ela]

Q: Eu estava preocupada. Você estava demorando e até onde eu sabia, não tinha aulas no período da tarde hoje. [Franziu a testa, confusa]

Rachel imediatamente sorriu de canto a canto e ficou na ponta do pé para escovar os lábios nos de Quinn. Ouviram um pigarro e se separaram.

Q: Podemos ir? [Sorriu docemente]

C: Não [Pronunciou-se] Ela não está acertando a coreografia e precisa ficar até conseguir, senhora...

Q: Quinn Berry-Fabray [Estendeu a mão, que foi apertada]

C: Oh.. Quinn [Repetiu o nome com certo desprezo, desviando o olhar para Rachel, que enrijeceu perceptivelmente]

Q: Eu não acho que minha mulher esteja em condições de continuar com o treinamento [Reparou no estado físico da diva] Ela precisa descansar...

C: Ela pode descansar depois de acertar os passos [Replicou autoritária]

Vendo que a esposa estava quase retrucando, Rachel fitou-a. Suplicando para que não o fizesse, com medo de piorar a situação. Voltou para a posição de dança e repetiu a sequência inúmeras vezes até matasse a vontade de Cassandra. Pelo canto da visão, observou Quinn de expressão fechada e dentes trincados, segurando-se para não intervir. Quando finalmente a tortura acabou, a morena pegou suas coisas com dificuldade, pois suas pernas estavam bambas.

C: Esperou que tenha aprendido a medir as palavras [Sussurrou, antes de se retirar]

Um arrepio frio cobriu a espinha de Rachel. Cassandra July era mesmo muito baixa! A mão alva tomou a bolça e a outra entrelaçou os dedos, levando-os aos lábios.

Q: Foi magnífica, Rach. [Elogiou] Agora, deixe-me levar isso.

Quando estavam a caminho de casa, Rachel voltou a sorrir. Sua amada tinha lhe feito uma surpresa e quase tentou enfrentar July por sua causa. Derretia-se cada vez mais.

R: Não precisava ter vindo me buscar [Disse sem conseguir tirar o sorriso do rosto] Podia ter mandado o motorista.

Q: De jeito nenhum [Retribuiu o sorriso] Eu quis vir

R: Obrigada [Agradeceu tímida]

O carro por ser automático permitia que uma das mãos de Quinn ficasse livre para passear sobre as coxas torneadas e totalmente descobertas da esposa.

Q: Rach, qual é o problema com sua professora de dança?

R: O quê?! [Assombrou-se com a ideia de que ela tivesse percebido algo] Não tem problema nenhum [Desconversou]

Q: Eu achei meio abusivo o comportamento dela [Mantinha a atenção no trânsito] A maneira como ela falou e tratou você [Sua voz continha indignação]

R: Ela é assim com todos, Q [Começava a ficar nervosa]

Q: E por que você não falou nada ou me deixou fazer algo? [Questionou desconfiada] Você nunca deixou alguém te tratar daquela forma, Rach [Parou o carro no sinal vermelho e voltou-se para ela]

R: Porque ela é a professora! É ela quem me aprova ou reprova, e é amiga de todos os outros que fazem isso também. É assim que funciona [Se justificou nervosa]

Q: Eu também tive a leve ideia de que ela já me conhecia e de algum modo não gostava de mim. [Comentou perspicaz]

R: Não é nada demais [Corou ao lembrar da garfe que cometeu durante seu breve namoro com Cassandra] Impressão sua [Desviou o olhar para a janela]

Ficou claro que Quinn não se deu por vencida, no entanto, iria deixar passar essa devido ao cansaço da sua mulher. Portanto, continuou a dirigir para casa.

***

Quinn beijava as costas e deslizava o nariz pela pele sedosa, aspirando ao máximo o perfume natural existente ali. Assim que chegaram em casa, tomaram banho e comeram juntas, então a paixão latente entre elas falou mais alto. Às vezes, a loira tinha medo de assustá-la embora a reação da outra fosse justamente o oposto: Entregou-se a ela mais uma vez para fazerem amor.

Rachel tinha uma expressão serena, enquanto desfrutava do carinho. O cabelo espalhado no travesseiro e o olhar fixo na janela.

Q: No que está pensando? [Perguntou com os lábios grudados na nuca dela]

R: Huh? [Murmurou confusa, despertando do devaneio]

Q: Eu perguntei no que estava pensando [Repetiu rindo baixinho da careta confusa feita pela esposa]

Quinn deitou atrás dela, juntando os corpos o máximo que pôde, repousando a mão na cintura nua. Rachel pegou a mão e ficou olhando o contraste. Não somente o tom das suas peles mas também, a temperatura e o formato das suas mãos. A bronzeada era um pouco mais larga e menor, os dedos retos e longos. A branca era mais fina e maior, com os dedos não-alinhados, quase tortos. Quinn notou tudo isso também. Virou a palma para que a morena colocasse a sua em cima.

R: Eu estava pensando em nós [Finalmente respondeu]

Q: Em nós? [Virou-a em seus braços, ficando de frente uma para outra] No que exatamente? [Sorriu amplamente]

R: Em como fomos um bom “nós” [Seus olhos ganharam um brilho diferente]

A voz da judia carregava uma certa nostalgia e um sorriso bobo brincava nos lábios grossos, o qual a fotógrafa se perdeu admirando. Era a primeira vez que ouvia Rachel falar do passado sem rancor. Mais uma vez, Quinn ruía uma parte do muro emocional, construído entre elas.

Q: Nós fomos um “nós” maravilhoso [Puxou-a ainda mais contra si]

Quinn mordeu o lábio inferior de Rachel e sugou-o levemente. Beijaram-se devagar, com carinho e paixão. Refletindo o que disseram e o queriam dizer. Quebraram o contato e, antes que a diva escondesse o rosto no pescoço alvo, deu o sorriso que já era tão delas.

Q: Sabe de uma coisa? [Acariciou as madeixas castanhas] Vamos ser ainda melhor.

R: Eu quero isso [O som saiu abafado]

Q: Você quer? [Indagou maravilhada]

R: Quero [Ratificou, afastando-se para encará-la]

Q: Então vamos ser um “nós” perfeito...

Quinn já não segurava a felicidade em seu peito. Embora ainda houvesse muito o que lapidar nessa relação, elas progrediam constantemente. Sem voltar atrás. Porque, às vezes, a chave para progredir era reconhecer como dar o primeiro passo. E elas fizeram isso. Confessaram a existência de sentimentos. Então a jornada do romance delas começou. Esperaria pelo melhor... não... ela buscaria o melhor. Ainda que cansada, ainda que queira abicar. Não desistiria. E agora não estava mais sozinha. A sua mulher também estava nessa. Iriam trabalhar juntas para que desse certo.

Rachel, por conseguinte, ainda pensava que o casamento tinha grandes chances de dar errado. Seria ela a mesma tola romântica da outra vez? Contudo, escolheu arriscar. Era algo que precisava fazer. Tinha de cometer os próprios erros, tinha que parar de varrer a responsabilidade para baixo do tapete a fim de compreendesse que o saber era melhor que o ponderar, despertar era melhor do que sonhar. O medo ainda existia, mas já não a dominava. Não tinha certeza como acabaria, bem ou mal, porém ela lutaria pela primeira opção. Não seria mais espectadora, correria atrás.



G: Com licença, sra. Berry-Fabray... [Pediu constrangida]

O casal fez planos de passar a tarde juntas, conversando e assistindo filmes, desfrutando da companhia uma da outra. Mas a loira não resistiu à tentação de ficar vendo a esposa morder o lábio apreensiva com o desenrolar da trama do filme. Logo, estavam se beijando apaixonadamente. Sentadas, de frente uma para a outra, as mãos da morena seguravam a cintura fina, por baixo da blusa, enquanto a outra emaranhava os fios castanhos e arranhava de leve a nuca.

Q: Sim? [Quebrou o beijo, irritada pela intromissão]

G: Vocês tem visitas [Acuou-se diante da reação da patroa]

Rachel revirou os olhos para a postura da amada e deu leve no ombro, mandado que amenizasse o tom. Falou de maneira atenciosa:

R: Quem são essas visitas?

S: Somos nós, hobbit [Falou ato, entrando sem permissão]

B: Oi Rach e Q! [Cumprimentou sorridente]

Santana Lopez entrou no recinto com toda a sua imponência, ao lado de Brittany Pierce, que segurava um belo embrulho nas mãos.

Q: Puta que pariu! [Xingou diante da inconveniência das amigas, fazendo Rachel rir baixinho]

B: Espero que não estejamos atrapalhando [Disse receosa]

S: Não estamos, Britt-britt [Beijou o rosto dela] Eu já te expliquei que estamos ajudando. Não faz bem que elas fiquem se comendo o dia inteiro como coelhos.

Rachel corou no ato com o comentário, recebendo as gargalhadas maldosas de Santana e um olhar solidário de Quinn.

Q: E não faz bem não conseguir cuidar própria vida, Satanás [Alfinetou de volta] O que vocês vieram fazer aqui?

B: A gente trouxe um presente! [Exclamou animada]

Q: Um presente?

B: Sim! [Entregou-o] Foi ideia da S...

Chocadas com a inusitada revelação, o casal virou para a latina que estava ruborizada. Ela pigarreou na tentativa de desfaçar.

S: Não foi bem assim [Defendeu-se] Eu devo ter mencionado algo sobre o assunto e Britt me arrastou para a loja.

B: Não é assim que eu lembro... [Replicou confusa]

S: Abram logo o presente! [Cortou a namorada]

Quinn sorriu maldolsa por Santana está deixando seu lado sensível aparecer. Desfez a fita da caixa e levantou a tampa e se assustou com o que viu.

Q: Um cachorro?

B: É fêmea. A raça é coker spaniel. Assim que eu vi esse filhote, não tive dúvidas [Sorriu doce] É a cara da Rachel!

A judia fez uma careta ao ser comparada com uma cadela. Tirou o filhote da caixa e o suspendeu até a altura de seus olhos. O pelo era marrom, possuía um focinho avantajado e as orelhas eram caídas e compridas de tal forma que balançavam. Os olhos negros dela se encontraram com os olhos de chocolate da mulher, e o animal lambeu a ponta do nariz, fazendo-a sorrir imensamente. Ela entendeu o que Brittany quis dizer.

Q: Que nome quer dar para ela? [se referindo a esposa, encantada com a cena que acabara de ver]

S: Barbra não! [Protestou de início] Seja menos óbvia

B: Já sei! Lady [Sugeriu eufórica]

Q: Nada original, Britt. É o mesmo nome da cachorra da Disney

Enquanto elas discutiam, Rachel continuava encarando o bicho de estimação que devolvia o olhar. Depois de um tempo, se decidiu:

R: Grammy!

As demais pararam de falar de imediato. Se entreolharam e explodiram em gargalhadas sonoras. Aquilo era tão... Rachel!

Q: Vai dar um nome de premiação a ela? [Perguntou entre risos]

R: Ei, parem de rir. É um ótimo nome, ok? [Queixou]

B: Mas o nome do prêmio da Broadway é Tony

R: Eu sei, mas o nome é masculino. E eu quero algo ligado a música. [Explicou emburrada com as piadas]

As quatro ficaram a conversar, entre piadas e risadas, até que as visitantes resolveram se retirar. Antes que fosse, Rachel segurou a latina pelo abraço e agradeceu. Ficaram trocando um olhar intenso, o qual causou uma alerta em Quinn, que lembrou do festa da amiga onde houve um dialogo nada agradável entre a esposa e a melhor amiga. Tinha observado tudo de longe. Pelo visto não somente Quinn que tinha coisas para consertar com Rachel...

Notas finais
Então o que acharam do casamento solidificando? E da pequena Grammy? Chegou a hora da calmaria... Obrigada pelos comentários, a quem favoritou e boas vindas aos leitores novos. Apareçam para dar um "oi" para eu conhecer vocês, ok? Então, para quem não sabe hoje, segunda-ferira, é aniversário do Cory. Quer dizer, seria se ele estivessem vivo. São quase dois anos sem ele e existem muitos fã que ainda não conseguiram dizer adeus e eu sou uma delas. Nós sentimos sua falta, Cory! Happy B-day